Racismos
Quando a gente começa se perceber como pessoa negra muitas coisas ruins começam a surgir a nossa frente, tomar conhecimento sobre o racismo que existe na nossa sociedade não é fácil ainda mais em tempos de internet onde temos acesso a informação, onde aprendemos sobre o peso das palavras, onde compartilhamos as nossas sensações ao sermos vitimas dos olhares alheios e até mesmo ao nos dar conta dos racismos que vivemos no nosso dia a dia daquelas pessoas que consideramos como queridas e que até mesmo amamos.
Uma vez tentei explicar para uma pessoa que trabalhava comigo que ela deveria ter empatia para com pessoas que a acusassem de racismo, afinal para quem é pessoa negra é muito fácil identificar as estruturas da sociedade que nos oprime diariamente e que acaba com a nossa auto estima, por isso, por muitas vezes adotamos uma postura que para pessoas brancas muitas vezes pode parecer como raivosa ou até mesmo “preconceituosa”, enfim, não adiantou, então decidi compartilhar aqui algumas das situações que me incomodam e falar sobre o peso que as palavras tem quando tomamos conhecimento da estrutura opressora e racista em que vivemos atualmente.
Apesar de concordar que evoluímos em muitos aspectos me preocupa o fato de perceber que toda essa evolução e “aceitação” ocorre apenas nas bolhas e que para quem não faz parte da rede mundial de computadores as coisas parecem acontecer numa velocidade totalmente diferente de quem está envolvido nesse mundo conectado.
Uma das frases de hoje que ouvi e que me incomodou veio quando meu parceiro mandou que eu trouxesse um copo d’água para ele, eu estou trabalhando, ele está afastado por conta da sua depressão, eu estou constantemente envolvido pelas bolhas daqueles que normalmente são caracterizados pelos polarizados como esquerdista defensor dos direitos humanos e que acredita que talvez, em algum futuro possamos viver numa sociedade um pouco melhor enquanto meu marido compartilha noticias de grupos do wattsapp, fala que todo brasileiro tem a corrupção no seu DNA e profere uma série de opiniões com as quais eu não concordo.
Enfim, senti no seu tom de voz como se estivesse mandando que eu fosse buscar o seu copo d’água que mantemos na cabeceira da nossa cama e como disse anteriormente, eu, pessoa negra que busca estudar cada vez mais sobre o racismo me senti extremamente incomodado, fechei a cara, desci para o andar debaixo, fiz o que tinha de fazer, não peguei a água e em seguida ele desceu, eu perguntei se ele ia levar a água, ele pegou, eu terminei o que tinha de fazer, subi para o andar de cima e estou aqui escrevendo esse texto. Ainda inconformado. Puto da vida. E determinado a compartilhar esses pequenos racismos que nós pessoa negras sofremos no nosso dia-a-dia.
















