Enclausurei-me na academia: deixei que me absorvesse no meu medo de não ser suficiente e nada mais me bastar. A poesia não mora mais (por agora) em mim: só me resta a sua morada ainda deixada escrita na campainha que, por lapso, não saiu. Sinto-me uma inutilidade. Tudo é objeto, nada sopro de ser. Tudo é sexo ou mandar, tudo são projeções de se ter mais um pouco. A pressão exterior aguentava-a estoicamente percebendo-a. Não a quero agora ver: esteja onde estiver, mesmo que dentro - ocupando - não se mostre e pouco importa. Não sou nada senão restos das tentativas vãs do quer que seja. E é o que custa, é que não consigo. E, quando consigo, é sempre aquém, sempre tangente: o limiar do acontecer como trono de soleira; porteiro de tudo. Questiono a teimosia de não querer desistir. Não sou mesmo nada. Sonhava, guardando-me, que supreenderia. No more. Só quero ser descoberto; a moda, é não quererem tê-los encontrado. Uma nódoa de anterior deleite no palato, resta só a lembrança boa de estar só chata no pano da vida. De que serve este contraste da inutilidade em que me apresento? Ensoça presença de mim, em mim. Tudo.