Mas eis aqui seu crime maior: enquanto nós conservamos piedosamente, vocês esqueceram suas origens e seu destino; vocês ignoram até o que são, e os seus sábios, diante dos seus aplausos, dizem que são todos filhos de símios; quando, por acaso, vocês se lembram do nome do Absoluto, é para arrastá-lo na poeira do seu desprezo ignorante. Vocês destruíram, em proveito do corpo imbecil, todas as luzes do espírito; pela perfeição das engrenagens dos seus relógios e de suas máquinas, vocês perderam o conhecimento dos movimentos do Universo. E vocês caminham orgulhosamente nas trevas absolutas, a tal ponto que você – que eu acredito ser um mandarim da sua raça – fica ofuscado como se a débil chama que depositei em suas mãos fosse o próprio sol.
[...]
“Eles chegarão; diante da quantidade assustadora, vocês não terão outro recurso do que o seu Deus, pois toda a sua força será inútil; e é então que o esquecimento do Céu e a ignorância dos seus espíritos lhes serão fatais, e as suas injúrias serão a sua ruína. Nem suas civilizações afeminadas, nem os seus sistemas materialistas, nem suas plásticas pervertidas, nem seus atos sensualistas lhes darão a coragem que é preciso para bem morrer. Com seus corpos emagrecidos pelo enervamento voluntário, suas almas fatigadas pela vertigem das suas filosofias, seus espíritos endurecidos por uma negação de vinte séculos, vocês serão arrastados na torrente dos seus vícios; e vocês desaparecerão diante da Raça antiga que soube manter intacto o princípio da Sabedoria eterna, que queima diante dos nossos avós em comum.