❝ sophie ❞ bonnie começou, a voz suave e cheia de cuidado ❝ não me diga que ainda tem medo do escuro ❞ apesar de querer rir, ela controlou seu deboche e se afastou do interruptor. em vez disso, bonnie ligou as três luminárias da sala, que, junto com a televisão, mantinham o ambiente iluminado e agradável. a luz suave das luminárias criou um brilho reconfortante, dissipando as sombras que podiam provocar ansiedade. ❝ vou desligar e você me diz se podemos ficar com a luz principal apagada, ok? ❞ sugeriu, oferecendo um sorriso encorajador.
blood, sender cleans blood off of receiver. (demir)
bonnie estava em um estado de intensa euforia, um sorriso maníaco espalhado pelo rosto enquanto ela cuspiu o sangue no chão. seus olhos brilhavam, cada músculo de seu corpo preparado para o próximo movimento. a luta clandestina era uma válvula de escape para uma vida que parecia agora insuportavelmente pacífica em des moines. viver em paz não era uma opção para ela; ela ansiava pela sensação crua e primitiva de estar em perigo iminente. ela atacava com precisão cirúrgica, mas suas táticas eram sujas e implacáveis. usava cada oportunidade para lutar de maneira desleal, aproveitando qualquer brecha para golpear com rapidez e precisão, frequentemente visando áreas vulneráveis e usando o ambiente a seu favor.
ao final da luta, recusou o dinheiro, afirmando que merecia uma luta mais desafiadora. quando estava prestes a sair, sentiu alguém puxando seus cabelos, sendo arrastada até a parede. sua cabeça bateu com força na superfície dura. o homem, com um sorriso debochado, murmurou: ❝ o que disse, vagabunda? ❞ ele a levantou do chão, suas mãos apertando seu pescoço com força. ela, por outro lado, apenas riu, um som quase frenético que misturava prazer e desafio. ❝ eu disse que você é frouxo e um péssimo perdedor ❞
antes que ele pudesse levar seu ataque mais longe, alguém interveio, acertando a cabeça do homem com um golpe forte. bonnie caiu no chão, ofegante e com as mãos imediatamente indo para seu pescoço, tentando aliviar a dor e recuperar o fôlego. demir, com um olhar determinado, deixou o homem desacordado no chão e puxou bonnie para longe da multidão. bonnie, encostada em sua moto, resmungou com uma expressão de desdém: ❝ eu não precisava de ajuda ❞ ele limpou um pouco do sangue de seu rosto, revelando a lateral de sua cabeça rasgada pela pancada contra a parede. ❝ cuidado, eu vou começar a achar que você se importa comigo, grandão ❞
quando bonnie sugeriu que fossem naquela atração, não imaginava que seria tão grande e difícil de encontrar a saída. muito menos que algumas partes ficariam tão apertadas que só daria para passar uma pessoa por vez. cada passagem estreita aumentava a tensão, e ela podia sentir a inquietação de iris ao seu lado, o que só a deixava mais determinada a tirá-la daquele lugar. mais uma passagem apertada se apresentou, e iris travou, as palavras saindo de sua boca em um sussurro frágil que quebrou uma pequena parte do coração de bonnie. sem pensar duas vezes, ela puxou iris para um abraço apertado. ❝ fecha os olhos e confia em mim ❞ murmurou bonnie, sua voz suave e reconfortante. ❝ eu vou te tirar daqui, ok? ❞ ela selou a promessa com um beijo no topo da cabeça de iris e entrelaçou suas mãos outra vez.
bonnie respirou fundo, tentando manter a calma enquanto sentia seu coração bater acelerado. ❝ lembra do que você me falou quando teve aquele incêndio no campus? ❞ perguntou, a voz deliberadamente tranquila, apesar da tempestade dentro de si. ela sabia que precisava ser forte para iris. ❝ foca na minha voz, foca nas nossas mãos ❞ guiando iris pelo corredor estreito, bonnie manteve um ritmo cuidadoso, evitando qualquer chance de tropeço. ❝ eu estou aqui, flor, não vou te deixar sozinha ❞ disse, apertando a mão da amiga com firmeza e segurança. elas viraram à esquerda e depois à direita, cada passo calculado e determinado. ❝ assim que a gente sair, eu te aviso ❞
❝ a gente está quase lá, falta pouco agora ❞ sussurrou, seu polegar acariciando a mão de iris em um gesto contínuo e reconfortante. bonnie sabia que, diante de uma fobia, isso talvez não fosse o suficiente, mas era o que podia fazer no momento. finalmente, elas alcançaram o final do corredor. de repente, um palhaço macabro surgiu, tentando assustá-las. sem pensar, bonnie pegou a primeira decoração ao alcance de sua mão livre e a arremessou na direção do palhaço. o objeto bateu nele, fazendo-o recuar. bonnie continuou guiando iris até um espaço mais aberto e longe das pessoas, sabia que ela odiava demonstrar fraqueza na frente das pessoas. ❝ pode abrir os olhos, deusa ❞ disse, finalmente ❝ você está bem agora ❞ enquanto falava, ela acariciava os cabelos de iris, tentando oferecer o máximo de conforto possível.
bonnie desligou o computador, incapaz de se concentrar com o barulho de pessoas entrando, saindo, martelando e pintando coisas dentro de casa. pegou o celular e a chave da moto, se direcionando à garagem. colocou o capacete e deu partida na motocicleta. foi até a maior cafeteria da cidade. pegou o celular e as chaves da moto, sua mente já ansiosa pela fuga que estava prestes a empreender. caminhou apressadamente até a garagem, seu passos ressoando em um ritmo apressado e decidido. no momento em que chegou à motocicleta, colocou o capacete com um gesto quase automático, sua mente já longe da confusão de dentro de casa. o som do motor da moto, ao dar partida, foi um alívio bem-vindo, abafando o barulho ensurdecedor que a havia perturbado. ela deslizou pela cidade, com o vento batendo em seu rosto e o ronco do motor preenchendo o espaço ao seu redor. o trânsito passava como uma borrada em sua visão, e ela se dirigia para uma cafeteria qualquer.
enquanto aguardava seu pedido, bonnie decidiu fazer uma ligação rápida para dan. com um tom exagerado e bem-humorado, ela atendeu o telefone. ❝ daaaaame! ❞ alongou a vogal, como sempre fazia quando queria algo. o atendente da cafeteria, ao escutar o entusiasmo dela, sorriu e entregou o pedido. bonnie pegou a sacola com um sorriso agradecido e se dirigiu para a moto. ela cuidadosamente colocou a caixinha de doces no compartimento do capacete, ajustando-a para que não se movesse durante a viagem. ❝ eu tô indo aí te buscar ❞ continuou bonnie pelo telefone, sua voz carregada de uma animação contagiante. ❝ vou levar seu doce preferido e você vai sair um pouco dessa dame-caverna ❞
— 🔮 era habitual para a jovem utilizar os mais variados tipos de incensos, para o total desgosto de qualquer um que fosse azarado o suficiente para dividir o espaço com ela. ❝ a sua energia de raiva só prova que estou certa, belladona! ❞ ofereceu em resposta às reclamações já habituais de sua colega de quarto. ❝ não tem como a ajuda florescer em um lugar infestado de más vibrações, simplesmente não tem! ❞ continuou, sem querer entrar no mérito que uma fraternidade já tinha muita coisa ruim em sua essência, mas aquela em especial tinha muita gente esquisita junta. ❝ depois que o nosso quarto estiver limpinho, podemos voltar ao trabalho! só deve demorar algumas horas, mas eu espero, se você esperar. ❞
# ────── belladonna adorava viajar, mas tinha se arrependido de chegar uma semana após o início das aulas, pois desde então foi obrigada a dividir o único quarto disponível com greta. o que greta tinha de bonita, tinha de absolutamente intragável com todas aquelas manias que tiravam a arsenault do sério. ❝ então que não seja ajuda, eu posso te cobrar ❞ sugeriu bonnie, embora soubesse que não adiantaria muita coisa. seu rosto se retorceu quando o vento trouxe a fumaça na sua direção, e ela sentiu a enxaqueca ameaçando atacar, tornando ainda mais difícil continuar. a fumaça estava ficando insuportável, invadindo suas narinas e fazendo seus olhos lacrimejarem. ❝ horas? ❞ exclamou bonnie, incredulidade estampada no rosto. ❝ pelo amor, não tem um método mais rápido? eu aceito fazer uma meditação guiada de 30 minutos, que tal? ❞
Damien estava em um de seus raros momentos onde se levantava para ir ao banheiro e comer alguma coisa antes de voltar jogatina online. No entanto, acabou aproveitando para tomar um banho também, porque na sua opinião: nada era melhor do que voltar a jogar completamente relaxado depois de um banho.
Deixara Aron estudando - como sempre - e o metal gear 5 aberto em uma fase que passara umas duas vezes apenas e queria tentar a terceira. Com a toalha secando os cabelos e apenas de bermuda, o rapaz voltava para o quarto cantarolando algo aleatório antes de notar que Bonnie também estava lá e aproveitar que ela não estava olhando para pegar uma camiseta de Aron - era o que tinha mais perto no momento - e vestir. - Podia ter mandado uma mensagem que ia vir aqui, Boo. - resmungou o apelido, ajeitando a camisa do melhor amigo, lançando um pedido de desculpas para ele. O cenho foi franzido logo em seguida ao notar que a tela em que deixara o jogo já era outra. - Passou a fase que eu deixei aqui? Porra, como conseguiu tão rápido? Eu passei só duas vezes até agora. - virou-se animado e surpreso para a amiga, os olhos brilhando de empolgação antes de escutar as palavras seguintes. - Esqueci... porque eu não lembro nem do que era pra eu ter esquecido exatamente.
# ────── ❝ claro que passei❞ disse ela, sentando-se na cama ainda um pouco sonolenta. ela coçou o olho com as costas da mão e se espreguiçou, elevando as mãos num gesto preguiçoso que parecia esticar até sua alma. ❝ você sabe como, sendo absolutamente incrível e melhor que você no arcade e em metal gear ❞ brincou, o sorriso largo e o nariz empinado complementando sua postura convencida. ❝ você prometeu que ia pedir pizza para a gente ficar jogando ❞ bonnie falou, o tom levemente acusatório. damien estava acostumado com as pequenas mentiras da amiga, mas ela sempre tentava convencê-lo a fazer o que ela queria. bonnie se levantou e se jogou contra ele, seus braços envolvendo a cintura dele, o contraste de suas alturas tornando o gesto quase cômico. ela olhou para ele com olhos suplicantes, fazendo um biquinho adorável. ❝ mas também podemos sair, eu só não quero morrer de tédio nem voltar pro meu quarto defumado ❞
( 2015) ⸻ manon estava chorando. tinha acabado de desligar o telefone, falava com o pai. nunca era uma conversa fácil com ele. não desde a falência escondida a sete chaves, porque era ela quem carregava um fardo pesado demais para alguém tão jovem: sustentar a vida de luxo da família e manter as aparências. e ela já tinha feito tanta coisa em nome desse propósito e mesmo depois de tudo quase ir por água abaixo, ainda precisava continuar. e o problema era sempre o tom escolhido, a escolha das palavras duras. podia ser casca grossa como era, mas ainda era só uma garota. por isso se sobressaltou ao ouvir a voz de muse às suas costas e perceber que não estava mais sozinha no jardim. ❛ oh mon dieu! que droga! por que você está se esgueirando atrás das pessoas como um fantasma? ❜
( 2024) ⸻ ainda que os anos de faculdade não tivessem sido os piores de sua vida, muita coisa tinha acontecido. coisas que manon já tinha empurrado para um canto esquecido em sua mente e não queria mais ninguém mexendo lá. no entanto, alguém tinha que morrer e fazê-la revirar tudo aquilo. nesse processo, se reconectar com os antigos colegas de fraternidade era inevitável. por isso estava na casa de muse naquela noite. tinha levado uma garrafa de vinho e uma torta de limão para que pudessem jogar conversa fora. ❛ por que está aí no escuro, criatura? se está se escondendo da polícia, tarde demais. eles já sabem onde o culpado está. ❜ ela brincou com muse, a risada saindo entre as palavras.
# ────── se bonnie tinha que ficar em des moines, não aguentaria viver na casa dos pais por muito tempo. alugou temporariamente um apartamento no centro da cidade. estava mobiliado, mas ela odiou o gosto do antigo dono e mandou tirar tudo. o único problema era que apenas seu novo sofá, um micro-ondas e algumas louças haviam chegado. sem muito o que fazer, ficou no escuro, jogada no sofá, esperando manon chegar. convidara a mulher mais cedo naquele dia, indicando a senha da fechadura. não havia problema em compartilhar, pois a senha numérica mudava a cada cinco horas, além das inúmeras medidas de segurança que ela mesma programara. quando ouviu a voz de manon, apenas riu. ❝ como se você está aqui? ❞ rebateu, ainda se acostumando com a claridade. levantou-se e seu rosto se iluminou quando viu o vinho. ❝ não acredito que vamos tomar um château valandraud na xícara. eu disse que minhas coisas ainda não tinham chegado. achei que você ia trazer uma pizza, sei lá ❞
◜𝟸𝟶𝟷𝟻◝ ﹒debruçada sobre uma das mesas da sala de estudos, Sabine batucava a ponta do lápis contra um livro velho, cujo cheiro deixava uma sensação empoeirada em sua garganta. Pigarreou, entre um floreio de mão e outro, até que a sua próxima vítima aparecesse, virando a esquina do cômodo. "Ei, muse!" chamou, ajeitando a postura de supetão. "Qual é o sentido de vida, pra você? É pro meu trabalho," acrescentou a última sentença com um sorriso ladino, indicando um calhamaço de folhas que mais parecia um glossário de rabiscos logo ao lado. Era uma aluna exímia, com exceção da caligrafia.
◜𝟸𝟶𝟸𝟺◝ ﹒pós-intimação
Os enjoos procederam a dor de cabeça, latejando em suas têmporas e engolindo sua visão pouco a pouco, até que Sabine se obrigasse a fechar os olhos para não sentir o peso do mundo cedendo sobre seu ombros. "Estamos fodidos," sibilou, entredentes, rangendo os dentes quando tateou os bolsos e deu falta dos frascos de compridos. "Uma intimação em Des Moines vai ser recebida como um mandato de prisão. Um... escândalo," crispou os lábios antes de parti-los para deixar sair um suspiro cansado. "Como você consegue lidar toda essa merda, muse?"
# ────── bonnie gostava de programar em lugares diferentes, mas a chuva a fez desistir de ir muito longe. ela se acomodou numa das salas de estudo, concentrando-se no trabalho até que o tédio a impedisse de continuar. ainda tinha bastante tempo para terminar e estava quase concluindo a segunda versão do software, mais avançada que a da maioria dos colegas. ela preferia fazer tudo rápido para ter mais tempo livre depois. guardou tudo na mochila e decidiu ir pegar um café. enquanto saía, uma pergunta inesperada chamou sua atenção. ❝ o sentido da vida? ❞ bonnie riu, sem se importar com os olhares de reprovação dos colegas que desejavam silêncio ❝ poor thing, i hate to be the one to break it to you, but life is utterly pointless, meaningless and irrelevant. that’s the beauty of it ❞ disse com um sorriso provocador, suas palavras desafiando a seriedade da pergunta.
# ────── a garota empurrou a porta entreaberta do quarto de damien e encontrou aron, o colega de quarto dele, afundado em livros. ele ergueu os olhos, acostumado com a presença dela ali, e disse que dan poderia demorar, mas ela podia ficar se quisesse. ela deu de ombros, entendendo que aron ficaria de boa se ela não atrapalhasse o estudo dele. honestamente, bonnie só queria fugir do cheiro de incenso que impregnava seu próprio quarto. colocou os fones de damien e completou a missão em andamento de metal gear 5 ❝ que fácil ❞ o tempo passou sem pressa e, quando completou a missão, damien ainda não havia chegado. ela olhou ao redor e percebeu que aron também havia desaparecido, deixando-a sozinha no quarto. com um suspiro, desligou o console e se jogou na cama de damien. ❝ vou apenas descansar os olhos ❞ murmurou para si mesma, sabendo que o sono não tardaria a vir. eventualmente, a voz de dan a despertou. ❝ eu não sei o que você falou, mas eu discordo ❞ bonnie soltou o travesseiro que, em algum momento durante o sono, começara a abraçar e arremessou na direção dele ❝ você esqueceu de hoje, né? ❞ fez uma cara de emburrada, seus lábios formando um leve bico, embora fosse a mais completa mentira. eles não tinham combinado nada, ela apenas gostava de fazer aquele drama com as pessoas.
personagens citados : fiona, victor e greta ( @thvhighpriestess )
# ────── as paredes cinzentas e o cheiro de papel velho e café amargo compunham o cenário sombrio. o som de passos firmes ecoou pelo corredor. um policial, de uniforme impecável e expressão séria, apareceu segurando uma prancheta. seu olhar percorreu o local até encontrar bonnie e hana ❝ belladonna arsenault ❞ chamou o policial, sua voz cortando o ar pesado da delegacia. as mulheres despediram-se brevemente, bonnie apenas piscou divertida para a antiga amiga.
belladonna entrou na sala de depoimentos com uma calma calculada. ela já conhecia bem esse ambiente austero, onde cada detalhe parecia projetado para intimidar. sentou-se com elegância na cadeira designada, sua postura exalando confiança medida. ela gostava de se preparar para todos os cenários possíveis, aquilo não a assustava. a sala estava iluminada por uma luz fria que contrastava com sua serenidade calculada. não era a primeira vez, nem mesmo a sétima, que precisava depor. a experiência anterior a ensinara a escolher cada palavra com precisão, a manter o controle da narrativa mesmo sob pressão.
o delegado dr. baptiste desprat entrou na sala com uma expressão séria ❝ senhorita belladonna, obrigado por estar aqui hoje conosco. como a senhorita deve saber, precisamos esclarecer alguns pontos importantes sobre a morte de victor dagoty ❞ começou ele, sua voz firme preenchendo o espaço da sala. seus olhos escuros se fixaram nos dela.
❝ claro, doutor, prossiga ❞ ele prosseguiu explicando a necessidade do depoimento, detalhando os objetivos da investigação e a importância de sua contribuição. sua abordagem mostrava um interesse quase genuíno em garantir que belladonna se sentisse confortável o suficiente para compartilhar informações. enquanto baptiste desprat falava, belladonna absorvia cada palavra com atenção, sua mente trabalhando rapidamente para entender o que era esperado dela. ela assentiu com seriedade.
a primeira pergunta foi direta e incisiva: ❝ onde você estava na data da morte de victor? ❞
❝ estava em casa, com meus pais e duas irmãs ❞ respondeu bonnie calmamente ao delegado baptiste desprat. sua voz era firme, refletindo a certeza nas palavras que escolhera com cuidado. ela detalhou o ambiente familiar onde estivera naquela noite específica, enquanto o ele tomava notas meticulosas. a sala permanecia silenciosa, apenas o som dos relatos preenchia o espaço tenso. bonnie encontrou o olhar do homem, buscando transmitir confiança em sua declaração.
❝ você o conhecia? como era a relação de vocês? ❞ perguntou o delegado, mantendo sua postura profissional enquanto aguardava a resposta de bonnie.
ela respondeu com sinceridade e calma ❝ todo mundo conhecia o victor, doutor ❞ bonnie observou atentamente a reação dele ❝ ele era melhor amigo do meu irmão, sabe? nós ficamos algumas vezes, mas foi algo casual ❞
o delegado assentiu, fazendo anotações enquanto absorvia as informações fornecidas por bonnie. seu rosto revelava uma expressão pensativa, ponderando as conexões e contextos que aquelas revelações podiam trazer para a investigação ❝ era uma relação próxima, então? vocês mantinham contato regularmente? ❞ perguntou ele, mostrando um interesse em entender melhor a dinâmica entre bonnie e victor.
bonnie assentiu, sua mente voltando aos momentos compartilhados com victor. ela gostava do homem quando eram jovens, mas aquela obsessão pela morte de fiona a tirava do sério. nos últimos anos, ela o via apenas como um perdedor que havia parado no tempo ❝ não exatamente. depois que meus pais se aposentaram e mudaram de vez para des moines, eu sempre venho visitá-los. falei com victor algumas vezes, mas percebi que viramos completos estranhos ❞
❝ você sabia que victor estava investigando a vida das pessoas que integravam a kappa phi na data do acidente de fiona? alguma vez foi procurado por ele? ❞ questionou, suas palavras carregadas de uma seriedade que a mulher achava sem graça.
ela escolheu suas palavras com cuidado, consciente das implicações de suas declarações. ❝ eu não sabia da investigação, mas as poucas vezes que a gente se encontrou, ele falava bastante sobre a fiona ❞ bonnie manteve sua expressão controlada, tentando transmitir convicção em sua resposta ❝ ele nunca me perguntou nada, só disse que sempre a visitava…. é bem estranho, não acha? ❞
ele assentiu, os pensamentos trabalhando enquanto avaliava as conexões emergentes ❝ de fato, é algo que estamos investigando de perto. há algo mais que possa nos ajudar a entender melhor essa relação? ❞
ela respirou fundo, sentindo o peso das palavras que estava prestes a dizer ❝ eu não sei, nunca perguntei. eu prefiro não me intrometer no assunto alheio, mas… posso ser honesta? sempre achei absurdo um cara que tinha tudo para ser bem sucedido desistir de tudo por uma pessoa acamada, uma pessoa que nem era namorada ou da família dele. e quando eu digo que ele tinha tudo, era tudo mesmo, beleza, simpatia, amigos, inteligência…. ele poderia ser qualquer coisa, sabe? mas escolheu se prender a fiona ❞ disse bonnie, sua voz carregada de reflexão e uma ponta de incredulidade diante da situação de victor. ela achava ofensivo que ele havia se tornado alguém tão patético por tão pouco, mas seu olhar continha uma tristeza calculada.
ele meneou a cabeça, suas feições cada vez mais pensativas conforme absorvia as palavras de bonnie ❝ a senhorita sabe o que aconteceu no dia do acidente de fiona? ❞
❝ eu sei que houve um acidente ❞ sua resposta foi cuidadosa, refletindo sua disposição de colaborar ❝ era uma festa, doutor. eu tinha acabado de fazer vinte e um anos e estava completamente bêbada ❞ explicou bonnie, ecoando suas palavras da época do incidente ❝ lembro de estar jogando beer pong e começarem a gritar, alguns diziam que alguém havia atirado, só depois alguém achou a fiona e ficamos sabendo do acidente ❞
❝ então a senhorita acha que foi apenas um acidente? ❞
bonnie respirou fundo antes de responder, com firmeza: ❝ doutor, eu sou dona da maior empresa de cibersegurança do país. meu trabalho é literalmente analisar dados. nunca houve o menor indício de que não tenha sido um acidente ❞
❝ acha que victor tinha motivos para desconfiar que alguém tinha causado o acidente? ❞ perguntou o homem, buscando entender mais sobre a perspectiva de bonnie em relação a victor e suas suspeitas.
❝ se desconfiava, não compartilhou essa desconfiança comigo ❞ sua feição, ao falar sobre o homem, continuava mostrando um certo pesar ❝ ele mudou muito depois do acidente, doutor, era até um pouco assustador de ver como um rapaz tão brilhante e querido virou uma pessoa tão diferente ❞
❝ qual motivo ele tinha para achar que você estava envolvido? ❞
❝ eu não faço ideia. é até uma surpresa que ele tenha me envolvido nisso, porque eu e fiona não tínhamos nenhum tipo de relação, nem amizade nem inimizade ❞ respondeu bonnie, sua expressão revelando confusão diante da situação.
❝ me disseram que ela era uma pessoa que ou você amava ou odiava ❞ comentou, sua expressão revelando curiosidade enquanto ele continuava a sondar a perspectiva de bonnie sobre fiona.
❝ fiona era apenas uma garota popular. querida o suficiente para muitos gostarem dela, mas essa atenção também machucava o ego de outros ❞ era uma resposta vaga, já que o ele não havia perguntado nada.
❝ e o que você sentia em relação a isso? ❞
❝ eu só queria estudar e sair com meus amigos. por mim, ela poderia ser dona do palco sozinha desde que não me atrapalhasse a programar ❞ respondeu bonnie com sinceridade, enfatizando sua preferência por manter uma distância saudável dos dramas em torno de fiona.
❝ desculpe, não entendi o que impedia uma amizade entre vocês ❞ ela conseguia sentir os olhos do delegado cada vez mais interessado naquela história.
bonnie respondeu sem hesitar: ❝ eu já tinha que lidar com uma jovem mística, duas não ia aguentar ❞
❝ jovem mística? ❞ indagou o homem, intrigado com o termo.
❝ sim, essa galera que curte cristais, tarot, incenso, sabe? ❞ explicou bonnie.
❝ e por que isso é algo ruim? ❞
❝ como eu já falei, doutor, eu sou uma mulher lógica. não há nada científico nessas coisas. eu dividia quarto com a greta que sempre ficava falando de energias negativas e coisas do tipo, pra que arranjar mais uma dor de cabeça? ❞
o delegado apenas ergueu uma sobrancelha, fazendo uma última anotação enquanto continuava a investigação ❝ entendi, tenho apenas mais uma pergunta e a senhorita estará liberada. você foi procurada por victor nos últimos anos? ❞
bonnie suspirou levemente, lembrando-se das vezes em que victor tentara estabelecer contato ❝ eu já respondi esta pergunta, não? de qualquer forma, ele me chamou para jantar algumas vezes. eu aceitei duas ou três, mas ele nunca deu a entender que me considerava suspeita de nada. na verdade, eu achei que ele queria algo a mais, mas ele já não fazia meu tipo ❞
o delegado assentiu compreensivamente, levantando-se para indicar o fim do depoimento ❝ obrigado pela sua cooperação, senhorita. estamos fazendo tudo o que podemos para esclarecer essa situação ❞
❝ obrigada, doutor. estou à disposição se precisarem de mais alguma coisa ❞ eles se despediram com um aceno de cabeça mútuo, e bonnie deixou a sala de depoimentos pensando apenas no restaurante que iria com hana. ela estava faminta.
# ────── bonnie entrou na delegacia com passos decididos, o som de seus saltos ecoando no chão frio. o ar ali dentro estava carregado de tensão e formalidade, algo que ela particularmente odiava. ao virar o corredor, seus olhos se arregalaram ao reconhecer um rosto familiar. ❝ hana! quanto tempo! ❞ exclamou, uma alegria genuína iluminando seu rosto. desde que se formou e voltou a morar em paris, bonnie visitara des moines várias vezes, mas as ocasiões em que se encontrara com hana haviam sido raras. ❝ você continua tão linda quanto eu me lembro ❞ seus olhos examinavam a velha amiga, capturando cada detalhe. ❝ você também foi intimada por causa do victor, né? ❞ perguntou bonnie, o sorriso desaparecendo enquanto a seriedade da situação retomava seu lugar. maldito victor, maldita fiona, por que aqueles perdedores não deixavam ela em paz? puta merda. ❝ eles vão perguntar muita coisa? ❞ a pergunta não tinha nenhum traço de ansiedade, ela estava mais acostumada a mentir e lidar com a polícia do que parecia. ❝ eu adoraria te levar para jantar depois que terminar com eles ❞
# ────── ❝ energia negativa? ❞ a garota riu, sem humor ❝ eu vou me matar na sua frente se você não apagar essa merda agora ❞ disse belladonna, com um olhar sério. era uma pessoa prática, via números e padrões em todas as coisas. ela gostava do concreto, do real, do que fazia sentido, então ignorar os misticismos de greta era difícil, principalmente quando a garota tentava defumar seu quarto com um incenso de palo santo. bonnie cruzou os braços, exasperada. ❝ eu sei que disse que te ajudaria, mas você está se esforçando para eu desistir ❞
# ────── belladonna desceu as escadas furiosa. havia acabado de receber uma ligação da mãe, exigindo sua presença em um jantar de família exatamente no dia do seu encontro. ao chegar na sala da fraternidade, jogou-se em uma das poltronas com um suspiro pesado, perto de nadine. seus olhos encontraram a garota enquanto ela fazia um tchauzinho para chamar sua atenção. ❝ ei ❞ sua voz carregava uma mistura de raiva e frustração. ❝ qual desculpa você daria para cancelar um compromisso sem deixar a pessoa triste? ❞
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