Thinker sabia que não era um santo. Em sua eterna batalha para manter a estabilidade do multiverso ele tinha cometido sua gama de pecados irremediáveis. Dos piores era consumir pessoas inocentes a cada novo problema que surgia em sua vigília sobre a Terra.
A primeira ser consumida: Eneida. Nunca se esqueceria daqueles enormes olhos azuis e das sardas espalhadas sobre o nariz... Nunca se esqueceria do imenso amor que ela sentia pela filha, Hestia. Era um amor tão imenso que transcendeu as barreiras do tempo, dormindo eternamente nos salões de memória de Thinker. Quando entrou em contato com Eneida, percebeu o poder que emanava dela: chamavam de histeria, mas na verdade era um poder grandioso de acomodar várias mentes em um único corpo. Claro, 1830 não era um bom momento para as mulheres e chamar de histeria realmente devia parecer uma boa ideia. Hestia herdara poderes da mãe, em um conjunto de possibilidade diverso; consumir e manter várias almas num único espaço – ela era a verdadeira porta para o submundo. Absorveu as duas e se arrependeu disso nos primeiros dez anos; depois superou, caminhou a diante (afinal, as duas estavam juntas para sempre no palácio de sua mente, abraçadas e vivendo o sonho delas).
Tudo ia muito bem até o corpo de Hestia começar a desfalecer. O poder era demais para ela? Thinker não sabia, mas o corpo estava se destruindo e ele precisava de um novo hospedeiro. Assim como um vírus, tomou o seguinte, sem pensar muito sobre isso. O nome dele, mal se recordava do nome... Era MacLein? Sim, era esse o nome dele. Um bravo Sir, disposto a cobrar as dívidas de Hestia. Ele absorveu o corpo e a mente desse homem e nele descobriu mais uma habilidade: projeção astral. Agora os três viviam dentro dele, cada qual em seu próprio mundo, cada qual em seu próprio sonho. Decidiu que levaria a mesma vida que Sir MacLein levava, um explorador! Conheceria o mundo e descobriu lugares inesperados... O continente das savanas e dos grandes animais o encantou sobremaneira; África - poderia viver lá para sempre. Poderia, futuro do pretérito. Já entendia que isso não duraria muito.
Adore Afrain foi um capricho. Thinker sabia que o corpo de MacLein duraria mais algumas décadas, mas ao perceber que Adore podia controlar a própria mente ao ponto de bloquear-se do mundo exterior, o desejo de possuí-la foi praticamente irracional. Ela lutou, como a brava amazona africana que era, mas ao absorvê-la, Thinker viu que suas habilidades mentais era imensas: ler mentes, bloquear ataques mentais, isolar-se da realidade externa. Era muito poder e Thinker sabia como usar.
O próximo corpo foi por mera comodidade. Thinker tinha se cansado das caçadas, precisava de algo mais desafiador para sua alma. Algo que pudesse fazê-lo ir aos limites de sua habilidade. Com Rochà Thinker conseguiu os passos que desejava: a habilidade de abrir portas para outros lugares e viajar entre os planos era o que ele precisava para retomar o poder que possuía antes de abandonar sua divindade e se fazer humano.
Graciete foi um achado em tempos de guerra. Chamavam de “Segunda Grande Guerra Mundial”, mas Thinker sabia que essa era apenas uma das milhares de guerras que os humanos faziam todos os dias. De fato, resolveu experimentar a real mortalidade lutando com as tropas americanas e, em seu leito de morte viu que ainda poderia ser muito melhor: Graciete possuía telesinesia e Thinker não podia escolher um corpo melhor do que aquele. Claro o fato de ter passado a maior parte de sua vida humana em um corpo feminino o atraía muito para esse tipo de casca; as mulheres tinham uma resistência enorme e duravam mais tempo na brevidade de suas vidas.
Valeri Moir foi escolhida por seus poderes, ilusionismo e choque mental, mas também por sua infinita astúcia. Era uma mulher divertida, uma ladra excepcional e completamente livre de todas as amarras da sociedade. Ao tocá-la e transferir toda sua essência para ela, Thinker foi obrigado a trancá-la bem no fundo de sua mente. Ela não era uma criatura fácil de domar, contudo, sua intensidade trazia momentos divertidos para Thinker. De todas as almas, Valeri era a única que se recusava a sonhar, sempre presa ao eterno loop de pesadelos que ela mesma escolheu.
Richard foi muito mais simples de ser atingido. Seu poder, inteligência infinita, fez com que Thinker se aproximasse e tornou a recíproca verdadeira. Dick passava muito tempo ouvindo as histórias de Thinker/Valeria, queria saber sempre mais, queria entender como o universo funcionava... Era tolo e fácil de ser apanhado. Thinker o apanhou e o levou da moça que nada esquecia, sem saber que o futuro guardava uma enorme surpresa.
A surpresa se chamava Julian, um grego metido a garanhão que provavelmente encantaria a moça que nada esquecia com apenas duas palavras. Julian foi a alma que mais se recusou, a alma que mais tempo lutou e que mais tempo manteve Thinker trancado sob a superfície. O poder de Julian era infinito, desde projetar energia mental, até criar construtos mentais capazes de cortar diamantes. Era capaz de alterar a matéria e a densidade da matéria, só porque sua mente era forte demais. Julian venceu a queda de braço por muito tempo, manteve as outras almas trancadas numa caixa pequena demais para os desejos de Thinker. Thinker queria mais e finalmente conseguiu apunhalar Julian, tomando o corpo e a alma para si. Todavia, essa vitória tinha sido dura, cruel... O sabor não era o mesmo que o das outras almas. Julian tinha o sabor amargo da derrota; ele mesmo se trancou num dos cantos do castelo mental de Thinker, como se estivesse se retirando para reaparecer em momento oportuno.
Outros inimigos apareceram e Thinker deixou Julian ficar onde ele queria. Tinha que derrotar Cult primeiro. Depois um dos cavaleiros do fim dos tempos apareceu. Tudo estava uma loucura... Qual era mesmo a tarefa dele nesse universo? Multiverso, é verdade. Milhares de universos convergindo em pontos dentro da malha infinita de possibilidades. Qual era sua tarefa? Claro. Manter a estabilidade desse universo em relação aos demais. Evitar que perigos grandiosos demais aplacassem essa terra.
Ao ver Cult e o homem de gelo soube que era por isso que estava ali. Ele devia acabar com as incongruências, devia fazer com que a ordem fosse retomada a qualquer custo. Talvez Thinker tivesse acordado cedo demais nesse tempo. Não sabia ao certo quando suas vontades tinham superado o seu dever, mas isso tinha acontecido em algum momento.
“Você não vai conseguir fazer isso sozinho.”
Thinker conhecia aquela voz, era Valeri. A ladra que tinha sido roubada e que não tinha desistido de retomar o que era seu por direito.
“Agora quer ajudar, Valeri?”
“Nunca, mas acho que você arranjou outro tão problemático quanto eu.” Ela apontou para Julian, que se aproximou de seu doppelganger e ajoelhou-se na frente dele.
“Se você está planejando fazer isso sozinho, não vai poder contar com os nossos poderes.” Julian ameaçou.
“Tenho vários outros poderes a minha disposição.”
“Algum deles altera a matéria? Algum deles faz com que todos se ajoelhem aos seus pés?” Valeri gargalhou. “Eu duvido muito. Você nos apanhou porque sabia que iria precisar de nós.”
“Qual é o porém?”
“O porém? O meu não é porém nenhum. Vencemos e você libera a minha alma. Me cansei de ficar trancada na sua casa de bonecas, Thinker.”
“Eu quero meu corpo e minha vida de volta.”
“Não posso atender o seu pedido, Julian.”
“Então nada feito.” Valeri bateu na mesa que tinha feito aparecer entre eles. “Porque você pode até pensar que eu sou egoísta, Thinker, mas não conhece nada da minha alma. E por Julian e fico trancada aqui para toda a eternidade.”
“Isso me surpreende.”
“A humanidade te surpreende?” Julian falou, pausadamente, com seu sotaque pesado. “Se nós podemos acreditar em deuses invisíveis e em mentiras improváveis, nós tudo podemos. Os verdadeiros deuses somos nós, os humanos. Nós surpreendemos, nós mudados. A evolução é isso, Thinker. Seus milênios não lhe ensinaram nada?”
“De fato. Ainda tenho muito a aprender.” Thinker riu, num tom seco. Esses humanos ainda estavam lutando. Nunca entenderia porque os humanos lutavam tanto, porque perseveravam tanto até o fim. “Eu aceito as suas condições, assinaremos um contrato de alma, vale mais do que qualquer outra coisa. É escrito como um x sobre o coração, uma vez cumpridos os termos, nada poderá evitar a reparação.”
“Justo.” Valeri fez um x sobre seu coração, ele brilhou em dourado. Julian fez o mesmo e Thinker o seguiu. Estavam acordados e dispostos a se unir ante um inimigo comum.
“Lembre-se de nós, Thinker. Somos seus maiores aliados, não faça com que nos tornemos seus piores inimigos.” Julian crispou.
Thinker reabriu os olhos para ver Neverbe o observando.
Neverbe estava bastante feliz em não ser invisível por um tempo. Não conseguia entender como Nadie tinha vivido tanto tempo entre as sombras. Claro que sua aparência não era das mais convencionais, com os olhos completamente negros, a pele escura e por ser completamente careca. De fato, a falta de sobrancelhas também poderia ser assustadora para alguns tipos de pessoas, mas... A verdade era que ela estava conseguindo se misturar à imensa multidão de pessoas diversas que passam apressadamente pelas ruas de São Francisco. Ela estava se misturando muito bem à situação.
Repentinamente Thinker brotou ao seu lado, aparecido do nada, com seus olhos azuis flamejantes. Ele sim era uma visão aterradora, mas aparentemente ninguém se dava conta da presença dele pelas ruas.
“Encontrou alguma coisa?” Neverbe perguntou, sem rodeios.
“Perdi a presença novamente.”
“Pensei que você era bem mais poderoso do que isso, Thinker.” Neverbe tripudiou.
“Meu poder tem várias limitações. Eu só tenho controle telepático de uma área de aproximadamente dez quilômetros. Meu controle de transmutação de espaço é reduzido de uma porta até outra porta, sem limites de área, desde que eu conheça o local. Nunca falei que meus poderes fossem ilimitados.”
“Você disse que era uma entidade.”
“Eu reencarno de tempos em tempos em hospedeiros suscetíveis, ou seja, em pessoas que tenham algum tipo de poder psíquico. Nunca disse que eu era uma entidade.”
Neverbe ponderou as palavras de Thinker. Era fato que Thinker não tinha entrado numa disputa direta com o cara do gelo e nem com Cult, o que comprovava que ele conhecia as limitações de seus poderes. Mas, o outro fato era que esse homem não era Julian e sim um espírito reencarnado no corpo de Julian (e sabe lá em quantos outros mais).
“Ao contrário de você, eu não tenho dúvidas quanto aos seus poderes, Neverbe.” Thinker interrompeu os pensamentos de Neverbe. “De fato, transmutação mental é um poder fascinante, ainda que seja limitado. Isso significa que no corpo certo você poderia ampliar a sua gama de poderes.”
Ela ficou em silêncio. Esse homem estava lhe dizendo que ela era poderosa – algo que ela não aceitava em si mesma. Neverbe não se achava poderosa, se achava uma fugitiva que pulava de corpo em corpo quando a situação ficava realmente ruim. Poder é conseguir enfrentar o perigo sem fugir; e fugir era justamente o verbo mais presente na vida de Neverbe. Ela fitou o rosto do homem, de canto de olho. Ela não tolerava que esse homem se diminuísse em relação a ela. Ela tinha visto Julian salvar aquela magrela de cabelo escuro. Ela tinha visto Julian e seu coração de ouro. Ela tinha visto Julian tentar proteger tudo e todos contra Cult... Daí a revelação a atingiu de forma brutal: esse homem não era Julian. Esse homem era Thinker. Todas as coisas incríveis que ela remetia a esse rosto eram façanhas de uma pessoa que não mais existia.
Julian estava morto, assim como Nadie estava morta. Assim como Shallwe estava devidamente enterrada em algum lugar do universo. Isso lhe trouxe bastante pesar. Julian era um homenzinho bobo, mas era um homenzinho com um coração bom (muito bom; bom até demais). Por um instante ela gostaria que seu poder fosse de voltar no tempo e corrigir algumas coisas. Ela nunca teria deixado Julian se aliar a Cult. Ela morreria nas mãos daquele monstro e Julian provavelmente estaria com a mulher magrela, sendo feliz em algum lugar bem longe dali. A imagem mental de um Julian feliz era o suficiente para partir o coração de Neverbe.
Ela sorriu para Thinker e não quis mais pensar nessas conjecturas. Tudo estava devidamente morto e enterrado, era melhor desse jeito.
Thinker entrou pelas portas de um hotel surrado e pegou uma chave como se fosse dono do lugar. Ele sempre fazia isso, afinal tinha seu controle mental absoluto, ainda que insistisse que fosse por uma área pretensamente pequena. Neverbe o seguiu e logo estavam se instalando em um quarto bastante amplo. Os meses de convivência com Thinker tinham ensinado a Neverbe que, assim como ela, ele não dormia no sentido humano da palavra. Ele repousava num transe silencioso por exatamente três horas a cada dia enquanto Neverbe aproveitava para assistir televisão, tomar banho, tentar se arrumar ou até mesmo para abusar de seus poderes de invisibilidade por aí.
Havia ainda um resquício de humanidade em Thinker. O corpo permanecia humano e por isso ela sempre trazia alguma comida para seu acompanhante de viagem. Ela se contentava em sugar a vida de alguns moribundos aqui e ali, mas ele ainda tinha o poder de aproveitar um prato de comida. Ela sentia que era como se ela estivesse cuidando de Julia. Ela queria acreditar que estava zelando pela vida de Julian, cuidando para que ele, a qualquer momento, despertasse desse transe e sorrisse para ela.
Agora ela estava observando enquanto Thinker estava sentado no meio da sala, na posição de Lótus, com uma expressão completamente branca. Ele estava dormindo. Neverbe esperava que os sonos de Thinker fossem cheios de sonhos com todos os “what ifs” que Julian merecia.
Repentinamente o homem começou a gritar e Neverbe esperava pelo pior. Ela correu até ele, deslizando no tapete posto no chão. Ao tocar o braço dele, ela se viu em outro lugar completamente diverso. Ela olhou para todos os lados e era uma imensidão negra, cheia de olhos por todos os cantos. Ela sentiu alguém se apertando contra ela. Era Thinker se segurando nela, como se sua vida dependesse disso. Ele virou o rosto para fitá-la e não eram os olhos impossíveis de Thinker ali; eram os olhos azuis de Julian em um silencioso pedido de socorro. Ela o abraçou com firmeza, como se quisesse protegê-lo com seu corpo e com sua alma.
“Shallwe.” Uma voz etérea passeou pelos ouvidos de Neverbe. Ela conhecia aquela voz, era a voz de Cult! “Soube que vocês estão me procurando. Que doçura.”
“Seu maníaco traiçoeiro filho de uma...”
“Não me elogie tanto.” A massa negra tremeluziu. Julian abraçou-se com mais firmeza à Neverbe.
“Thinker disse que você foi partido em mil pedaços. É um castigo bem pertinente para um merda como você.”
A risada maquiavélica de Cult encheu o lugar e Neverbe protegeu a frágil mente de Julian, como um escudo. Ela não deixaria esse monstro destruir o pouco que sobrara de bom nesse mundo!
“É um exagero. Eu fui repartido em dois pedaços, Shallwe.”
“Tanto faz.”
“Uma casca humana e isso.” A imensidão negra abriu os milhares de olhos e Neverbe sentiu o terror corroer-lhe as vísceras. Era uma visão horrível.
“Foda-se.” Neverbe começou a agitar Julian. “Vamos lá, seu grego safado. Acorde do transe. Sai dessa. Você é o grego mais safado e porra louca que eu conheço. Sai daqui, anda, vamos! Volta pra mim, Julian!”
Repentinamente os olhos de Julian reacenderam, como se Thinker despertasse. Ele fitou Neverbe e não sorriu. Levantou-se na imensidão negra e abriu os braços, como se estivesse dando de ombros.
“Eu não gosto de ter tirado a chance de Julian de ter uma vida normal, Cult.” Thinker proclamou. “Mas você consegue piorar tudo. Esse é o momento em que permito que Julian pense que ainda está vivo. A vida dele é resumida nesse sonho de três horas e você vem até aqui para tornar esse sonho um pesadelo? Isso é completamente inapropriado.”
“Thinker. Você não é nada diferente de mim.”
“Não sou mesmo.” Thinker coça a parte de trás da cabeça. “Assim como você, eu infecto uma pessoa, sou uma doença, eu destruo tudo o que eu toco.”
“Então, porque acha que pode me dar uma lição de moral?” Agora várias bocas apareceram, mostrando somente os dentes, enquanto riam desesperadamente.
“Simplesmente porque eu tenho um curto espaço de tempo aqui. Você, no entanto, é eterno. Isso torna você muito mais destrutivo do que eu.”
“Você admite sua fraqueza.”
“Eu admito minha humanidade.” E com isso Thinker estalou os dedos. A massa negra começou a se dissipar.
“Eu poderei voltar para atormentar Julian...”
“Não, você não vai. Vou trancar a minha mente.”
“Assim não poderá mais me procurar.”
“É melhor assim. Julian merece isso.” Thinker proferiu e dissipou a presença de Cult de uma única vez, revelando uma cena que mais parecia uma pintura impressionista. “Julian merece muito mais.”
Neverbe observou a cena. Era uma cena do campo, os ramos de ervas se agitavam com o vento, o céu era impossivelmente azul. As nuvens eram perfeitas como se desenhadas a mão por um artista bastante emotivo. Era uma cena bastante bela, muito diferente do mundo real.
“Neverbe. Desculpe. Esse é o mundo de Julian.” Thinker não se virou para ela.
“Por favor, liberte ele.”
“Eu não posso. Tenho coisas a resolver.”
“Por favor. Ele não merece ficar trancado aqui.”
“Você viu o poder de Cult.” Thinker ainda não se virava para ela. Falava para o alto, falava para o céu. “Ele irá destruir o mundo inteiro se ninguém puder detê-lo.”
“Ele está quebrado, ele está frágil.”
“Não é verdade, Neverbe. Ele permanece.”
“Julian.” Neverbe começou a chorar, lágrimas negras pintaram seu rosto de pele escura.
“Ele ainda tem esse mundo perfeito.” Thinker falou, como se ele mesmo não acreditasse em suas palavras. “É o que eu posso dar a ele, nesse momento.”
E com isso Neverbe acordou de seu transe e viu Thinker ainda sentado no meio do tapete. Ela fechou os olhos e sentiu as lágrimas percorrerem seu rosto. Ela abraçou o corpo de Julian e beijou o rosto dele.
“Eu prometo que você vai sair dessa, Julian. Eu prometo.” Ela murmurou, enterrando o rosto nos cabelos negros de Julian.
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