Everything feels better with you || Cheong Moon
Havia completa noção desde sempre que aquilo não seria fácil, na época do acidente os médicos haviam lhe avisado que uma gravidez seria complicada, levando em conta que acreditavam que ela nunca melhorasse o tanto que melhorou talvez até impossível. Ainda assim após a adoção de Mei Lu, quando ela e Hansol realmente decidiram que começariam a tentar fazer mais um, como o marido gostava de chamar, herdeiros, procuraram novamente um médico especializado naquele assunto e ouvira novamente que haveriam alguns problemas, mas com as medidas certas iriam passar por aquilo sem super esforços. Fez algumas sessões de exercícios que fortaleceriam sua estrutura e tornaria mais fácil de carregar o peso da barriga, além de momentos diários de cura com Hansol, que para Minhee era a melhor parte já que podia ficar apenas pertinho do rapaz e sentir no toque mágico dele todo o amor e dedicação que ele lhe dedicava.
Grande parte da gravidez foi como qualquer outra, porém com o passar do tempo e o crescimento da barriga as coisas foram ficando piores, agora com quase oito meses tinha momentos em que era bem difícil sair da cama e parte de si se sentia culpada por já não poder levar tanto a filha para passear ou cozinhar para a família coisas tão elaboradas quanto antes. Além do aspecto do peso havia também o volume da barriga, pressionando o tecido tão sensível da área das costas, podia apenas imaginar o quão pior seria caso o marido não tivesse lhe ajudado a fortalecer aquela parte. Ainda assim valia a pena quando ouvia o som do pequeno coraçãozinho de Kang Hoon batendo, ou quando via uma versão bem animada de Hansol tentando explicar para uma versão totalmente interessada de Mei Lu onde ficava cada parte do irmãozinho dela, e quando a avó aparecia com sacolas de roupinhas e outros objetos para o neném.
Em momentos como aquele porém se sentia culpada, Mei Lu nunca fora de insistir para fazer algo, a garotinha era com certeza uma das crianças menos mimadas que já vira, ainda assim podia notar o olhar de expectativa quando a neném olhara pela janela a neve que cobria as ruas, fazendo sentir que apenas seus chocolates quentes não bastariam naquele dia. Pedira para o marido para que a acompanhasse para ver e brincar um pouco com a neve e garantiu que a menininha estivesse coberta de casacos – também insistira que Hansol colocasse mais um casaco. “Caso sinta muito frio avise o papai, está bem?” Garantiu enquanto colocava o cachecol colorido na garotinha, a cena de Mei Lu que agora não tinha muito mais que três anos parecendo uma bolinha de tanto agasalho não falhava em lhe fazer rir, até mesmo fora até a porta para tirar uma foto da dupla antes de irem se aventurar, se despedira do marido com um beijo em suas mãos e um sussurro de obrigada. Estava um tanto cansada, mas aproveitou que já estava em pé de qualquer jeito para preparar um chocolate quente para que os dois pudessem se esquentar quando voltassem para casa.
O esforço valeu a pena mas é claro que trazia consequências, a agitação daquela arrumação fazia com que a lombar latejasse e sentisse o corpo implorar por algumas horas deitada, era um pedido que não podia recusar, dessa forma se encontrou em pouco tempo encolhida na cama quentinha. Só de estar naquela posição já sentia um alívio, ainda assim a parte do corpo dolorida reclamava, a fazendo fechar os olhos e abraçar o estomago “Meu príncipe, vamos torcer para esse mês passar rápido okay? Mal posso esperar para te ter de uma vez nos meus braços” disse de forma amável sentindo o movimento leve no local, sentia que o neném de sua maneira conseguia entende-la, imaginar como seria seu rostinho já era um conforto para ela.
A noção de tempo se tornava um pouco confusa naquela posição de preguiça, sua concentração era tentar relaxar e ignorar a dor, sendo assim nem ao menos escutara quando os dois voltaram para casa. Porém o que era impossível de não se dar conta era do toque gentil e amoroso que sentira vir debaixo de sua blusa, no local que o marido a essas horas já devia ter percorrer automaticamente, o alívio foi tão tranquilizador que Minhee nem se incomodou com o fato da mão dele estar mais gelada do que o habitual, duvidava que tinha algo que lhe deixava mais confortável do que momentos como aquele, a cura de Hansol não apenas cessava sua dor, mas também lhe passava uma sensação de segurança e amor, sabia que aquela era uma das maiores representações de que o rapaz cuidaria dela e faria o possível para deixa-la bem, ela mesma não conseguia fazer exatamente a mesma coisa com ele mas gostava de pensar que demonstrava aquilo com outros atos.
Aconchegou-se mais perto dele, encaixando o rosto em seu pescoço e depositando ali um beijo leve e singelo ainda que com muito carinho “Obrigada, meu Hansol, eu precisava disso” Disse em um tom baixo, se afastando um pouco para conseguir olha-lo melhor, é claro que aquele sorrisinho estava em seus lábios e Minhee não conseguiu não toca-los. O marido podia viver falando de seus olhos, mas torcia para que seu neném nascesse com aquele sorriso adorável do pai, em seguida levou a mão para o cabelo macio dele, um tanto molhado por causa da neve “Vejo que se divertiram, tomaram o chocolate quente que deixei?” Perguntou, ouvindo de confirmação a vozinha fina e positiva de Mei Lu. A garotinha estava no pé da cama com os cotovelos apoiando o queixo, admirada e concentrada em assistir aquilo, impressionada assim como todas as vezes que via o pai fazer alguma mágica. Fez a menção de se sentar, porém Hansol foi mais rápido em ir ajudar a pequena a subir na cama e deitar-se ali no meio deles, Mei Lu se virou para o pai perguntando se podia ajuda-lo e Minhee pôde ver o orgulho palpitando do sorriso do marido pela garota que mesmo não tendo o mesmo sangue mágico se esforçava tanto para conseguir os poderes. Hansol sentou-se, colocando a mais nova sem seu colo e voltando a tocar gentilmente em suas costas e lhe trazendo novamente aquele sentimento gostoso de antes, tal sentimento que aumentou quando sentiu a palma pequena da menina em sua barriga, provavelmente porque os braços ainda eram muito curtos para alcançar suas costas. “Você está se sentindo melhor agora mamãe?” A garotinha perguntou e Minhee estendeu a mão para acariciar as bochechas salientes de Mei Lu. “Estou me sentindo muito melhor meus amores” Respondeu, Mei Lu olhou para o pai com um sorriso orgulhoso apesar de carregar sua timidez usual e Hansol levou a sua mão livre para cobrir a da filha. Era verdade, provavelmente a simples presença deles ali já lhe fazia se sentir muito melhor.









