lógico-lúdico, carta nunca entregue aos meus pais
Tá vendo a bailarina? Ela sou eu, o artista. A Lua é o que chamaríamos de "Segurança". E a "Gravidade" que, a todo tempo te puxaria para a "Segurança", é o que chamamos de "Amores que sabotam" ou “pais”, “familiares”, “amigos”. Eu machuco muito os pés por dançar em ambientes desfavoráveis, por não saber se vão pagar meu espetáculo, por não ter treinador, patrocínio e material a todo tempo. Não reclamo. Ser bailarina é difícil, mas passei muitos anos sem "dançar", quando sempre foi o que quis fazer. Filhos quase nunca pulam para não decepcionar a "Gravidade". Ou então damos pulos curtinhos e resolvemos chamá-los de hobbies. Mas nessa de não decepcionar, a gente se anula, somos sabotados e nos sabotamos. E a vida passa, e as pernas vão ficando fracas, com o tempo você vai esquecer os passos e não saltar nunca mais. Mas eu quero saltar alto. Muito, o mais alto que o melhor de mim permitir. E vocês sabem que sempre dou o melhor. E me basta o melhor de mim, não o melhor de todos. E mesmo sabendo que a Gravidade aconselha o piso, sei que a mesma Gravidade sabe que posso dar piruetas muito maiores e ser um excelente dançarino. Sou grato por assistirem minhas danças, serei mais ainda quando não tiverem medo de me ver "dançar". Um dia terão muitos pagantes num belo espetáculo? Não sei. Treino e me reinvento todos os dias. E só vou poder saber se continuar dançando. Eu levo muito em consideração tudo o que falam e me entristece o desencorajar de vocês. Penso por dias, se coloquem do meu lado. Fazer o que tenho feito não é uma questão de "ser livre", "fazer o que gosta", "ter um estilo de vida". É a minha essência, é o que me faz levantar com orgulho de mim e é um papel essencial tanto quanto trabalhar na empresa x ou y. Não me peçam pra não dançar, por favor. Às vezes lógico é ser lúdico. Amo vocês.
às vezes lógico é ser lúdico.











