O que é o perdão? Para alguns, perdoar é ser capaz de aceitar a pessoa novamente em sua vida, apesar dos erros do passado. Para a religião, devemos perdoar o outro para que sejamos perdoados. Para a psicologia, perdoar é desprender-se da mágoa e do ressentimento. Para mim, perdoar significa livrar-me das amarras amargas do passado, para que eu possa seguir em frente. No entanto, não vejo como pré-requisito para o perdão aceitar a pessoa de volta; entendo que, ao perdoarmos alguém, estamos fazendo um bem a nós mesmos. Estamos nos libertando, aprendendo e crescendo. O perdão, acima de tudo, é para nós, não para quem nos causou a dor. Ainda assim, será que é perdão se não aceitarmos o outro em nossa vida novamente? Há momentos em que me pego pensando se algum dia serei capaz de viver ao seu lado outra vez, mas acredito que nunca mais conseguirei me entregar a você como fiz no passado. Por mais que tenha me curado (ou pelo menos acho que sim), eu não esqueci a dor que senti, apesar de não senti-la mais. Não sei se sou capaz de aceitar você no lugar que ocupou antes. Ainda assim, será que é perdão? Uma criança, ao colocar o dedo na tomada e levar um choque, tende a não repetir o ato. Quando crescemos, entendemos o porquê daquilo acontecer, aprendemos com o erro e não o repetimos. Apesar de, a princípio, não compreendermos o motivo, depois entendemos e não ficamos eternamente bravos com a tomada; convivemos com ela e tomamos cuidado para não cometermos o mesmo erro. Será assim com você? Será que poderei conviver com você, mas sem repetir as mesmas coisas, mesmo tendo chorado todos os dias como uma criança ferida? Para a calmaria que, na verdade, era tempestade: no início não tive medo da chuva, mas, com você aprendi que, em dias chuvosos, devemos buscar abrigo, não nos entregar à tempestade. Eu te amei mais do que pensei ser capaz de amar alguém, mas agora preciso buscar abrigo.