legado da rainha de copas, effie heart tem vinte e dois anos, está no módulo I e não vai sair dele tão cedo por não ser lá a aluna mais disciplinada do mundo e se recusar a prestar atenção nas aulas de história da magia. a habilidade dela é copas cortantes, onde as cartas do baralho de copas se tornam lâminas nas mãos dela, e ela também é parte do time de magibol do castigo, o rotten to the core como atacante. você pode encontrá-la matando aula no arsenal, no campo de magibol, ou talvez “por aí” se estiver no castigo. apenas se assuste se acabar encontrando-a na biblioteca.
♡ 𓂃 𝒄𝒖𝒓𝒊𝒐𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔.
abaixo do read more.
PLAYLIST ♡ PINTEREST ♡ HABILIDADE
algumas inspirações para a personagem: juliette cai (prazeres violentos); jude duarte (príncipe cruel); ginny weasley (harry potter).
desde que entrou na academia, tem boatos sendo espalhados sobre ela estar atrás de se vingar pela mãe e cortar as cabeças dos wonderlanders. também gostam de zombar que a cabeça dela infla como a de iracebeth... mas nada disso é verdade. effie odeia os rumores e sente raiva dos arthurianos por eles.
parece durona, e com tantos boatos negativos sobre ela, além do passado conturbado nas ruas do castigo, acabou criando muita resistência na hora de confiar nas pessoas, além de ser naturalmente agressiva; mas tem um coração de ouro dentro do peito e faria de tudo para proteger aqueles por quem é leal.
o nome de nascimento dela é paixão, em português brasileiro. ela quis mudar o nome para effie depois que integrou a família da rainha de copas porque se chamar paixão coração não era exatamente punk rock ou muito ameaçador para a pré-adolescente que queria virar a “mestre das lâminas” um dia... pff.
ela ama facas. adagas. qualquer lâmina cortante. ela costumava até escrever cartinhas para o papai noel pedindo para ele dar uma adaga pra ela no passado. um dia ela ganhou a “dama” (a adaga de estimação dela) misteriosamente, mas meio fora de época pra ter sido presente do papai noel... até hoje mantém a dama consigo, apesar de ter o seu próprio baralho de lâminas. também tenho certeza que no dia dos namorados a effie iria preferir ganhar um conjunto de facas tramontina do que um buquê de flores.
a habilidade dela é uma das poucas coisas que ela considera boa sobre ter vindo para arthurian.
não gosta de rosas brancas, tem aversão. isso é porque passou muito tempo escutando as histórias de iracebeth sobre as flores e tendo que fingir pintar rosas imaginárias no castigo para a mãe. acabou criando a sua própria antipatia com elas com o passar do tempo.
as flores dos jardins da academia não gostam dela e o sentimento é recíproco. você talvez encontre a effie nos jardins discutindo com as flores falantes mais vezes que deve ser considerável normal. é que ela vive por lá tentando conversar com o cheshire e passar alguns recados da iracebeth pra ele, mas o maldito gato a ignora na cara dura!
algumas cartas do baralho de copas cortantes da effie possuem corações aprisionados dentro delas porque ela recebe as cartas da mãe dela; que tem o negócio de corações, o jar of hearts, no castigo. no quatro de copas, segue aprisionado o coração de ayfer soul.
extremamente apegada ao castigo, não esconde que é de lá e nem tem intenção de parecer menos com uma castigada; além disso, é MUITO leal pela rainha de copas e seu irmão. ela faria tudo pela sua família, mesmo que signifique colocar-se em risco grande.
ela costumava lutar na academia do gaston, na adolescência, como fonte de renda. mas desde que recebeu a habilidade aos dezoito, gaston dizia que ela poderia ter um espaço no magibol pela vantagem que as copas cortantes trariam em campo.
ela ama magibol, ama ser parte do rotten, e é extremamente competitiva. muito mesmo.
⊱ ヽ esgueirou-se entre a multidão até chegar ao lado da figura conhecida, sem pronunciar-se de imediato. cruzou os braços enquanto escutava o discurso de jim hawkins, por mais que as palavras do sujeito pareciam entrar em um ouvido e sair do outro. só voltou de seus desvaneios quando a heart pronunciou-se do acontecimento nos fundos do palco, o que fez com que a grimhilde fixasse o olhar no homem citado. “as pessoas estão sob o encanto de jim hawkins, acho difícil dividirem a atenção com o pobre thatch.” seu tom de humor ácido trazia certa verdade ao observar as pessoas ao redor. “deveríamos tentar alertar alguém? ou será que consigo fazer algum feitiço dessa distância?” sugeriu ao tombar a cabeça para o lado e perceber que o outro continuava na mesma situação. “alguém com certeza filmou esse tombo e vai parar nas redes sociais em alguns minutos.”
O indicador bateu contra o copo de raspadinha algumas vezes enquanto considerava a sugestão da amiga. Não tinha dúvidas quanto ao alcance das habilidades de Maviella, mas os cães de guarda da Ordem fungando no seu pescoço eram um lembrete de que interferências desse tipo só seriam toleradas se feitas por arthurianos. O que (surpresa!) não eram. "Você acha que esses idiotas vão levantar um dedo pra fazer algo de útil?" Apesar de manter o olhar fixo em Milo, as palavras eram claramente direcionadas aos seus acompanhantes. Ajudar um homem que parecia prestes a se esborrachar no chão? Não, obrigada. Desperdiçar recursos para seguir uma garota por causa de uma maldita flor que sequer chegou a ser arrancada? Ofensa! Um verdadeiro crime. "Odeio esse tipo de vídeo, mas talvez você possa pedir ajuda aos seus seguidores. Levantar uma tag no spellgram, não sei, Ella, qualquer coisa! Isso não é a timidez de sempre e o Hawkins não vai fazer porra nenhuma aparentemente." Revolta e decepção tingiam seu tom. Preferia mil vezes o Castigo àquela cidade podre. Pelo menos lá, você sabia bem de onde viriam os apunhaladas. “Não, deixa pra lá. Vamos chamar atenção desnecessária, e talvez isso te coloque em encrenca com o maluco do Phillip.” Suspirou, pensando racionalmente por um segundo. Não queria prejudicar a amiga quando estava em ascenção. Merecia o reconhecimento que vinha ganhando. “Você consegue fazer algum feitiço para nos tornar invisíveis ou, não sei, mudar as nossas aparências? Acho que se passarmos por funcionárias da MagiTech, conseguimos entrar lá e ajudá-lo nós mesmas.” Ela encarou Maviella, dando de ombros. “É sempre bom ter algum arthuriano devendo um favor para gente.”
Haviam certos Castigados que Edwin evitava fora da ala hospitalar e do posto médico. Effie Heart era uma dessas, já a via vezes demais quando ela precisava de curativos (ou quando fingia não precisar deles, o que era pior) e a fama da jovem não era lá das melhores. Mas foi impossível não encarar o vestido cheio de cartas que ela usava; era chamativo e ela se pareceria com uma arrhuriana, não fosse o fato de que aquela era uma clara homenagem à sanguinária Rainha de Copas. Tal mãe, tal filha, ele pensou. Contudo não teve muito mais tempo para prestar atenção nela ou em seu protesto em forma de vestuário, pois logo sua atenção foi atraída pela queda do professor Thatch. Não estava olhando o palco, já havia ouvido discursos demais de Jim Hawkins e no fundo eram sempre a mesma coisa, mas aquele momento lhe chamou a atenção. Uma queda era algo corriqueiro, mas o fato de o professor não conseguir se levantar o deixou em estado de alerta. “Acho que a maioria das pessoas não prestou atenção.” suspirou, cansado. Desde quando uma Heart deveria ser cuidadosa com as pessoas? Pelo que ouvia por aí, a garota só deveria ser sinônimo de problemas e confusão. “Ele tá… Estranho. Parece fraco.” comentou, arqueando as sobrancelhas “Que merda. Será que dá pra ir até lá sem ser notado? O Sr. Thatch precisa ver um médico! O Hawkins vai ficar falando e não fazer nada?” continuou, ciente do tom irritadiço de suas palavras. Acreditava em todos os membros do Conselho com uma fé quase inabalável, mas desde o sumiço de sua mãe o descaso deles estava evidente para o rapaz. Talvez nunca tivessem se preocupado com a segurança de ninguém, afinal. “Vem, acho que dá pra tentarmos ir até a parte de trás do palco. Posso enrolar a segurança com a desculpa de que trabalho na Academia, sei lá.” puxou a mão dela por impulso, só notando (e soltando) depois que já tinha começado a andar. “Desculpe.” disse, referindo-se ao toque inesperado.
Sua relação com Edwin Darling começava e acabava dentro da ala da enfermaria. Effie ignorava-o no dia a dia, como fazia com a maioria dos habitantes de cima com quem era forçada a conviver, e aparecia emburrada diante dele quando os pequenos acidentes com as cartas e as lâminas se repetiam. Ele cuidava dos seus ferimentos profissionalmente (e igualmente emburrado porque decerto não aguentava mais vê-la) e eles sequer se despediam ao final dos atendimentos ou trocavam muitas palavras, afinal, havia o entendimento mútuo de que infelizmente se veriam de novo em breve. Ela também não conseguia imaginar um motivo para Edwin desejar a presença dela fora da ala hospitalar, especialmente considerando a reputação que tinha com os irmãos dele, portanto, coexistiam satisfatoriamente assim. Surpreendeu-se quando o rapaz surgiu ao seu lado, esquecendo-se, por um momento, do Thatch no palco. “Você é um médico. E um médico de Arthurian. Ninguém vai tentar te prender se decidir entrar lá.” Arqueou as sobrancelhas em resposta, voltando à realidade da cena. Effie esperava uma negativa da parte dele, talvez porque tinha uma imagem certinha do Darling, porém, ao ouvir sobre a ideia de enrolar a segurança com uma mentira, ela quase sorriu. “Uau. Alguém não é tão careta quanto eu imaginava.” Disse em tom leve de deboche, os lábios ligeiramente curvados. Tomou um susto ao sentir o toque dele em sua mão, congelando por alguns segundos até que sentisse a familiaridade. O primeiro instinto da Heart ao ser tocada era sempre o de se afastar e agir em defesa. Entretanto, por se tratar de alguém que constantemente a tocava, mesmo que só quando necessário, ela conseguiu relaxar até que o rapaz se desse conta e quebrasse o contato por conta própria. “Tá tudo bem. Não vamos agir como se você nunca tivesse me encostado antes.” Cruzou os braços enquanto caminhavam um do lado do outro entre a multidão, revirando os olhos. Então ela suspirou, esquadrinhando a exposição atrás da figura que sabia que deveria estar seguindo os seus passos: um dos defensores responsáveis por manterem o olho nela durante o festival. Effie se aproximou um pouco mais de Edwin. “Escuta, você vai ter que ser convincente.” Falou. “Tem alguns... caras... na minha cola.” Ao perceber o quão estranho "ter uns caras na cola dela” poderia soar, ela balançou a cabeça e se corrigiu: “O que eu quero dizer é que tô de castigo hoje. Alguém me denunciou pra Távola e agora tenho que ficar aqui nesse lindo festival o dia todo, agindo como a boa moça comportada que eu com certeza sou, enquanto eles se certificam disso.” Ironizou, sorrindo com desgosto. “E antes que pergunte: não fiz nada. Só ameacei arrancar aquelas flores cantantes insuportáveis do Novo País das Maravilhas que tem lá no jardim da Academia. Quem nunca pensou isso que jogue a primeira pedra.” Defendeu-se, erguendo as palmas.
☀️───’ Como a boa filha que era, ali estava Chrissy presente em todos os eventos daquela semana, se fosse possível se dividiria em duas para conseguir participar de cada pedacinho como sua mãe queria, afinal, ela precisava se mostrar presente, divulgar a si mesma e seus projetos, revirou os olhos só de imaginar a voz da mãe lhe dizendo aquilo pela quinta vez, enquanto sorria para um bando de câmeras. E agora, lá estava ela, entre as outras pessoas assistindo ao discurso de Jim Hawkins, na verdade ela estava mais admirando o homem do que realmente o escutando. Sua atenção foi desviada quando ouviu um barulho diferente vindo de trás das cortinas, e a voz de Effie veio em seguida. - “É ele mesmo.” - respondeu dando um pequeno passo em direção ao homem, ainda distante, mas logo foi segurada “gentilmente” pelo braço por um dos seguranças que lhe acompanhavam, pedidos da mãe, Chrissy sorriu falsamente e voltou ao seu lugar. - “Não tem como ir até lá sem passar pelo palco e causar uma cena, droga.” - murmurou olhando em volta na esperança de que alguém faria algo para ajudar o professor, sem saber se mais alguém a ouvira.
Effie franziu o cenho numa careta ao ver o homem segurar o braço da Boo, até perceber que se tratava de uma espécie de guarda-costas. Teve que controlar a vontade de começar a rir, limitando-se a soltar um ruído do fundo da garganta e o ar pelo nariz. Claro que a filha da Fada Madrinha andaria por aí escoltada. Como se Effie já não tivesse motivos o suficiente para sentir ranço daquela família. Deu um passo para perto dela, a fim de falar sem que os grandalhões de trás escutassem. “Com essa força armada aí, acho realmente difícil.” Retrucou em um murmúrio, curvando os lábios em um sorrisinho debochado antes de se afastar para falar em tom normal. “Mas por que você não faz alguma coisa daqui? Não é filha de uma conselheira? Ligue para mamãe e diga à ela que tem um professor da Academia passando mal atrás do palco. Quem sabe assim a senhora Boo não mostre um pouco de consideração só para variar.” Soava mais ácida do que deveria enquanto desafiava a garota, considerando que ela e Chrissy não tinham nenhum problema. Ela tinha aprendido do pior jeito, porém, que se tratando dos Boo: filho de peixe, peixinho era. “Ou simplesmente mande um desses seus lacaios para ajudar, em vez de ficar aí parada. Aposto que eles teriam acesso ao palco.”
꧈ ⠀𓋲 ݁ ☆ ، admiração é uma emoção complexa, afinal, o motivo pelo qual ela se manifesta é subjetivo. é por isso que abigail nem se dá o trabalho de prestar atenção, muito mais entretida na comoção exagerada daqueles que estão atentos ao discurso. contudo, o olhar muito atento também percebe a movimentação que ocorre na parte encoberta do palco. não discerniu com clareza o que tinha acontecido, mas as palavras de effie foram o suficiente para processar a informação que precisava. se antes havia um sorriso em seus lábios, agora a expressão era gélida como mármore.
“ toda atenção está voltada para o garotão discursando ali em cima. “ e, para o infortúnio de ambas, a magia de abby não conseguiria ajudar naquela situação sem criar uma grande comoção. “ acha que podemos fazer algo por ele sem chamar tanta atenção ? “ não que ela se importe o suficiente, mas está cansada de ouvir a voz de jim hawkins.
“É, pra variar. E duvido que alguém esteja de fato ouvindo. Estão todos muito ocupados cuidando os músculos dele naquela regata.” Effie revirou os olhos. “Não que eu possa julgar. Esse discurso tá um porre.” Ela não costumava ter uma opinião tão negativa sobre Hawkins, diferente dos outros conselheiros. Ver aquela cena, porém, causava desconforto nela — desgosto, para ser exata. Assim como enxergavam os que vinham do Castigo como a escória, chegavam perto de reproduzir esse pensamento com aqueles que não consideravam dignos do selo da elite arthuriana. Não de dignava a ter pena, claro, afinal, colocava todos os arthurianos no mesmo saco, sendo ricos ou não-tão-ricos, mas era impossível não ficar inconformada com a situação do professor Thatch. “Podemos fazer algo, e sinceramente? Se não estão vendo nada agora, definitivamente não vão dar uma foda se entrarmos por trás do palco.” O suspiro acompanhou o leve dar de ombros. Effie meneou a cabeça na direção dos estandes da exposição, sugerindo que tomassem aquele rumo. “Vamos por ali. Podemos nos esconder atrás de alguma barraca se necessário.” Havia um Defensor responsável por ficar de olho nela, mas assim como todas aquelas pessoas na multidão diante do palco, ele estava devidamente distraído pela lábia do Hawkins. E, bom, Effie já era perita em se esquivar da Távola. “Acha que ele está doente?” Indagou à Abby enquanto caminhavam até a área dos estandes, imaginando que pareceriam apenas duas amigas decidindo voltarem à admirar a exposição.
"Os Defensores ficaram na minha cola o dia todo hoje. Só consegui me livrar do desgraçado do filho do Hunter agora.” Revirou os olhos ao entrar na cabana de Sasha, explicando de antemão a demora e se atirando no sofá dele e colocando os pés para cima, sem se importar se ainda estava de sapatos. Algumas cartas que adornavam a saia dela caíram no processo, outras amassaram, mas estando em território da Academia, sem precisar do anel de contenção, ela não se importava mais com a estética de Rainha de Copas usada para incomodar os outros no festival. Estava feliz por ser basicamente um arsenal de facas ambulante. “Tenho uma proposta pra você, riquinho.” Olhou Aleksandr de onde estava, e de repente, assumiu um semblante mais sério. “Estou preocupada com o que vai rolar amanhã. Você sabe que a minha mãe... tem uma reputação.” Seria o alvo perfeito, em outras palavras. Estava louca o suficiente para simplesmente deixar que a carregassem. Ela se endireitou no sofá ao sentir o estômago embrulhou, tentando não transparecer tanto o nervosismo perto do Romanov. “Enfim, eles provavelmente guardaram essa informação em algum lugar, não acha? Sobre quais vilões vão trazer. No prédio do Conselho, talvez, ou no jornal...” Não precisava finalizar o raciocínio para que ele entendesse, presumia, mas ainda assim completou: “Todo mundo tá aqui. Ninguém vai notar se a gente invadir.” Effie curvou os lábios, embora não contivesse humor no gesto. "Tá afim de uma aventura?”
Não prestava muita atenção no discurso, nem em qualquer outra coisa que lhe rodeava. Parecia completamente desligada enquanto encarava o homem em cima do palco, sem realmente ter seu foco ali. Poderia culpar a forma com tentava lidar com a aglomeração, afinal, odiava estar rodeada de tantas pessoas e tantos sentimentos; foi tirada de seu devaneio quando ouviu a voz conhecida de Effie. Arqueou as sobrancelhas e antes de falar qualquer coisa, seguiu o olhar da morena, tendo assim, visão do que a estava deixando incomodada. “Se tão vendo, tão ignorando.” Concluiu a medida que suspirava e se aproximava mais dela. “Será que tem como a gente subir lá de um modo rápido e discreto? Duvido que alguém vá ajudar ele e de alguma forma… Consigo sentir a angústia dele daqui.” Resmungou confusa.
Effie deixou que Ayla se aproximasse, fechando ela mesma a distância entre os corpos ao dar um passo para o lado, a fim de que conversassem melhor em meio a toda a barulheira. Sentia-se confortável na presença da outra, desde a vez em que a garota a ajudara com as dores — não só as físicas, como os band-aids de Bénigne faziam, mas as que provinham de sua exaustão mental também. Estar perto dela naquele dia foi como descansar pela primeira vez em anos, mesmo que agora as agitações se mesclassem no ar. Effie fez uma careta ao ouvir sobre a angústia do Thatch estar sendo sentida por Ayla de toda aquela distância; e se não estava alarmada o suficiente, a informação foi um bom motivo para que tomasse a decisão de ignorar a “boa conduta” ordenada pelos defensores e decidisse fazer algo para ajudar o professor. “Que merda. Qual é o problema dessa gente?” Murmurou de volta, olhando a Sahin nos olhos. “Rápido, sim. Discreto... Digamos que eu precisaria de uma forcinha para despistar alguns olhares sobre mim.” Ela desceu o olhar para a própria saia composta de cartas, franzindo os lábios. Se não fosse pela peça, com certeza conseguiria passar despercebida pela multidão. Effie olhou em volta, procurando por uma saída. “Tenho uma ideia maluca.” Meneou a cabeça na direção de uma barraca, onde duas atendentes usando uniformes da MagiTech pareciam distraídas com o discurso de Jim. Tinham o tamanho certo para que Effie e Ayla roubassem suas roupas; isso sem mencionar que, com o uniforme da MagiTech, poderiam acessar qualquer lugar daquela exposição. Era um pote de ouro para Effie, que, claro, tiraria vantagem disso depois que ajudassem Milo. As duas só precisavam agir com destreza. "Você consegue fazer com que elas desmaiem por alguns minutos?”
Ele teria reparado no acidente de Milo se seus olhos não estivessem especialmente fixados em Effie. Aparentemente, a garota tinha recebido uma punição de última hora e tinha de ser monitorada, para que não se recusasse a aparecer nas festividades da Semana do Salvador. Bora não quis argumentar com seus superiores que qualquer outro poderia ficar com o trabalho ingrato, porque sabia que de nada adiantaria. Ele também não se sentia especialmente confortável com a ideia de outro Defensor em cima da Heart. Até ali, não tinham trocado palavra, porque o Hunter imaginou que não fosse ser respondido, porém, agora, tinha sido Effie a puxar assunto - podia estar apenas falando consigo mesma, mas não tinha muita importância naquele momento, porque a fala tinha sido suficiente para que ele deixasse que o olhar vagasse na mesma direção do dela. ‘ Não vou até lá só porque está pedindo ’ respondeu seco, sem saber como poderia oferecer qualquer ajuda sem interromper a apresentação de Jim e chamar uma atenção desnecessária. ‘ Não deve ser grave ’
Ela soltou um risinho sem humor quando Bora a respondeu. Tinha que ser ele o responsável por ficar de olho nela, é claro. Sempre ele. Na outra noite, se divertira mais do que deveria com isso. Naquele festival, porém, só sentia vontade de esganá-lo de novo, tanto pela função que empenhava, obrigando Effie Heart a se comportar diante de tudo aquilo, quanto pelo desdém na resposta que deu a respeito do Thatch. “Claro que não vai." Retrucou, encarando-o com um olhar afiado, como se pudesse perfurá-lo. “Quando é que você faz o seu trabalho direito mesmo?” A retórica veio acompanhada de um sorriso desafiador. Incrível como o Hunter conseguia despertar o pior da pirraça que existia dentro da Heart. “Ah, sim. Ele não consegue se levantar. Nada grave nisso.” Olhou para Milo atrás do palco outra vez, sentindo a irritação borbulhar sob a pele. Ele continuava caído, com dificuldade para se erguer, e vivalma sequer parecia disposta a interromper o discursozinho do Hawkins para ajudar. Ver aquilo causava nela quase a mesma sensação de nojo que tinha em relação ao tratamento de arthurianos com gente como ela, os castigados. Effie fitou Bora outra vez. “Se vai continuar sendo inútil, defensor, então, por favor... me dê licença.” Disse, usando de um tom propositalmente cordial para provocá-lo. Sabia que Bora não teria escolha senão segui-la, portanto, deu as costas rapidamente e começou a andar em direção a multidão que aplaudia o início de uma explicação sobre algum dispositivo novo MagiTech.
ele gostava do seu trabalho apesar de tudo e por isso estava ali, não porque queria ouvir jim falar e levar os créditos por tudo, não… akos queria ouvir o que o hawkins tinha a dizer nas entrelinhas. o porter não participava das reuniões ou do que deveria ou não ser dito, é claro, mas trabalho em conjunto com eles para aquela exposição da magitech. estava ali para saber se tudo funcionaria direitinho e como seria o script do hawkins. torceu a boca quando um pequeno exagero foi dito, é… aquilo não fazia exatamente parte do show. seus olhos de águia observavam tudo a sua volta e ao ouvir a voz feminina, as íris escuras não demoraram a encontrar quem ela olhava. “sim, é ele… acho que não tem dormido bem” ao menos era a impressão que tinha, de que o thatch estava a cada dia mais abatido. olhou para os lados e suspirou. “acho que ninguém vai ajudar mesmo, vem… vamos dar a volta, tem uma entrada do outro lado, talvez seja uma boa ideia levar ele para o hospital ou algum posto médico”. ele era prático, não esperou por uma resposta dela, apenas seguiu o caminho para contornar o palco e entrar pela lateral. claro que não seria tão fácil, já que teriam funcionários por ali, mas ei, ele era um funcionário da magitech, então tecnicamente tinha o direito de ir e vir ali. “o hawkins tá muito ocupado sorrindo para a plateia pra perceber”
Arthurianos passando por dificuldades estava longe de ser algo com que Effie se preocuparia — enquadrava-se bem mais na categoria de coisas que ela sentia prazer em ver, só para rir depois. O problema era que assistir ao professor decair naquele estado enquanto Jim Hawkins continuava o seu belo discurso ovacionado, despertava nela a mesma sensação de estar lidando com o descaso dos arthurianos para com o seu povo no Castigo; e isso a enfurecia. Era engraçado como não percebiam que podiam ser tão fodidos que tratavam o seus próprios do mesmo jeito que faziam com aqueles que consideravam inferiores. Effie anuiu com a cabeça, alcançando Akos na direção em que seguia. Tivera a sorte de estar ao lado do Porter durante o discurso. Ele era um amigo valorizado por Effie, ainda que fosse da Cidade de Cima, e além disso, por conta de sua ocupação na MagiTech, nenhum Defensor desconfiaria ao ver a Heart com ele. Optou por omitir o detalhe de que estava na mira da Távola naquela manhã. Se agissem juntos, e fingissem estar apenas indo embora do showzinho, não chamaria a atenção deles. “Pensei que o Hawkins não fosse acabar se tornando tão filho da puta quanto os outros. Agora olhe para ele. Puro babaca. Parece o próprio David Charming lá em cima.” Disse entre dentes, perto de Akos enquanto eles desviavam da legião de fãs. “Esperei demais de um arthuriano.” Concluiu para si mesma, olhando com desgosto para o homem no palco. “O que você sabe sobre eles? Jim e Milo, quero dizer. Outro dia me deparei com uma notícia sobre Jim ter votado contra um projeto do professor. Acha que algo pode ter dado errado com os negócios deles? Milo parece...” Ela deixou a frase morrer, segurando no braço de Akos, como se tivesse uma realização. “Doente. Faz um tempo, na verdade, se parar pra pensar. Mais que o normal. Mesmo nas aulas do meu módulo, ele tem agido estranho.”
qualquer oportunidade que a effie tem de esfregar na cara quem é a mãe dela e de forma que deixe os wonderlanders e arthurianos desconfortáveis, ela faz, especialmente em um evento que é forçada a ir. como sempre, quem ajudou ela a se arrumar e construir o look foi a @rckhilde. e ficou babado! como ela é pobre, vai usar o mesmo look em dois dias. cuidado! em território da academia, ela transforma cartas de baralho em armas cortantes...
Se fosse por vontade própria, Dominique teria ido pra casa no Castigo, e ter procurado alguma atividade por lá invés de ir aquela palhaçada de Semana do Salvador (Qual a graça de comemorar o cara que foi responsável por fazer da vida dos legados dos vilões uma grande merda?), mas era melhor pelo menos marcar presença, por algumas horas, para evitar que ficassem falatórios sobre como eram mal perdedores ou algo assim. Parou ao lado de Effie ao vê-la na apresentação de Jim Hawkins e da Magitech, assistindo o pobre de Milo Thatch ser ignorando enquanto Hawkins tinha a atenção de todos. “Relaxa, é assim todo ano. Logo, logo aparece alguém pra tirar ele do palco ou próprio Hawkins usa isso pra receber uns suspiros e uns ‘ai mais ele é tão galante’” Disse fazendo uma vozinha fina no final, antes de colocar um pouco dos nachos que comprara numa das barracas ali por perto. “Dizem as más línguas que quem faz tudo na Magitech é o Thatch, enquanto o Jim fica só com o crédito e a parte boa de tudo.Qualquer dia desses, o Thatch vai ficar pistola e vai quebrar esses dentes lindos e perfeitos e ir embora da Magitech. Ai eu quero ver como o que todo mundo aqui vai se virar.”
Effie não pisava no festival porque queria. Se dependesse de sua vontade, aproveitaria o dia para ir até o Castigo e ficar com a mãe, cuidando da mulher. O problema era que estava na mira dos defensores de novo, depois de terem recebido uma denúncia anônima de um crime horrível: a filha da Rainha de Copas teria ameaçado cortar os caules das flores falantes do Novo País das Maravilhas, para matá-las! Então, pela sua conduta assassina, teve que “prestar serviço ao reino”, comparecendo em todos os dias da Semana do Salvador como a boa cidadã que deveria ser lá em cima ― sempre com um defensor a olhando de longe. Piada. Pelo menos encontrara-se com Dominique, que decerto nutria tanto esmero pelo evento quanto ela. Quase riu do tom de voz afinado, e teve que revirar os olhos. “É, eu sei. Mas ele parece mal. Pior, quero dizer.” Ele não se levantava. Era possível vê-lo tentar o esforço e não ter sucesso. O que Dominique dizia era algo que Effie pagaria para ver. Nunca acreditara na simpatia do Hawkins, e as coisas entre ele e Milo eram bizarras para quem olhasse de fora, sem as lentes de fanatismo por Jim. O professor parecia existir como uma sombra do outro e nada mais. “Pago pra ver esse dia, mesmo achando que o Milo é palerma demais pra isso. O cara é um tolo.” Tornou a olhar na direção do palco, como se quisesse provar o seu ponto, e torceu os lábios ao ter outro vislumbre do homem sem conseguir se pôr de pé. “Você me conhece, Lefou. Não ligo. Ou não gosto de ligar.” Largou a raspadinha numa lixeira próxima e cruzou os braços. “Só que ele realmente não parece bem dessa vez.” Virou o rosto para encarar a mais velha. “Acho que conseguimos entrar lá sem nos verem. Se não for nada, a gente dá o fora antes que nos peguem e pronto, continuamos por aí. Se for algo...” Effie ergueu as sobrancelhas, como se planejasse algo. “Ele fica nos devendo uma, não fica? E nós tiramos vantagem disso.”
Escorada contra um poste, de cara amarrada, Effie escutava o discurso de Jim Hawkins sem prestar atenção, com uma raspadinha de tutti-frutti em mãos. Sem olhar diretamente para o homem do progresso que falava e arrancava suspiros, percebeu uma movimentação através de uma abertura nas cortinas atrás do palco. Um homem esguio e familiar deixou cair a caixa cheia de papéis azuis que segurava (plantas de projetos, provavelmente) ao se desequilibrar, indo ao encontro do chão ele mesmo, como se tivesse perdido o controle de suas pernas. A Heart não tirou os olhos da imagem por um segundo, percebendo quando ele tentou se levantar e não conseguiu. “É o professor Thatch?” Perguntou para ninguém em específico, em dúvida sobre ir atrás dele ou não, porque isso significava invadir o palco no meio do falatório de Jim Hawkins.“Porra, ninguém tá vendo isso pra ajudar?”