FLASHBACK - push my luck.
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o resto da tarde havia se passado de forma descomunalmente lenta. em seus aposentos, Thomas tentava ler qualquer coisa para se distrair da memória horrível do rosto de Spencer se retorcendo em desolamento sob suas desumanas palavras de provocação, o que parecia não fazer efeito algum no afastar dos pensamentos. ele havia magoado o músico em um outro nível ainda não conhecido, que temia ele não ter volta em um futuro próximo-- ou em qualquer futuro. cada vez que pensava nisso, seu estômago afundava mais um pouco. muito provavelmente o que quer que ele fizesse não adiantaria, Thomas não sabia nem por onde começar o pedido de desculpas. e havia aquela pequena parcela orgulhosa em seu ser que se contorcia com o pensamento de se submeter a um real pedido de desculpas; o seu jeito extrovertido e confiança inabaláveis não o salvariam agora. não conseguia compreender o que é que estava sentindo, mas tinha a completa certeza de que não era nada bom. a inquietude parecia apenas crescer conforme o tempo se passava o que praticamente obrigava Thomas a fazer qualquer coisa que não fosse ficar parado; tentou de tudo, andar algumas voltas pelo enorme aposento, fazer algumas flexões (ainda que odiasse os exercícios), tentou até escrever uma carta em resposta à sua mãe (ainda que fosse péssimo nisso, e a sua letra não cooperasse em nada). por fim, jogou o livro que tentava ler como último recurso para o lado, e ao olhar o relógio, percebeu que a última troca de guardas seria daqui a alguns minutos, antes do toque de recolher. não notou que estava indo na direção do quarto de Spencer até que botou silenciosamente os pés para fora da porta, trancando-a com uma sagacidade alarmante. pela primeira vez na noite percebeu que as mãos estavam suadas, apesar do resto do visual estar impecável como sempre. em um gesto quase que inconsciente feito mais cedo, havia se aprontado para a ocasião sem realmente perceber o que estava fazendo. ele já tinha tomado a decisão subconscientemente, maquinando todos os passos do seu plano para que encontrasse o Quinzel. Thomas vestia uma blusa social cinza desabotoada nos primeiros botões, de mangas dobradas até o cotovelo e uma calça preta. estava devidamente perfumado, e debaixo do braço segurava uma garrafa de um ótimo champanhe (confiscado mais cedo da cozinha com a ajuda de algumas amigas). as batidas na porta foram leves, pois não podia chamar muita atenção; e se Spencer demorasse demais a atender, ou se não quisesse recebê-lo, muito provavelmente estaria em sérios apuros. ao ver que a porta estava sendo aberta, o coração bateu mais rápido em antecipação, mas Thomas manejou em conter os sentimentos. “Spencer.” o cumprimentou em completa cordialidade, e ergueu o espumante no campo de visão do outro.












