A produção da série de fotografias foi feita a partir da minha experiência, interligada à uma vivência, associada a um fazer prático e que existe em um contexto que abarca minha existência frente aos acontecimentos do meu cotidiano. Que tempo é esse que se passa entre nossos corpos e nossas mentes? Tão efêmero na sua duração que parece ser tão natural e se torna despercebido?
Buscando explorar aquilo o que se encontra em minha experiência individual, que funciona como o lugar de onde se fala, de onde se observa, de onde se pensa e se reflete criticamente, através da minha vulnerabilidade tento me conectar ao que mantemos em comum. Ao que se encontra em nossa subjetividade, à nossa percepção estética de mundo, nossas memórias em comum, nossa maneira de perceber o tempo e de como as coisas são organizadas.
Assim, navego entre questões que atravessam minha formação social e histórica e que são recortados por toda a epistemologia ocidental colonizante e predominante. Desse modo, procuro olhar para aquilo o que é estranho, ao que causa incômodo, que foge ao juízo de valor estético pré-estabelecido e que cria uma dicotomia sobre nossos corpos.
Percebendo a importância do sentimento de pertencimento a um espaço, seja ele físico ou imaginário. Desfazendo a solidez das armaduras e personas que me encobriram em cada etapa da minha vida e que impedem de transparecer o que se passa por dentro do meu ser.
Podendo então, construir narrativas que atravessem as diversas barreiras invisíveis presentes no cotidiano de cada pessoa. Sobretudo na era em que as inúmeras consequências da aceleração generalizada da produção de imagem contamina e condiciona nossa vida cotidianamente.
Mateus Carlos (Mat).













