A New Creation || Minhee Au
Haviam acabado de receber o nome e foto da neném a qual já sentia ser sua filha, Mei Lu era uma bebezinha adorável e se pudesse pegaria um avião para China agora mesmo para pega-la, porém ainda havia muita papelada para resolverem. Era sempre bom mandar alguns objetos para a criança a ser adotada, afim de familiariza-la com sua nova família antes de conhece-la, Minhee já havia organizado o álbum de fotos dela e de Hansol e um casaco seu e um cachecol do marido. Esses tipos de coisas eram objetos que qualquer casal usual poderia enviar em um procedimento como aquele, mas como Hansol gostava de lembra-la frequentemente eles não eram apenas um casal usual. Não sabia o certo como o marido iria reagir ao fato de terem uma criança sem dons, e tinha certeza de que essa questão era uma que devia estar na mente do rapaz com certa frequência, porém o mesmo parecia procurar todas as formas possíveis de tornar a mágica algo presente na vida de Mei Lu, e ajuda-la a desenvolver o poder que seria capaz, por isso não podia faltar uma pitada de magia na encomenda que iriam mandar.
Sua irmã havia lhe dado aquela pelúcia assim que compartilharam a notícia que estavam começando o processo de adoção, ao ver de qualquer outra pessoa aquele bichinho não se passava de um urso panda de brinquedo, com olhos grandes e adoráveis, um vestidinho rosa e um pelo macio, algo que poderia comprar-se em uma simples loja de brinquedo, mas não era bem assim. Após seu casamento com Hansol, Minhee se conectou muito mais com o seu lado mágico e aceitou todos os ensinamentos e aulas que o mesmo queria passar-lhe, sabia que aquilo era uma grande parte da vida do marido e estava disposta a agregar seus interesses no seu cotidiano.
Assim que começaram o trabalho com o panda, a avó e o marido trabalharam juntos para criar um encantamento a qual podiam transmitir sentimentos e partes de si para um objeto em questão, teriam uma semana para fazer algumas sessões desse procedimento com o bichinho de pelúcia, e quando terminassem aquele objeto estaria cercado de carinho, alegria, mágica e mais importante, aspectos do casal que fariam com que a garotinha se sentisse ligada a eles mesmo antes de se encontrarem de verdade. Minhee torcia para que aquele brinquedo amortecesse um pouco o sentimento de solidão da filha enquanto eles dois faziam de tudo para busca-la o quanto antes. Por não ter tanta experiência, Hansol teve que acompanha-la nas primeiras vezes que era sua vez de realizar o feitiço, porém a morena se considerava uma aprendiz rápida e depois agora, depois de cinco dias, permitiu que o marido assistisse o resto de seu showcase enquanto ela procedia com o encantamento.
Todo estava seguindo conforme o planejado, ao vez de Minhee estava pronunciando corretamente todas as palavras, assim como transmitindo a energia de maneira certa, foi então que o inesperado aconteceu. Talvez tivesse se embolado, talvez tivesse passado uma parte de si muito grande, ou talvez aquele tipo de encantamento não batesse bem com o tipo de dom que Minhee possuía, só sabia que após algumas palavras ditas sentiu um queimar em sua mão, a temperatura saindo do animal de pelúcia. A alta temperatura não era a única coisa que escapava daquele brinquedo, a mal era possível enxergar o panda que antes estava sentado no banquinho, já que ali estava uma luz tão forte que a morena pensou estar olhando para o próprio sol. Minhee cambaleou para trás surpresa, sem saber como reagir aquilo tudo e mesmo assim sem conseguir desviar o olhar, se pensava que ter explodido o ursinho de pelúcia era ruim, nem podia imaginar o que estava realmente acontecendo.
A luz forte foi se apagando, dando lugar a uma moça de carne e osso, o panda havia dado lugar para uma bela adolescente de cabelos escuros e pele bastante clara usando o mesmo vestido no bichinho anterior, Minhee se surpreendeu ainda mais quando notou que o rosto da garota possuía traços semelhantes aos seus, tão parecidos que poderia até mesmo ser uma parente. Minhee deixou o queixo cair, surpresa demais para sequer gritar. Quando pequena costumava a ser capaz de criar flores para as mulheres da família, o que de certa forma poderia ser uma vida, mas nunca cruzou sua mente que poderia literalmente criar um ser humano. Como se não bastasse a menina até mesmo se levantou da cadeira e começou a andar em sua direção, ter a garota tão perto de si fez com que Minhee ensaiasse mentalmente todos os feitiços de proteção que Hansol havia lhe ensinado, se preparando para se defender de sei lá o que tinha criado, porém a garota lhe deu um sorriso. “Oi mamãe” Ouviu a mesma falar em uma voz extremamente parecida com a sua própria quando mais nova, a mão da mesma também começou a estender-se afim de toca-la, porém Minhee fez o máximo que pôde para se afastar. “O-o que é você?” Perguntou com a voz trêmula e ainda chocada, agora que a mesma estava tão perto, mexendo-se e falando, só confirmava que era mesmo tudo real.
“Oras, eu sou você... e Hansol, mas sou quase 70% você, eu gosto de cozinhar e assistir doramas, mas também adoro cartar e dançar kpop graças a meus 30% Hansol. Meu nome é Minsol” Ela tentou explicar, mas tudo aquilo só fazia com que Minhee se sentisse ainda mais tonta, então aquela ali realmente era parte dela e isso explicava a aparência similar, e com certeza a parte empolgada por kpop deveria pertencer ao marido, já que o mesmo também dedicou tempo para a produção do primeiro brinquedo da filha, aparentemente invés de um brinquedo havia era criado outra filha. Não podia mais mandar Minsol para sua bebê, na verdade não sabia exatamente o que podia fazer, será que aquela menina iria sumir com o passar do tempo? Será que vovó conseguiria transforma-la novamente em um boneco? Será que teria que aceitar um novo membro na família que não foi nem um pouco planejado?
“Então você é real?” Perguntou ainda perplexa, a mais velha duvidava ter piscado nos últimos minutos, era como se não pudesse fechar os olhos em nenhum segundo ou perderia tudo que estava acontecendo. Minsol riu como se o que estivesse falando fosse algo totalmente sem sentido “Mas é claro que sou real, você me fez! Você quer ver?” Antes que pudesse esperar qualquer resposta a garota começou a cantar um trecho de Me Gustas Tu, seguido por um high note um pouco alto demais, o som foi real demais para a garota não ser de verdade. Minhee respirou fundo tentando se acalmar e finalmente tomou coragem para tocar o ombro da adolescente, sentindo o quão estranho e humano era aquilo. Guiou Minsol para sentar-se na cadeira novamente e afastou-se o quanto antes “Okay... Minsol. Eu preciso resolver umas coisas okay? Quando eu voltar trarei algo pra comer, deve estar com fome” Informou o mais rápido possível, apenas para que pudesse sair daquele pequeno quarto.
Fechou a porta atrás de si com rapidez, apoiando-se nela para que pudesse ao mesmo tempo descansar-se e impedir que aquela porta se abrisse novamente. Ainda podia sentir a própria respiração pesada, e era como se o cérebro nem conseguisse aceitar a ideia de que realmente tinha uma garota em seu quarto, tal que havia sido criada a partir de pedaços de tecidos e algumas palavras especiais. Ao mesmo tempo tudo parecia normal na sala de estar, conseguia ver algumas garotas dançando na televisão e ouvir a música soando do som, mas sabia muito bem que há alguns metros de distância havia uma confusão que nem mesmo Hansol iria imaginar. “Marido, acho bom você ligar para vovó voltar agora mesmo, é uma emergência” Normalmente não gostava de dizer nada que fosse preocupar o marido demais, porém em uma situação como aquela preocupações eram necessárias.













