Realidade
Martha estava encantada pela vida diurna que agora a conquistava. Porém, enquanto o encanto se assentava, a razão voltava a ocupar a sua mente e seus sentidos: percebera que estava estatelada no chão já havia tempo e nenhum pedestre havia oferecido ajuda. Todos passavam apressados, provavelmente pensando no trabalho e evitando todas as outras formas de vida assim como ela própria havia feito na madrugada. Depois de muito esforço, convencera uma moça que passava a parar e chamar uma ambulância. Quando esta chegou, Martha estava novamente sozinha. São Paulo perdeu as cores e a magia e voltou a ser cinza. Ela descobriu que os raios de sol não mudavam a cidade, não encantavam a mais ninguém. Sozinha vivia de noite, sozinha vivia de dia.
Texto por Isabella Machado
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