ela me bloqueava. bloqueava meu jeito de ser, minha mente, minha independência e até minha respiração. me impedia de ser o melhor ou pior de mim. queria alguém para cuidar, alguém dependente. nunca pôde aceitar o fato de que eu não precisava ser cuidada. e nesses quatro meses (sim, desde o início) eu cedi, aguentei isso e aquilo, me moldei, pensando “vou fazer durar mais um pouquinho”, mesmo sabendo que não iria durar pra sempre. nunca menti, eu a amei. mas percebi que por trás de toda aquela super proteção, era ela quem precisava ser cuidada, de um modo que eu não podia, e nem queria, pra ser sincera. escrevo aqui na intenção de me expiar de todo o peso que essa relação foi pra mim, mas falho. foi tão grande, tão avassalador. ela me moldava, era deus brincando de massinha comigo viva, e eu, com toda minha inocência e amor, deixei isso acontecer. e no fim, havia me perdido de mim. quem eu era? em apenas quatro meses, ela conseguiu me fazer acreditar que eu era errada, torta. deveria mudar, deveria me encaixar. “no mundo? não! esqueça o mundo, esqueça os padrões horríveis dele! mas se encaixe nos meus!” depois de muitas desavenças e brigas, o que ocorria praticamente todos os dias, eu percebi tudo. que era em vão meu esforço, minha paixão não era forte o suficiente, minha mente não era tão sóbria. e nunca seriam. então juntei todas as forças que me restavam e tirei minhas roupas de astronauta que tanto me sufocaram e me esconderam. e assim, como vim ao mundo, nua na frente de mim mesma, me senti completa e forte, como não me sentia há tanto tempo. e assim, sigo.