*&. ┋ TASK #006, "WILDFIRE".
░ — &* Gavin’s Myers-Briggs Type Indicator ;; ESFP also know as extroverted, SENSING, feeling, perceiving.
s e n s i n g; down to earth, practical, o b s e r v a n t, and sensual.
Gavin expeliu cada pequena partícula de ar que ainda havia em seu corpo depois de um longo suspiro quando olhou em direção a grande parede que se estendia na lateral esquerda de seu quarto. Essa que, finalmente, ele tinha conseguido finalizar na noite anterior e nem ao menos havia se dado o desfrute de apreciar o próprio trabalho. A tintura branca, um pouco escurecida em alguns pontos e com algumas rachaduras de infiltração no topo — nada muito profundo que fosse obrigado a trabalhar sobre, pelo menos — tinha sido totalmente revertida por pequenas fotos, com a moldura um pouco surrada de sua polaroid qual ele nem se quer tinha pensado em limpar o filtro antes de sair clicando por ai. Bem, se fosse ser sincero, agora não alteraria nenhum pedaço de espaço da sua pequena exposição pessoal.
As fotos, que estavam grudadas firmemente a parede com alguma fita isolante que tinha encontrado sem nem ao menos querer por uma gaveta esquecida no apartamento, eram dos mais variados cenários que se puderia imaginar. Para Gavin, internamente, aquela era uma situação até mesma engraçada. As imagens pareciam colidir facilmente com a bagunça enevoada qual sua mente se encontrava no momento, tentando encaixar vírgulas onde deveriam haver pontos, e vírgulas onde deveria ser uma história contínua, mas o que diabos ele podia fazer, afinal de contas? Sua respiração lenta não tinha culpa nenhuma dos acontecimentos desastrosos qual seu próprio destino estava se desenhando.
Contudo não era nem perto de ser infeliz, ele sabia. Por mais que as fotos tivessem um tom meio escurecido pelo relevo da moldura, e as cores fossem obrigatoriamente mais vazias de intensidade e levemente esbranquiçadas, elas eram fotos reverencialmente felizes. Um pôr-do-sol aqui e ali e algumas estrelas desfocadas, idosos alimentando alguns pombos ou apenas andando na rua. Sua irmã também tinha uma boa quantidade de fotos por todas as laterais; afinal de contas, era o único rosto que precisava para se lembrar continuamente de se manter respirando e agora, como seria obrigado a sobreviver sem ele em seu ponto de vista a qualquer momento, nada mais justo do que a solução de várias fotos espalhadas.
Seus amigos apareciam constantemente nas margens também, de maneiras engraçadas, espontâneas ou com a irritação visível no rosto por ele ter se recusado a baixar a câmera — na maioria das vezes, esse rosto apenas pertencia a Kyle, seguido de algumas (milhares) de fotos de Lya, porque o que Gavin não podia deixar de ser era um cara esperançoso. Três ou quatro imagens do seu último photoshoot com Allison, apenas aquelas que não deram certo ou que ele se recusou terminantemente de enviar para o seu trabalho na galeria. Então existia Arabella em alguma situação constrangedora, mas que a menina provavelmente não se importaria nem um pouco, Alaska com seu cigarro na maioria das vezes e até mesmo Elena que apesar de serem fotos um tanto útopicas, gostava da imagem só pela existência da garota ali. Alguns rostos novos também foram acrescentados, aqueles que ele teve poucas oportunidades para fotografar mais existiam ali; fotos aleatórias de alguns eventos, principalmente do último qual seu apartamento ainda dava alguns vestígios bagunçados.
Não havia sido tão pretensioso, claro. Seu rosto aparecia algumas vezes ao lado daqueles menos extrovertidos, mas pelo menos nunca sozinho. Assim como Leon, o gato, aparecia dormindo na maioria das fotos, o rosto de Thomas consistia em algumas polaroids da mesma forma, com a bagunça de lençóis atrás dele --- Gavin idealizou que apesar dos rostos expostos serem muitos, os dois últimos focos ocupavam grande parte da parede, e talvez aquilo significasse alguma coisa. Por último, mas que não fosse menos importante, tantos rostos de crianças desconhecidas que se não fosse apenas um fotografo amador vagueando pelo parque, e se aquele não fosse a pequena exposição de seu próprio mundo, os oficiais provavelmente colocaria-o dentro da lista de pedófilos mais rápido do que o rapaz pudesse se explicar; talvez seu mais novo fascínio consistia na arrebentação do lado fraternal que estava surgindo precocemente. E o espaço na lateral, a parede livre de sua janela, já estava pronta para receber milhares de fotos de Edward, sua mais nova parcela de vida.
Suspirando contentemente com seu trabalho, ignorando a coceira que sentia dentro do estômago com a pseudo vontade de mostrar o trabalho pra quem quer que fosse, ele puxou a sua câmera da cômoda para se juntar ao parapeito da janela. A lua já estava no seu pico da noite, mas como a maioria, coberta por nuvens densas na cor cinza. Para a felicidade do observador, as ruas estavam movimentadas de pessoas correndo para cima e para baixo, com seus celulares, com outras pessoas ao seu alcance. Minutos depois de alguns disparos Gavin não estava mais sozinho, sentindo o gato ronronar em seu braço a espera de um afago, o que lhe arrancou um sorriso fácil. Analisar as pessoas atravessando a calçada, com suas feições preocupadas, os olhares baixos e cansados, a presa nos calcanhares era uma de suas coisas favoritas. No entanto em certas noites, esse hábito podia ser facilmente substituído por outros meramente importantes.
















