Murmúrios.
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Murmúrios.
Acho que nunca vou me encaixar em ninguém
não por eu ser peça única
e sim defeituosa.
- S.F
Ya ni siquiera trato de ocultar mis silencios.
Eternizado / Murmurios
eu deixei claro que queria que você ficasse,
mas não posso te obrigar. você pode ir se quiser.
murmúrios.
Já assistiu Death note? (estou viciada, quero que o mundo todo veja) kkk /contos
Não, nunca ouvi falar. Se trata de quê? Me diga, assim pode me instigar a assistir também u.u
Mandem uma pergunta interessante na ask + tagged, que vou reblogar e colocar no queue
Procure o caminho da paz, fazer o bem é se fazer feliz, sozinho é bom, melhor ainda é amar e ser amado.
Resenha - Sigmund Freud – Novas Conferências Introdutórias à Psicanálise: A Dissecção da Personalidade Psíquica
O texto trata de novos ideias, propostas por Freud e outros psicanalistas, na introdução da ciência da psicanálise. Esse texto em particular aborda novas observação encontrada ao se fazer um análise “cirúrgica” da personalidade psíquica, o termo cirúrgica está entre aspas pois o método de análise da personalidade psíquica foi realizado da mesma forma que um cirurgião faz uma análise de um corpo em uma mesa de cirurgia. Em resumo, psique humana foi dividida em partes e cada parte foi cuidadosamente analisada.
Na análise o ponto de partida foi o sintoma do Eu psíquico. Esse sintoma do Eu vem do reprimido, mas o reprimido para o Eu é algo distante, como uma terra estrangeira interior. O sintoma acabou levando ao inconsciente, à vida instintual e à sexualidade.
Desde o começo os psicanalistas sustentam que o ser humano adoece psiquicamente devido ao conflito entre o que a vida instintual exige e as resistências contra essas exigências. Ao se deparar com essa resistência contra as exigências da vida instintual, a análise do texto se voltou ao repressor, porém não foi fácil essa análise, isso é o que o texto aborda.
Para essa análise foi feito do próprio Eu um objeto de pesquisa, mesmo que o Eu seja considerado o sujeito por excelência ele pode se considerar objeto de estudo, pois o Eu pode tratar a si mesmo como outros objetos, pode observar-se, criticar-se. Nesse caso uma parte do Eu não se considera como algo perfeito, que mostra portanto que o Eu psíquico é divisível, ele se divide durante suas várias funções, pelo menos provisoriamente, podendo se unir novamente.
Essa parte do Eu que se divide, que é capaz de criticar e julgar o próprio Eu psíquico também foi analisada, podemos considerar como o que chamamos de nossa consciência. Essa consciência faz parte do Eu e uma de suas funções é a auto-obsevação, essa parte que se auto-observa o Eu, o regula, o crítica, o julga é chamado por Freud de Super-Eu.
Esse Super-Eu goza de certa autonomia, segue seus próprios objetivos e possui energia independente do Eu. Muitas vezes esse Super-Eu pode provocar algumas patologias, como a melancolia, onde o Super-Eu se torna rigoroso demais com o Eu, punindo-o, o acusando-o e o condenando-o por atos passados que não foram levados a sério. O Super-Eu aplica o mais rigoroso critério moral ao Eu, logo percebe-se que o sentimento de culpa é a expressão da tensão do Eu com o Super-Eu.
A análise do texto também estudaram os bebês, os bebê são notoriamente amorais, não tem inibições internas para seus impulsos que buscam prazer. Conforme os pais influenciam e governam seus comportamentos, podendo conceder provas de amor ou castiga-la lhe privando desse amor. Essas atitudes dos pais são internalizadas pela criança, gerando assim o Super-Eu, portanto é o herdeiro por direito do controle da instancia parental sobre o Eu.
O Super-Eu portanto surge dessa instancia parental, mas a instancia parental se transforma no Super-Eu através do processo de identificação. A identificação, segundo o texto, trata-se do assemelhamento de um Eu a outro, em que um primeiro Eu se comporta como o outro em determinados aspectos, imita-o, de certo modo o assimila. Além do processo de identificação, a formação do Super-Eu também está intimamente ligada ao Complexo de Édipo, quando o Complexo de Édipo se cessa, a criança renuncia o intenso investimento que fez nos pais, como compensação dessa perda de objetos as identificações com os pais, que existiam a muito no seu Eu, são bastante fortalecidas. Essas identificações, resultado de investimentos objetais abandonados, irão repetir-se na vida da criança.
Também o texto relata que observações mais aprofundadas mostram que o Super-Eu pode ser prejudicado na força e no desenvolvimento, quando o Complexo de Édipo não é inteiramente conseguido. Essas observações mais profundas também mostram que no curso do desenvolvimento, o Super-eu acolhe também influencias de pessoas que tomaram o lugar de pais, como educadores, mestres, modelos ideais. Em geral, distanciando-se crescentemente dos pais originais. Uma outra função que o texto atribui ao Super-Eu é ser detentor do modelo de ideal de Eu. É através do Super-Eu que o Eu se mede e busca se igualar, se empenhando em satisfazer essa busca por uma perfeição.
Outro ponto abordado pelo texto é o complexo de inferioridade, que mesmo na época de Freud, já se tornara um termo de conhecimento popular. Para Freud, o sentimento de inferioridade tem fortes raízes eróticas, tanto a criança quando o adulto sente-se inferiores quando não são amados. A parte principal do sentimento de inferioridade vem da relação do Eu com o Super-Eu, da mesma forma que o sentimento de culpa, o sentimento de inferioridade se deve da tensão entre o Eu e o Super-Eu, a diferença do sentimento de culpa e do sentimento de inferioridade, se deve a raiz erótica do sentimento de inferioridade.
É mostrando também no texto a exploração por Freud da distinção do Eu e do Super-Eu na psicologia de massas. Freud chegou a seguinte formula: uma massa psicológica é uma junção de indivíduos que introduziram a mesma pessoa em seu Super-Eu e, com base nesse elemento em comum, identificaram-se uns com os outros em seu Eu. Porém essa formula, como explica Freud, é só aplicada em massas que possuam um líder.
Freud também, segundo o texto, aplicou a relação das observações feitas do Eu e do Super-Eu durante o processo de análise, mais precisamente a respeito das resistências durante o processo de análise. Para Freud, a resistência pode apenas ser a expressão do Eu, que a seu tempo efetuou a repressão e agora que mantê-la. Essa repressão é obra do Super-Eu, que ele realiza ou encarrega do Eu de fazer. Se ocorre que a repressão não se torne consciente para o analisado, isto significa que partes do Super-Eu e o Eu trabalham também no inconsciente.
No texto, Freud também trabalha a questão do funcionamento do inconsciente e do consciente. Para Freud dizer que algo é inconsciente é dizer que é algo que está ativo, funcionando, fazendo algo, porém não sabemos que ele está ativo. O consciente é algo que sabemos que está ativo e está funcionando, mas não por muito tempo, tornando-se latente, mas podendo tornar-se consciente novamente.
Ao considerar essa dinâmica, Freud acaba identificando dois tipos de inconsciente: um que facilmente, em condições amiúdes produzida, transforma-se em consciente, e outro no qual esta mudança ocorre dificilmente, só com notável esforço, talvez nunca. Para evitar ambiguidades de qual inconsciente se referir, Freud chama o inconsciente latente de pré-consciente.
Com observação de suas pesquisas, Freud acaba encontrando um terceiro aparelho psíquico, um terceiro tipo de inconsciente, algo que energiza o Eu em relação ao aparelho psíquico. Parece esse terceiro tipo de inconsciente, que energiza, ele o batizou de Id. Desse modo Freud determina os três reinos psíquicos: Super-Eu, Eu e Id.
Segundo Freud, o Id é a parte mais obscura e inacessível de nossa personalidade. Freud descreve o Id como sendo um caldeirão cheio de excitação fervilhante. A partir do instinto o Id se enche de energia, contudo não possui uma organização, não possui uma vontade geral, apenas o esforço de satisfazer as necessidade do instinto observando o princípio do prazer. As leis do pensamento lógico não valem para os processos do Id, incluindo o princípio da contradição. Também não existe nada no Id comparável a negação.
Desejos que nunca foram além do Id, mas também impressões que pela repressão afundaram no Id, são virtualmente imortais, comportam-se, após décadas, como se tivessem acabado de surgir. Podem ser reconhecidos como passado, desvalorizados e privados de seu investimento de energia somente quando se tornam conscientes mediante a trabalho analítico, e é isso que se baseia, em medida nada pequena, o efeito terapêutico do tratamento analítico.
O Id não conhece juízos de valor, não conhece bem e mal, não conhece moral. Investimentos instituais que exigem descarga de energia, isso é tudo que há no Id. Para essa descarga de energia se locomover, Freud indica um outro atributo do Eu. Além do fato do Eu ser consciente, que possui uma ligação com o Super-Eu e pode também, junto com o Super-Eu, atuar no inconsciente. O Eu pode funcionar como um intermediário do mundo externo, através do sistema perceptivo-consciente.
Esse sistema perceptivo-consciente é voltado para o mundo externo, ele intermedia as percepções do Eu com mundo externo, e nele surge, durante seu funcionamento, o fenômeno da consciência. O sistema perceptivo-consciente é o órgão sensorial de todo o aparelho psíquico, receptivo ao ambiente externo e as excitações do interior da psique. De uma forma geral, o Eu funciona para o Id como uma forma de dizer ao Id como investir a sua energia, diz ao Id o que existe no mundo externo da psique para poder investir sua energia.
Pela expressão popular, poderíamos dizer que o Eu representa, na vida psíquica a razão e a prudência, e o Id, as paixões irrefreadas.
A partir desse ponto, Freud considera o Eu como uma parte do Id, uma parte modificada, adequadamente, pelo mundo exterior. Uma parte que tomou suas energias emprestadas do Id, uma das formas, apresentadas por Freud, de tomar essas energias é a identificação com objetos mantidos e abandonados.
Os investimentos objetais vêm das exigências instituais do Id em se satisfazer. O Eu tem o papel de registrá-las, em primeiro lugar. Mas, ao identificar-se com o objeto, ele se recomenda ao Id no lugar do objeto, procura guiar para si a libido do Id.
Segundo um dito popular: não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Para o Eu a coisa é mais severa, ele serve a três senhores severos, e o Eu está empenhado em harmonizar suas demandas e exigências. Essas demandas sempre divergem, parecem muitas vezes inconciliáveis, fazendo muitas vezes fracassar em cumpri-las. Esses três tirânicos senhores são o mundo externo, o Super-Eu e o Id. Desse modo, impelido pelo Id, constrangido pelo Super-Eu, rechaçado pela realidade, o Eu luta para levar a cabo sua tarefa econômica de estabelecer a harmonia entre as forças e influencias que atuam nele e sobre ele. Em caso de apuro o Eu acaba desenvolvendo angustia.
Quando o Eu é obrigado a admitir fraqueza, ele irrompe em angustia: angustia realista ante o mundo externo, angústia de consciência ante ao Super-Eu, angustia neurótica ante a força das paixões do Id. É compreensível por que tantas vezes as pessoas podem exclamar a expressão: “A vida não é fácil!”
Em nota final, Freud adverte que nessa distinção da personalidade em Eu, Super-Eu e Id não se deve imaginar fronteiras definidas. Não se pode definir as características da psique por linhas ou contornos, ela deve ser vista mais como áreas cromáticas que se fundem umas nas outras. Freud também aponta que muito provavelmente que o desenvolvimento dessas divisões seja diferente de pessoa para pessoa, e é possível também que podem mudar ao longo da vida. E ele admite que o esforço terapêutico da psicanálise é realmente em fortalecer o Eu, torna-lo mais independente do Super-Eu, ampliar seu âmbito de percepção e melhorar sua organização, de maneira que possa apropriar-se de novas parcelas do Id.
Freud, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização, Novas Conferências Introdutórias à Psicanálise e Outros Textos. São Paulo, Editora Companhia das Letras, 2010.
A certeza de que não dê certo, você já tem
Mas e se der certo?
A diferença estar em tentar ou não
Entre viver ou não
No final você que decide