Isabella Santoni participa pela sexta vez do "Encontro"; Entenda!
Isabella Santoni participa pela sexta vez do “Encontro”; Entenda!
Parece que a atriz Isabella Santoni, que interpreta a personagem Letícia de “A Lei do Amor”, é adorada pela apresentadora Fátima Bernardes, isto porque, segundo informações do jornalista Maurício Stycer, do “UOL”, a moça vem participando da atração semanal com bastante frequência.
Na última quinta-feira (16), por exemplo, ela esteve presente no “Encontro” para divulgar sua peça teatral “Léo &…
Em entrevista, Marcelo de Carvalho fala sobre a RedeTV!, Televisão e estreia de novo programa
Em entrevista, Marcelo de Carvalho fala sobre a RedeTV!, Televisão e estreia de novo programa
Marcelo de Carvalho, vice-presidente da RedeTV!, concedeu uma entrevista ao jornalista Maurício Stycer do site “UOl”, mais precisamente para o “UOL Vê TV”. Nela, o também apresentador analisou o mercado de TV no Brasil, fazendo uma crítica ao mercado publicitário. “O Brasil é o único país do planeta Terra onde a emissora líder tem 34% de audiência e recebe entre 80% e 90% do dinheiro do mercado”,…
Revisitando as dinâmicas sociais em blogs - parte 1
Rafael Rodrigues
Desde quando os blogs emergiram como uma das mais características plataformas da web 2.0, eles enfrentaram seus altos e baixos (quem já não ouviu algo sobre "o fim dos blogs" ou "blogs já saíram de moda"?), mas tem se mantido como uma ferramenta capaz de traduzir o anseio individualista que nos caracteriza nas redes digitais - a maioria dos blogs apresenta assuntos da esfera dos interesses pessoais dos blogueiros. Ao mesmo tempo, é capaz de fazer confluir essas individualidades no grande fluxo "social" que determina o que é relevante na internet de hoje.
Antes de qualquer coisa, é preciso ratificar que a blogagem não é uma atividade restrita a pequenos nichos (embora sirva muito bem a esses), tampouco um hábito vintage. No mundo, a quantidade de blogs tem crescido, em oposição às previsões que davam conta da derrocada dos blogs. Essa cifra era, em 2011, de 164 milhões, coroando um crescimento progressivo ao longo de mais de uma década. Certamente, alguém pode alegar, esse é um número menos expressivo que o de pessoas conectadas em redes sociais (RS) tradicionais. Contudo, devem-se levar em conta os requisitos diferenciados para a manutenção de um perfil em blog: produção própria, atualização contínua, domínio das possibilidades de multimídia, entre outros.
De todo modo, se os blogs têm mantido e ampliado seu espaço, é certo que a noção do que é fazer blog tem se alterado. Como já sugerido linhas atrás, o blog é mais uma dentre outras ferramentas que assinalam a vocação social assumida pela rede. Não por acaso, ele se integra a essa efervescência por meio de plugins, links e aplicativos que lhe conferem uma feição de ambiente dialógico, a partir do qual se pode iniciar debates ou dar continuidade a conversas preexistentes dentro e fora dele.
É esse o ponto que nos interessa discutir aqui: como a conversa ocorre, em que circunstâncias, com que tipo de desdobramento, considerando a imersão dos blogs num cenário de opiniões disparadas à queima-roupa e em tempo real.
Capital social
Esse entendimento pode partir de algumas referências que nos fornecem um terreno firme para a discussão das dinâmicas sociais em blogs. Penso que a principal delas é o trabalho da jornalista e professora universitária Raquel Recuero, que tem identificado em seus trabalhos os elementos constituintes e os padrões de vínculos presentes nas redes sociais - aqui, os blogs poderiam ser considerados um tipo de RS.
Numa leitura possível das ideias de Recuero (2009), pode-se dizer que sua teorização sobre RS recai em três elementos essenciais: os atores, as conexões promovidas entre esses e o patrimônio simbólico que advém das interações nas redes. Considerados analiticamente, nenhum desses elementos é isolável entre si. Em minha opinião, um elemento que fornece a "cola" unificadora dessas variáveis são os padrões de uso da linguagem que emergem nessas interações e podem determinar se um ator consegue agrupar mais ou menos capital social em torno de suas redes.
Recuero observa que a dinâmica das redes abriga comportamentos de cooperação, conflito, ruptura, agregação e auto-organização, entre outras posturas que a autora denomina de emergentes. Assim, uma rede social online teria uma contraparte evidente na dinâmica do comportamento offline. Dentro dos grupos humanos, admitem-se alianças, embates, desavenças e outros posicionamentos que refletem, paradoxalmente, tanto a necessidade de se conviver em grupo quanto a afirmação das individualidades dentro desse agrupamento.
No fim das contas, os sujeitos se veem numa busca pela moeda de troca simbólica oriunda das transações que ocorrem nas redes. É o que Recuero, com base numa extensiva revisão de bibliografia, denomina de capital social. É um patrimônio imaterial construído por cada integrante de um grupo (mesmo grupos transitórios, como os de comentaristas que se veem discutindo um tópico comum), composto pelos saberes e outros recursos compartilhados pelos indivíduos. O capital social está embutido nas relações e só é percebido por meio dessas - por isso, faz sentido pensar na onipresença das tentativas de promover a participação dos usuários em diferentes contextos na internet.
Ethos
No webjornalismo, hoje se encontra um bom terreno para a avaliação dessas dinâmicas, na medida em que as ferramentas de interação típicas de redes sociais (como o plugin de comentários do Facebook) são incorporadas aos ambientes de discussão de reportagens e postagens de blogs jornalísticos.
Quando defendo que as práticas de linguagem funcionam como fator capaz de revelar certas recorrências nessas interações, me refiro ao modo como os atores constroem representações de si que necessariamente passam pelo manejo de palavras, imagens e outras semioses. Os estudos do discurso tomam emprestada da retórica clássica a categoria de ethos para designar esse tipo de representação. O ethos dá conta de um tom, uma performance, por meio da qual um indivíduo apresenta sua mensagem. Diz respeito menos ao teor da mensagem em si e mais à maneira como ela é trazida à cena.
“Não é necessário que o locutor faça seu auto-retrato, detalhe suas qualidades nem mesmo que fale explicitamente de si” (AMOSSY, 2005). No entanto, o locutor dificilmente foge da construção do ethos quando emprega um certo tipo de léxico, de marcas gráficas ou elementos multimodais (fotografia, emoticons). Não por acaso, Recuero vai qualificar esse interagente das redes sociais como ator: não porque ele falseia ou representa um mundo ficcional, mas apenas porque ele cria cenas ou dramatiza aspectos de uma existência, que em muitos casos correspondem, sim, à sua própria vida.
Viana (2011), em dissertação de mestrado dedicada à análise da construção do ethos no blog Katylene.com, lembra que a edificação dessa espécie de reputação online depende das maneiras como buscamos recriar nossa própria imagem nas redes, enfatizando atributos que consideramos desejáveis para a construção dessas mesmas imagens. A progressiva centralização das práticas de interação em redes sociais como o Facebook sugere que os posicionamentos dos comentaristas em blogs tendem a afirmar uma contraparte mais realista de sua identidade.
Isso ocorre quando percebemos que a utilização majoritária de uma rede como o Facebook corresponde a uma tentativa de "falar de si", de construir uma posição identitária capaz de diferenciar um sujeito de outros. E isso vem sendo feito, efetivamente, pelas inserções desses sujeitos em espaços para além da timeline imediatamente visível, por exemplo em endereços nos quais é possível utilizar o login do Facebook para a postagem de comentários. Isso se aplica a blogs de propósitos diversos, inclusive os jornalísticos.
Um exemplo do que aqui se discute pode ser observado numa postagem de blog jornalístico com grande repercussão nas redes sociais. É o texto "A ‘orkutização’ do Instagram e a natureza gregária da internet", do blog de Alexandre Matias, no Estadão.com.br (imagem acima). A propósito de discutir justamente a dinâmica das opiniões dos usuários de internet sobre o aplicativo Instagram, Matias abriu um interessante espaço para uma espécie de auto-avaliação dos usuários de redes sociais, em que não faltaram críticas, adesões, juízos de valor, alguns deles com pretensões de lições de moral.
O ethos é a lente pela qual se pode ver como cada interagente se comporta enquanto ator: mais ou menos revoltado, mais ou menos conciliador, mais ou menos conciso. A escolha por um tipo de registro (mais formal ou não), por uma maneira específica de organizar as ideias e por um modo de retomar o discurso do autor da postagem vai revelando perfis: desde os comentaristas que se limitam a concordar ou discordar, de maneira curta e grossa, com a postagem com a opinião de outrem, passando pelos que enfatizam certos trechos da postagem, até aquele que aproveitam o espaço para dissertar sobre a liberdade de opinião ou outros aspectos correlatos.
Nesses casos, os plugins sociais tornam a opinião mais instantânea, mas não se trata apenas disso. Eles também reconfiguram o papel do comentarista, que agora assume uma posição identitária que tende a coincidir com a 'realidade' (como se vê na maioria dos perfis "pessoa física" do Facebook). Por isso, esse comentarista tende a se engajar em discussões que lhe façam sentido e, sobretudo, que sejam capazes de ratificar seus pontos de vista, suas ideologias.
É quando se torna mais clara a relação entre o comentarista e o ethos que ele projeta. O entendimento dessas relação também é aplicável ao blogueiro, que pode ser considerado uma parte constituinte dessa rede. No caso dos jornalistas, é comum que haja uma tentativa de "apagamento" da figura do enunciador, que joga a favor de um efeito de "objetividade" no texto. Mesmo nesses casos, é possível entender que o jornalista-blogueiro jamais será neutro, sobretudo quando este empresta seu nome e sua imagem ao conteúdo postado no blog.
Blogueiro vs. comentarista
Baseando-me numa observação informal, assistemática, poderia arriscar identificar algumas tendências nessa construção de ethos. Elas podem colocar o blogueiro (aqui consideramos principalmente o jornalista ou aquele que se assume como tal) e o visitante em lados próximos ou distantes, a depender do contexto, da temática e das possibilidades técnicas que podem condicionar o rumo da interação.
Jornalista-blogueiro
Em diversos momentos, o blogueiro se apaga - apresenta seu pensamento como "objetivo"
Quando opina, parece ver o texto como obra fechada, que pouco admite interferências depois de publicada. Essa parece ser uma das razões pela qual a prática de responder aos comentaristas não é universalmente disseminada: o jornalista se auto-define como voz de autoridade
Parece ver, em muitas situações, o colaborador como desprovido de credibilidade - aqui, cabe lembrar a interessante série de postagens do jornalista Maurício Stycer, blogueiro do UOL, sobre os estereótipos dos comentaristas de blog
Comentarista
Questiona valores-notícia e a suposta "objetividade" do jornalista, mesmo quando se trata de uma postagem assumidamente opinativa
Se vê, eventualmente, como capaz de elucidar ou complementar as postagens
Acredita que cabe ao jornalista dirimir dúvidas, algumas nem sempre relacionadas às postagens
Vê o espaço dos comentários como sala de discussão, que admite eventuais desvios de tópico discursivo, como ocorreria em discussões offline
Assume, como numa rede social, tons e posturas que dizem respeito diretamente ao plano do desejável ou do esperado na construção de sua personalidade
Essa discussão, que aqui foi feita com evidentes limitações de espaço e profundidade, terá continuidade numa nova postagem, nos próximos dias. Aqui, a tentativa foi de encaminhar proposições ou buscar pistas para identificar padrões emergentes de relações entre jornalistas e consumidores de informação mediadas por blogs - uma reflexão cheia de nuances não contempladas aqui.
Referências bibliográficas
AMOSSY, R. (org.) A imagem de si mesmo no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2005.
RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
VIANA, E. O. Estratégia de construção do ethos gay masculino no blog katylene.com: um estudo da multimodalidade e das gírias gay. Dissertação (Mestrado em Linguística) Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará, 2012.