Tenho dores frequentes na garganta, pelo menos uma vez a cada trimestre, desde sempre. Nada muito severo, coisa que um chá de limão, mel e gengibre resolve.
Meu mapa astral, feito pelo Rafael Daher, afirma o que eu já sabia: tenho que cuidar da garganta, ela pode ser problemática por bastante tempo. Por causa da minha garganta, nunca fui boa cantora. Em janeiro, fiquei dez dias exatos com dor de garganta por ter vomitado horrores na passagem do ano. Minha garganta arranhou, inflamou, mas Nimesulida resolveu, também achava que resolveria agora.
Faz uma semana que comecei a trabalhar no stand de uma agência de modelos no mesmo shopping que eu já estava. Minha função é abordar pais com crianças e convidá-los a realizar um cadastro gratuito para conhecer a agência futuramente, caso algum produtor se interesse pelo perfil. Em suma, eu trabalho diretamente com a minha voz, numa coisa que gosto, é a minha cara, sem muita pressão - é um trabalho simples, que venho dominando muito bem, meu chefe me colocou para abordar em meu primeiro dia de treinamento, no terceiro bati a meta diária porque sou muito boa mesmo nisso, desculpa.
No último fim de semana, a dor de garganta veio. Na quarta-feira, no meio do expediente, já não conseguia falar. Na manhã seguinte, fui em um pronto-socorro. Me receitaram xaropes e comprimidos que venho tomando. Me aconselharam a ir na Santa Casa procurar a emergência do otorrino. Me dispensaram no trabalho, apesar de eu ter entregue apenas o atestado de comparecimento. Uma semana, não queria faltar.
Hoje fui na emergência do otorrino. O doutor Caio (que não é o menino Caio- aqui em São Paulo aparentemente Caio foi o Enzo dos anos 90) passou uma câmera pelo meu nariz que entrou na minha garganta (maior incômodo da minha vida) e me diagnosticou com disfonia: rouquidão, cordas vocais vermelhas e inchadas. Sete dias de repouso absoluto sem falar com ninguém.
Fui no serviço levar o atestado. Toco medo de ser dispensada, ainda estou na experiência. Sete dias de trabalho apenas, sete dias de tratamento com um anti-inflamatório que parece LSD com embalagem de camisinha (vide foto), sete dias de 20ml de soro fisiológico em cada narina, no mínimo quatro vezes ao dia - tentei há pouco a primeira dose e vi que não vou aguentar - o soro entra no meu nariz e sai pela boca, eu tô engolindo soro, o que me lembra o traumatizante exame. Se eu não melhorar, se eu sentir febre ou que não consigo respirar com a boca - tenho que voltar ao hospital imediatamente.
Enfim, o silêncio também é conversa.