Vivendo compulsoriamente...
"A maternidade é o objetivo final da heterossexualidade compulsória. É um desejo criado nas meninas tão, tão cedo, que crescemos com a sensação de que ele é um instinto. Nós somos treinadas com bonecas e mamadeiras e chamamos a isso instinto materno.
A heterossexualidade compulsória é um regime político que afeta todas nós. "Feminista por falta de rol4", "encalhada, precisa de um homem", "é lésbica porque nunca deu pra mim". Porque as mulheres são obrigadas a ter um homem ao lado para serem percebidas como saudáveis.
Ser mulher é estar presa aos olhares masculinos e eles insistem em nos fazer desejar a maternidade pois eles sabem que a maternidade é a chave do cativeiro das mulheres. Estando as mulheres ocupadas com a maternidade e as obrigações exclusivamente femininas, como ocuparemos a vida pública que os homens já possuem há milênios? Eles se mantém há milênios no poder só porque as mulheres cuidam de seus filhos e de todas as tarefas domésticas por eles.
[...]Mulher é uma classe, a classe reprodutora. Essa é a primeira divisão de classes da história. A divisão sexual é a divisão original da humanidade.
Lembram-se do lema dividir para dominar? Precisamos lutar por um feminismo que não divida as mulheres entre mães e put4s. Um feminismo que entenda a igualdade como uma falácia pois isso seria desejar o poder dos homens e ter o poder dos homens não é o que queremos. Esse poder sanguinário de guerra. Queremos acabar com ele.
Queremos o direito de refletir se queremos engravidar ou não. Queremos o direito de abortar se engravidamos sem querer. Queremos o direito de parir com dignidade, sem violência. Isso não é sobre igualdade. É sobre o fim da guerra contra as mulheres."
Natacha Orestes
🎨 @minhapequenafeminista



















