Fort Hamilton Air Base, Midston
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Fort Hamilton Air Base, Midston
Celeste Annmarie Myers veio de Midston para ser Criada da selecionada Daphnée Fawn. Aos seus 25 anos, Annie é extremamente parecida com Emily Berrington.
Everybody has a story to tell…
História escondida por sorrisos e tradições tortas é que Annmarie Celeste é, na verdade, filha de uma Oito. A mulher, de nome desconhecido para Annie, trabalhava na casa da família que optou por adotar-lhe após o primeiro surto de sua mãe, que consequentemente, foi rebaixada para a Oito saindo sem rumo da simples casa e abandonando a criança nos braços da dedicada família. Embora seus pais tenham empurrado-a para o mundo com sinceridade, nunca escondendo dela de quem vinha, a mulher optou por apagar esta parte de sua vida: ao perguntar-lhe quem são seus pais, Julietta e Tomas serão os nomes que tomarão conta de seus lábios com orgulho e não “uma Oito e um pai desconhecido”, como gosta de brincar. Seu nome, fora escolhido por seu irmão mais velho, que na época beirava os dez anos de idade. É a segunda de uma linhagem de quatro: Antione, Celeste, Helena e o pequeno Maxwell, sendo a única a portar os olhos azuis e a cascata loira que a diferencia na casa.
Seus pais, e toda sua família, com a chegada do terceiro filho entraram em crise financeira; a situação nunca fora das melhores, e a humildade lavava a casa inteira, mas agora? Julietta estava grávida pela segunda vez, e tudo apontava que aquela seria uma gravidez de risco. Celeste já cuidava da casa — não tinham mais uma faxineira — e Antione do jardim, mas não tinham tanta certeza de que seria suficiente. Sua mãe não podia mais trabalhar, o que diminuía a renda, e o caminho de casa ao trabalho tornava-se cada vez mais complicado para seu pai, sempre preocupado se tudo estava bem com a esposa, que constantemente passava mal. Qual era a solução? Vender a casa. Seu pai sempre achou que ter um lar sólido e não viver em um trailer faria bem para as crianças, mas precisava ser realista: eram artistas de circo. Andavam de um lado para o outro por Midston, e estava mais do que na hora de seguir os outros artistas por toda a Illéa, e o trailer daria o conforto necessário para a família durante a viagem. Ou assim pensavam eles. Com o aperto da situação, o pouco dinheiro que tinham foi usado para comprar um pouco mais de material; Antione e Annmarie agora eram parte do show. Era difícil de maquiar-se com o trailer em movimento, mas com o tempo a técnica foi sabiamente aprendida por ambos, com cansaço no fim de todas as noites. Mesmo assim, a realidade para Celeste sempre foi diferente. Ela gostava, correção, ela amava os holofotes quando era a simpática assistente de palco, mas com o tempo aquilo tornou-se chato. A quarta criança nascia, e a situação não mudava. Não poderia nunca ir atrás de seus sonhos? Não poderia ter um pouco mais de ambição que não incluísse trabalhar no circo? Estava cansada. Cansada de tudo. Era choro de bebê no trailer, o estúpido movimento pelas ruas de Illéa enquanto ela tentava dormir e os truques de falso mágico de um de seus colegas de trabalho que nunca mudavam. Quantas vezes ela teria que ser “serrada ao meio”? Quantas vezes teria que desaparecer ou segurar cartas? Pintar o rosto inteiro e causar sorrisos em crianças antipáticas?
Brigas começavam a fazer parte de sua rotina. Trabalhar, discutir com seu pai sobre seu futuro, ter ideias revolucionárias de mudar de vida com Antione e trabalhar mais uma vez. Ambos se cansavam de serem os mais velhos, os responsáveis, os trabalhadores. Nunca tiveram tempo para serem irresponsáveis ou para perseguirem o que queriam: Antione amava a realidade dos palcos, mas ser palhaço não era para ele. Celeste? Ela amava ser o centro das atenções, mas percorrer Illéa com os barulhos insuportáveis de risadas já lhe afogava em uma raiva de sua vida. Não estava ela sendo ingrata? Poderia ser pior. Poderia estar passando fome nas ruas, ou muito pior. A mulher que lhe parira era louca, segundo sua mãe, então o que ela seria capaz de fazer? Nos momentos em que lembrava-se disso, apenas suspirava, ignorando todas as ideias de jogar tudo para cima e abandoná-los. Não poderia pegar seu par de tênis surrados e sair caminhando por qualquer que fosse a província em que apresentavam-se. Teria de fazer tudo com calma. Calma e serenidade, como nunca conseguira.
Secretamente, começou a trabalhar em outros lugares, juntando dinheiro extra por cerca de três anos; sairia de Midston, sairia do circo, sairia… Daquela estúpida vida. No começo, visava comprar o passe para subir de casta, mas sabia que aquele era um sonho muito distante e não aguentaria esperar. Com muito trabalho e dor, escreveu uma rápida carta despedindo-se de sua família e partindo para Angeles. Ao chegar lá, era aquela que tentava animar a noite em bares aleatórios, recebendo um salário menor do que razoável para aquilo. Suas apresentações sempre foram focadas ao público infantil e apresentar-se para adultos pedia um pouco mais de ousadia do que ela tinha. Mesmo assim, acabou arranjando um jeito de fazer dinheiro com suas apresentações. Não podia desistir agora, podia? Dançarina, atriz, até mesmo apresentações em circo — o que só a fazia lembrar-se de que havia largado sua família —, não importava: estava em Angeles, como sempre quis, e o dinheiro viria, eventualmente. Foi quando a notícia da Seleção alastrou Illéa como um ardente incêndio. Mal havia escutado a palavra “Seleção” e já estava decepcionada por não poder inscrever-se — ela era linda, não? Era inteligente, era batalhadora, ela teria chances, ela até imaginou como ficaria com uma coroa — por conta da idade. Suspirou, e, resolveu buscar por alguma outra forma de adentrar o palácio. Era a Seleção! Quinze garotas, sem falar nos convidados, precisariam de ajuda e ela poderia prover exatamente o que precisavam. Inscreveu-se sem pensar duas vezes para trabalhar como criada, imaginando que encontraria um furo na Seleção para explorar, como sempre fazia, e acabou conseguindo. Ganhou uma vaga como criada de uma das selecionadas. O salário a mantém e lhe permite conversar com sua família por cartas. Boatos dizem, inclusive, que sua mãe está grávida mais uma vez — ela queria estar lá? Muito. Ama todos seus irmãos, eles são seu ponto fraco. Porém, ela jamais deixaria uma oportunidade de crescer passar.
Everybody is unique…
Nunca foi delicada, na verdade, o contrário: tivera que aprender com o tempo a não lidar com tudo na base de palavrões e violência física — sendo sempre aquela que ficava de castigo por bater nos irmãos menores. Sempre visou uma vida melhor, mas com o tempo, não podia negar que a palavra perfeita era ambição: queria o que não era dela, e cogitava todas as formas de tomar o que fosse para si. No entanto, nunca teve paciência para planos mirabolantes e venenosos, e por isso, acabava desistindo de suas pequenas conquistas. Com o mundo adulto abraçando seu corpo, era olha de fazer uma escolha: quem você quer ser, Celeste? A resposta era simples: “eu não quero ser anônima, pai”, repetia todas as vezes que era questionada. Esse sempre fora seu problema: o anonimato. A simples ideia de nascer, crescer e morrer como um nada lhe decepcionava, na verdade, lhe apavorava. Talvez seja por isso que na primeira oportunidade, correu para Angeles, para trabalhar e por isso, talvez, tenha corrido sem olhar para trás para servir alguma das escolhidas na Seleção. Eram aspirantes a rainha, certo? Eram pessoas importantes agora, e estar perto delas, significava em parte, que um pouco dessa grandeza pode ser sua. Então, com o seu melhor sorriso educado preparado, cumprimentos cuidadosamente ensaiados e a servidão como parte de si, ela realmente acredita que consegue sair mais vencedora desta Seleção do que aquelas bobas o suficiente para disputar o coração do príncipe.