muito mais do que apenas sentir prazer, dar prazer era algo fundamental do próprio processo de excitação de Thomas. e ver como o Spencer reagia a cada toque, fosse arqueando as costas, tentando mexer os braços contidos, ou (seu preferido) gemendo, era imensamente aprazível, de tal forma que parar naquele ponto já se tornara algo praticamente impensável. as estocadas eram firmes, quase violentas, e atendendo ao pedido (diria ele que muito bem executado por Spencer, que suplicou pela masturbação) o McCarthy deu início ao movimento, realizando-o firme e uniformemente. o grande e malicioso sorriso estampado no rosto até então por ouvir a voz alheia molhada de desejo sumiu-- sim, pois o tom grave do músico que se sucedeu o fez ponderar por breves instantes, encarando-o de volta em inquérito. ele queria, ah, como queria beijar Spencer-- era algo que ele mal precisava pedir. compartilhava inteiramente daquela sensação de desejo puro e irracional, que o fazia ser irrestritamente atraído por si. mas, sendo Thomas e estando no poder, ele se aproveitaria do momento enquanto ele durasse. então, apertou a destra na ereção de Spencer e tornou os movimentos mais vagarosos e extensos, tanto os da masturbação quanto os de penetração. “creio que eu não tenha lhe dito para pedir isso.” o repreendeu com as pálpebras baixas em desejo, encarando fixamente as íris azuis abaixo de si. a voz apesar de censuradora, tinha um tom provocante. ah Spencer. mal ele sabia, mas o próprio McCarthy já estava também completamente entregue ao momento. abaixou-se assim mesmo, apesar das palavras indicarem o contrário, mas não o beijou de imediato. não, antes, mordeu a orelha do Quinzel, e a mão subiu até o queixo do loiro, apertando-o com força, para que ele continuasse imóvel durante o ato “mas eu vou deixar essa passar, por você estar se comportando tão bem” percorreu com a língua mais uma vez a extensão dos machucados já roxos no pescoço, distribuindo pequenos e molhados beijos no local, até então a boca achar a alheia, traçando seu caminho de volta. parou com centímetros de distância entre os lábios, a mão no queixo do músico o impedindo de subir e diminuir a distância entre eles, e soltou um gemido contido, observando uma última vez os olhos azuis. “céus, Spencer, você acaba comigo.” e o beijou com força, colando o corpo ao dele da maneira que lhe era possível se equilibrar.
› SPENCER NÃO GOSTAVA DE mostrar vulnerabilidade. era por isso que spencer havia constantemente fugido de todos os conhecidos nos últimos dias, sem exceções. era um alívio as aulas folgarem entre os feriados, pois podia ficar sozinho ou na sala de música, ou na biblioteca, ou no próprio quarto, ou na enfermaria (muito mais nos dois últimos lugares), ocupado com os próprios pensamentos e tentando se recuperar sem a ajuda de outras pessoas. não queria preocupar ninguém, sequer contar sobre seus sentimentos e o que havia realmente acontecido com sua família (só de imaginar ficando sentimental demais, suas entranhas se reviravam). assim que soube do evento, tratou de pedir uma máscara que cobrisse com totalidade a parte do rosto que fora danificada pelos três socos. claro que isso não ajudava em nada o fato de ainda estar tossindo sangue, mesmo que em uma quantidade muito menor do que nos primeiros dias (mas, ainda assim, sua língua estava constantemente com gosto metálico). chegando ao evento, vestiu a máscara social que indicava que tudo estava em perfeita ordem consigo, cumprimentando conhecidos, conversando com políticos importantes que pareciam demonstrar apoio a si – algo nunca antes pensado pelo burguês – e provando de todas as bebidas caras que estavam exibidas lá, não importasse os ferimentos que haviam sido causados. havia acabado de se despedir de um conde, suspirando enquanto apreciava a pequena folga da fala (conversas longas estavam o desgastando demais, e não podia ficar pedindo licença para tossir sangue o tempo todo), até ouvir o sobrenome de uma voz conhecida até demais. virou-se nos calcanhares, dando de cara com thomas. oh, não.
❛ M-McCarthy. ❜ ›› a voz saiu quebrada, apesar do sorriso oferecer tranquilidade. spencer pigarreou (e torceu ligeiramente o rosto em dor porque sua garganta reclamou ao fazê-lo) enquanto sentia as mãos alheias ajeitando as lapelas brancas. não estava nervoso por ser thomas e por ele estar o tratando com tamanha casualidade, mas sim pelo fato de ele conseguir encontrá-lo sem que estivesse preparado para falar com ele. afinal, havia duplamente o evitado – ele parecia extremamente insistente em vê-lo e saber sobre seu estado, pois o procurava até por mensagens. a frase dele referente aos textos que trocaram no feriado fez com que spencer arrumasse a máscara no rosto, em um impulso, como se ela pudesse cair a qualquer instante. não queria que ele percebesse que estava perturbado. percorreu o salão com os olhos, constatando que estavam socialmente isolados o suficiente para poder sussurrá-lo as próximas palavras:
❛ Não, não. Eu gosto. ❜ ›› garantiu, referindo-se à mordida, e o sorriso pequeno que seguiu já demonstrava malícia o suficiente, mesmo que metade dele estivesse encoberto pela máscara. aproveitou o garçom que passara ao lado deles para pegar dois copos de champanhe e oferecer um deles ao mais velho. não sabia para qual assunto seguir agora. não queria perguntar sobre os últimos dias, o feriado – bastava que a pergunta voltasse “e você?” para que ele começasse a agir esquisito; se conhecia muito bem, e sabia que não tinha muita capacidade em mentir quando sua mente estava tão transtornada.
❛ Já tem suas resoluções de
ano novo pensadas? ❜ ›› questionou, agora em um tom de voz normal, como se estivesse agindo normalmente, escondendo dos outros o caso que mantinham – apesar disso, mal conseguia sustentar o contato visual por mais de cinco segundos. levou o champanhe aos lábios, odiando o modo como o álcool queimava a garganta machucada.
o McCarthy só percebeu que estava sorrindo de forma exagerada e prontamente maliciosa quando seu nome saiu da boca alheia (e veja bem, gaguejado). ameaçando avançar mais um pouco na direção do Quinzel, ele umedeceu o lábio inferior num ato também involuntário, mas conteve-se, claro, por estar em meio a toda aquela gente. pigarreou, retomando a compostura, e dispôs casualmente as mãos por detrás do corpo, olhando para baixo por um segundo. ao levantar o olhar novamente, os olhos heterocromáticos adquiriram um brilho distinto e único, desencadeado pelo som da voz de Spencer; que trazia junto do timbre grave uma sensação até então desconhecida por si de alívio. ah, ele não estava com raiva -respirou fundo em satisfação- pelo menos, não parecia ter raiva de sua figura, como anteriormente imaginado. sentiu-se um completo idiota por em algum momento ter ponderado ter feito algo de errado, que pudesse implicar em seu afastamento de alguma forma-- afinal, Spencer parecia perfeitamente bem. tão focado e ansioso pelas enfim palavras trocadas, o loiro mal percebeu aquela microexpressão de dor emitida pelo músico, ou a forma um pouco não natural com que ele arrumava a máscara no rosto. em sua defesa, a máscara cobria quase que o rosto inteiro e jamais teria imaginado a situação passada por ele, mas, ah, Thomas. ainda tinha algumas barreiras (muralhas) narcisistas a serem quebradas-- seria uma longa caminhada até a mudança definitiva, mas que já se encontrava em progresso. ainda na enorme bolha do ego, por mais que o músico não pudesse ver completamente a expressão surpresa, as sobrancelhas de Thommy se arquearam pela provocação recebida em troca da própria, e ele mordeu de leve o lábio inferior. “sassy, aren’t we today?” riu em resposta, balançando a cabeça para os lados. ah. agora com toda a certeza teria de fazê-lo. “lhe satisfarei um pouco, mais tarde, se você pedir com jeitinho.” mas, estranhamente, antes da vontade de retirá-lo dali para lhe dar uns bons (e merecidos) beijos, Thomas sentiu uma urgência de perguntá-lo o que tinha acontecido, e se é que tinha mesmo acontecido algo; e além disso, queria contá-lo sobre o Natal, explicar a situação cômica que a tia havia o feito passar (apesar de que na sobriedade não era tão engraçada assim, lembrou-se de ninguém ter rido junto com os dois), e perguntá-lo se ele tinha trazido o perfume para Sienna. se sim, iria o sugerir para que fossem buscá-lo juntos, depois do baile. porém, Spencer não parecia nem um pouco inclinado em fazê-lo. devolveu a pergunta tão rápido, que o McCarthy mal teve tempo de protestar ou ponderar a respeito. aceitou de bom grado a taça de champanhe bem como o novo tópico, tomando um longo gole do espumante, e abriu aquele malicioso sorriso mais uma vez “bom, eu tenho algumas resoluções pendentes-- que eu gostaria de resolver antes do ano novo.” fitou a parcela da boca alheia que estava exposta por um longo momento. ah, como ele queria sentir seu gosto. “talvez você consiga me ajudar. sei de um lugar interessante-- e ah. é bom te ver, Spence.”
Hari, que não pretendia se embebedar, olhou com um certo lamento para a quantidade de copos dispostos na mesa. ’ —— Ah, não, Arthur. Vamos lá, são muitos.’ tentou. Mesmo que sequer houvesse terminado a primeira taça de vinho da noite, aquelas bebidas ali… eram fortes. Sua resistência não funcionava tão bem para o álcool, seria definitivamente melhor se fosse cannabis. ’ —— Todas as cartas não. Precisamos de limites, eu topo, mas quero limites.’ estreitou os olhos para o loiro. Desde a conversa com Spencer, o indiano andava mais cuidadoso. ’ —— Nada ilegal ou que um de nós julgue que vá prejudicar alguém.’ apontou para o loiro, a desconfiança ainda banhando seu tom.
“está amolecendo comigo, Hari?” Thomas riu travesso, mal sabendo da confidencialidade do amante para com o príncipe. era o que eram, certo, ele e Spencer? bom. títulos à parte, e talvez um pouco ingênuo, ele continuou as provocações em um tom divertido. “não é possível-- qual é a graça nisso? quando é que foi que o príncipe Hari se tornou tão cauteloso? life is for living, baby. mas tudo bem. se assim vossa Alteza deseja, o que é exatamente que está fora da mesa? por que as coisas que eu penso que podem prejudicar alguém, são bem poucas. você me conhece.”
a morena olhou para os copos, perguntando-se como chegara ali. não sabia se estava sendo imprudente - com certeza tinha experiência com bebida, russos precisavam se esquentar no inverno, afinal, mas aquilo era diferente. aquilo poderia prejudicar sua missão. no entanto, nunca fora de se acovardar diante de um desafio e era capaz de se controlar muito bem - podia ser uma nova oportunidade. “desse jeito, alguém vai precisar de um médico” disse, sorrindo com a ironia. “então, já está pronto?” provocou-o.
“oh, você claramente não me conhece, luv.” rindo mais consigo mesmo do que dela, Thomas ergueu o primeiro copinho, esperando que imediatamente que a outra fizesse o mesmo. o McCarthy tinha muita habilidade naquilo, o estômago era praticamente de aço. “quando eu era pequeno, minha avó me acalmava com whisky. corre nas minhas veias nonstop há mais de vinte anos.” era claramente um exagero. “antes de começarmos, eu gosto de conhecer meus oponentes. Thomas McCarthy, e a senhorita é?”
octavia pensou em revirar seus olhos, mas teve que fazer força para não o fazer em frente às câmeras. thomas lhe tirava do sério de várias maneiras, e o jeito como falava era uma delas. sentiu os olhos do rapaz lhe fitarem por mais tempo que o necessário e logo se perguntou se ele havia estranhado a pose que a princesa fizera junto a ele. ❛ tudo bem? ❜ sussurrou, com um leve sorriso nos lábios. ❛ é bom que você goste de todos os lados da minha personalidade para isso dar certo, mccarthy. ❜ atentou-o. se, um dia, fossem ser marido e mulher, era isso que octavia esperava dele. quando ele lhe mostrou o relógio, ela sorriu, agradecida e orgulhosa. ❛ quem lhe deu esse presente tem muito bom gosto. ❜ afirmou. ❛ combinou perfeitamente, devo confessar. ❜ ela alisou o paletó dele, mantendo o sorriso no rosto. com a pergunta, ela assentiu, enganchando seu braço no dele, para que ele lhe guiasse. ❛ em duas. ❜
“está com medo de não me agradar, Oct?” ele provocou em resposta à pergunta acuada sobre a posição dos corpos. Thomas não respondeu o questionamento em si, apenas a lançou um sorriso malicioso, balançando a cabeça positivamente. retribuiu seus outros dizeres com mais sorrisos, em meio às poses para as fotos, a agradecendo novamente pelo relógio. ele gostara, e muito da peça. tanto que estava o usando no dia da festividade. de braços dados, seguiu com ela até um garçom que passava, requisitando dois mojitos. o disse para que fossem preparados especialmente para a princesa thariana, e em seguida piscou para ela. “um drink digno de seu paladar que tem apreço por coisas refrescantes.” riu e a entregou o copo bem decorado. “quer brindar a algo em especial? ou alguém.”
Assim que ouviu a largada, Kiya pegou o primeiro copo e o virou sem pestanejar, apenas tentou decifrar o que era, assim podia ter uma ideia do quanto deveria beber antes de cair dura no chão. Aquele ardor característico não lhe era estranho, tequila prata, não era tão saborosa quanto a ouro, mas era tão perigosa quanto. Virava os copinhos um atrás do outro como se estivesse bebendo água, por vezes precisava parar pra tomar fôlego e conferir quantos ainda tinha. Já haviam se passado quantos? Oito? Dez? Ou estava tão perdida que talvez não fora tantos, só percebia que Thomas também não era amador naquela brincadeira. Terminou o último copinho que estava disposto para si, batendo-o forte contra a mesa, segurando a respiração para controlar a náusea. “Quem ganhou?” Perguntou meio grogue, mas de toda forma, risonha pela brincadeira nada saudável. “Meu deus eu vou desmaiar.” voltou os olhos para o rapaz enquanto ria sobre os copos vazios.
“eu acho que..” ele respirou fundo, sentindo que sua cabeça começava a girar; ah como aquilo era divertido. de fato, Thomas nunca se cansaria de brincadeiras idiotas como àquela. e nunca se cansaria de beber até perder o rumo de casa, era o que ele pretendia naquela festa, mas com o rumo de seu próprio quarto. “eu acho que foi um empate.” ele olhou para o relógio, constatando a veracidade da afirmação. “sendo assim, princesa, acho que agora temos de direito de lançar um desafio para o outro. ladies first, eu sou um bom cavalheiro. essa é uma das minhas muitas qualidades.”
Callisto se encontrava particularmente acabada psicologicamente naquele dia. Não queria estar ali, não queria atender ao pedido do pai como estava prestes a fazer. Mas ela estava, e atenderia. Assim, embora a proposta daquele desafio parecesse estúpida, acabou sendo bem vinda, já que ela precisaria sim de álcool para lidar com sua situação. Encarou a quantidade de shots ali, embora cada copo não estivesse preenchido até o topo. Dividiu-os igualmente, colocando uma parte em sua frente no balcão, antes de se recostar ali e encarar o “adversário”. — Um. — Retrucou, dois minutos era tempo demais para os dois tão acostumados com bebidas fortes. — Um minuto. Assim posso mostrar que sou melhor que você nisso sem acabar em um coma alcóolico
“oh, now your on, Callaway” Thomas talvez tivesse algum problemas com desafios. o problema com bebidas, era evidente. com autoridades? também. e tinha também, um problema com Callisto-- os dois se atritavam, mas pelo bem maior, se suportavam em uma paz conflituosa. a música estava alta, e ele estava se divertindo, então não ligava muito; não quando sabia que iria ganhar. talvez estivesse a subestimando; com certeza estava. de qualquer forma, ele deu a largada e começou a acompanhar a Callaway na sessão de shots, sentindo a garganta queimar pela bebida ardida, só para então perceber que estava atrás um copinho.
Bendito o momento em que sua irmã mais velha encontrou o embrulho extravagante com a assinatura característica de Thomas McCarthy, contendo todos os itens que agora Guadalupe vestia. O vestido devia valer mais do que todos os seus pertences juntos, bem mais. Os sapatos tinham bons dez centímetros, e a máscara…oh, a máscara era simplesmente a coisa mais linda que já havia visto. “Não posso ir” foi o que disse a ela, bem como diria ao amigo se o presente não tivesse sido deixado ali sem nem sinal dele. A irmã insistiu, no entanto, tal como dizia na pequena carta que acompanhava os presentes, que a jovem merecia uma noite de diversão diante de todo o trabalho que tinha no dia a dia. Acabou aceitando após muita insistência, dizendo aos pais que estaria encarregada de servir os convidados na festa para justificar sua ausência, e apenas o fez por confirmar que a máscara escolhida de fato serviria para esconder a identidade. Afinal, poderiam poucas horas de folga causar mal a alguém? Decidindo, enfim, que não, terminou de se arrumar, convencendo a si mesma de que apenas ficaria um pouco no baile e voltaria à vida real logo. No topo da escada, percebeu ter escolhido o pior lugar. Podia ter adentrado pela parte dos funcionários, sem chamar atenção, mas era tarde. Desceu as escadas segurando o vestido e desejando não tropeçar, já que não estava exatamente acostumada com o uso de salto. Estava nervosa, o medo de ser descoberta fazendo o coração bater tão forte que o escutava mesmo com a música. Assim, mal pôde escutar o a pessoa a seu lado lhe disse assim que desceu a escadaria do salão de festas. — Desculpe, falou comigo?
“boa noite, Ella” o sorriso fácil perto de Lupe era algo inegável. ela estava linda, completamente maravilhosa e Thomas estava orgulhoso na certeira escolha do vestido, da máscara e dos acessórios. se tivesse pensado previamente nisso, teria o feito no primeiro baile, para que ela pudesse se divertir consigo. percebeu, naquele momento, que depois de crescidos, nunca tinha saído com a amiga ou a levado para eventos como aquele que sempre participava, e ele queria recuperar o tempo perdido. teve que a cumprimentar de novo, visto que ela não havia percebido sua presença, e então o fez, dessa vez mais perto do seu ouvido, porém respeitosamente. Thomas tomou sua mão e fez com que Guadalupe girasse, para ele ver em totalidade suas escolhas “perfeito.” sussurrou. se não fosse obra sua, não a conheceria nem de perto. “estou muito feliz que tenha aceitado meus presentes; hoje vou te ensinar como um McCarthy festeja. considere seu batizado na família.” ele riu, apesar de estar falando (muito) sério.
“Está mesmo propondo isso pra mim, Thomas?” um sorriso quase que perverso surgiu no rosto da princesa. Kiya não era famosa por seu fígado resistente atoa. Estralou o pescoço e os dedos das mãos enquanto se preparava. Ela tinha até a impressão de que somente aqueles copos não iriam dar conta. A aposta era uma piada. Posicionou ambas as mãos sobre o tampo da mesa e inclinou-se levemente para conseguir uma posição melhor na hora de virar os objetos. “Vamos lá. Pode dar a largada.”
ele imitou a posição da princesa e arqueou uma sobrancelha; mesmo que a totalidade da expressão não pudesse ser vista, a presunção no rosto exposto era evidente. “você conhece meu histórico, princesa. creio que me deva mais um pouco de respeito pelos meus títulos de ‘difícil embriaguez’ conseguidos com muito esforço e treinamento” Thomas riu, esperou que o maior ponteiro começasse outra contagem e e gritou um ‘já!’. começou a virar copo atrás de copo-- uau, como aquilo queimava. Kiya não estava nem um pouco atrás de si. talvez, finalmente tivesse conhecido alguém que o superasse em seu próprio jogo.
ok. em algum momento ele teria que admitir que talvez Spencer Quinzel estivesse mesmo o ignorando. desde a volta de ambos para o palácio, não tinham trocado uma palavra sequer que não fosse por mensagens de texto -muito- mal respondidas pela parte alheia. além disso, todas as suas investidas (e não foram poucas) para arrancar qualquer informação sobre o seu bem-estar, ou arranjar um encontro escondido, não tinham sido ao menos consideradas pelo músico; e isso tudo somado à mensagem sobre não ‘chegar inteiro’.. Thommy se questionava sobre o que tinha acontecido naquele Natal na casa dos Quinzel, ou se ele próprio tinha feito algo de errado, ou até se o pai de Spencer tinha algo haver com aquilo. em resumo? Thomas McCarthy estava incomodado. e Thomas McCarthy nunca ficava incomodado, não por isso. não por outra pessoa. patético. mesmo que estivesse feliz com o tempo em família, e que talvez pudesse haver uma luz no fim do túnel para seus eventos com sua avó; estar em maus termos com Spencer.. ah! era irritante. o pior? ele já não sabia mais o que tentar. é claro que iria o encontrar no baile, como outro selecionado sua presença era obrigatória, mas e depois? Spencer não queria o ver, mal respondia suas mensagens. de qualquer forma não teve muito tempo para pensar, pois chegaram praticamente juntos nos jardins; e ver a figura tão bem vestida fez o coração palpitar num ritmo diferente em antecipação. o sangue fervia de tal forma, que sua vontade era a de caminhar até o meio do salão e começar a exigir as suas devidas explicações, mas um McCarthy jamais faria aquilo. então, demorou-se, conversando com várias pessoas, tirando fotos, cumprimentando nobres conhecidos (apesar dos olhos sempre procurarem o músico no meio da multidão), e só quando acalmou os nervos resolveu se aproximar do loiro. assim, com a confiança restaurada e paciência de volta, ele abriu um enorme e charmoso sorriso, mostrando os dentes e as covinhas. “sr. Quinzel.” os olhos díspares procuraram os dele-- ele estava incrivelmente atraente. as mãos subiram involuntariamente as lapelas do paletó branco, ajeitando-o num ato despojado, casual, e inofensivo. como se eles fossem amigos. “me parece inteiro, até então. estava com medo de eu te morder?”
era óbvio que thomas lhe abordaria daquele modo. era óbvio que ele faria de tudo para lhe tirar de sua zona de conforto. lhe puxando para perto de seu corpo, ela demorou a erguer a mão direita até o peitoral dele. deixou-a ali, sorrindo de forma brilhante para as câmeras. após alguns flashs, a princesa thariana mudou sua posição, ajeitando seu corpo de lado, encaixando uma de suas coxas atrás da perna dele e a outra, logo a frente. deste modo, a fenda de seu vestido causava uma certa nudez de suas pernas e culote. esperava que aquelas fotos não estampassem somente matérias e, sim, capaz de revistas. ocenli precisava saber que sua futura rainha (nada contra lhoris, é claro), era digna de uma beleza surreal. com os sussurros de thomas, ela ajeitou sua mão na cintura do mesmo, apoiando sua cabeça no ombro do rapaz. ❛ não preciso impressionar ninguém, mccarthy. ❜ respondeu, também num sussurro. ❛ somente optei por mostrar outro lado da minha personalidade. ❜
“certo.” a voz dele continha um pouco de descrença, um pouco de provocação e muita presunção. ah, Thomas, ainda incorrigível-- ela também não o deixava em uma posição simples; encaixar-se nele daquela forma fez com que o sorriso aumentasse, e que ele abaixasse o rosto para encará-la por alguns instantes, em pura surpresa. provavelmente teria saído daquela forma em algumas das fotos. não que ele se importasse, as suas fotos em perfil geralmente eram boas. “well, color me impressed; você está.. de tirar o fôlego. gosto desse lado da sua personalidade.” ele ergueu o pulso esquerdo para que ela visse o que ele usava; o relógio que havia ganhado da mulher. “acho que combina bastante com meu paletó. mas chega disso aqui, acho que eles já tem fotos demais. me acompanha em uma bebida?”
“sim. isso é um desafio” Thomas sorriu para os vários pequenos copos de uma fortíssima bebida enfileirados em sua frente. inicialmente, iria tomar todos sozinho, mas a companhia era bem vinda, certamente mais tarde na vida o seu fígado agradeceria. resolveu, então, que tentaria deixar as coisas mais interessantes se fosse assim. por que não? afinal, era uma festa. “todas as cartas estão na mesa para quem conseguir virar mais em..” olhou para o relógio recém ganhado da princesa, em seu pulso esquerdo “dois minutos?” arqueou uma sobrancelha, aguardando a confirmação com o tão característico sorriso presunçoso, mesmo com o rosto mascarado.
Scarlett nunca fora do tipo tímida. Muito pelo contrário. Depois daquele tempo passado no palácio de Ocenli, então? Ela sequer pensava antes de aproximar-se das pessoas e começar a se comunicar com elas. Precisou apenas reconhecer a figura de Thomas para caminhar até ele. Estava curiosa para saber porque ele olhava tão fixadamente para um ponto específico do salão. Não conseguia enxergar dali o que era, mas se dependesse de si mesma e de sua curiosidade, logo viria a saber. “Hey, blonde.” A loira anunciou sua presença em tom de voz aveludado, colocando sua mão direita no ombro esquerdo alheio. “Curtindo muito a noite?” Perguntou, enquanto aproveitava sua nova posição para deslizar seu olhar para o mesmo lugar onde Thomas encarava. Fora então que reconheceu a figura de seu velho amigo, Spencer. Sabia que se tratava dele pois já conversara com o rapaz mais cedo naquela noite. Rapidamente voltou-se para @yaboythommy e observou o interesse com que ele encarava o amigo. No mesmo instante a loira soube o que acontecia ali e sorriu de canto sugestivamente. No entanto, antes de fazer algum comentário e sugerir algumas coisas, a loira queria ter completa certeza. Apertou levemente o ombro do selecionado para chamar atenção e indicou Spencer com o queixo como se fosse algo banal. “Eu já fiquei com ele, sabia?” Disse simplesmente, virando o rosto para Thomas afim de ver a reação alheia e dali tirar sua conclusão. “Spencer. Fiquei com ele.” Ela repetiu. “Ele viajou para Arquipélago uma vez e transamos. Transamos muito.” Não era mentira, mas exagerou na fala apenas para provocar. Era muito engraçado. “Ele é muito bom.”
depois de ter voltado do Natal, ainda não tivera oportunidade de conversar com Spencer. então, era natural que o procurasse ali no baile, mesmo que em meio a tantas pessoas; claro, depois da mensagem no mínimo curiosa que haviam trocado, ele estava aflito para conversar com o músico. o encarava que nem um completo idiota, com um copo de whisky na mão e a outra no bolso da calça social dourada, esperando por um melhor momento em que o outro não estivesse tão cercado por pessoas para se aproximar, tão absorto nos próprios pensamentos que se assustara um pouco com a chegada repentina de Scarlett. ah, Scarlett. ele gostava dela; era interessante, bonita, esperta, seu tipo de pessoa. um sorriso se abriu nos grossos lábios e ele arqueou as sobrancelhas; até que tinha tomado um certo apreço por aquele apelido. “hey yourself, beautiful. até então estou adorando o evento. espero que tenha conseguido se livrar daquele duque.” a cumprimentou, elogiando sua roupa de bom grado e voltou a vacilar olhar instintivamente o olhar para Spencer, novamente submergindo-se nos pensamentos por ínfimos momentos. o aperto no braço o fez pular, estava sendo ligeiramente rude não dando a atenção devida à ela. “oh, me desculpe-- eu..”, começou a falar com o tom apologético, mas as palavras da princesa o interromperam. piscou os olhos para a mulher, não compreendendo em sua totalidade do que ela falava, ou melhor, querendo não compreender. sua cara devia estar muito confusa, foi necessário que ela repetisse a informação mais uma vez para que obtivesse uma resposta que não fosse um ‘uhh’ de sua boca. o coração bateu forte em adrenalina, ele estava surpreso. tinha sido pego totalmente despreparado. demorou longos trinta segundos para que Thomas McCarthy vestisse novamente sua pose agora só meio confiante e tomasse um longo gole de seu whisky, para então abrir um grande sorriso que no fundo estava meio amarelo, acompanhado daquela maldita arritmia. “oh.” aquilo era informação demais. informação que, muito provavelmente ele gostaria de não saber. ah, ela devia estar mentindo. quem é que dava de graça aquele monte de informações tão pessoais assim, ao vento? engoliu em seco. ele, na maioria das vezes era uma dessas pessoas. “isso é.. bom para você, luv! transar sempre é bom. quer dizer, na maioria das vezes. quando você dá certo com alguém.” riu, olhando uma última vez para o músico.
a máscara mantinha-se presa ao rosto da princesa, mas a obrigatoriedade de seus compromissos com a coroa não se mostravam muito efetivos em manter sua identidade em segredo. o evento mal havia começado, muito dos convidados nem haviam chego, ao menos isso. ela se encontrava parada em frente a uma das grandes janelas, segurando sua máscara, com um vestido esplêndido, que ressaltava tudo o que nunca pensou que estaria a mostrar. o fotógrafo logo gritou: ❛ próximo! ❜ e octavia ficou a esperar o selecionado para mais fotos. logo, estariam estampando as páginas das revistas mais conceituadas, as de fofocas e quaisquer outras que existam em ocenli.
ele se sentia especialmente brilhante hoje, talvez fosse pelo terno dourado, talvez fosse pela produção extra, ou pela animação decorrente dos últimos eventos de Natal; Thomas estava muito feliz. animado, diria. vibrante! ele adorava máscaras. o mistério deixava o ambiente mais interessante do que o normal. e não havia consumido nada de ilícito nas últimas 48 horas. um sorriso fez-se no rosto ao avistar a princesa, ela estava realmente muito bonita. ao aproximar-se dela, repousou casualmente a mão em sua cintura, sentindo a finura do vestido que escorria por entre os dedos. puxou o corpo alheio para mais perto do seu, para que tirassem as fotos juntos, e o sorriso se intensificou, mostrando os dentes brancos e alinhados para a câmera. em meio aos cliques e flashes ele sussurrou, sem tirar os olhos das lentes. era um natural, já havia feito aquilo milhares de vezes para saber os seus melhores ângulos. “ousada-- está querendo impressionar alguém, Oct?”
Ele diz estar completamente animado com o evento, e pronunciou-se sobre suas vestes. Hoje, está usando outro terno do estilista L. J. Markes, e dessa vez sapatos K. Alpha III, mas não quis nos informar de onde veio a máscara.
octavia lançou um sorriso provocativo para thomas. estava tentando pegar a prática daquilo, da arte de provocá-lo e provocar os outros, e esperava estar se saindo bem nesta tarefa. afinal, odiava reprovar. não sabia se ele estava sendo honesto ou somente jogando consigo, querendo levar-lhe para cama. se ele queria, teria de esperar, pois octavia não se entregaria assim tão rápido. ela era uma dama, e ele deveria conquistá-la. estava ali para isso, e era assim que as coisas seriam feitas. ❛ que bom que pensa assim, senhor mccarthy. ❜ respondeu a princesa, com um olhar resistente, tentando manter a sanidade diante as íris díspares do rapaz, que tanto lhe atraíam. ❛ o que você está planejando? me ver nua, somente com brincos de diamante? ❜ questionou thomas, com o mesmo sorriso e voz provocando-o, como se aquilo estivesse em jogo. não estava, não completamente. sentou-se na cadeira quando ele a afastou e o observou sentar-se, colocando o guardanapo em seu colo. ❛ culinária thariana. ❜ prontamente disse, com um sorriso contente tomando lugar do que antes estava em seu rosto. ❛ podem nos servir. ❜ ordenou aos garçons, posicionados no canto do salão do trono. ❛ se você for governar comigo, isso será o que comeremos no nosso cotidiano. é melhor gostar. ❜ com seriedade, ela disse aquelas palavras, observando seu prato ser servido com uma farofa de abóbora e um pedaço de carne bovina assada na brasa, banhada em um molho de abóbora e hortelã, seu favorito. ❛ pularemos a entrada e vamos direto ao prato principal, meu favorito. port thar é o maior exportador de carne bovina e abóboras do mundo, faz parte da nossa tradição honrar nosso posto em toda refeição. esse é um prato clássico, sempre servido em meu aniversário. ❜ explicou e finalmente, levou um pedaço da carne à sua boca.
oh, ele certamente não esperava por aquela pergunta. se estivesse bebendo algo, provavelmente teria cuspido deselegantemente todo o conteúdo à sua frente; os olhos se arregalaram, porém o sorriso do McCarthy se aumentou. “talvez. depende do que é que você me comprou-- a minha parte já está presente na cena. talvez a sua a complemente.” disse, referindo-se aos brincos de diamantes e continuou com naturalidade o jantar, colocando também o guardanapo por cima dos joelhos. ouviu com certa atenção o cardápio, mas o peito se afundou quando foi lembrado sobre a questão do ‘casamento.’ oras, se ele governasse-- oh, como ele era ruim naquilo. se ele governasse, implicaria que teria de se casar com a princesa. sentiu um leve embrulhar de estômago com o pensamento, não por aversão à figura dela, mas pelo medo do compromisso. apesar disso, aceitou as palavras com graciosidade, concordando com a cabeça, mesmo sua vontade sendo a de sair correndo dali. a aversão por relacionamentos tinha o início desconhecido, e era algo que ele lutava diariamente, só por ainda estar no castelo como um selecionado. diria ele que estava fazendo um (quase) ótimo progresso. Thomas umedeceu os lábios e encarou o prato à frente, parecia muito saboroso. escolhendo os talheres corretos com maestria, cortou a carne de um tamanho adequado para que coubesse na boca, e ao dar a primeira mordida ele sorriu. “está completamente divino” disse, após engolir para não ser rude e falar de boca cheia “e o hortelã.. dá um toque especialmente impactante. é refrescante, eu diria.” o McCarthy não se interessava geralmente tanto por comida, seu interesse maior era nas bebidas. mas sabia que a princesa gostava daquele ingrediente, então achou interessante que ele comentasse algo sobre. “agora indo para um campo que eu tenho mais domínio..” uma sobrancelha se arqueou e Thomas sorriu novamente presunçoso. aquela confiança era, realmente inabalável “vamos ver se a vossa Alteza tem um gosto bom para as sobremesas. eu penso que sim” e lá estava ele, levando aquele tom geralmente usado para causar duplicidade nas falas.
a doce voz de Sienna McCarthy o cumprimentou em completo deslumbramento ao abrir a enorme e maciça porta de madeira escura da residência dos McCarthy, adornada de detalhes em ouro e cobre. e muito ao contrário do que os outros fariam, ela não se intimidou pelos quatro guardas que escoltavam o selecionado, apressando-se em tocá-lo no rosto, beijá-lo nas duas bochechas, na testa, afastar o cabelo dourado que caía sobre os olhos, e continuar com os atos de carinho até que lhe fosse conveniente.
‘oh, Thomas, como senti a sua falta. os dias aqui não são os mesmos sem você. não são nem um pouco divertidos.’
o olhar que antes se derretia de felicidade em ver o único filho agora escurecia em preocupação, imaginando em qual situação ele tinha se metido daquela vez por estar tão seguramente acompanhado. ela o conhecia muito bem, bem demais para saber que ele parecia estar em confusão-- e ah, ela sabia o quão ruim ele era com brigas. tomou o rosto do filho entre as mãos, trazendo-o para dentro de casa até o foyer de madeira bem lustrada, totalmente preenchido com decorações natalinas. “mãe.. são só medidas protetivas convenientes para o castelo. eu sou um selecionado, afinal” Thomas protestou, rindo com a maneira aflita que ela o manipulava com os dedos frios e espertos.
‘fique quieto Thomas Arthur.’
a voz ríspida era desconhecida para muitos que conheciam apenas a faceta feliz e animada da mulher. o nome composto era dito sempre quando ele estava encrencado. num gesto como um arco-reflexo, ele riu balançando a cabeça e resolveu acatar ao pedido, observando-a percorrer com os olhos os mínimos detalhes da expressão do loiro, a fim de averiguar se não havia nada de errado consigo. quando constatou que não, o sorriso novamente se abriu no rosto, lindo, encantador e charmoso, como o do próprio Thomas.
‘ah, filho, você não sabe como estou feliz em lhe ver. Benji! venha ver quem é que acaba de voltar para casa!’
“são só alguns dias, mãe.” disse em tom de advertência, mas não pôde protestar, pois Sienna já o apertava em um longo e demorado abraço, antes de soltá-lo ao chamar seu pai, Benjamin McCarthy, que o cumprimentou primeiramente com um forte aperto de mão seguido por um igualmente forte abraço.
‘Thomas.’
a voz simples, calorosa e rouca, mas cheia de significado amaciou o coração do jovem McCarthy. “pai.”
‘é bom tê-lo em casa, Thommy.’
após mais uma troca de sorrisos, os McCarthy os deixaram que Thomas se assentasse em seu quarto, mesmo não tendo trazido nada além dos presentes que havia comprado para os familiares. subindo para o mesmo, Sienna foi gentil suficientemente para arranjar as devidas acomodações para os guardas, que insistiram em controlar cada passo do selecionado até seus aposentos. depois, para a alegria do loiro, deixaram-no em paz. abrindo a porta, o cheio familiar que lhe invadiu os pulmões era revigorante; era bom estar em casa. a enorme cama cheia de travesseiros e almofadas estava como ele havia a deixado, os móveis estavam sem qualquer poeira, e ele pensava que para sua sanidade mental, seu secreto estoque de bebidas estivesse intocado. riu, ao assegurar-se que sim, na parte debaixo do guarda-roupa de mogno em um fundo claramente falso. correu os dedos pelo armário, pela cômoda, pelo colchão, travesseiros. um sorriso nostálgico assombrou o rosto, era como se estivesse lentamente voltando à sua realidade, como se houvesse acabado de sair de um filme. estar fora dos palácios de Ocenli, que, bom, considerava já ser uma segunda casa pela estadia da avó no local, era surpreendentemente bom. sentia que por alguns dias teria a vida de volta. aproveitou o tempo no aposento para tirar um breve cochilo no aconchego de casa, tomar um demorado banho no banheiro privativo e trocar de roupas, só para então descer para a grande sala de estar que dispunha de três largos sofás de cor vinho, vários lustres, grandes abajures, tapetes decorados e enormes estantes cheias de livros. tinha colocado um confortável suéter verde, uma calça saruel cinza e sapatos fechados. Sienna se aconchegava no canto de um dos sofás de pés encolhidos tomando uma taça de vinho, enquanto Benjamin lia alguns artigos para decidir se os aprovaria ou não, na faculdade. quando viu a imagem de Thomas, acenou com a cabeça e Sienna estendeu os braços para que o filho se aninhasse em seu peito, com um enorme sorriso; o qual Thomas havia herdado. ele o fez, esticando as pernas para o outro lado vazio do confortável assento, e deixou-se derreter pelos carinhos que ganhava na cabeça. não era sempre que tinha oportunidade de passar o tempo assim com os pais, então ele aproveitaria o que lhe fosse oferecido. o silêncio não durou muito, porém. logo, a grave voz da mulher irrompeu a vazia sala.
‘Thomas. nós dois queríamos conversar algo com você.’
Sienna encarou Benjamin que assentiu em resposta e largou os papéis, para se sentar em uma poltrona igualmente verde, de frente para os dois. ele retirou o óculos de leitura e passou as mãos pelas têmporas.
‘nós não concordamos com a posição da sua avó sobre sua situação.’
Thomas tentou se levantar para encarar o pai em uma posição mais decente, mas foi impedido pelos pequenos (e fortes) braços da mãe, que obrigavam-no a continuar colado ao seu peito, como se tentasse o proteger de todo mal do mundo.
‘nós dois não concordamos’ Sienna acrescentou, com a voz firme ‘nem sua tia Brooklyn.’ ele engoliu em seco, sem conseguir responder àquelas afirmações, ou sequer as compreender. ‘e nós iremos confrontá-la sobre isso.’
a respiração do jovem parou, ele queria chorar. sentia que iria chorar ‘sabe, filho.’ os carinhos da mãe não paravam em seus fios loiros bem cuidados ‘erros são cometidos.’ ela referia-se ao grande erro havia o feito parar naquela posição de selecionado. ah. Thomas não conseguiu segurar as lágrimas. tinha sido pego de surpresa. ‘e você irá aprender com eles. eventualmente.. nós três vamos conversar com ela no dia vinte e cinco. não podemos garantir que ela irá lhe liberar de qualquer punição, mas.. você sempre vai ser nosso filho, não importa o que acontecer na seleção. e não há ninguém no mundo que possa lhe tirar de nós.’
olhando para o lado, ele viu que a tia já havia chegado para a janta, impecavelmente bem produzida como sempre, e com um sorriso esperto no rosto. todo dia vinte e três, antes da grandiosa festa de Natal, os três juntamente à tia comemoravam as festividades juntos em família, visto que no próximo dia era o grande baile e depois o (terrível) almoço com Lady McCarthy ele sentiu-se amado de novo, e acolhido, e grato. Thomas não merecia aquela família. o resto da noite se seguiu com fartura, um exagero de bebidas, muita risada e música. música. ele riu sozinho, lembrando-se um certo alguém, já estando afetado pela grande quantidade de bebida ingerida, mas mais embriagado pela possibilidade de uma luz no fim do túnel. afastou-se de todo o barulho e movimento, aproveitando que os familiares estavam ocupados jogando algum jogo idiota de Natal, e que os guardas jantavam, e escorou-se na parede, retirando o celular do bolso.
Eu: cara, eu estou com a minha família
Eu: e sabe a coisa mais engraçada que aconteceu?
Eu: então, eu estava conversando com a minha mãe, e ela disse que viu sua foto no jornal e te conhece. quer dizer, a sua família. ela disse algo sobre perfumes??
Eu: aí eu disse que também te conhecia e a minha tia começou a rir
Eu: tive que sair da mesa, nós bebemos muito
Eu: parece que você não tá recebendo isso ainda, é que eu pensei em você
Eu: é bom chegar inteiro no castelo. sabe, violino, etc, não queria me gabar mas foi bem caro