Um manifesto à beleza. À real beleza
Já repararam como muitas mulheres têm vergonha de aparecer numa foto ou mesmo fora de casa sem que estejam maquiadas? Ou quantas influenciadoras digitais utilizam diversos filtros para disfarçar suas imperfeições? Eu mesma percebi que só utilizava a câmera no modo beauty… há anos! Acontece que esses artefatos do mundo da beleza deveriam ser usados para nos deixar mais bonitas, para valorizar os nossos traços... Mas todo esse aparato, a despeito de nos prometer elevar nossa autoestima, está na verdade nos escravizando. Os nossos cabelos ficam lisos ou ondulados dependendo da moda do momento. Nossas sobrancelhas ficam finas ou grossas segundo as últimas tendências. Nossos lábios de repente passam a ser preenchidos com procedimentos dolorosos. Os cílios se alongam cada vez mais após horas de aplicação por uma profissional qualificada. Mas... quem é que dita essas tendências?! O que estamos fazendo com nós mesmas?! E pior... Aonde isso termina? Até outro dia, “só” “tínhamos” que “manter” as “unhas”, “depilação” e “cabelos brancos” “em dia”! Hoje parece que cada pedaço do corpo da mulher precisa ser retocado, consertado, aperfeiçoado de alguma maneira! Não se assustem, porém, que alguém chegue e lhes diga: “mas vocês fazem isso porque querem!”. Pois eu digo que só somos realmente livres para fazer escolhas quando podemos pensar e refletir sobre isso! E é a isto que hoje eu rogo! Paremos um pouco. Descansemos por hora nossos pincéis, os batons... deixemos de lado a lixa, o alicate e nosso baby liss, e pensemos: Quanto do nosso tempo (e do nosso orçamento) estamos investindo para nos sentirmos cada vez piores em relação àquilo que realmente somos? Pois então eu deixo um apelo: Que nós tenhamos a coragem de sermos imperfeitas. E que tenhamos a sensibilidade de reencontrarmos beleza nisso. Com amor, Patrícia Ferreira Trindade P.S.: Na imagem, a pintura “Mulher no espelho” de Pablo Picasso











