O único motivo de estar na vila dos elfos sozinha era porque queria as imitações dos soldados quebra-nozes originais para adicionar ao cenário do espetáculo do dia vinte e três; e ela sabia que os encontraria ali. Tinha visitado o lugar uma única vez, junto de Lorelai e à contragosto; mas foi durante o passeio comercial das duas que a Morrison avistou o boneco de esculpido exatamente como o clássico; quase como se tivesse, de fato, feito parte da história há muito tempo atrás. Quando tentou comprá-lo naquela tarde, porém, não conseguiu. Assim que entrou na loja, o quebra-nozes desapareceu, e questionando o elfo atrás do balcão, o maldito ajudante do Papai Noel disse nunca ter visto ‘tal peça’ em seu estoque. Engraçadinho demais para o gosto da Morrison, que retornava agora para tirar satisfação. Sairia dali com aquele quebra-nozes nem que fosse à força. “Are you kidding me?” Praguejou quando atravessou uma das ruelas salpicadas de neve e se deparou com o estabelecimento fechado. Uma única mensagem podia ser lida no vidro escuro, brilhando em letras douradas, cursivas e pequenas; muito provavelmente legível apenas para Odila: “se quer tanto o quebra-nozes, terá que procurá-lo com o coração. Não vendemos para pessoas na lista dos bagunceiros!”. Ela quis chutar a vitrine, mas machucaria o pé. “Filho da mãe.” Murmurou junto de um grunhido, e foi só quando girou nas botinhas de salto que encontrou a garota familiar parada atrás de si. Tinham conversado uma vez, no baile de Halloween, mas Agatha não perguntara o nome dela. “Você de novo.” Disse, pouco humorada, vez que a irritação dela era perceptível. “Por acaso quem é o dono dessa porcaria?”