💫 ― an obscure memory.
Flashback (28 anos atrás) tw: violência, sangue.
Vermelho... Azul... amarelo... Dominique estava tentando escolher uma cor para pintar a camisa do pai no desenho que estava fazendo quando Gaston entrou na sala, discutindo com LeFou. Seus olhos viram o homem gordinho no encalço do pai, falando e gesticulando bastante, como se tentasse impedir que o grandalhão fizesse algo errado. Vermelho. A camisa tinha que ser vermelha igual a que o pai usava naquele momento. Ela não tem muito tempo para pintar, o pai a pega de seu lugar no chão, abre um sorriso e fala: “Vamos dar um passeio, mon petit”. Dominique mais do que feliz o acompanha, passando o braço em volta do pescoço largo do homem. Estava a pouco mais de um ano morando com ele e o amigo, e não conseguia se lembrar de quando tivera tanto amor e atenção quanto tinha com a dupla.
Andaram por mais algum pedaço, até avistarem um homem menor do que o pai, magro, de pele amarelada, olheiras marrons profundas e olhos pretos que dobraram de tamanho ao verem Gaston. Ele nem tem tempo de correr ou reagir, Gaston o joga para dentro do beco, entre um prédio e outro, com tanta força, como se não houvesse diferença alguma entre o ser humano e um saco de lixo pesado. Nunca cansava de admirar o quanto seu pai era forte, olhava com curiosidade os socos e pontapés que o vilão distribuía, pensando que queria ficar tão forte quanto quanto ele algum dia. “Feche os olhos, por favor, mon petit, isso não é algo que você deveria assistir” Seu pai pede e ela atende. Entre os gemidos e gritos de ‘pare por favor’, Dominique pensa que talvez precise mudar a cor da camisa de Gaston no seu desenho, sua caixa de lápis tinha apenas um tom de vermelho, não queria que a camisa do pai e o sangue do homem se misturassem e parecessem a mesma coisa.
Ela abre os olhos de novo quando o pai a pega no colo novamente. O homem que tomara a surra agora era uma mistura de roxo, vermelho, azul e preto, que era difícil de dizer com o que ele se parecia agora. “Isso é o que acontece com quem não paga o que me deve dentro do prazo. Você tem mais uma semana pra conseguir o meu dinheiro.” Gaston fala e cospe no homem e volta a atenção pra criança em seu colo. “Petit Domi...” O pai a chama pelo apelido, que vira a cabeça para fita-lo. “Como nós chamamos alguém que não cumpre com a palavra?” Dominique solta uma risada porque ela sabe a resposta da pergunta “FRANGO!” A expressão de satisfação no rosto de Gaston faz o sorriso da pequena ficar ainda maior. “Muito bem, mon petit, agora vamos tomar um sorvete, está bem?!” Ela fica ainda mais feliz. Naquela hora ela pensa que um dia ela ia ser tão forte quanto Gaston e que talvez fosse melhor pedir a LeFou pra lhe comprar uma caixa de lápis maior.









