O Mausoléu Etéreo Da Rainha
A amena temperatura
acolhe os perdidos
e intensifica os de bravura.
Convictos de encontrar
boas viradas de doses pela noite,
ou boas bocas para beijar.
Aquele cheiro de cinza
no ar, aquela brasa comum.
Braços de qualquer um,
praguejador e raivoso; ranzinza.
O que antecede a luxúria
noturna sempre são fumos
dum maço feito em penúria.
Meu olhar vagalumeia
pelas vidraças escuras
sem discernir figuras;
mente torpe e cheia.
A Expressão estava posta:
não controlaria meu Eu
— estava preso no breu
Sob essa condição imposta.
Não estava mais sob meu controle pleno;
você sabia disso, pois era causa primária
dos vaga-lumes pairarem no terreno.
Ó Doçura, ia ao seu convite
— com olhos de volúpia, donzela,
com certeza pularia em sua janela —;
ia ao seu lascivo apetite.
Já me chamava,
me acolhera mais cedo.
Você me esperava.
O voo não era mais distante:
aguardara isso a anos-luz,
pois isso era o norte que conduz:
não ter mais nada obstante.
Fiz uma rotina bem intensiva,
aceitei algumas dores
para ter você como definitiva.
Faria eu grandes poemas a ti,
uma nova Ilíada talvez.
E afirmo, de vez,
que você vai estar aqui.
Seus lábios eram libidinosos.
Engana-se quem pensa apenas ao carnal.
Eram belos enigmas; saborosos.
Cada esquiva rápida e certeira
dessas pequenas orbes oblíquas
dilacerando de dianteira.
Quem dera eu ter você.
Seria o homem mais sortudo,
pois iria amá-la a la vontê.
Terá que desenterrar da profundeza,
pois você está presa e acorrentada
em minha mente. A guardo com firmeza.