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Martinho
12:31 PM] cactu🌵♥:
minha chuva em meio a seca e quanto tempo faz desde a última tempestade?
quanto tempo faz desde que vc se foi? e quanto tempo faz que vc me esqueceu?
só me deixou a tristeza de ter partido e me deixado, de ter seguido em frente e me esquecido aqui atrás, como se de nada valesse nossa amizade, a minha calmaria me deixou perdida no meio do imenso oceano e eu?
Eu fiquei aqui boiando me tornando uma bagunça cada vez maior, tentando desatar nossos nós que só existem dentro de mim
[13/11 12:44 PM] cactu🌵♥: tentando esquecer nossos planos, de sair pra curtir uma noite, de finalmente nos encontrar sentar na grama num lugar quieto contar nossas histórias cara a cara deitar no teu colo e finalmente sentir q me encontrei e ter a certeza de que vc era a cola que juntava todos os meus caquinhos, os planos de daqui dois anos morar juntas ter nossos cats,o plano de ir até Paranapiacaba conhecer o seu lugar.... eu ainda viajo nesse passado e penso como seria agora nosso presente. Vc ainda é o melhor de mim, ainda é minha alma gêmea.
Martinho da Vila - Casa de Bamba (1969)
A não ser que eu seja convencido pelo testemunho da Escritura ou por clara razão, pois não confio nem no papa nem em concílios isoladamente, visto que se sabe muito bem que eles têm errado e se contraditado muitas vezes. Estou preso às Escrituras que citei e a minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Não posso retratar-me, e não me retratarei de coisa alguma, uma vez que não é seguro nem correto ir contra a consciência. Não posso agir de outra forma: aqui estou. Deus me ajude. Amém.1
Martinho Lutero
Martinho
Praça da Bandeira, d. 1880 / Bibliothèque Nationale de France
"Martinho João Tavares, o popular mestre Martinho, como o chamam, arregimenta anualmente os devotos do Divino e leva a efeito a festa com esforço constante e tenaz, mostrando em idade já avançada, a resistência do seu senso religioso ao enervamento que atirou por terra a grande e aristocrática festa dos tempos passados (…)
A festa do Divino no Pará mostra, em confronto com outras similares de outros Estados, sempre a reminiscência metropolitana do passado, a par de solenidades novas, originais, por assim dizer, modificações sensíveis, em cuja composição o meio físico tomou saliente (…)
Mais ou menos pelo ano de 1848, Martinho João Tavares e seus primos Antônio de Belém e Benedicto Manuel dos Santos habitavam com a sua família numa casa da rua Nova de Santana [atual Manoel Barata]. Eram os três, então, aprendizes de ofício, com pouco mais de uma dezena de anos cada um (…) Assim os três rapazinhos faziam anualmente a sua festa do Divino, em família, sem aparatos, que a sua pobreza os não permitia.
Uma pequena coroa de miriti, encimada por um mundo e uma pombinha de cera, era depositada em altar modesto, por eles mesmos feito, onde reluziam, à noite as luzes de algumas velas.
Reunidos com outros rapazitos, cantam diante do símbolo da sua devoção, e, no quintal da casa, erguiam uma vara revestida de vistosa folhagem, arremedo do grande mastro levantado no largo da Sé (…)
Um mulher parda, de nome Maria Thereza, enfermou gravemente, de modo que nenhuma esperança havia sobre o seu restabelecimento (…) lembrou-se daquele Espírito Santo das crianças (…) para ele apelou em súplica, prometendo mandar fazer em troca de sua saúde, uma pombinha e um mundo de prata para a coroa de folha, e dizer uma cantata na Igreja de Santana. O seu mal abrandou e extinguiu-se, pouco a pouco, e ela, boa e forte como antes cumpriu o prometido.
Então a coroa foi, pela primeira vez, levada à igreja, depositada em um verdadeiro altar, e exposta à veneração franca do público.
Este progresso autorizou também uma reforma no mastro; com mais solenidade, abandonaram Martinho e os seus primos o quintal da sua casa e foram levantá-lo no Largo do Quartel, entre um poço que lá existiu e a forca, armada quase à boca da rua das Flores.
Em 1850, Martinho casou-se, mudando de residência para a travessa Estrella [av. Assis de Vasconcelos]. Com ele mudou-se também a festa, que, sem interrupção de um só ano, continuou a ser feita, levantando-se o mastro no Largo do Chafariz, assim chamado pelas duas bicas de pedra, para as quais se descia por uma escada de cindo degraus, que aí mandara construir em 1801 o governador Francisco de Souza Coutinho (…)
Pelo ano de 1865, tomou ele [Martinho] a resolução de construir humilde casa no Umarizal, então arrabalde da cidade, ainda não delineado.
Na travessa D. Romualdo de Seixas, pomposo nome dado a uma picada, mais ou menos desembaraçada de mato, levou a efeito o seu plano, estabelecendo-se no lugar em que ainda hoje vemos a sua casa pobre e humilde. Não existiam naquela época o prolongamento da rua S. Vicente [Manoel Barata], a travessa Dois de Dezembro [Generalíssimo], a rua Diogo Moia e as demais daquele bairro.
Um caminho tortuoso que ia do Largo da Memória ao largo de S. João, era o único trilho acessível, do qual partiam picadas laterais para diversos pontos.
A população, esparsa e pouco densa, toda pobre, habitava palhoças, ora agrupadas, ora afastadas umas das outras (…)
No domingo que precede a quinta-feira da Ascenção do Senhor, os devotos reunem-se na modesta casinha do mestre Martinho, para iniciarem as solenidades costumadas.
O bando exibe logo uma característica mescla de trajos: uns apresentam-se vestidos à maruja, que talvez seja uma reminiscência dos marinheiros da Armarda, que antigamente auxiliavam todos os trabalhos da festa, pondo uma nota vistosa no meio dos paletós e camisas de várias cores que os outros vestem.
Trate-se de escolher na mata próxima, uma árvore nova, alta, e de madeira leve, para servir de mastro, tarefa dantes facílima pela densidade das florestas virgens e hoje dificuldada pelas devastações dos lenhadores e dos estancieiros.
Parte alegre o grupo, levando consigo a bandeira do Divino, de damasco encarnado com a pombinha branca ao centro, e a caixa, cujo som caracteriza, anuncia e acompanha todas as formalidades.
Ao entrarem nas matas da Pedreira, dispersam-se todos em pequenos grupos, em diversas direções; comunicam uns ao outros os resultados das suas buscas, travam discussões sobre as qualidades das árvores escolhidas; os terçados abrem golpes profundos nos lenhos para verificações.
Por fim cessam as divergências diante de uma árvore que reúne todos os requisitos indispensáveis; é chamado o protetor, título de que goza o velho Mestre Martinho; este examina por sua vez o madeiro, ao som de compassadas e certas baquetadas no tambor.
Finda esta solenidade inicial, os devotos, armados de reluzentes e afiados machados, estendem por terra a árvore, despojam-na de galhos e folhas, tomam-na sobre os ombros e conduzem-na até um lugar limpo fora da mata, onde a deixam ficar (…)
[na quinta-feira] atinge a festa o apogeu (…)
Desde as noves horas da manhã afluem os festeiros à casa do protetor (…) Uma grande mesa, servida sem aparatos mas com abundância, chama os devotos; vai começar o almoço dos festeiros.
Às onze horas mais ou menos, repletos os flancos da mesa, o Mestre Martinho, envergando o seu fato à maruja, empunha a bandeira do Divino e ocupa a cabeceira.
Faz-se um grande silêncio: todos atentos esperam a palavra do protetor (…) As últimas palavras da pitoresca oração despertam uníssonos aplausos, aclamações ruidosas ao protetor; ao grito de 'Viva o Mestre Martinho!' responde um brado imenso: viva! E começa o almoço (…)
E a turba parte para o ponto em que ficou o mastro; vai cobri-lo de ramagem cingida ao madeiro com cipós, trabalho este em que as mulheres tomam parte ativa e saliente (…)
O serviço leva tempo; quando pelas três e meia a quatro horas, fica concluído, um emissário vai à casa do protetor comunicar que tudo está pronto.
Desfila então o préstito que vai buscar o mastro; na frente um devoto carrega a bandeira que tem de ser fixada na ponta do mastro: é um caixilho de madeira pintado de azul, servindo de chassis a um pano branco, e girante em torno de umas haste de ferro; no pano a mão pouco adestrada de um pintor inculto traçou a imagem do Senhor na ascensão, braços abertos, as roupagens enfunadas pelo vento (…)
Ao ser avistado o préstito pelo povo que está junto do mastro, estrondosos vivas irrompem de todas as bocas; as clássicas girândolas de foguetes, com o seu esfuziar violento e o seu acelerado tiroteio, fendem os ares, com grande gaudio dos espectadores.
Os anjos são escarranchados no mastro, que cavalgam daí até o lugar onde o vão levantar e os devotos tomam sobre os ombros o pesado madeiro: centenas de homens coligando num mesmo esforço, fazem daquela grande carga um brinco (…)
Hoje o préstito faz apenas descanso obrigatório à porta do protetor: aí o mastro é pousado em banquinhas pintadas de azul.
O Mestre Martinho aproveita a ocasião para agradecer à massa popular o seu comparecimento e aos devotos a coadjuvação valiosa que prestam à festa, e tem sempre uma lembrança para distribuir, ora pequenas pombinhas de metal, presas por laços de fita, ora versos e orações impressos (…)
O préstito parte de novo na mesma ordem para o lugar para o lugar onde tem de ser levantado o madeiro. Aí chegado, pregam no topo do mastro a bandeira do Senhor, amarram solidamente de alto a baixo cachos de bananas, de pupunhas, de inajá e tucumã que os devotos oferecem para tal fim; cruzam forquetas e passam amarras.
Quando tudo está pronto, adianta-se o protetor e ergue vivas, frementemente correspondidos: 'Viva a ascensão do Senhor!' 'Vivam os devotos do Divino Espírito Santo!'"
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Festas Populares do Pará: o Divino Espírito Santo ~ Arthur Vianna (1905)
*Você tinha essa informação acerca de Lutero?*
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