Peguei aquilo que restava de você e rasguei. Picotei aquelas palavras que um dia já significaram tanto, seu primeiro presente destinado a mim, seu primeiro eu te amo escrito em tinta preta, o coração rabiscado no canto da folha e sua letra ilegível. Joguei no lixo todas as suas horas passando a limpo seu amor, reescrevendo com melhores palavras seus sentimentos e dedicando a mim seu melhor garrancho. Senti no fundo do meu peito um buraco que era coberto com aquela folha de caderno passar frio e escutei cada parte de mim implorar por misericórdia das minhas mãos que destruía o que restou de você. E sabe o que restou de mim? Digo-lhe com toda sinceridade, amargura. Porque as coisas legais viraram cinzas juntamente com as fotos rasgadas que logo foram queimadas me levando também. Deixei afastar tudo que lembrava você pra não mais consumir esse conteúdo que trouxe, me fazendo ser jogada no limbo de cada canto que passamos. E quando pude perceber era tarde, pois já estava na pior e não conseguia mais sair de lá. Não sei como descrever, mas achei que depois de tirar o que restou de você, bom, que as coisas ficariam mais leves, mas a verdade é que aquilo tudo só me mostrava que você existiu fora de mim, que fomos memórias e boas lembranças em algum momento e por mais louco que seja eu acabei me culpando por destruir isso também, mas para falar bem a verdade, foi você quem ateou fogo em tudo de bom que eu podia sentir por você, colocou combustível dia após dia e infelizmente houve uma explosão que separou nossas almas que um dia juraram uma a outra serem destinadas a se terem. Agora eu pude ver que você mesmo destruiu tudo que quis ser pra mim, você mesmo que quis esse fim. Fomos bons por um instante, por alguns momentos, mas nos perdemos no personagem, o amor entrou pelo ralo. É, não posso te jogar toda culpa, eu sei, mas foi pouco a pouco que você parou de regar o meu amor. Eu te dei cada pedacinho de mim e não me arrependendo não, cada arrepio na pele, cada beijo fora do tempo, casa sorriso sincero, vou lembrar sempre aqui, mas virou apenas um bom momento enfim.
Escrito por Alana, Nathane, Aline e Isadora M. em Julietário.













