✧・゚:*Today’s magical girl of the night is: Giant Impact from Mazemonogatari!✧・゚:*

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Second mother hanekawa 💀
Aikawa Jun, Humanity’s Strongest Contractor, Overkilled Red, Desert Eagle, One Against a Thousand
005. MAGOKORO FINALIZADOR
O epílogo — ou talvez, o remate desta história.
Ou talvez devesse ser a grande conclusão disso tudo.
Mesmo depois de me tornar um membro da sociedade, eu continuei a manter uma visão de vida de estudante por causa do meu treinamento e educação intermináveis, mas, ainda assim, continuei envelhecendo e experimentando mais do que a vida tinha a oferecer, e, por isso, acreditava que havia passado a compreender melhor a complexidade do mundo — eu entendia muito bem que o mundo era, de fato, complicado e misterioso.
Não importava o caso, não importava o acontecimento, e não importava quantas palavras você tentasse usar, eu sabia que a história completa jamais poderia ser verdadeiramente contada... Além disso, não era possível explicar um mistério com apenas algumas palavras.
Certa vez, Ougizinha me disse que romances de mistério em que a explicação da solução era mais longa do que a preparação do mistério eram os mais adequados para serem chamados de grandes obras, e eu não havia entendido muito bem. Até mesmo a explicação dela soava para mim como uma obsessão misteriosa, e, nesse sentido, o mundo inteiro estava repleto exatamente do tipo de mistérios que ela parecia preferir.
No entanto, neste único caso de assassinato, preciso aceitar a exceção entre exceções — Magokorozinha tornou o impossível possível.
Aquela que trouxe a verdade à luz neste caso de assassinato que abrangia toda a extensão dos Estados Unidos da América, envolvendo a morte de quatorze criminosos procurados, não foi um inspetor de polícia nem um grande detetive, mas sim a Semente Alaranjada. E ela disse...
"Eles foram espalhados do espaço."
E foi só isso.
Não que ela tenha transmitido tudo o que havia para ser dito, mas sim que, uma vez que esse aspecto da história foi ouvido, o resto se tornou irrelevante diante da revelação — um crime ocorrendo por toda a extensão de um país tão grande era impressionante, e até exagerado, mas a solução do mistério transcendia a escala global.
Uhum.
Bom, é, esse foi o fim.
Uma vez que o caso era considerado dessa forma, os crimes insignificantes ocorrendo nesses diversos lugares ao longo de um mapa plano da Terra deixavam de importar — quase cheguei a dizer algo pretensioso como “este não é um assassino territorial, mas tridimensional”, mas, aprofundando mais, ia além de três dimensões e até mesmo controlava o tempo.
Um caso de assassinato relâmpago.
À luz dessa nova perspectiva, as palavras misteriosas de Magokorozinha, “às vezes, quanto mais longe você está, mais rápido você chega”, de repente passaram a fazer sentido.
Da mesma forma, seu comentário sobre um assassino altamente consciente em vez de altamente habilidoso.
Não era alta velocidade, mas alta altitude.
Uma altitude muito elevada.
Quatro mil quilos não eram nada.
De uma altura dez ou vinte vezes essa distância, se o assassino em série tivesse feito suas vítimas “caírem” em direção ao território dos Estados Unidos da América, então, mesmo que todas tivessem sido lançadas do mesmo ponto na mesma direção, elas se espalhariam pela paisagem devido até mesmo às menores variações de ângulo. E se o objetivo fosse espalhá-las, então mais ainda.
Pensar em um satélite militar capaz de lançar mísseis ajudava a imaginar as possibilidades — com apenas pequenos ajustes, tal satélite poderia mirar em metade do mundo sem se mover.
Sem se mover.
Não, na verdade ele estaria se movendo a uma velocidade incrível — um satélite geoestacionário precisa se mover rápido o suficiente para não cair devido à gravidade da Terra, além de acompanhar a rotação do planeta abaixo.
Era por causa da grande distância.
Falando em grande distância, muito tempo atrás, a representante de classe que sabe de tudo me disse, enquanto eu estudava para uma prova, que embora um maior tempo de queda pareça significar uma maior velocidade de queda, na realidade, por causa da resistência do ar, a velocidade não aumenta além de um certo ponto — e era por isso que o enunciado da questão incluía algo como “desconsiderando a resistência do ar”.
Por isso, mesmo que fossem lançados para cair da estratosfera, não atingiriam a Terra à velocidade da luz — no entanto, alguém poderia então se perguntar por que os corpos dos assassinos em série não teriam o mesmo destino da maioria dos meteoros que entram na atmosfera e queimam devido à resistência do ar.
Mas essa forma de pensar estava errada.
Porque eles estavam congelados.
Além disso, a suposta arma do crime, um freezer industrial, já não era mais uma hipótese válida — a arma do crime era o “espaço”.
A escala era tão grande que nem sequer podia ser vista.
Mas, se você se baseasse em mentiras comumente repetidas, poderia acreditar que, quando uma pessoa é lançada no verdadeiro vácuo do espaço, ela explode, como frequentemente se vê em mangás ou animês, mas esse não era realmente o caso — em vez disso, ela congelaria.
Antes mesmo de ter tempo de sufocar pela falta de ar, congelaria até a morte instantaneamente.
Congelamento instantâneo.
Assim, não queimariam devido ao atrito com a atmosfera, porque gelo não pode queimar. Era um impasse entre o quente e o frio.
E então, atingiriam a Terra como um bloco de gelo.
Claro, se estilhaçariam em pedaços, não importando o quão macio fosse o solo.
Naturalmente, na realidade, não havia como ter certeza de que era isso que aconteceria. Na verdade, não existiam registros públicos em lugar nenhum do mundo de um corpo humano sendo lançado em direção ao planeta a partir do espaço. Você poderia vasculhar todas as instituições acadêmicas do mundo, e ainda assim não encontraria nenhuma prova concreta.
Ou pelo menos, não havia até agora.
Sempre que um novo método de cometer assassinato era descoberto, ele rapidamente se espalhava pelo mundo e se tornava algo comum, mas se um truque como esse viesse a se estabelecer como uma história familiar demais para o mundo, então, de fato, o mundo teria acabado.
Ou, pelo menos, assim como aconteceu com o surgimento da teoria heliocêntrica ou da teoria da evolução, o mundo seria dividido entre o antigo e o novo mundo.
Eu estava sendo confrontado com os limites e com o futuro.
Um truque de quarto fechado usando agulha, linha e identificação por impressões digitais, ou um truque de álibi feito ao manipular o horário de um trem através do uso de uma energia antiga como a eletricidade, pareciam mistérios tão fofos e nostálgicos de resolver. Não pude deixar de me abalar ao testemunhar uma mudança de paradigma no mundo do crime, mesmo não estando sozinho — mas o verdadeiro objetivo da Magokorozinha não estava aí.
Ela já havia resolvido o caso com poucas palavras.
Mas ela não estava satisfeita em deixar o mundo acabar com apenas algumas palavras — se o mundo era sua presa, então ela já havia disparado um tiro certeiro em seu torso, mas agora se aproximava, mirando na cabeça, e pronunciou outra frase curta.
"Em outras palavras, o culpado é um alienígena."
Esquecer de ficar sem palavras; eu quase fiquei sem vida ao ouvir aquilo.
Koyomi Araragi quase entrou para a história dos mistérios como a primeira pessoa a ouvir a solução de um mistério e morrer de choque — mas, certamente, ou talvez, incertamente.
Um caso envolvendo as mortes de quatorze assassinos em série que nenhum investigador conseguiu capturar, reunindo todos eles em segredo, levando todos ao espaço sem ser notado ou pego, e então lançando-os do espaço, com uma mira cuidadosa, de modo que cada um caísse, por algum motivo, em estados diferentes dos Estados Unidos da América — e, novamente, sem ser testemunhado por ninguém — para realizar algo tão absurdo assim, seria necessária uma organização incrivelmente poderosa, com uma sorte igualmente absurda, a ponto de, de certa forma, ser até reconfortante pensar que o crime foi cometido por alienígenas, em algum novo tipo de experimento semelhante à mutilação de gado.
Se fossem alienígenas, então não precisaríamos entender.
Não os entender era a magia dos alienígenas.
Era apenas um experimento — literalmente, experimentação humana.
Não era um “Você é o culpado!”
Estava mais para “Nós somos alienígenas”.
Eles deveriam estar vindo para invadir a Terra, mas, por algum motivo, escolheram focar nesse único país, nessa única região, e não havia qualquer chance de compreender sua forma de pensar. Era simplesmente a cultura deles. Uma cultura completamente diferente.
Não havia escolha a não ser aceitar tudo isso de uma vez.
Do ponto de vista deles, nós também possuíamos uma cultura diferente — ou talvez, um mundo diferente — isso me deu um gostinho de como seria ser uma pessoa comum transportada para outro mundo com meu smartphone na mão.
Eles estavam olhando de cima para nossas leis, nossa história e toda a humanidade — olhando em retrospecto, essas palavras soam como a abertura de uma declaração de guerra espacial, então, nesse caso, prefiro retirar esse comentário.
Desde a adolescência, foi martelado na minha cabeça que eu estava tomando o caminho mais fácil ao simplesmente atribuir a origem dos problemas às monstruosidades, e que eu estava abandonando o pensamento racional — mas eu te pergunto agora: se você não abandonar o pensamento racional diante de uma situação dessas, então quando vai abandonar?
Eu aguentei e lutei bastante, mas, diante de uma verdade tão aterradora, como o contador de histórias não licenciado e não qualificado que eu era, não tive escolha senão calar a boca em silêncio… aquele intercâmbio cultural divertido e inapropriado precisava chegar ao fim.
É isso.
Aprendendo com o julgamento rápido da detetive esquecida, deixando o combate contra alienígenas para a contratadora, tomando como lição do que não fazer a garota mágica que brincava com a vida, mesmo que eu não seja um garoto bonito de um clube detetives, selando qualquer curiosidade semelhante à da reclusa de calções de banho, tornando-me um adulto como a garota mágica que governa o sangue, usando a dupla negação aprendida com a Inspetora-Geral, como cerca de metade do clã de assassinos demoníacos fazendo isso por suas famílias, de forma justa e direta como a estrategista, sem ser enganado pelas empregadas trigêmeas, mudando drasticamente para se adequar aos gostos das assassinas gêmeas, evitando o perigo da mesma forma que aqueles universitários tão próximos fariam, para sobreviver mais do que o herói que se gabava de sua taxa incomum de abates e mortes, à maneira da derrota do habilidoso apostador, aceitei graciosamente esse final — mas, ainda assim.
"Como última frase, deixe-me dizer apenas uma coisa — como linha final, apenas uma coisa."
"Nós somos teimosos." [1]
[1] A frase espelha a clássica saudação alienígena apresentada anteriormente, “Nós somos alienígenas”. Aqui, o “nós” é escrito como Monogatari, “物語” (história, conto). O intuito da frase é algo como “A série Monogatari é persistente em não acabar”.
004. MAGOKORO FINALIZADOR
"Correndo."
Magokorozinha disse isso sem sorrir. Sua expressão era completamente séria. Sériazinha.
"Se você corresse muito rápido, então conseguiria fazer isso. Não existe nada que você não possa fazer se tentar com todas as suas forças. Era isso que minha antiga parceira e esposa amorosa costumava me dizer."
Eu não tinha ideia de quem ela estava falando, mas tinha uma forte sensação de que sua amiga havia dito isso com uma enorme carga de sarcasmo na época.
Eu não tinha nenhuma evidência na qual basear minha crença, mas me sentia certo disso.
"Se fosse eu, eu conseguiria."
"À primeira vista eu diria que há pelo menos quatro mil quilômetros entre San Francisco e Nova York."
"Quatro mil quilos? Qual é o problema com quatro toneladas? Para mim esse peso não é nada."
"..."
Ela era a idiota do século, por acaso?
Eu disse que estávamos em uma sala na sede do FBI, e para ser mais específico, era um tipo de sala de recepção frequentemente chamada de “sala VIP”. Não se engane, não era de forma alguma uma sala de interrogatório, e também não se engane quanto ao fato de que, das duas pessoas na sala VIP, não era eu quem merecia o tratamento especial...
Para ser justo, eu também tinha parte da culpa por ter dito “quilômetro” enquanto estava em um país que usava milhas para indicar distância, mas mesmo assim, essa garota estava se gabando de que poderia carregar quatro toneladas e correr mais de duas mil e quinhentas milhas, e isso parecia um problema bem maior do que qualquer mal-entendido sobre unidades.
Quantas libras havia em quatro toneladas...?
"Vou admitir que você poderia correr pelo Canadá para chegar ao Alasca, mas o Havaí fica no meio do oceano, então você não conseguiria correr até lá."
"OH! É mesmo! Aazinho, você é muito inteligente!"
Não faça de “Aazinho” meu título oficial.
Além disso, como foi justamente essa parte que te convenceu?
Essa reunião não estava sendo tornada pública, mas o FBI a havia chamado para ajudar, e isso implicava que ela não poderia simplesmente ser uma idiota... Então por que haviam chamado essa garota para ajudar...?
Koyomi Araragi estava nessa sala por causa de “fluência em japonês”, mas qual era o motivo para essa garota estar aqui...?
Pensando melhor, se ela morava aqui na América, então, a menos que tivesse chegado recentemente como eu, certamente conseguiria entender inglês até certo ponto. Então... será que eu havia sido chamado porque ela fez um pedido absurdo como, "em troca de ajudar na sua investigação, eu quero conversar em japonês com alguém."
O motivo do tratamento especial dela...
"Oh, isso é porque se você está procurando um assassino de assassinos em série, então sou eu com quem você deveria falar. Claro, os que eu matei não eram assassinos em série, mas assassinos demoníacos."
"... Hm?"
O que foi isso? Eu ouvi errado?
Agora mesmo, aqui na sede do FBI, sem nenhum tipo de restrição ou detenção... essa garota acabou de se entregar?
"Bem, naquela época eu estava sob o controle de Rurero Migishita, e não estava em pleno uso das minhas faculdades mentais. Foi perfeitamente legítima defesa."
Ela vinha falando como uma cabeça-de-vento até então, mas de repente começou a usar termos jurídicos como se estivesse estabelecendo uma defesa — mas não era tanto que ela estivesse tentando explicar uma mordida de língua, e sim que estava tentando se ajustar ao meu senso de valores vampírico (não demoníaco). Senso de valores, ou talvez, visão de mundo.
Parecia que ela não era completamente incapaz de ser considerada. E o que foi que ela disse? Rurero Migishita?
Ela havia soltado o nome casualmente na conversa, mas era um nome e tanto.
"Os assassinos em série poderiam ter sido reunidos em um único local, mortos ao mesmo tempo como um grupo, e então seus cadáveres poderiam ter sido levados para cada um dos locais de descoberta — mas mesmo assim, a área simplesmente é extensa demais para que isso seja viável."
Extensa — uma investigação de grande alcance.
Era uma área tão vasta que era estranho que não tivesse cruzado nenhuma fronteira internacional — por exemplo, em um território como Guam ou em uma nação aliada como o Japão, não seria estranho que mais corpos tivessem sido encontrados em outros lugares. Se aqueles que foram mortos eram todos assassinos em série da lista dos mais procurados, então faria sentido traçar o perfil do assassino como um patriota, um “herói da justiça”, cujo objetivo fosse preservar a paz pública?
No mínimo, tínhamos que admitir que o assassino havia superado as agências de inteligência ao localizar todos os assassinos.
No entanto, matar assassinos em série porque eles mereciam a pena de morte e executar justiça pessoal dessa maneira era um insulto à lei, à história e à humanidade.
Era imperdoável.
Não era justiça, mas um crime.
Além disso, nem todos os estados tinham pena de morte, e alguns dos quatorze assassinos em série haviam atuado nesses estados, então talvez fosse uma boa ideia ter em mente a possibilidade de que alguém ligado a crimes anteriores estivesse entregando a morte ao perpetrador — no entanto, parecia improvável que alguém tomado por fúria justa e inimizade pudesse ter realizado os assassinatos. Havia algo mecânico no crime.
Parecia distante demais.
Como se tivesse sido um experimento...
"O intervalo de tempo entre a descoberta do primeiro assassino em série e a descoberta do décimo quarto assassino em série foi pequeno demais. Então parece improvável que eles simplesmente tenham movido os corpos."
"Bem, se tivessem feito algo assim, então haveria lividez cadavérica e coisas do tipo mostrando que eles foram movidos. Além disso, os cadáveres apodreceriam."
"hmm — Aah, eu ainda não te contei essa parte?"
O cenário dos assassinatos era tão estranho que eu havia esquecido de contar a ela sobre a “arma do crime” e a “causa da morte” — mesmo sendo tão bizarros quanto os locais dos assassinatos.
"A ‘arma do crime’ é um freezer."
"Um freezer?"
Magokorozinha sorriu como se eu tivesse contado uma piada.
Tão fofa.
"Isso quer dizer que alguém saiu por aí balançando um freezer e acertando as pessoas na cabeça com a quina? Bem, isso é incrível. Uma vez eu lidei com um músico assassino demoníaco que saía matando garotas com maracas, mas esse cara superou ele." [1]
"Não acho que alguém consiga superar isso."
Eu queria ouvir mais; bom, na verdade, não queria.
No entanto, eu não havia dito nada sobre balançar um freezer e acertar pessoas com a quina — se isso realmente tivesse acontecido, então, embora ainda não fizesse do assassino um “herói da justiça”, certamente ganharia meu respeito de alguma forma.
Mas, em vez disso, tudo que eu pude fazer foi tremer.
E não apenas porque era um freezer.
"O assassino usou um poderoso freezer industrial para congelar instantaneamente os assassinos em série — e então os estilhaçou em um milhão de pedaços."
Isso não era o tipo de coisa que um herói, ou um humano, faria.
O cadáver que foi encontrado no Alasca foi o décimo quarto dos corpos descobertos, e essa foi a razão... O gelo e a neve da região disfarçaram facilmente os pedaços congelados do corpo e, a princípio, havia sido considerado uma possível morte acidental, o que atrasou o relatório ao FBI.
Por outro lado, no Havaí ou em estados continentais do sul como Flórida ou Texas, lar da sede do ER3 System, as partes congeladas do corpo rapidamente descongelaram e se tornaram um espetáculo terrível de se ver.
Chamar aquilo de um “assassinato grotesco” era pouco.
Chegava ao ponto de parecer plausível que os assassinatos fossem obra de uma monstruosidade... Será que eu havia sido chamado por esse motivo, em vez de por causa da minha capacidade de falar japonês? Melhor nem tocar na possível existência de um projeto para criar um departamento de monstros dentro do FBI...
Eu havia trazido Shinobu comigo como intérprete, mas será que eu ousaria trazê-la para fora? Era ilegal ter uma loli loira escrava neste país... ao contrário do Japão.
"É possível que haja mais corpos que ainda não foram encontrados. Os corpos estão mais próximos de pó do que de pedaços, então é possível que os fragmentos estejam mais disfarçados do que estavam em Fairbanks, dependendo de onde foram descartados."
Era possível que o assassino tivesse descartado restos em todos os cinquenta estados — ou talvez esse tivesse sido o objetivo do assassino, mas encontrar os esconderijos de quatorze assassinos em série tivesse sido o limite.
Eu não sabia se deveria pensar que havia quatorze assassinos em série para encontrar, ou se deveria pensar que quatorze havia sido o limite... Não, o que eu deveria estar pensando é em apenas um assassino. Aquele por trás deste caso.
Um assassino em série. Um assassino relâmpago.
Correndo, hein...
Bom, se houvesse um herói capaz de se mover à velocidade da luz — espere, não, mesmo que alguém pudesse se mover à velocidade da luz, congelar alguém à velocidade da luz seria difícil...
"Entendo, entendo. A verdade deste caso é laranja para mim. Ou melhor, está clara para mim. Às vezes, quanto mais longe você está, mais rápido você chega. Hahaha!"
Magokoro-chan abriu bem a boca e,
"Ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha."
Ela riu estrondosamente.
Eu não tinha ideia do que havia feito ela rir tanto, mas fui empurrado para trás pela força de sua risada aguda. Quando finalmente se acalmou, perguntou,
"Então, para quantos suspeitos vocês já reduziram?"
"Ah, não, ainda não chegamos a essa fase da investigação..."
Hm?
Ela retomou a conversa casualmente, mas... o que foi que ela disse antes?
A verdade deste caso é laranja para mim. Ou melhor, está clara para mim.
Está clara para mim?
Esse caso ridículo e confuso estava claro?
Quanto mais longe você está, mais rápido você chega — que tipo de frase de romance policial paradoxal era essa?
"Entendo. Então vocês ainda não definiram nenhum. Mas tenho certeza de que estão procurando um suspeito altamente consciente, em vez de um suspeito altamente habilidoso. Você disse que ainda não chegaram a essa fase da investigação, mas acho que acabamos de pular alguns passos."
"Ma-Magokorozinha, quando você disse que está claro, quer dizer que descobriu o truque?"
"Deixe-me perguntar o contrário, por que vocês ainda não descobriram?"
...Então agora ela está fazendo o papel de uma grande detetive irritante.
Eu me inclinei para frente por reflexo, mas Magokoro-chan falou novamente como se quisesse me interromper.
"Não, o que eu realmente quis perguntar é... você realmente tem a intenção de acabar com isso?"
"...? Claro que tenho. Estou tão pronto para o fim que é como se fosse véspera de Ano Novo para mim. Meu coração está preparado, e a contagem regressiva já começou. Quero que este caso cruel e sem esperança seja encerrado o mais rápido possível — na mesma altura absurda que marcou todo o resto do caso."
"Então você quer grande altitude em vez de alta velocidade — mas não, não. Eu não quis dizer o caso."
Você tem a intenção de acabar com o mundo, Aazinho?
Foi isso que a Última Laranja da Humanidade me perguntou.
Como se estivesse fazendo um ultimato.
"Você sabe o que desencadeia o fim do mundo, Aazinho? Ver os seus limites, e ver o seu futuro."
Como eu disse — meu nome não é Aazinho.
[1] Esta é uma referência a Zerozaki Magashiki da série Ningen (que por sua vez é um spin-off de Zaregoto). Ele é um usuário de som que toca música (incluindo um par de maracas pretas) para controlar mentes e matar pessoas.
003. MAGOKORO FINALIZADOR
Dizer que pessoas morrendo era “engraçado” seria considerado inapropriado no Japão e renderia uma boa bronca, mas mesmo na terra da liberdade não era algo que pudesse ser dito levianamente — porém, neste caso, neste incidente, a realidade era tão bizarra que dava vontade de descrevê-la assim.
Como estagiário (ou seja lá o que eu fosse, já que minha posição não era exatamente clara), obviamente eu não tinha nenhuma ligação oficial com a investigação, mas, ainda assim, eu havia aprendido os contornos gerais do que tinha acontecido, simplesmente porque o incidente era inacreditável demais.
Só de ouvir que as quatorze vítimas eram todas assassinos em série já parecia a premissa de algum tipo de piada macabra, mas mesmo que todos eles tivessem sido cidadãos normais e inocentes, o sensacionalismo do acontecimento não precisaria de nenhum outro enfeite ou exagero para fazer as pessoas pararem e prestar atenção.
É constrangedor admitir, mas até a apresentação (ou plano) de Gaen-san me trazer para a América, eu não sabia quase nada sobre a agência chamada FBI que frequentemente aparecia em séries estrangeiras (a ponto de eu achar que pudesse ser fictícia). A agência era algo como uma força policial usada para ajudar em investigações que se espalhavam por grandes áreas da imensa extensão territorial dos Estados Unidos da América. E, nesse sentido, esse assassinato em série de assassinos em série parecia ter sido feito especificamente para o FBI investigar, e isso não era nem exagero nem algo inapropriado de dizer.
Afinal, o crime havia ocorrido por todo o país.
Vindo de uma nação insular, ouvir isso não me causava exatamente a mesma impressão, mas quando se considera a imensa extensão territorial do continente norte-americano e o fato de que os crimes se estenderam até mesmo ao estado insular do Havaí, este caso estava longe de ser simples.
O perverso assassino em série tornou-se um dos criminosos mais procurados do país por ter cometido assassinatos em estados espalhados por toda a nação.
O primeiro assassino em série estava em Chicago, Illinois.
O segundo assassino em série estava em Manhattan, Nova York.
O terceiro assassino em série estava em San Francisco, Califórnia.
O quarto assassino em série estava em Denver, Colorado.
O restante segue assim; o quinto em Orlando, Flórida; o sexto em Hot Springs, Arkansas; o sétimo em Nashville, Tennessee; o oitavo em Big Island, Havaí; o nono em Dallas, Texas; o décimo em New Orleans, Louisiana; o décimo primeiro em Boise, Idaho; o décimo segundo em Montgomery, Alabama; o décimo terceiro em Milwaukee, Wisconsin; o décimo quarto em Fairbanks, Alasca, e assim por diante.
E assim por diante.
Como o caso não havia sido resolvido, isso significava que ele ainda continuava — portanto chamá-lo de um “assassinato em série” não era incorreto; no entanto, as distinções de “primeiro”, “segundo”, “terceiro” e assim por diante precisavam de uma explicação adicional.
E com isso quero dizer que a numeração indicava a ordem de descoberta, que não era necessariamente a ordem dos assassinatos. Incluindo os assassinatos que ocorreram no Alasca e no Havaí, os acontecimentos abrangeram seis fusos horários diferentes, o que por si só já apresentava o problema de como registrar o horário dos eventos. Felizmente, registrar os acontecimentos de acordo com o Tempo Universal Coordenado resolveu esse problema, e com esse padrão estabelecido, tornou-se evidente que os horários de descoberta dos diversos assassinatos estavam completamente dispersos. No entanto, também se tornou evidente que os horários de morte eram quase os mesmos.
Neste caso, o “quase” vinha do fato de que os médicos-legistas não queriam ser excessivamente exatos em suas estimativas de hora da morte. Mas, assim como a “arma” e a “causa da morte” de cada vítima eram as mesmas, parecia que a “hora da morte” das quatorze vítimas também era a mesma.
Dizer que eram iguais não era suficiente.
Poderia até se dizer que eram uniformes.
Então, esse era o problema — do Havaí, no sul, ao Alasca, no norte, e de Nova York, no leste, até San Francisco, no oeste.
Como quatorze assassinos em série escondidos em quatorze locais diferentes e distantes do país poderiam ser mortos ao mesmo tempo?
002. MAGOKORO FINALIZADOR
Foi através de uma série de caminhos errados, encontros perdidos e inúmeros mal-entendidos que acabei designado para investigar uma série de assassinatos em série cometidos por assassinos em série. Se fôssemos tentar contar o número de erros que me trouxeram até este ponto, então começaríamos primeiro com minha graduação na Universidade Manase, depois a conclusão do meu treinamento na academia de polícia, seguida pelo período em que trabalhei no Esquadrão de Rumores do meu departamento local da Polícia de Naoetsu, e então minha viagem aos Estados Unidos para estudar no exterior na academia do FBI por algum motivo.
Naquele momento, eu já havia acumulado centenas de caminhos errados, milhares de encontros perdidos e, quanto aos mal-entendidos, o número sem dúvida não somava dezenas de milhares, mas centenas de milhões. Eu estava na casa dos vinte anos e ainda na academia.
Eu estava amaldiçoado a permanecer na escola pelo resto da minha vida? Ou talvez fosse uma maldição ficar preso no degrau mais baixo de um grupo de elite que estava muito além do meu nível, para que eu pudesse agonizar para sempre com minha própria incompetência. Se fosse o segundo caso, então a maldição provavelmente poderia ser rastreada até uma certa amiga de infância do ensino fundamental e do ginásio.
Nesse ritmo, como eu poderia sequer começar uma família feliz com minha namorada Hitagi Senjougahara? Era um sonho dentro de um sonho. Você poderia ficar bravo comigo por ter objetivos tão elevados, mas quando eu pensava em como absolutamente tudo estava se desenrolando exatamente como Gaen-san queria, não pude evitar sentir vergonha. E ainda havia minha irmãzinha, que veio para a América antes de mim dizendo, “Maninho, você correu atrás de mim como um patinho correndo atrás da própria mãe! Isso é tão precioso!”. E me fazendo passar vergonha...
Parecia que minha vida havia mudado drasticamente depois de encontrar aquela vampira de sangue de ferro, de sangue quente e de sangue frio durante as férias de primavera entre o segundo e o terceiro ano do ensino médio, mas, na verdade, quem talvez tenha mudado minha vida de forma ainda mais drástica pode ter sido aquela madame sorridente e amigável que sabe de tudo.
Bom, de qualquer forma, talvez algum dia eu tivesse a chance de discutir isso novamente — e assim eu estava passando por mais um dia de treinamento na academia no estado da Virgínia (para um ex-vampiro parecia um pouco inevitável acabar em um lugar com esse nome) quando recebi uma convocação para a sede do FBI em Washington D.C., à qual obedeci.
E, só para deixar claro, eu não enfatizei o “D.C.” no nome por parecer legal. Não, eu o enfatizei porque certa vez fui para o estado de Washington por engano. Era quase tão confuso quanto discutir “Cidade de Tóquio” e “Provincia de Tóquio”. Se você não prestasse atenção, poderia acabar indo parar no lugar errado.
E assim são as coisas.
"Estou tão feliz; já faz um tempo desde a última vez que pude falar japonês. Apesar do meu penteado, eu sou japonesa."
Ela disse com uma gargalhada estrondosa.
Eu estava em uma sala na sede, sozinho com ela — com a pequena Magokoro.
Em resposta à sua risada barulhenta, fiz o que qualquer japonês faria e sorri educadamente em resposta — ou pelo menos tentei. Percebi meu sorriso vacilar diante da sua aura.
Sua aura laranja.
Seu cabelo parecia brilhar — ou melhor, realmente brilhava — refletindo a luz de sua superfície alaranjada. Seu cabelo estava preso em tranças grossas e pesadas que me lembravam as cordas espessas usadas em santuários para afastar o mal. Além disso, apesar de não estar nem perto da época do Halloween, ela estava vestindo um uniforme de camareira francesa.
A roupa parecia prática e útil, mas um uniforme de maid ainda era um uniforme de maid. O uniforme me parecia familiar, como se eu já o tivesse visto antes, mas isso não era importante — de qualquer forma, estávamos na terra da liberdade, os Estados Unidos da América. Não apenas seria rude falar sobre o senso de moda de alguém em um primeiro encontro, como seria simplesmente grosseiro.
No entanto —
"ER3 System... era esse o nome? MS-2? Diferente do FBI e da CIA, nunca ouvi falar disso antes, mas essa é a organização à qual você pertence, Magokorozinha?" [1]
"Não são muitos os que usariam ‘...zinha’ para se referir a mim, inspetor. Inspetor Aazinho."
E então, mais uma vez, ela riu de coração. Nem mesmo a vampira que vive há mais de seiscentos anos e se escondeu na minha sombra ria daquela maneira.
Aazinho?
Não eram muitos os que se refeririam a mim dessa forma — poderiam me chamar de “pervertido”, mas ser chamado de “Aazinho” era a primeira vez.
"Bem, não é uma organização com a qual você deva se deparar se viver uma vida adequada. Então não se preocupe com isso, Aazinho. Agora se apresse e apresente as informações sobre este caso de assassinatos em série cometidos por assassinos em série. Eu darei um fim rápido a essa investigação que está patinando."
"..."
Ela havia sido enviada por alguma agência ou organização científica misteriosa, e embora Magokorozinha parecesse ainda uma adolescente, ela tinha vindo ao FBI e agora afirmava com confiança que poderia resolver o caso — não, na verdade, não era confiança em sua voz; era a certeza de quem declarava um fato.
Encerrar coisas era uma ocorrência diária para essa garota, e quanto mais tempo ficávamos sentados frente a frente naquela sala, mais eu conseguia sentir o abismo que nos separava.
Eu havia sido chamado porque era fluente em japonês, uma habilidade que qualquer japonês igualmente possuía, e não por causa de alguma habilidade ou capacidade especial minha. Eu nem sequer era realmente um investigador ainda, mas agora estava fazendo o papel de anfitrião para essa garota. Neste caso, parecia melhor simplesmente obedecer ao fluxo dos acontecimentos em vez de tentar me exibir e causar uma boa impressão nos superiores para que me enviassem de volta ao Japão mais cedo.
Caso contrário, talvez não fosse a investigação que terminaria, mas eu mesmo. Comecei a cumprir minha parte explicando a ela, "os assassinatos em série cometidos por assassinos em série são algo criado pela mídia."
"Huh. Eu sei disso. A mídia adora fazer um espetáculo e sensacionalizar os acontecimentos."
"A questão é que, neste caso, a verdade é mais engraçada do que a ficção. Para ser mais preciso, não se trata de assassinatos em série cometidos por assassinos em série..."
Era um assassinato relâmpago cometido por um assassino em série.
Eles não eram mortos em quantidade — mas com velocidade.
[1] Em Zaregoto, o ER3 System é uma organização de pesquisa localizada em Houston que reúne os maiores gênios do mundo. MS-2 é uma subdivisão do ER3.
001. MAGOKORO FINALIZADOR
Magokoro Omokage era a Última da Humanidade. Quando “aquilo” chegava, não importava que tipo de história fosse, significava que ela havia acabado. Fosse um mistério, uma fantasia ou até mesmo uma biografia, a história terminaria enquanto a cortina caía com uma finalidade nítida e decidida.
Quatorze vezes eu havia entrado em contato com diversas árvores do mundo, diversas linhas de mundo e diversas visões de mundo, mas ainda me faltavam as qualificações para falar sobre os homens e mulheres que eu havia conhecido através desses breves encontros. Mesmo que eu não fosse eu mesmo, mas sim um contador de histórias licenciado que estivesse em posição de transmitir tecnologias e ideias superiores às massas, ainda assim eu não estaria em um lugar de onde pudesse ou devesse falar sobre as culturas de sociedades e mundos que não eram os meus. Na verdade, poderia até mesmo transcender uma diferença de cultura e tornar-se uma diferença de ecologia. Seria inaceitável que minhas ações irrefletidas causassem a destruição de um ecossistema.
Provavelmente eu já havia ido longe demais nesse aspecto.
Uma organização secreta que era inimiga de todo o planeta Terra e grandes detetives com habilidades de raciocínio impecáveis eram, em sentido literário, ingredientes que vinham com um rótulo de advertência dizendo “Perigo: Não Misture!” Não havia discussão sobre um ser superior ao outro ou um ser melhor — eles eram simplesmente diferentes.
No fundo, eu não era fã da ideia de designar espécies invasoras como algo que precisa ser morto, nem de chamar qualquer espécie animal cuja população tenha crescido demais de praga. Novamente, isso não vinha de qualquer senso de bem ou mal, mas sim porque eu era uma pessoa que corria o risco de ser designado como alguém que precisava ser morto ou chamado de praga — ou melhor, eu era um vampiro. Na verdade, era possível que, do ponto de vista deles, eu fosse quem deveria ser considerado estranho.
Kyouko Okitegami. Jun Aikawa. Nomi Chinou. Mayumi Doujima.
Kuroneko Byouinzaka. Risuka Mizukura. Princesa Hitei. Iori Mutou.
Shiogi Hagihara. Tamamo Saijou. Ichihime Yukariki.
Hikari Chiga. Akari Chiga. Teruko Chiga.
Izumu Niounomiya, Rizumu Niounomiya.
Mikoko Aoii. Muimi Atemiya. Tomoe Emoto.
Kuu Sorakara. Rai Fudatsuki.
Pergunto-me como eu havia parecido através dos olhos deles. Eu havia parecido um monstro que precisava ser destruído, ou havia sido um estranho digno de se tornar amigo?
De qualquer forma, depois de ter tido tantos encontros intermitentes com esses outros mundos, havia uma coisa que eu podia afirmar com confiança.
O fato de que a visão de mundo fria da qual a Sábia Azul e o Disparate se originaram tenha chegado ao fim ainda nos números de um dígito era, francamente, um milagre. Talvez isso não tenha sido óbvio no momento da conclusão, mas quando comparado ao estado terrível em que nos encontrávamos — terminando e terminando, mas de alguma forma sempre continuando como uma espécie de fênix literária — acho que a terrível verdade se tornou evidente.
Finais eram difíceis.
Diziam que morrer era fácil, e de certa forma suponho que fosse, mas na verdade... morrer não era a parte mais difícil de todas? Diziam que “tudo acaba bem quando termina bem”, certo? Então obviamente isso implicava que o final era a parte mais crucial de todas.
Nem precisava ser dito.
A origem daquele milagre havia sido ninguém menos que a Semente Alaranjada, Magokoro Omokage — sucessora da Contratante Mais Forte da Humanidade e décima terceira dos Os Treze Degraus, uma organização construída com o único propósito de trazer o fim do mundo.
E não havia dúvida de que ela também colocaria um fim nesta bagunça distorcida e caótica.