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“Chidori Nagashi”! - Uchiha Sasuke
E foi num instante, naquele breve momento em que me faltava lucidez, que me deixei levar pelas sedes da alma, como se fosse possível beber da própria vida. Mas todo o contexto, toda aquela imensa multidão, me envolveu de um jeito sufocante. Então compreendi que precisava do silêncio, precisava da solidão — pois era ela, e somente ela, que sabia me abraçar quando ninguém mais sabia.
Renata Nagashi
Eu vi as primeiras gotas de chuva escorrendo pela janela enquanto estava sentada, trabalhando. Foi algo sutil no começo, quase tímido, mas suficiente para me distrair. Fiquei olhando por alguns segundos até sentir vontade de sair. Como se eu precisasse acompanhar aquele início.
Atravessei a porta de vidro, abri o guarda-chuva e comecei a caminhar pelo caminho cercado de árvores até o ponto. O céu estava cinza, o ar mais frio, e havia uma quietude diferente no ambiente. Em determinado momento, coloquei a mão para fora do guarda-chuva, só para sentir os pingos gelados tocando minha pele. Era uma sensação viva, fria, úmida, real. Algo me tocando de verdade.
E, enquanto a chuva tocava minha mão, eu mergulhava nos meus próprios pensamentos. Nos sentimentos incertos que tenho sobre mim mesma. Nesse vazio que às vezes aparece sem explicação. Nessa sensação estranha de cansaço profundo, como se eu pudesse dormir por uma eternidade. Não exatamente tristeza, não exatamente dor, só um vazio difícil de definir.
A chuva, de alguma forma, parecia combinar com esse estado interno. Como se o mundo lá fora refletisse algo aqui dentro.
Agora, olhando a chuva pela janela outra vez, já não sinto nada. Não sinto paz, nem felicidade. Também não sinto tristeza ou raiva. É como se tudo estivesse anestesiado. Eu apenas observo. Vejo as gotas caírem, escuto o som constante contra o chão e contra o vidro, quase como alguém tentando cantar uma música repetitiva.
Mas eu não entro na música. Só assisto.
Estou ali, presente, mas distante. Como uma mera admiradora figurante da própria cena.
Renata Nagashi
Na reciprocidade o afeto encontra água e, é ali que a sede se aquieta, quando o amor não caminha sozinho, quando olho para o lado e descubro que o coração que escolhi também me escolhe.
Há algo de milagre em se sentir amada, segura dentro do abraço do mundo, desejada como quem encontra abrigo.
Quando te olho meus olhos acendem, não sei se são estrelas ou apenas reflexo de tudo aquilo que admiro em você, porque em você mora aquilo que eu sempre procurei sem saber nomear.
Sou grata ao acaso de uma segunda-feira qualquer, por sair de casa sem imaginar que naquele dia a vida me levaria até você.
Amar você é fácil, tão fácil quanto respirar num lugar onde o ar é leve. Talvez porque você seja incrivelmente simples na sua forma bonita de existir.
E então esse sentimento vem imenso, como um mar que não pede licença, um tsunami doce que carrega tudo em mim para mais perto de você.
Eu não sonho com grandes coisas, quero uma vida inteira apreciando o tédio bonito dos dias, livros abertos enquanto descanso no seu colo, seus dedos caminhando devagar pelos fios do meu cabelo, dias inteiros na cama entre risos e planos sussurrados. Tardes de chuva, coberta na sala, maratonas de tudo aquilo que faz nossos olhos brilharem.
Mas, acima de tudo, quero todos os dias do mundo acontecendo com você.
Renata Nagashi
Acordei às 3h40, e o silêncio me entregou você. A casa dorme, o mundo dorme, mas meu peito não sabe descansar quando seu nome insiste em ficar acordado em mim.
Lá fora, a chuva cai e eu só queria você aqui, não por urgência do corpo com segundas intenções, mas por essa fome mansa de presença, dos seus dedos acariciando meu cabelo, da nossa respiração que se encontra no escuro sem precisar dizer nada.
É estranho sentir tanta saudade quando o tempo ainda nem esfriou entre um encontro e outro. Mesmo sabendo que te verei em breve, meu agora te quer.
Queria me perder no seu abraço como quem encontra abrigo da tempestade, afundar meu rosto no seu pescoço e lembrar, pelo cheiro, que existe um lugar no mundo onde tudo desacelera quando você está.
Eu sei que você não está bem agora, talvez seja por isso que meu coração ficou tão vigilante, querendo te envolver em silêncio, te emprestar meu peito pra que, mesmo sem respostas, você pudesse sentir paz nem que fosse só por um instante.
E eu sigo aqui, na madrugada, escrevendo sobre você porque meu coração arde de saudade, arde porque, mesmo distante, eu sou tão tua, meu bem.
Renata Nagashi