Uma vez rompidas as rígidas molduras dos estamentos, a tarefa de "autoidentificação" posta diante de homens e mulheres do princípio da era moderna se resumia ao desafio de viver "de acordo" (não ficar atrás dos outros), de conformar-se ativamente aos emergentes tipos sociais de classe e modelos de conduta, de imitar, seguir o padrão, "aculturar-se' não sair da linha nem se desviar da norma. Os "estamentos" enquanto lugares a que se pertencia por hereditariedade vieram a ser substituídos pelas "classes" como objetivo de pertencimento fabricado. Enquanto os estamentos eram uma questão de atribuição, o pertencimento às classes era em grande medida uma realização; diferentemente dos estamentos, o pertencimento
às classes devia ser buscado, e continuamente renovado, reconfirmado e testado na conduta diária.
Retrospectivamente, pode-se dizer que a divisão em classes (ou em gêneros) foi um resultado secundário do acesso desigual aos recursos necessários para tornar a auto-afirmação eficaz