Os Elementais - Primeira Aparição de Zinteck
Fora da hospedaria é possível sentir o calor das chamas das casas, os soldados meio maquinas são muitos. Mesmo assim Tegiz, Grico e seu mestre estão dispostos a enfrentá-los.
O velho mago lança uma forte rajada de ar de sua mão, arremessando o maior número de soldados possíveis. Seguindo o exemplo de seu mestre, Tegiz põem uma de suas mãos no chão e fala:
– Tremor!
A terra começa a tremer forte, fazendo os soldados caírem no chão. Os soldados que sobraram em pé, Grico os abate com suas flechas. Percebendo que não terá tempo o suficiente para abater todos, Grico estende sua mão espalmada para eles e fala:
– Feixe de Luz!
Um raio concentrado de luz branca sai da mão de Grico, atingindo e derrubando os soldados.
Vendo o número de soldados reduzindo, o mestre de Tegiz e Grico retorna a hospedaria, abre a porta e fala bem alto para as pessoas que se abrigam dentro:
– Agora! Fujam rápido!
As pessoas escondidas dentro da hospedaria saem correndo de dentro dela. Ao saírem o velho mago lhes fala:
– Vão para a cidade mais próxima e não olhem para trás! Nós vamos segurá-los aqui!
Quando a última pessoa consegue fugir em segurança, o velho mago volta seu olhar para seus aprendizes e diz:
– Deixem suas coisas na caçamba da aerocamionete! Vamos servir de distração para essas coisas.
Tegiz e Grico jogam suas mochilas na caçamba, mas continuam com suas armas em punho. Assim que entram no veículo, eles guardam suas armas, seu mestre dá a partida e acelera em direção aos soldados e os tanques. Preocupado com a direção e com a alta velocidade que estão indo, Tegiz pergunta:
– Mestre, o senhor sabe que está fazendo?
– Sei sim!
O velocímetro aumentava cada vez mais e cada vez mais rápido o veículo corria, atropelando alguns soldados em frente. Os soldados meio maquinas disparavam tiros de lasers contra o veículo, de armas presas aos seus braços. Porém, mesmo o motorista do veículo sendo velho, ainda tem excelentes reflexos e consegue desviar dos tiros. Grico olha para trás e percebe que o exército estão os perseguindo. No momento em que estão prestes a sair do vilarejos, três tanques formam um paredão, bloqueando o caminho.
Percebendo o bloqueio, o velho mago pisa o mais forte que consegue no freio e começa a virar a aerocamionete, fazendo a derrapar na pista. Por fim o veículo para, ele inclina um pouco para o lado, mas volta a ficar no chão, com a porta do passageiro ao lado do tanque. O velho mago respira fundo, olha para seus aprendizes e pergunta:
– Estão bem?
– Acho que não! – responde Grico assustado, apontando para o soldados meio maquinas que cercam o veículo, com seus lasers presos aos braços apontados neles.
– Larguem suas armas e saião da aerocamionete agora! – berra um dos soldado.
– O que faremos agora mestre? – pergunta Tegiz preocupado.
– Fiquem quietos e faremos o que eles dizem. – responde o mestre de Tegiz e Grico, desligando o veículo e abrindo a porta para saírem.
Os três saem do veículo com as mãos levantadas para cima, mostrando que estão desarmados.
– Mãos atrás da cabeça! – berra novamente o mesmo soldado.
Tegiz, Grico e o mestre deles obedecem. Três dos soldados se aproximam deles, os forçam a ficarem de joelhos e apontam suas armas nas cabeças dos três.
Os demais soldados começam a se afastar, abrindo caminho para alguém. Uma estranha figura começa a se aproximar, caminhando lentamente em direção aos três prisioneiros. Aparenta ser um humano, usando um capote de couro preto, com a manga esquerda, arrancada mostrando um braço mecânico. Assim como a calça preta que usa, com a perna esquerda arrancada, no lugar dela uma perna mecânica. Seus cabelos são prateados e seu rosto, assim como seus olhos, estão escondido por uma máscara prateada, com o formato de uma caveira.
– O que temos aqui? – pergunta o estranho ser de máscara.
– Prisioneiros, senhor! – responde um dos soldados, com o olho e os dois braços substituídos por partes mecânicas. – Eles tentaram escapar, além de conseguirem derrubar parte de nossas forças.
– Eu conheço você! – exclama o homem de máscara, apontando com seu dedo mecânico para o velho mago.
O homem de máscara caminha em direção ao mestre de Tegiz e Grico, ficando cara a cara com ele.
– O tempo realmente estragou com você. – continua a falar a figura de máscara, com sarcasmo na voz, enquanto segura o queixo do mago com sua mão normal, virando e examinando o seu rosto. – Quando lhe vi pela última vez, você tinha apenas doze anos.
– Eu também me lembro de você. – responde o velho mago, enquanto o homem de máscara se afasta dele. – Você é Zinte!
– A quanto tempo em Naistin! – responde o homem de máscara.
Finalmente é confirmado a Tegiz e Grico, o mestre deles é de fato Naistin, o aprendiz do grande arcano Windar. Os dois irmãos também ficam surpresos com a identidade do misterioso homem com a máscara de caveira. Ele é Zinte, o irmão de Windar, que lutou contra seu próprio irmão e morreu junto com ele na batalha para decidir a posse da Gema, a pedra lendária criada por Windar.
– Quem são esses? Seus aprendizes? – pergunta Zinte ao Naistin.
– Deixe os em paz! – avisa Naistin.
– Fique calmo! Não farei nada com eles, ainda.
– Era para você estar morto, como sobreviveu? – pergunta Naistin.
– Realmente, Zinte morreu a quatro mil anos, pelas mãos de meu irmão. – responde o homem com braços e pernas mecânicos. – Mas ele renasceu nesta nova forma. Hoje não existe mais Zinte, só existe apenas Zinteck.
– E o quer de mim Zinteck? – pergunta novamente Naistin.
– Você sabe o que eu quero, me diga onde está!
– Não lhe direi onde estão as Gemas!
Essa informação também deixa Tegiz e Grico atordoados. Além de que Windar existiu, Naistin e Zinte ainda vivem e estão diante deles. A essa altura, saber das Gemas não os surpreende mais, embora torne mais difícil assimilar todos esses fatos. Além de serem agora prisioneiros, podendo morrer a qualquer momento.
– Não estou interessado na localização delas. – responde Zinteck. – Eu já sei onde elas estão, o que eu quero é outra coisa.
– Não vou lhe contar! – responde Naistin com firmeza na voz.
– Não tem problema! – fala Zinteck, cruzando os braços. – Existem outras formas de se obter informação.
Zinteck faz um aceno com a cabeça, os soldados que estão com suas armas apontadas paras as cabeças de Tegiz e Grico as engatilham, um zumbido forte começar a sair das armas, indicando que estão prestes a ser disparadas. Tanto Tegiz quanto Grico tentam esconder o nervosismo diante da situação.
– Diga o que eu quero, ou meus soldados explodem as cabeças dos dois! – exclama Zinteck.
Vendo a complicada situação, Naistin abaixa a cabeça e fecha os olhos. De repente os soldados, que fazem ele, Tegiz e Grico de reféns caem desmaiados no chão, libertando o velho mago e seus dois aprendizes.
– Atirem! – ordena imediatamente Zinteck ao ver a cena.
Imediatamente um muro de pedra cresce do chão, cercando Zinteck e seus soldados, ao mesmo tempo, protegendo Naistin e seus aprendizes do tiros de lasers.
– Rápido! Peguem a aerocamionete e fujam! – manda Naistin a seus dois aprendizes, enquanto vários tiros são disparados do outro lado da parede de pedra.
– Mestre, então realmente é tudo verdade. – fala Grico se levantando, ainda um pouco aturdido com tudo que está acontecendo.
– Sim! – responde Naistin, enquanto outro tiro e dado do outro lado da parede. – Agora vão! Eu vou ficar e atrasá-los o máximo que puder!
– Não podemos abandoná-lo! – responde Tegiz. – Nós vamos ficar e te ajudar.
– Se ficarem aqui me atrapalharam, continuem com o plano e vão até Mapic.
Grico insiste:
– Mas mestre...
– Vão! – exclama Naistin, interrompendo Grico, enquanto outro tiro é dado.
Tegiz franzi o rosto, começa a puxar o braço de seu irmão e diz para ele:
– Vamos Grico!
Grico puxa seu braço para se livrar do braço de seu irmão, se vira para o seu mestre e fala:
– Não vamos abandoná-lo! Você nos treinou, então ...
Antes que Grico terminasse a frase, ele é golpeado na nuca por seu irmão Tegiz, fazendo assim Grico perder a consciência. Tegiz segura seu irmão pelo ombro, para evitar que cai no chão.
– Desculpe por isso Grico, mas foi preciso. – fala Tegiz ao seu irmão inconsciente.
Tegiz coloca seu irmão dentro da aerocamionete, no lado do passageiro, e em seguida entra. Assim que é dada a partida, Tegiz põem a cabeça para fora e fala:
– Boa sorte mestre!
– Boa sorte para vocês também! – responde Naistin enquanto observa a aerocamionete se afastando e desaparecendo ao longo da noite escura.
Quando Naistin perde de vista o veículo, ele se virá para a parede de pedra que criou, que aos pouco está sendo derruba pelos soldados meio maquinas de Zinteck do outro lado. O velho mago saca sua espada, com uma expressão séria no rosto, esperando pelo inimigo. Após vários disparos a parede de pedra cai, e Naistin se vê sozinho diante do exército.
– Atirem! – ordena Zinteck aos seus soldados ao verem Naistin sozinho.
Os soldados disparam, mas os lasers são bloqueados por um escudo mágico de Naistin. No momento em que os soldados sessão fogo, o velho mago responde com uma forte rajada de ar, que arremessa boa parte do batalhão para longe. Em seguida, com a mão no chão, Naistin faz a terra em que os soldados pisam desabar. Infelizmente Zinteck escapa, usando sua perna mecânica para investir um salto em direção a Naistin, e atacá-lo com seu braço mecânico transformado em lâmina.
Naistin, com sua espada, bloqueia o ataque. Assim que bloqueia o ataque, o velho mago sente uma corrente elétrica percorrer o seu corpo, fazendo-o franzir o rosto devido a dor. A espada de Naistin e de Zinteck ficam emparelhadas, quanto mais tempo ficam emparelhadas, mais forte vai ficando a corrente elétrica que passa pelo corpo do aprendiz de Windar. Percebendo o risco que corre ao manter sua espada emparelhada com a de seu oponente, Naistin recua e tenta um contra-ataque. Zinteck consegue bloquear o contra-ataque, no momento em que as espadas se encontram o mago volta a sentir a corrente elétrica no seu corpo, não por muito tempo, pois assim que as armas se encontram, Naistin afasta sua lamina e começa a dar consecutivos golpes com sua espada. Porem para cada ataque que ele tenta, Zinteck bloqueia com sua espada, e a cada bloqueio ele sente a corrente elétrica voltar a correr pelo seu corpo.
Vendo que é inútil uma luta com espada, no seu último golpe Naistin se afasta, ele estende a faz vária pedras enormes atingirem Zinteck, todas de uma vez. Imediatamente Zinteck transforma sua espada, antes seu braço esquerdo, agora em uma arma lazer, e começa a disparar contra as pedras que voam em sua direção. Entretanto são muitas pare ele destruir com seu tiros, forçando a correr e esquivar de alguma pedras, enquanto continua com os disparos. Ciente que Naistin precisa manter a concentração para realizar esse feitiço, Zinteck se ajoelha em cima de sua perna mecânica, para desviar de uma das pedras, nesse instante do joelho da perna esquerda, apareça uma abertura, de dela e disparado um pequeno míssil, que voa em direção Naistin.
Ao perceber o míssil, Naistin cria, imediatamente, uma parede de pedra crescer do chão e protegê-lo da explosão do míssil. Ao se proteger o velho mago acaba perdendo a concentração e as pedras param, as que estavam ainda no ar acabam caindo no chão.
Com essa brecha, Zinteck dispara uma mão mecânica, ligada ao um cabo de aço, atravessa a parede pedra, agarra o pescoço de Naistin e o puxa para a direção em que veio, derrubando a parede de pedra e o arrastando no chão. Ao notar que é Zinteck que o está puxando, Naistin coloca uma de suas mão no cabo de aço, fazendo o aquecer e se partindo. O velho mago se levanta imediatamente, jogando para longe a mão mecânica presa em seu pescoço, ficando de prontidão com sua espada para qualquer ataque que venha.
Quando volta o olhar para Zinteck, Naistin o vê com algumas dezenas de soldados. Um dos soldados, com a metade direita do corpo completamente mecânica, entrega uma nova mão mecânica ao seu mestre, que a recoloca no lugar da perdida. O soldado fecha a sua própria mão esquerda, a põem no lado esquerdo do peito, saldando Zinteck, e fala:
– Senhor! Não conseguimos sair, parece que a um campo de força nos impedindo de sair.
– Já sei quem o fez. – responde Zinteck, mexendo os dedos da nova mão, como se fosse alguém que acaba de colocar uma luva.
Uma chuva começa a cair, com raios e trovões, contudo as gotas de chuva não chegam até eles. Elas estão sendo bloqueadas por uma redoma invisível, apenas quando as gotas caem nela é que se é possível vê-la. Da mesma forma que a redoma faz as gotas de chuvas não conseguirem chegar ao chão, a redoma também impede que Zinteck e seus soldados saiam. Uma magia poderosa, que apenas uma pessoa naquele campo de batalha é capaz de realizar, essa pessoa é Naistin. Enquanto lutava com Zinteck, ele criou um escudo mágico, que pudesse envolver ele, Zinteck e seus soldados, dando tempo para os moradores do vilarejo fugirem, assim como seus pupilos.
– O que faremos senhor? – pergunta o soldado que entregou a nova mão a seu mestre.
– Faça metade dos soldados dispararem contra a barreira. – responde Zinteck, com o olhar fixo em seu oponente, que permanece imóvel, esperando ser atacado.
– Mas nós tentamos senhor. Os tiros ricochetearam e ...
– Então usem ataques corpo-a-corpo! – exclama Zinteck, interrompendo o seu soldado. – A outra metade, ataquem o velho!
Quando a ordem é dada, Naistin lança uma grande Bola de Fogo contra os soldados, derrubando alguns deles. Com espaço feito pela explosão, Naistin o utiliza para se aproximar dos soldados e começar a atacá-los com sua espada.
Para Naistin agora é necessário economizar magia. Pois quanto mais os soldados tentam derrubar seu escudo, mais magia ele precisa para mantê-lo. Usar de magia para ataques é um luxo que ele não pode mais fazer, deve se concentrar apenas no escudo, o máximo que puder. Naistin consegue lutar com todos os soldados, por um tempo. Mas devido a energia gasta para manter o escudo, sua idade e o esforço físico realizado, ele fica cada vez mais exausto. Vindo do meio da batalha, Zinteck aparece, segura o pulso de Naistin com sua mão mecânica, e o quebra, fazendo o velho mago largar a espada e se ajoelhar devido a dor.
Zinteck chuta para longe a espada de Naistin, ele solta o pulso do velho mago para que dois soldados segurem os braços de Naistin atrás das costas. Zinteck transforma o seu braço em uma espada, coloca a lamina próxima ao pescoço de Naistin e fala:
– Desfaça o escudo!
– Terá que me matar para isso! – responde Naistin olhando fixo e sério para Zinteck.
– Então diga onde está?
– Não falo!
– Onde está?! – Zinteck fala com a voz mais elevada.
Naistin cospe na máscara de Zinteck, ele limpa com a mão humana e fala:
– Que seja!
Com um movimento de seu braço, Zinteck move sua espada em direção a garganta de Naistin e a chuva começa a molhá-los.














