John’s Adoption Story || Hoesmile
Segurou o terço em uma das mãos, enquanto a outra apertava a do marido, sentindo finalmente seu coração acalmando um pouco, porém ainda assim era como se preferisse ficar em pé, preparada para quando o garoto fosse adentrar aquela salinha de esperas que não devia receber manutenção há anos. Muitas coisas dali não recebiam cuidados há tempos, então só fazia com que Sarah quisesse resolver tudo aquilo o mais rápido que conseguisse, depois de tanto tempo naquela luta era como se finalmente estivessem na reta final.
Nunca havia sido novidade seu desejo por adotar, sempre foi algo que atravessou o seu caminho e a morena desde cedo pensava que essa era sua vocação, sendo assim nem ao menos precisou apresentar a ideia para o marido quando finalmente haviam iniciado um relacionamento, ele já sabia sobre sua vontade e era totalmente aberto a ideia. Foi algum tempo de se casarem que começaram a realmente falar e planejar sobre o assunto, sabia que qualquer que fosse a criança a adotarem receberia as melhores condições possíveis e o mais profundo amor. Quando começaram então aquele processo a assistente social lhe apresentou a ideia de adoção internacional, e apesar de já saber um pouco sobre aquilo nunca tinha realmente feito sua cabeça sobre se deveria adotar dentro ou fora dos Estados Unidos. A assistente social, Janel, informou sobre os países e orfanatos com quem trabalhavam, mostrando as condições muito precárias dos locais, e nas três noites seguintes a essa conversa Sarah sonhou com aquilo, lhe dando a certeza absoluta de que aquele era o plano a qual precisavam seguir. Alguma crianças dali viviam de forma que ninguém deveria, e a morena sentia que era seu dever tornar uma delas sua família, ama-las incondicionalmente e dar a oportunidade para que tivessem o pai mais engraçado e encantador do mundo.
A princípio o plano era adotarem uma garotinha, não sabia exatamente o porquê daquela decisão a princípio, depois descobririam que no mundo da adoção era normal pais optarem por meninas, como se fosse uma escolha mais segura. A lista de espera era incerta e não sabia quanto tempo exatamente ficariam nela até que achassem sua filha, foi então que receberam uma ligação. Todos que já passaram por um processo de adoção sabem que a agência de adoção não te liga a menos se seja sobre uma criança, normalmente qualquer aspecto burocrático é resolvido por formas de emails ou etc, então quando Horace atendeu a ligação de Janel Sarah já tinha certeza de que era algo sobre sua criança. A ligação não era exatamente o que anteciparam primeiramente, Janel contava a história de um garotinho de quase três anos da Etiópia, a mulher informava que era um rapazinho muito amável e inteligente, e que precisava de uma família o mais rápido possível. A assistente social a informou que por estarem em uma lista de espera, cerca de cinco casais haviam sido contatados antes deles sobre o pequeno rapaz, porém todos eles haviam rejeitado a ideia por não ser uma menina como desejavam.
Aquilo só podia ser um sinal, nada mais podia explicar, uma lista de adoção poderia demorar meses ou até anos, porém para eles havia sido poucos meses. Tinham encontrado uma criança precisando de um lar e que havia sido rejeitado tantas vezes apenas por não possuir um sistema reprodutor diferente, como eles poderiam ser capazes de negar serem o pai de uma criança dessa forma? Não precisaram de muita discussão para saberem que era assim que as coisas precisavam ser, sempre teve a capacidade de se sintonizar com o marido, e naquele momento era como se ambos soubessem que o tal menininho era na realidade o filho do casal.
A partir do momento em que disseram “sim” para Janel, foi como se já tivesse uma criança. Ainda tinham muita papelada e burocracia para resolverem porém a cada momento se tornava ainda mais próxima daquele menino que agora sabia que se chamava John. Enquanto aquilo tudo estava sendo arrumado tentavam criar uma relação com o filho mesmo que a distância, a rede de internet do local onde o garotinho estava não era das melhores mas ainda assim conseguiu enviar algumas fotos do casal, uma em que mostrava os dois mais recentemente, outra em seu casamento, e uma dos dois um pouco mais novos, além dessas fotos haviam algumas em que ambos estavam separados, e outras que mostravam os avós de John. Apesar do rapaz ainda ser praticamente um bebê, criar a imagem e o título de Horace e Sarah como seus pais faria com que não fosse tão estranho quando os dois viessem lhe buscar, além do mais Sarah esperava que aquilo despertasse uma esperança no garoto e que soubesse que existiam pessoas lutando bastante para pega-lo e cria-lo, afinal já o sentia como parte de sua família mesmo que não estivessem fisicamente juntos.
Não seria capaz de descrever todos os sentimentos que correram em seu peito ao ver a primeira foto de John, de alguma forma não parecia estar vendo a imagem de uma criança desconhecida, era como se aquele menininho tivesse saído de seu coração, e a cada vez que olhava para aquele rostinho a vontade de tê-lo por perto só aumentava. Ele não se parecia nada nem com ela e nem com Horace, mas nunca foi seu desejo adotar alguém que se assemelhasse, a pele bonita, os olhos brilhantes e as covinhas adoráveis compunham quem tinha certeza absoluta de que era seu filho. Era difícil se concentrar em qualquer coisa a não ser a criança fofa que estava naquelas imagens, ainda assim não conseguiu deixar de notar as observações feitas pelo marido sobre o fundo das fotos. Sabia bem que a Etiópia era um local pobre, mas a idéia de que sua criança poderia não estar recebendo o cuidado adequado partia seu coração, Sarah perdia noites imaginando que John poderia estar passando fome ou frio, ou não estaria recebendo os cuidados necessários ou carinho preciso. Foi preciso algumas horas gastas e até mesmo ameaças feitas pelo marido sobre irem eles mesmos lá buscar o garoto para que finalmente pudessem voar para o país afim de acolherem o garoto, e parecia que finalmente haviam terminado com aquele processo complicado e demorado, finalmente iriam conhecer pessoalmente aquele garotinho que pareciam conhecer há anos.
Levou a mão do loiro para os lábios com a intenção de depositar ali um beijo, recebendo um sorriso charmoso do mesmo que sabia ser querendo acalma-lo, Horace a conhecia bem e devia notar a pilha de nervos que estava naquele momento, também tinha completo conhecimento de que o seu sorriso bonito nunca falharia em deixa-la mais tranquila, em retribuição lhe dirigiu o seu mais encantador eyesmile, afinal precisava honrar seu apelido. Notou então o olhar do marido se desviando para algo atrás dela, e se apressou para que não perdesse nada daquela cena. Algumas moças acompanhavam o pequeno John adentrando aquela sala de esperas, e de repente o local pareceu 10 vezes mais vívido do que antes. Podia notar a feição um tanto desconfiada e nervosa do garotinho, feições incomuns para uma pessoa tão nova porém que eram totalmente razoáveis avaliando a situação a qual o filho estava, Sarah prometeu para si mesma que faria tudo que tinha a seu alcance para que nunca mais visse o rapazinho com aquele tipo de insegurança.
Sentiu ela mesma um tipo de insegurança com aquilo, o medo normal sobre a adaptação batendo em seu peito, porém todo aquele sentimento negativo saiu de seu peito quando observou um sorriso animado, acompanhado daquelas belas covinhas, começando a brotar no rosto da criança. Talvez aquilo fosse um sinal de que realmente tinham trabalhado suas fotos com o garotinho, e de que John estivesse vendo neles agora a imagem de seus novos pais.














