"Todo o seu esforço consistiu em escrever a si próprio, em comunicar, em dizer a verdade, e em afirmar que se trata de um "empreendimento espinhoso, e mais do que parece". Pois, para além da dificuldade de comunicar aquilo que se é, há a suprema dificuldade de ser aquilo que se é. Esta alma, ou a vida dentro de nós, não combina absolutamente nada com a vida fora de nós. Se temos a coragem de perguntar-lhe o que ela pensa, ela está sempre dizendo o oposto do que outras pessoas dizem. Outras pessoas, por exemplo, há muito tempo decidiram que cavalheiros de idade de aspecto enfermiço devem ficar em casa e edificar os restantes com o espetáculo de sua fidelidade conjugal. A alma de Montaigne dizia, ao contrario, que é na velhice que se deve viajar, e o casamento que, sem duvida, raramente se baseia no amor, está sujeito a se tornar, no fim da vida, uma laço formal que é preferível desfazer. Igualmente, na política, os estadistas estão sempre louvando a grandeza do Império e pregando o dever moral de civilizar o selvagem. mas vejam os espanhóis no México, exclamou Montaigne num acesso de cólera."
minha virginia sobre meu querido montaigne, em o sol e o peixe.





















