Saiu para sacada da sala de estudos, banhou-se de lua e brisa fresca enquanto respirava fundo o ar do campus, puxou a cigarrilha do bolso da calça de lã, dois estalares do isqueiro e uma fita de fumaça se formava na ponta dos dedos. Chegara naquela temendo os possíveis encontros, encontraria alguém de seu tempo? Os dedos escorregavam pela lata úmida de cerveja que apoiara no parapeito daquela espaçosa sacada, a outra mão performava um lento, porém consistente, movimento de trazer e afastar o cigarro do rosto de Bonhomme, que revezava os tragos entre o álcool e o tabaco.
Mal chegara e já evadira dos espaços cheios: entrou, pegou sua bebida e de pronto correu para seu antigo esconderijo noturno, palco de inúmeras insônias, algumas boas conversas e até alguns beijos; aquela varanda era um lugar de isolamento naquela casa e poucos eram os que sabiam como abrir a porta emperrada que dava acesso à varanda mais íntima daquele prédio. Escutou o ranger da porta, mas decidiu não se virar. Estava disposto a vencer uma interação social, qual fosse! - se você chegou até aqui sem me seguir então você é uma kappa phi da minha época... poucos alunos tiveram o privilégio de desbloquear essa parte da casa, muitos provavelmente formaram sem descobrir que esse lugar existe - sentiu-se eufórico pela memória, que agora pairava fresca pelas molduras de pedra daquela sacada gelada, sorriu e virou-se para emitir mais um comentário nostálgico sobre sua turma, mas antes que pudesse começar a formular palavras deparou-se com um rosto, que outrora desejou nunca mais rever, que sugou-lhe a alegria por completo. Quedou silencioso, atento aos passos daquela pessoa como ficam atentos os antílopes na presença de um caçador.