If you go far you know I'll be there || Niel & Jess || November, 1972.
Jessica tinha 12 anos e poucos amigos, era mestiça, grifinória e tinha um jeito e sotaque diferente. Um alvo perfeito. Indefesa quando colocada ao lado de alunos quatro anos mais velhos, era alguém por quem alguns sonserinos nutriam desafeto. Era batedora do time de Quadribol e tinha um físico um pouquinho maior para sua idade e sexo. Isso era devido aos seus hobbies envolverem trabalhos manuais e esforço físico, além de já ter uma estatura mais alta.
Não que isso fizesse diferença para garotos puristas perturbados do time adversário, é lógico.
Jess tinha o costume de andar pelo castelo sozinha; lendo, estudando ou mexendo com as pessoas. Suas companheiras de quarto eram todas suas amigas, mas se dividiam entre Molly e Alice, America e Teddy. Como eram cinco, uma sempre acabava sobrando, e essa era a Jessica, que não se importava com isso. Sabia que era por que a morena também andava e conversava com pessoas de outras casas ou dormitórios. Mesmo assim, em alguns momentos se via totalmente sozinha por aí, e não era a única que notava isso. Já havia sido incomodada por veteranos, o problema era que não tinha medo deles como desejavam. Desta vez eram duas garotas um tanto mais altas que Jess, a maior com o cabelo escuro como a cor de seu cavalo e outra tinha o cabelo da cor do estrume do mesmo. Foi apenas uma análise enquanto as duas se aproximavam e paravam ao seu lado com um sorriso falso, que não foi retribuído. “O que uma grifinória novata está fazendo sozinha por aí uma hora dessas?” Perguntou a de cabelo de estrume. Felizmente não fedia como um. “Quer nos ajudar com uma coisa, mocinha?” Depois de negar, a mais alta provovou-a, perguntando se havia sido selecionada para casa certa. “Ah, eu bem que sabia. Uma representação da coragem da casa vermelha e dourada” elas riam alto, assim como o tom de suas vozes.
Aquilo era demais. Quando caiu a ficha, já estava entrando na floresta probida. Elas disseram que era só pegar uma caixa que estava lá pelo meio e voltar, que esperariam ali na frente. “‘Tá com medo?” aquela frase repetitiva das veteranas ia diminuindo o volume conforme Jessica ia adentrando-se na floresta. Ela não estava com muito medo dos animais, menos das garotas. Tinha mesmo medo de ser pega andando por ali. Entretanto, sempre teve a vontade e curiosidade de entrar ali, só que não desse jeito. Estava de noite, portanto quanto mais entrava entre as árvores, mais difícil era de se enxergar. Rapidamente colocou a mão nos bolsos. A varinha, onde estava? Quando virou-se para trás, o sinal das garotas era o mesmo do que da caixinha que deveria estar procurando, inexistente. Era difícil de ver alguma coisa, e o medo de se perder naquele lugar era inevitável. — Oi?! — gritou, na espera que as veteranas lhe ouvisse. Como se fossem fazer alguma coisa para ajudá-la a sair dali.














