Recaídas
Não se culpe, nem se mate
Às vezes é pessoal
O poeta é fingidor mas constantemente isso é consensual
Você ainda sabe escrever?
Me diz se você ainda sabe andar
Se vai sempre precisar de uma mão ou ombro
Ou rima pra segurar
Me diz se é um jogo de palavras
De sedução
ou malandragem
Se é um quebra-cabeças
Se é metalinguagem
Se é uma coisa ou outra
Ou apenas uma recaída
Qual a sua essência?
Qual o sentido da sua vida?
Está na carreira certa? Qual a sua vocação?
É um riso, um choro perdido
Ser a saudade
Ser o vício, renegação
Só não se martirize
Ainda há tanto pra fazer
Tem por aí mais uns vinte anos
Uma vida inteira e nova pra viver
Resgata o contemporâneo
O dom maior de ser
Aprenda com as recaídas
Com as ameaças e as despedidas
Que ainda é muito nova para deixar de ser
— maria clara beta (freudexxplica)
















