quando rothbart foi derrotado pela princesa odette e seus cúmplices, incluindo o príncipe derek e os amaldiçoados de swan lake, odila ficou completamente sozinha no mundo: já tinha perdido a mãe, um noivo, e agora rothbart. ela, então, jurou vingança pelo que eles fizeram com o pai dela, pelo que todos aqueles que viraram as costas para rothbart fizeram. se ela deveria ser a cisne negro, assim seria. jurou que enganaria cada um deles, liberaria o seu pai da maldição do lago e os faria pagar. um por um.
♫ 𓂃 currently playing ... mad woman - taylor swift.
♡ 𓂃 𝒂𝒈𝒂𝒕𝒉𝒂.
atualmente proprietária da matres academy e professora de balé. criada em um convento e tendo mostrado desde cedo a aptidão para o balé, agatha acreditava que poderia atingir a perfeição algum dia. por um tempo, ela até se sentiu assim: no topo do mundo, como prima-bailarina de uma das companhias de balé mais famosas da europa, sendo descrita por críticos como "perfeita”. no balé, agatha morrison era sensacional, mas as coisas não eram assim fora dele. colocava muita pressão em si mesma, era completamente obcecada em atingir o próprio conceito de perfeição e, quando se deu por conta, precisou parar. no auge de sua carreira, antes que perdesse a cabeça, ela sumiu de cena e decidiu, enfim, viver, uma vez que passara toda a infância presa às regras de um convento, a adolescência e o início da vida adulta presa ao balé. acabou voltando para storybrooke depois de se casar, mas nem o casamento durou tanto assim, porque odila despertou dentro de agatha e percebeu que a vida dela naquele mundo era uma mentira. para executar bem os seus planos, porém, ela finge estar desacordada e age com muita falsidade. mais precisamente, ela finge ser a cisne branco... perfeita.
Vincent não era bom com palavras: mesmo antes do irmão morrer, o Frankenstein podia ser um homem silencioso e que se fechava em seu próprio mundo. E esse cenário não mudava quando estava em meio de uma discussão, ou irritado de alguma forma — quantas vezes Odila teve que simplesmente adivinhar que Victor não estava em seu melhor humor? A diferença na última vez que estiveram em Nutcracker era que o Frankenstein não teve muito tempo e teve que se explicar do melhor jeito que conseguiu, e foi praticamente uma tortura colocar tudo pra fora antes de voltarem para o teatro e o fingimento de que eram os dois desacordados pela maldição. Agora… Vincent queria falar, mas as palavras não eram dele. Nem de Victor, por mais que as palavras duras que Agatha jogava em sua direção tivessem certa semelhança com o passado. “Eu gosto de você também, Agatha.” As palavras ainda não eram dele, até porque o que sentia era mais forte que um simples gostar, só que o médico não admitiria assim tão fácil por mais que não fosse uma mentira total. As próximas falas daquele roteiro mágico também soavam como algo verdadeiro: “Eu não tenho muito a oferecer como prova, mas se você acredita nessa conexão que tivemos… você vai ter que acreditar em mim quando digo que não vou a lugar algum.” Vincent ainda estava na fase de assistir filmes antigos desde que tomou gosto pela arte cinematográfica, mas até ele conhecia aqueles cenários clichês com frases prontas, a tempestade e muitos ângulos bonitos e dramáticos para a câmera. A próxima fala dela o pegou de surpresa. Do que ela estava falando?? A guerra dos vampiros? Vincent não iria participar de nada disso, a não ser que precisasse fazer mais monstros para… Não. Não era isso que Agatha estava se referindo! A guerra imaginária, no entanto, ainda fazia sentido naquele cenário; Vincent quis bufar em frustração, mas isso também não estava no roteiro. “Nós vamos dar um jeito… nós sempre damos.” Foi o que saiu, observando a aproximação dela. Vincent estava um pouco mais vestido do que ela, além de estar acostumado com o frio quando trabalhava por horas no necrotério, e até queria emprestar seu sobretudo para livrá-la do vento gélido que batia na pele da mulher, mas estava encharcado. Sabia o que a narrativa pedia: um beijo intenso debaixo da chuva e o homem até considerou aproveitar-se da cena para deixar as coisas em um clima menos pesado entre eles, do jeito que estavam minutos atrás no encontro do barco. O homem escolheu não fazer isso. Queria ir embora tanto quanto ela porque nada daquilo estava acontecendo do jeito que queriam — estava cansado da magia se colocando no meio, e certamente estava cansado de não ter controle sobre seus atos.
Nem mesmo seu carro estar simplesmente os aguardando fazia sentido, já que Vincent o deixou na área de estacionamento próxima. Só que era como se a maldição daquele dia específico estivesse gritando para que os clichês acontecessem; se não fossem se beijar na chuva, poderiam se beijar no carro para uma reconciliação. Não tinha como fugir, então por isso Vincent ia escolher o seu próprio clichê agora, só pela birra silenciosa que ele criou contra a magia na sua mente. Aproximou-se da Morrison, levando a mão até a base das costas da mulher para guiá-la até o carro, abrindo a porta do veículo para ela entrar primeiro e se aconchegar no banco do passageiro. Vincent deu a volta, ficando um pouco nervoso ao se colocar atrás do veículo para dirigir em uma tarde chuvosa, mas conseguiu deixar certas memórias criadas pela maldição de lado e tomar o caminho até sua casa. Resolveu ficar em silêncio pela estrada, incerto do que deveria dizer para Agatha por alguns instantes. “Sabe… eu escrevi pra você.” Por algum motivo, aquela preocupação foi o que cortou parcialmente o transe em que estavam e agora era Victor que estava falando… saindo do roteiro como um ator improvisando suas falas. Estava saindo da atuação; mas ainda condizia com a sua verdade. “Quando eu fui embora. Escrevi pra você todos os dias.” Admitiu, focando-se na estrada que, felizmente, era curta até a sua casa, só que naqueles poucos minutos que se passaram… Vincent não quis ter que encarar Agatha e admitir que nunca sequer criou coragem para mandar aquelas cartas, agora esquecidas em algum lugar de um outro mundo. Não se deu o trabalho de entrar no estacionamento, deixando o carro parado na frente da sua casa… percebendo agora que Agatha nunca havia entrado na propriedade. Talvez estivesse ignorando todos os clichês colocados em sua frente porque queria a mulher ali. Queria que ela conhecesse mais uma parte dele, mesmo que fosse apenas uma casa… ainda era algo seu, que ele escolheu como seria. Algo que no passado ele quis ter; com ela.
Saiu do carro ainda sentindo palavras entaladas em seu peito, ignorando a chuva que persistia em cair forte em Storybrooke quando deu a volta para abrir a porta dela novamente. Ao estender a mão para ajudá-la a sair, percebeu que suas habilidades como motorista estavam se mostrando fracas de novo, já que havia parado próximo ao gramado que agora estava cheio de lama. Não conseguiu deixar de colocar um sorriso no rosto, mordendo o lábio inferior para escondê-lo. “Acho que estacionei mal demais para seus sapatos.” Admitiu, mas não esperou que Agatha falasse algo, inclinando-se na altura do banco da mulher, levando um dos braços de volta à base das costas alheias, e o outro para debaixo de suas pernas atrás dos joelhos, incentivando-a a colocar os braços em volta de seus ombros porque estava se levantando. Poderia escolher seu próprio clichê agora, certo? E carregá-la em seus braços no estilo noiva era fácil quando já fizera isso antes de tudo e, ainda assim, era como se fosse a primeira vez. A parte mais difícil tinha que ser abrir a porta de casa, mas um impulso com o lado do corpo foi o suficiente para mostrar que se encontrava magicamente aberta. Dessa vez ele não iria reclamar, levando Agatha até o seu sofá para deitá-la em meio às almofadas; seu objetivo seria deixá-la ali com os cobertores antes de arrumar algo mais quente, mas quando foi ajeitá-la no móvel, ele mesmo acabou escorregando um pouco na beirada do sofá, sentindo o corpo um pouco leve demais — provavelmente pelo álcool que tomaram mais cedo. “Desculpe.” Ele riu de si mesmo, agora ajeitando-se ao lado dela no assento para tirar o casaco totalmente encharcado. “A gente devia arranjar um jeito de se aquecer…” Por mais que tivesse um certo tom de provocação em seus lábios, Vincent ainda estava preocupado com ela… mas não poderia deixar de voltar o olhar pra ela, procurando por qualquer tipo de dúvida nas íris acastanhadas de Agatha. Sabia que a mulher tinha muito o que dizer para Vincent, ou para Victor, e muitas vezes ela tinha razão; só que o médico ainda queria deixar tudo isso de lado pelo menos por aquela noite… ou outras noites que poderiam estar por vir. Estavam adiando as próprias responsabilidades; e Vincent era bem conhecido por fazer exatamente isso até que tudo explodisse na sua cara. Nesse caso, Agatha sendo uma mulher casada e que certamente tinha ciência de que Vincent a machucou no passado era o que o assombraria mais tarde, mas agora… Levou a mão até a dela, deixando um beijo em seu torso antes de puxá-la para perto de si, como se quisesse a aquecer em seu peito. “Com toalhas e uma bebida quente, é claro.” Ele completou sua frase de antes com um novo sorriso no rosto, contemplando o modo que Agatha estava linda, apesar da bagunça que a chuva fez com ambos. Não precisava de magia de romance pra ele saber que a amava e queria a amar mais do que pôde demonstrar antes de tudo desmoronar entre eles.
A confissão de que ele ‘gostava’ dela também não veio como uma surpresa. Ficara claro, no Natal, que por maior que fosse a mágoa dela, a sua raiva por Frankenstein tê-la deixado, e por maior que fosse o comprometimento dele com o seu trabalho, eles não haviam superado um ao outro ou o que acontecera entre eles na Floresta Encantada. Inclusive, se aquela fosse uma briga verídica, Odila poderia até rir na cara de Victor por ouvi-lo falar que não ia a lugar algum por conta da tal conexão, e cuspir alguns desaforos. O amor que sentia por ele não fora o suficiente para segurá-lo no passado, fora? Por que seria diferente naquele mundo? Por sorte, não tinha total controle de suas palavras, tampouco de suas ações, e estava cansada demais daquele roteiro mágico e tosco para que desejasse comprar uma briga de verdade com o homem. Aceitou a resposta dele de que dariam um jeito, e certamente um grande beijo na chuva teria fechado o ato cinematográfico se o vento frio não tivesse tirado a bailarina do entorpecimento causado pelo feitiço, e ela não tivesse expressado a Vincent o seu desejo de ir embora dali — mas não sozinha, é claro. Com ele. Deixou que o médico a guiasse até o carro, a mão dele na base de suas costas trazendo a segurança que Odila não sabia que precisava. Normalmente, seria ela a procurar na calmaria uma forma de induzir o conflito, ou insistir em maneiras de machucá-lo tanto quanto ele a machucara... Agora, porém, o que realmente queria era ignorar o passado e passar o resto daquele dia ao lado dele. Sem discussões dramáticas que eles não poderiam resolver, roteirizadas ou não. Sem chuvas intensas. E sem frases tiradas de um livro do Nicholas Sparks ou de um filme da Hallmark.
Um sorriso brincou nos lábios acerejados dela quando a porta do automóvel foi aberta para si. “Ever the gentleman.” Provocou-o gentilmente antes de se acomodar no assento do carona, sentindo-se melhor agora que se encontrava em um ambiente mais aquecido que o exterior tempestuoso. Os minutos que se seguiram em silêncio pela estrada não foram desconfortáveis, era quase impossível ficar desconfortável perto de alguém que um dia fora a sua família, e Agatha estava com a cabeça encostada contra o vidro da janela, assistindo-o dirigir, ao ouvir a confissão. Tentou não parecer tão afetada. Era provável que Vincent ainda estivesse sob o efeito da magia, reproduzindo as frases de Diário de Uma Paixão porque quem quer que estivesse controlando tudo aquilo acertara em cheio ao enfiá-los naquele cenário. Não podia dar a resposta que queria, então assentiu em silêncio e desviou os olhos para o trajeto à frente deles, agradecendo por Frankenstein não ser capaz de sentir o quão rápido o coração dela batia dentro do peito, e por eles logo terem estacionado frente à casa do homem. As irises castanhas esquadrinharam a propriedade, imaginando o quão Victor as coisas deveriam ser no interior, e chegou a estender a mão até a trava da porta antes de ser cortada. Riu baixo, em leve descrença, pela justificativa dada por ele antes de fazer menção de carregá-la até a entrada da casa. Agatha não relutou, porém, envolvendo os braços ao redor do pescoço dele. Se fosse honesta, não sabia mais o que era real e o que fazia parte daquela loucura de clichês românticos que os perseguiram no decorrer do dia. “Caso não tenha percebida, Charming...” Ele entenderia a origem do apelidinho. Odila costumava zombar dos príncipes no passado. “Já sou grandinha o suficiente para abrir portas e enfrentar um pouco de lama.” O fantasma do riso anterior tomando a forma de um sorrisinho em seu rosto. Apesar das palavras zombeteiras, ela não estava reclamando.
tw: smut-ish
Teria prestado atenção no ambiente, quiçá buscado ver melhor a casa dele, se Vincent não tivesse a colocado deitada no sofá e a tirado do eixo completamente. Desequilibrou-se de um jeito que Odila achou adorável ao ponto de estender um sorriso apaixonado e divertido, e depois começou a tirar o casaco e falar sobre se aquecerem. A mente dela foi de oito à oitenta, porque, bem, ela tinha bebido vinho e ele não estava colaborando para que o olhar da morena não fosse desviado para as vestes molhadas dele. Conhecia-o bem o suficiente para saber que não houve inocência na sugestão, pelo menos não se tratando dos dois. “Consigo pensar em um jeito.” Levantou o indicador, sinalizando o ‘um’ junto do beicinho posto nos lábios (algo que ela não faria normalmente), e acabou sendo puxada em direção ao peito dele, recebendo o beijo no dorso de sua mão. “Com toalhas e uma bebida quente.” Repetiu, debochada, revirando os olhos. “Claro. Bem o que pensei.” Ela se distanciou do toque apenas para que pudesse trocar a posição para uma que ficasse favorável para si. Trespassou uma das pernas sobre o colo de Vincent e se acomodou confortavelmente ali, encaixando o corpo no dele. A canhota foi ao encontro da nuca alheia, e Agatha guiou a boca dele até a sua em um beijo superficial: rápido e suave. Os lábios de Vincent ainda tinham o gosto do álcool que beberam juntos no barco, coincidentemente o favorito da Morrison. “Mas antes de você ir atrás das toalhas e da bebida quente, acho que eu deveria tirar esse vestido molhado.” Falou perto da boca dele antes de se afastar por completo, mantendo uma expressão séria no rosto quando, na realidade, queria rir, porque se sentia igualzinha à sua versão jovem; que havia encontrado o amor verdadeiro nos toques e beijos de Victor; que adorava provocá-lo nos bailes e atrapalhar o trabalho dele fazendo-o ficar louco por ela, e tudo isso há uma vida atrás.
A outra mão buscou o fecho do vestido, e ela o deslizou sem muita pressa, mantendo os olhos fixos nos de Frankenstein enquanto a peça se soltava, caindo pelos braços dela e revelando que não havia nada por baixo do tecido que antes cobria o seu peito. “O que você disse antes, sobre as cartas...” Agora que se encontravam vulneráveis, sentia que poderia enfim adicionar à narrativa iniciada por ele no carro e respondê-lo. Se eram vítimas de um feitiço e os dois tinham consciência disso, então seria fácil continuar com o teatro no dia seguinte como se o despertar momentâneo tivesse relação com a magia da cidade e não com o fato de estarem acordados. Tornavam-se ótimos atores, saindo dos personagens quando era conveniente para um ou para o outro, mas nunca se esquecendo de seus papeis. “Não era só parte do roteiro, era?” Não precisamos fingir, foi o que quis dizer em seguida, porém, não foi necessário. Ela o beijou de novo, dessa vez com mais urgência, e soube que o pedido ficaria implícito no gesto. “Eu usei o anel todos os dias. Ainda o tenho.” Afastou a mão que estava na nuca dele e encontrou os botões da camisa que ele vestia, desabotoando-os um por um enquanto sentia o desejo se alastrar pelo corpo, fazendo-a ansiar por mais. Agatha não queria ter pressa, não quando existia um prazo de validade para todos os momentos que tinham juntos, mas ela ardia por ele. “Eu realmente senti falta disso. De você.”
this is a starter for @odila and the random song is earned it - the weenknd
“Você sabe que você é sempre minha companhia favorita para fazer qualquer coisa. Mesmo quando você tá ocupada demais, e liga sem eu estar esperando. É uma sensação boa, você sabe. Mas os gelos que eu te dou as vezes depois dos vácuos que eu levo? Você merece, Agatha, nem vem” ele brincou com ela, com um sorrisinho de lado. Se endireitou na cadeira diante da mesa que estava dividindo com ela. Era raro levar pessoas para a própria casa - por ser velha, mal cuidadada, mas principalmente pelo medo de seu pai aparecer. Mas Agatha sabia disso tudo, sabia de toda a sua realidade. “Quer mais vinho?” perguntou enquanto servia a si mesmo na taça de cristal. Devia ter apenas umas três, que restaram da antiga coleção de louças dos pais - na época em que as cosias eram boas. “Quer que eu te conte sobre como estão as coisas na loja? Porque a reforma está andando bem rápido. E logo mais… ah, eu realmente espero que logo mais eu consiga ter algum retorno. Ainda não sei como esses presentes foram dados. Pierre estava generoso assim? Como ele estava sabendo do que eu precisava?”
Embora ao despertar, Odila tivesse afastado quase todos de sua vida de memórias falsas e se fechado para novas pessoas por sentir que precisava focar em suas vinganças sem distrações, ela quis continuar a cultivar a amizade com Nathaniel como se nada tivesse mudado — talvez pelo Duke ser o único que realmente significara algo para ela, no passado como Agatha, pelo menos. Agora, mantinha contato frequente com ele, e não recusava um convite para visitá-lo mesmo que sentisse que deveria estar envolvida em coisas mais importantes do que beber vinho com um velho amigo. Bem, não era como se ela estivesse nos eixos, no fim das contas. Na verdade, encontrava-se no meio de uma bagunça, fosse em relação às vinganças e até com o balé. Precisava andar na linha de novo, reassumir o controle, mas não faria isso agora. “Eu posso te dar vácuos, Duke. Você não. Nossa amizade não vai ser a mesma se você ignorar as minhas próximas ligações, tá avisado.” Repuxou os cantos da boca num sorrisinho provocativo, assistindo enquanto Nate se acomodava na cadeira diante à mesa que dividia com ela. Com a oferta de mais vinho, Agatha estendeu a própria taça na direção dele, aceitando a bebida. “Não acredito que Pierre tenha sido generoso alguma vez na vida dele.” O riso que escapou dos lábios foi amargurado, porque Rumpelstiltskin era uma das pessoas que Odila adoraria ver decapitado em uma estaca. “Alguém estava por trás de tudo aquilo. Talvez a vice, ela parece mais envolvida com o público do que o Daggers.” Deu de ombros, embora ela não confiasse tanto assim em Zoroastra por ter conhecimento de que a mulher era Carmilla. Ela não confiava em vampiros simplesmente por não conhecer nada deles, ou de Tenebris, o lugar que tirara Victor de si. “Mas estou feliz pela loja. E por você. Me convide para vê-la na semana que vem, quem sabe já não começamos a planejar um evento de inauguração.” Agora estava sendo genuína ao sorrir para ele junto de uma piscadinha. Não demorou, porém, para que a expressão de Agatha mudasse, e ela assumisse uma postura mais séria. Aquele era o momento em que a bailarina poderia, enfim, confessar a ele o que vinha acontecendo na vida dela. Não sabia como Nate reagiria a tudo, então hesitou um pouco antes de continuar: “Eu me meti numa furada. Tem uma coisa rolando com um ex meu. Não o meu ex marido, fica tranquilo.” Especificou, uma vez que ele conhecia o seu casamento verdadeiro, assim como sabia dos planos da Morrison de se reaproximar para continuar arrancando dinheiro do homem (era essa a desculpa que usava para a vingança que tinha planejada para ele). Sem julgamentos entre os dois. “Só... Tem algo. E acho que sou eu quem vai precisar de ajuda para mentir dessa vez.”
“é, isso mesmo.” deu de ombros, indiferente quanto a nomenclatura utilizada. ainda não fazia a menor ideia do que aquilo significava. um nome não lhe diria nada mesmo. “aqui diz que pra você descobrir isso você precisa fazer um cadastro nesse site com sua data e hora de nascimento. você sabe a hora que nasceu?” entregou o aparelho para agatha, preferindo não insistir no assunto, mesmo que ela não considerasse a garota tão velha quanto ela fazia parecer. “você sabe a lua e o ascendente do seu namorado? acho que você vai precisar disso também pra fazer o teste de compatibilidade.” informou, agora um pouco mais curiosa a respeito. talvez porque o relacionamento em pauta não era o seu. “ainda bem que eu não faço ideia de qual é o signo da allie, ia odiar a astrologia se descobrisse que somos incompatíveis.”
Ela pegou o celular das mãos de Alaska delicadamente e torceu os lábios para a pergunta da mais nova, como se pensasse. Seu pai sempre contava que Odila tinha nascido quando a lua estava tão alta no céu que refletia perfeitamente no lago de Allarch, mas como Agatha, ela tinha sido abandonada na porta de um convento. Não deveria saber isso. "Não, mas vou colocar meia-noite. Espero que não faça tanta diferença assim.” Deu de ombros de leve, digitando o aniversário e a hora. “Você sabe a sua?” Perguntou por curiosidade enquanto o site carregava o seu mapa astral. “Sei o aniversário dele, só isso. Vou ficar parecendo muito maluca se eu consultar o mapa astral dele colocando meia noite no horário também?” Respondeu automaticamente, e só depois percebeu que a morena havia usado o termo namorado. Até então, a Morrison não tinha contado a verdade sobre Vincent para ninguém, e por algum motivo, ao levantar os olhos para fitar os castanhos alheios, sentiu vontade de compartilhar um pouco da história. Existia uma primeira vez para tudo, afinal. "Ele não é meu namorado, aliás. Ele é... um ex. Um ex antigo, que voltou para a minha vida recentemente depois de muitos anos afastado.” Décadas. Ela suspirou: “Eu pensava que tinha superado o que aconteceu entre nós dois, mas como pode ver, estou de volta à estaca zero: testando a nossa compatibilidade astrológica e com o mínimo de esperança de que possa dar certo dessa vez.” Algo que ela recusava admitir até para si mesma, se fosse honesta. Voltou a atenção para a tela do celular antes que chateasse Alaska com o assunto deprimente, e enviesou os lábios ao escutar a menção da namorada dela. Supunha que a menina fosse a mesma com quem tinha encontrado no outro dia, e apesar de Odila não ser muito chegada em pessoas num geral, havia gostado dela, assim como gostava da sua companhia atual. “Acho que encontrei com a Allie no outro dia. Nós fomos atrás de um casal de velhinhos para descobrir se ainda estavam vivos. Longa história.” Riu baixo antes de devolver o aparelho para a outra. “E o site disse que o meu ascendente é virgem e a lua é libra. Não faço ideia do que isso quer dizer sobre mim, mas vamos descobrir o seu. Depois a gente testa a minha compatibilidade com o meu ex e lê sobre ascendentes em virgem e luas em libra.”
a explicação do que se tratava foi o suficiente para convencer evans de continuar ali e escutar tudo o que foi descoberto através da carta. sentou no banco, ao lado da outra, aguardando com certa ansiedade pelo restante da história. a primeira parte causou uma sensação estranha em allie, como se ela pudesse compreender até demais a sensação de um amor proibido, mas isso nunca aconteceu consigo. com a complementação, foi conseguindo ignorar tal sensação e focar na história do casal. “ah…” fuga e abandonada. por que isso soou tão difícil para si? era uma situação mesmo complicada, triste, mas não ao ponto de sentir os olhos marejarem; e pior, um mau pressentimento. “ele… ele não estaria enganando ela, né?” o receio em sua voz era enorme, mas logo foi contornado por… nada? como magia, ela se sentiu neutra de novo, e envolvida na história. “nós podemos ver no asilo da cidade… deve ter alguma informação por lá. se eles já forem velhos… talvez no hospital também tenha informações. não sei, eles devem ser velhos, no mínimo já fizeram alguns exames, se estiverem por aqui, né?”
O receio no tom de voz da sua companhia não passou despercebido por Agatha, que sentia que o conteúdo da carta, e os questionamentos deixados por ela, eram próximos até demais do que ela vivera na Floresta Encantada enquanto Odila. Perguntava-se se aquela menina sentia o mesmo, se a história a impactara de forma pessoal, mas não tinha como saber. Não passavam de desconhecidas ― e aquela interação carregada de vulnerabilidade já ultrapassava os limites que a Morrison, sempre tão fechada, impunha para si mesma. "Não sei, prefiro acreditar que não. Que algo aconteceu naquele dia e ele não pode ir atrás dela. É um final melhor para história do que só descobrir que ele escolheu não encontrá-la naquela noite.” Curvou os lábios num sorriso melancólico, desviando os olhos da carta para a garota ao seu lado enquanto ela falava. “Hm, não tinha pensado no hospital. É perfeito e fica perto daqui. Se não acharmos nada lá, tentamos o asilo.” Levantou-se, ajeitando a alça da bolsa no ombro. “Você vem comigo mesmo, né? Não quero ser a única perseguindo velhinhos.” Brincou, rindo de levinho. “E me desculpe a indelicadeza. Me chamo Agatha.” Ofereceu a mão para ela num cumprimento. "Se vamos nos aventurar atrás de Sally e Dean, temos que saber o nome uma da outra, pelo menos.”
Enquanto ela lhe explicava, sentia dentro de si aquela vontade de entender, de saber mais, porque embora fosse apática com relação ao amor, naquele dia em específico esperava reencontrar-se mais uma vez nos devaneios sentimentais de outras pessoas, já que de si mesma não esperava nada além de descontentamento. Até se aproximar mais da morena e se inclinar um pouco de lado para que pudesse ler o que ela tinha em mãos, conseguiu entender um pouco da história. Não era de se comover assim por coisas do tipo, mas imaginava o impacto daquela carta e de como algo dentro de si estava se remexendo tremendamente por isso. “Parece até um filme. Duas pessoas se amam, mas não conseguem ficar juntas porque o universo não quer juntá-las ali e agora. Talvez, eventualmente, eles tenham se reencontrado e essa seja uma carta muito antiga, não?” Embora fosse pouco empática com histórias de amor por já não ter mais esperanças, Marissa estava de fato curiosa. Nem que fosse o último feito de sua vida, ela descobriria quem eram eles. “Não tem problema. Podemos perguntar a algum policial. Estou supondo que eles têm acesso a muitos nomes aqui na cidade, então são a melhor opção no momento.” Se virou repentinamente para começar a andar, mas parou quando lembrou-se da outra, virando o rosto para se atentar à ela. “Anda, vamos!”
Sendo da Floresta Encantada, Odila cresceu ouvindo histórias do amor verdadeiro e como ele sempre vencia todas as maldições; como vivia além de seu tempo e todas aquelas pomposidades românticas. Não desacreditava nisso, não exatamente: era a prova viva de que aqueles como ela, que conheceram o amor na Floresta Encantada poderiam, de fato, reencontrá-lo algum dia, mesmo que em outra vida, mas sabia que as coisas não eram fáceis. Eram dolorosas, na maior parte dos casos, e se assemelhavam muito mais à história trágica de Sally e Dean do que aos felizes para sempre dos outrora príncipes e princesas que deram o que falar em suas épocas (e veja bem, nem eles foram, de fato, felizes para sempre). “É antiga, sim. 1960.” Respondeu à ruiva, torcendo os lábios enquanto ponderava sobre o que ela havia dito. Enfeitiçada ou não, Agatha estava realmente curiosa para descobrir o desenrolar do romance de Sally. No fundo, torcia para que os dois tivessem se reencontrado, para que Dean tivesse sobrevivido e a paixão deles também ― isso se existissem, é claro. Embora embriagada pelo feitiço, Odila não descartava a possibilidade de estar indo atrás de mais um dos truques daquela maldição. “Não tinha pensado nisso, mas você tem razão, red. A polícia sabe de tudo.” Supostamente, pesou. Antes que pudesse ajeitar a bolsa no ombro e se levantar do banco, a desconhecida seguiu à frente, apressada. Agatha ergueu as sobrancelhas na direção dela ao ouvir a ordem, caminhando em seu próprio ritmo para encontrá-la na saída do local escondido. “A delegacia fica meio longe. Você tá de carro ou usamos o meu?” Perguntou, olhando-a de soslaio. “Podemos ir caminhando também, mas esses saltos não foram feitos para isso.” Indicou os próprios sapatos, esperando que fosse desculpa o suficiente para que a garota escolhesse o carro. Agatha ainda estava machucada dos ensaios excessivos; não que ela fosse admitir isso para alguém. “Sou Agatha, aliás. Você é...?”
“aqui diz que o signo de vocês é incompatível e que se tentassem ficar juntos o relacionamento seria, no mínimo, bem bagunçado.” dizia alaska, como se acreditasse naquela soma de palavras sem o menor sentido em uma página qualquer da internet. só deus para traduzir tudo o que havia lido, sua cabeça estava a ponto de dar nó. “aparentemente tem alguma coisa a ver com a mistura de água, ar, fogo… sei lá. não sabia que astrologia tinha virado avatar.” deu de ombros, rindo. ainda tentando decifrar as informações para passá-las para muse o menos confusas possíveis. o problema era que sloan não entendia nem metade do que estava lendo. “mas aqui também diz que você vai precisar levar outras coisas em conta como: a lua e o descendente. por deus, eu não consigo entender uma única palavra, isso tá em grego?”
bônus: responda com ( 🥋 ) para um starter fechado com juno ou ( 🌺 ) para um starter fechado com selene.
"Estranho eu já saber disso, mas ainda estar ofendida que a droga da astrologia está contra mim?” Suspirou indignada, ajeitando-se na cadeira que estava sentada em frente a mais nova, e depositando a caneca de café sobre a mesa. Ela deixou escapar um riso anasalado quando a morena fez a referência à Avatar, surpresa por entendê-la, visto que desenhos não eram o tipo de coisa que Agatha costumava assistir em sua vida falsa. Já tinha lido sobre astrologia em revistas por aí, mas não fazia ideia de qual era a sua lua ou qualquer outra coisa que esses sites demandavam para descobrir a compatibilidade. “Ascendente?” Corrigiu-a em tom humorado, os lábios se curvando. “Como que a gente descobre? Diz aí em algum lugar? Meu aniversário é 21 de Novembro. Precisa de ano, né? Não quero me sentir velha perto de você, então me empresta o celular que eu digito.” Estendeu a mão, esperando se Alaska entregaria o celular para si.
O Botzberger estava fugindo de tudo, principalmente de seus sentimentos que decidiram ficar à flor da pele naquele último dia. Acordou e logo apareceu casando com uma mulher que só era amigo, e depois errando o nome da então noiva por o de uma outra amiga. As coisas estavam estranhas - muito mais do que o ocorrido no Natal. Estaria ele alucinando? Era tudo um sonho? Se quer sabia ou achava fazer sentindo. E foi na procura de tentar se distrair daqueles pensamentos e se retirar de perto de qualquer pessoa (que ele provavelmente sentiria um amor avassalador) acabou entrando em um dos lugares esquecidos da cidade mas que, por mais contraditório que fosse, ele gostava de estar; talvez achasse mórbido o suficiente todas aquelas cartas de amor esquecidas. Ao chegar lá a primeira e única coisa que viu fora o beco vazio foi uma mulher que bem conhecia, suspirou aliviado; não correria riscos de se declarar para Agatha, correria? “Só de Monstros S.A” curvou os lábios em pensamento assim que respondeu, buscando conectar nomes a pessoas em sua mente. “O quê tem eles?” perguntou em real curiosidade, levando as mãos aos bolsos e dando sua atenção ao papel que ela segurava “Você deveria mesmo estar lendo uma carta de amor de outra pessoa?” arqueou uma das sobrancelhas.
Imersa no conteúdo da carta, a presença de Dave só foi percebida pela Morrison quando ele falou. A voz, que seria reconhecível para Agatha em qualquer cenário, mesmo num onde estivesse enfeitiçada, arrancou-a do estado de melancolia e a fez rir baixo pela brincadeira. Ela limpou o que ainda restava das lágrimas nas bochechas e se voltou para o homem. “Não sei se estou mais surpresa por encontrá-lo aqui ou por descobrir que é fã de Monstros S.A.” Não se imaginava visitando aquele canto esquecido da cidade, repleto de romances trágicos eternizados em papéis de carta, num dia comum, tornava-se difícil, então, deduzir que o Botzberger estaria frequentando o local por livre e espontânea vontade. Não que ela estivesse julgando Dave, apenas o conhecia bem o suficiente, dadas as muitas manhãs acompanhadas dele e de um café na Botz, para saber que o ruivo não era do tipo sentimental. “Não sei, Botzberger. Você deveria estar curioso sobre a carta de amor de outra pessoa?” Rebateu junto do arquear das próprias sobrancelhas, apenas para provocá-lo ligeiramente e sem tardar para continuar: “Não é exatamente uma carta de amor. É mais um desabafo... E eu sei que isso é pior.” Rolou os olhos antes que ele dissesse qualquer coisa. “Bem, resumindo, a Sally e o Dean se conheceram no verão de 1958. Eles viveram um romance secreto porque o pai da Sally nunca aprovaria que ela se casasse com um jornalista falido como o Dean e ela já estava noiva de um tal de Allan. No final daquele ano, em Dezembro, o Dean recebeu uma oferta de trabalho em Nova York e pediu que a Sally fosse com ele. Prometeu uma vida nova para ela e todas essas coisas bonitas que as pessoas prometem quando estão apaixonadas. Poor Sally se viu dividida entre decepcionar a família e se arriscar com o amor da vida dela. No fim, ela acabou decidindo que seria mais fácil ficar, e o Dean foi embora de Storybrooke. Ela se casou com o Allan e passou todas as horas, de todos os dias desde que o Dean partiu se arrependendo de não ter ido com ele.” Deu de ombros no fim, e os olhos encontraram os de Dave, a curiosidade pincelando as feições da bailarina. “Acho que quero saber se deu certo para eles, apesar de tudo. Se a Sally se arriscou e foi para Nova York. Se o Dean voltou... Se ela foi feliz.”
Naquele exato momento em que abriu a porta, e seus olhos passaram a seguir a mulher adentrando seu santuário até então imperturbado, Lorelai invejou a paciência e paz interior dos monges. Agatha era uma das poucas pessoas que ainda conseguia deixá-la sem reação, visto que a mais nova ficou estática a encarando, usando suas pantufas de pato e pijamas, máscara facial que inclusive caiu no rosto, possivelmente pela quantidade de vincos que seu rosto fez, claramente consequência da incredulidade em sua expressão. Tinha que admitir, era impressionante a forma com que Agatha conseguia mudar seu humor com tanta rapidez. Há pouquíssimos segundos estava rindo do filme que assistia, largada no sofá, sendo envolvida pelos aromas que suas velas novas emanavam. “Boa noite?” Experimentou dizer, fazendo um esforço para ser minimamente gentil com a invasora, também conhecida como sua chefe. Finalmente reagindo, lembrou que tinha um cachorro novo e fechou a porta, estava curiosa sobre o que a teria levado até ali. E sua resposta veio logo em seguida, a deixando infinitas vezes mais confusa, se é que aquilo era possível.
“Como?” Piscou algumas vezes pensando no total de zero possibilidades daquilo acontecer num dia normal. “Você quer sair comigo?” Perguntou pegando a máscara do chão quando Honey veio do quarto abanando o rabinho. Conseguiu enfim notar as roupas dela, o que fazia suas perguntas soarem um pouco desnecessárias. “Ou melhor, você quer que nós duas tenhamos uma girl’s night?” Voltando a encará-la com desconfiança, o riso preso na garganta quase escapou, se limitando a dar seus indícios nos cantos dos lábios que logo tratou de cobrir com a mão. Ela poderia entender errado, mas a surpresa a deixava nervosa a ponto de rir. “Do nada? Okay… Hm, não destrua minha casa. E… Temos que passar na casa da Harlow pra deixar o Honey.” Falou se dando por vencida, não era muito difícil convencê-la a sair, não enganaria ninguém se dissesse que não gostava de uma boa festa. Mesmo que sua companhia fosse a pessoa mais improvável da cidade.
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“Sim, Lorelai, foi o que eu disse.” Suspirou dramaticamente. “É um crime agora? Duas colegas de trabalho saindo juntas para tomarem alguns drinks no final de semana?” Debochou do tom de surpresa alheio, acomodando-se no sofá da sala da garota como se não fosse a intrusa ali. Sabia que Lorelai tinha todos os motivos para desconfiar da sua aparição e convite, ambos repentinos, entretanto, era isso que deixava toda a situação mais divertida na perspectiva de Odila, além de fortalecer o seu controle sobre a amaldiçoada. Tratava-a com aspereza, exigindo o impossível dela no trabalho, para depois surgir elogiando-a ou convidando-a para uma girls’ night. “Eu estava entediada e de acordo com os seus stories no Instagram, você estava disponível.” Deu de ombros ao concluir aquele como o motivo de sua visita. Não era uma mentira -- isso sem falar que Agatha raramente saía da sala de dança. Ela queria mudar os ares, tentar algo novo só para variar, já que não admitiria para ninguém que o seu pé estava ferrado depois das horas incessantes de um treino desnecessário.
Assistiu-a dar-se por vencida, mesmo tendo suprimido uma gargalhada, e ir se trocar como a morena praticamente ordenara que fizesse. "Por que eu destruiria a sua casa, Lorelai?” Juntou as sobrancelhas, e foi a sua vez de conter uma risada. Costumava achar graça nos joguinhos que fazia com a Suwan, e só por ela ter expressado incomodo com a ideia de ter Agatha ‘destruindo’ a sua casa, a Morrison se levantou e caminhou até a estante mais próxima, fingindo interesse nos itens pessoais da mais nova e tirando uma coisa ou outra de lugar como provocação infantil. “E quem diabos são Harlow e Honey? Uma dupla sertaneja?” Perguntou em tom alto para que a garota a escutasse do quarto. Não conversavam o suficiente sobre coisas fora do trabalho para que soubesse que Honey era o nome do cachorro dela, que ainda abanava o rabinho de onde estava. “Não demore. Estacionei o carro frente à uma garagem e não quero ser multada. O pai daquele Louis, o insuportável mimado que eu dou aula de balé, é guarda de trânsito. Sinto que está tentando me ferrar desde que neguei o papel do Nutcracker para a criança.” Tinha consciência de que estava falando mais do que o habitual, pelo menos quando se tratava das interações entre as duas. Aquela noite e a tarde em que elas foram comprar presentes de Natal juntas certamente entraria na história. “O que posso fazer se o garoto não sabe nem dar uma pirueta decente? Deveria desistir e tentar outra modalidade. Sapateado, quem sabe.”
Penelope não fazia ideia do porquê de estra naquele lugar, mas provavelmente havia ido parar ali durante sua busca implacável por qualquer canto que a trouxesse um pouco de paz naquele dia de caos completo. Contudo, não encontrou exatamente o que procurava, mas uma pessoa emocionada lendo uma carta antiga de amor parecia melhor do que alguém se declarando para si… ou pior, ela se declarando pra alguém. “Nunca ouvi falar de nenhuma Sally, nem nenhum Dean” respondeu de forma honesta, sentando-se ao lado da outra mulher. “Se eles estão velhinhos talvez possam estar no asilo… ou talvez tudo seja uma mentira.”
Sentia-se patética por estar chorando pelo conteúdo da carta, desde que despertara, deixara de ser sensível como Agatha realmente costumava ser nas memórias falsas, mas decerto havia algo influenciando Odila naquela manhã. Magia, supunha, embora não soubesse dizer ainda. Limpou as lágrimas das bochechas e aprumou os ombros, pigarreando de leve antes de responder a mulher que se sentava ao seu lado. Em outra circunstância, teria ficado curiosa sobre a identidade dela, se estava acordada, mas agora parecia tão intoxicada pela história de Sally e Dean que não encontrava espaço para outros pensamentos. “O asilo, certo. Fiquei tão envolvida com a carta que me esqueci do point principal dos velhinhos de oitenta anos.” Soprou um riso nasalado, mas o semblante logo tomou forma confusa ao ouvi-la teorizar que a carta poderia não passar de uma mentira. “O que está insinuando? Acha que alguém escreveu isso e deixou aqui para enganar os tolos apaixonados,” como ela, hoje. “ou acha que Sally inventou tudo?” Entregou a carta para a desconhecida, deixando que ela lesse o relato do romance trágico e tirasse as suas próprias conclusões.
Não era o tipo de lugar que Ivanna frequentava, de forma alguma. Mas por algum motivo naquele dia em específico ela estava se sentindo um tanto quanto instigada a visitar o local das cartas. Muitos escreviam sobre amor romântico, sim, mas ela já havia escrito umas três cartas para seu pai. Não que achasse que ele fosse ver, é claro que não. Mas escrever sobre a acalmava, de uma forma ou de outra. Quando percebeu que a morena estava falando consigo, levantou o rosto e tirou o fone de dentro do ouvido “O que disse?” Ela perguntou com curiosidade, ainda que com o rosto fechado “Já, Dean Jygill. Tem uns oitenta e poucos anos hoje em dia, se não me engano. Mora na minha rua.” Ivy encolheu um pouco os ombros e soltou um riso frouxo pelo nariz “Ele não está com nenhuma Sally, se é isso que quer dizer. Ele é casado, ou sei lá o que, com uma mulher bem mais nova. Deve ter uns trinta no máximo. E ele parece um babaca, na verdade” ela falava de forma dura e sem nem pensar muito, apenas despejando o que achava que devia “Vai ficar lendo essas coisas velhas ai? Vai acabar com a merda de uma rinite”
Foi difícil esconder a expressão de espanto no momento em que os olhos enfocaram a figura loira. Se antes Agatha chorava por uma carta velha, agora o coração batia mais rápido no peito e o sangue borbulhava nas veias, quase deixando-a tonta, enquanto tentava assimilar se o encontro se tratava de uma ilusão, e Odila tinha enfim enlouquecido por completo, ou se Odette estava mesmo ali. Quando ela continuou a falar, num tom mais grosseiro do que a cisne negro se lembrava de ter ouvido da princesa no passado, teve certeza de que era ela. Depois de meses procurando-a, havia a encontrado. Por mais que lhe fosse de praxe encarar as pessoas, porque se divertia às custas de deixá-las sem graça, não podia arriscar afastar Odette, portanto, desviou o olhar antes que o clima ficasse estranho. Com Odette à sua frente, não havia feitiço ou dia maluco em Storybrooke que poderia fazê-la desviar de seu principal objetivo. “Você parece entender bastante sobre babacas.” Dobrou a carta, e ofereceu um sorriso para a loira. Sequer continha falsidade no gesto, Odila realmente vibrava por tê-la encontrado. “E sobre rinite em desconhecidas.” Murmurou, levantando-se do banco e parando ao lado da outra. “Bem, já que acabou de estragar o felizes para sempre para mim, será que pode me levar até a sua rua? Tenho certeza que mesmo casado com outra, a Sally iria querer que ele lesse isso.” Balançou a carta no ar. “Você tem carro ou usamos o meu?” Ergueu as sobrancelhas, dando a entender que aquele não era um convite que a ex-princesa poderia simplesmente recusar. A última coisa que Odila iria querer, a partir dali, era que Odette escapasse de seu radar. Precisava aproximar-se dela e executar suas vinganças sem perder mais tempo.
a reação dela fez com que ele sorrisse abertamente, mesmo que nada estivesse fazendo tanto sentido. quando a viu se dirigir até o piano, tocando outra música da mesma cantora, seu corpo sabia exatamente o que fazer. maxwell tinha tantas questões em sua cabeça, mas tudo o que conseguia fazer era acompanhar a música alheia e, quando ela parou, começou a tocar e cantar outra — como se fosse um grande mashup. “don’t blame me, love made me crazy, if it doesn’t, you ain’t doin’ it right. lord, save me, my drug is my baby I’d be usin’ for the rest of my life.” e tocou a última nota com exagero, e então riu. “isso é um sim? você quer voltar comigo, agatha?”
Agatha não tinha mais controle de si. Tocava Taylor Swift no piano como se fizesse aquilo todos os dias, ensaiando cada música da mulher como ensaiava os passos no balé, e ainda cantava, cheia de emoção e sorrisos animados, com Derek. Derek! Embora compreendesse que havia algo de muito errado naquela manhã, consigo e com a cidade, ela não conseguia recobrar o controle das próprias ações. Estava prestes a entregar o refrão de Love Story como resposta a Max, cantando mais uma vez, quando escutou a pergunta dele. Isso pareceu ser o suficiente para tirar Odila de seu transe. Ela piscou, confusa, e foi tomada por um sentimento estranho. Voltar com ele? “Voltar com você?” Ecoou os pensamentos, um vinco formado entre as sobrancelhas escuras. Estava certa de que, naquele mundo, ela e Derek não tinham uma história até o dia em que ela o encontrou no The Lakes e decidiu se aproximar e virar amiga dele para monitorá-lo. A não ser que... Não. Ele não poderia, absolutamente do nada, lembrar-se dela se passando por Odette no passado, poderia? Bem, o único jeito de descobrir sem levantar qualquer suspeita nele seria entrando no jogo e se fingindo de louca. Agatha ajeitou a postura no banquinho e, aproveitando que o dia já estava sendo bizarro por si, abriu um sorriso sem jeito e perguntou: “Max, nós... terminamos? Você terminou comigo?” Tentou parecer triste com a informação.
Vincent não sabia o que estava acontecendo naquele dia peculiar… Estava com a cabeça tão nas nuvens que tudo parecia passar como um sonho? Ou era algo mais específico que isso? Como alguém que não era um grande admirador de magia, ele podia sentir que tinha alguma coisa errada. Odiava a sensação daquilo percorrendo pela sua pele, mexendo com a sua cabeça… mas ao mesmo tempo, ainda parecia certo quando estava com Agatha. Sabia que aquele tipo de magia não vinha dela; já havia passado muito tempo com a filha de um famoso feiticeiro pra saber disso. Desde que se levantou de manhã, Vincent vinha preparando aquele dia especial: o jantar, o presente, as flores… era como se quisesse deixar Agatha saber como ele se sentia — o que não parecia com algo que faria em qualquer outro dia. Nem mesmo quando namorava Odila antes da maldição ele exagerava tanto em atos românticos! E ali, quando estavam mentindo um para o outro, não deveria ter em seus planos se deixar levar por sentimentos antigos; quando tudo começava com uma farsa, só fazia sentido de que terminaria como uma farsa, crescendo como uma bola de neve pelos nós que formavam-se na garganta um do outro, incapazes de colocar pra fora o que realmente sentiam.
Só que nem tudo era uma mentira. Vincent estava ciente disso porque não amava apenas Odila do seu passado, mas aprendia a amar Agatha também. Sabia que a mulher estava acordada e ela poderia muito bem o odiar ou planejar uma vingança por Frankenstein ter sumido, mas o castigo de Vincent era saber que ela se casou naquele mundo… Que tinha encontrado outro.
E estavam conseguindo levar o jantar que planejou de forma agradável, até saírem do barco. Agatha marchou pelo cais em passos firmes, e Vincent já podia ver a tensão se formando nos ombros da mulher. Não havia assistido muitos filmes daquele mundo, mas conhecia os clichês — a chuva dava o toque final naquela dramatização. O coração do homem apertou com as primeiras palavras que ela jogou pra ele. “O que?” Franziu o cenho; as palavras da Morrison sobre terminar tudo faziam sentido se pensasse no quão errado era o que eles tinham, só que tudo estava indo tão bem! Foi algo que disse? Ela estava odiando o encontro? Estava cansada de fingir que o passado não existia? Ou Agatha simplesmente vivia com a consciência pesada por conta de seu casamento? Ele não tinha certeza se queria ouvir uma resposta, só que o desabafo veio diferente do que imaginou. Abriu a boca por um momento sem falar nada, tentando encontrar uma resposta enquanto a chuva fortificava. “Bem, eu sou uma bagunça também!” Ele se aproximou alguns passos incertos, mas ainda assim ficando de frente para Agatha, tocando-lhe o rosto. “Eu sei que nada disso é fácil, mas eu não quero que seja fácil… só quero que seja com você.”
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Ela sentiu a pele aquecer onde Vincent a tocou, e por um breve segundo, cerrou as pálpebras, entregando-se à carícia que acompanhava o ritmo lento dos pingos da chuva que lhe escorriam pelas bochechas. O problema era que, aparentemente, aquilo não combinava com o roteiro que o maldito feitiço preparar para eles, então Agatha despertou junto do arregalar dos olhos, afastando-se abruptamente do toque com um passo para trás. “Não. Não diga isso se—“ vai desaparecer de novo, completou mentalmente, surpresa por ter conseguido segurar as palavras na garganta mesmo enfeitiçada. Poderia usar a magia como desculpa para trazer o passado à tona uma segunda vez, reproduzir a cena do globo de neve até que conseguisse arrancar tudo o que queria dele, mas a verdade era que, por mais rancorosa que fosse, não desejava piorar a situação, não naquela noite. Odila estava gostando de fingir; estava gostando de encenar um felizes para sempre com Frankenstein que eles não tiveram a chance de ter no passado. Os lábios dela se fecharam, desistindo da frase, mas não tardou para que se partissem novamente: “Eu gosto de você, Vincent.” Ela o amava — mas esse não era o tipo de coisa que Agatha deveria falar para o homem que supostamente só conhecia há alguns meses. Ele deveria ser capaz de sentir, porém, pela forma que a morena o encarava. Os olhos de Odila sempre falaram por ela. “Desde a primeira vez que nos vimos, realmente gosto. Senti aquela conexão maluca, e não consegui me manter longe de você. Não quero ficar longe de você.” Nada daquilo era uma mentira, embora houvessem muitas dessas entre eles normalmente. Da parte da Morrison, em especial. “Mas estou arriscando muito nisso. E que garantia eu tenho de que você vai ficar? De que não vai me abandonar na primeira oportunidade que surgir?” Decerto não precisava ser tão dramática — e estava quase torcendo o nariz para as próprias falas, por mais semelhantes às inseguranças que nutria em relação ao homem que pudessem ser — mas não era como se tivesse controle do que estava falando naquele cenário tosco de drama romântico. “E o que vai acontecer quando você partir para a guerra, Vincent? Eu vou ficar em casa, preocupada todos os dias, enquanto espero o seu retorno? Vamos alimentar o nosso amor apenas através de cartas que demoram meses para chegar?” O quê?! Em que século estavam, pelos Céus? Tudo bem que isso tinha, literalmente, acontecido com eles no passado (ou quase), mas aquele script não fazia sentido agora.
Para piorar, a chuva se intensificou junto do vento, e a Morrison não teve escolha senão aproximar-se de Vincent — porque eles estavam brigando no meio de uma tempestade e, bem, ela só usava um vestido preto e meia-calças finas. Estava morrendo de frio. A condição física pareceu tirá-la do transe induzido pelo feitiço, de modo que Agatha se viu capaz de enfim falar o que queria em vez de começar outro discurso dramático sobre como ela e o médico não dariam certo juntos, já que ele supostamente iria para uma guerra imaginária e a abandonaria. “Eu não faço ideia do que está acontecendo, mas não quero continuar aqui.” Confessou, abraçando o próprio corpo e levantando os olhos até ele. Se Odila sabia que havia magia envolvida, então Victor, que também tivera contato com a mesma, deveria sentir algo. Alguma mudança no ar, o corpo fora de controle, as palavras escapulidas contra a vontade dele. Ela não precisaria explicar-se tanto assim, como na noite em que ele lhe dera a linha dourada para curar o ferimento em seu torso. Sempre que a magia aparecia entre eles, os dois fingiam-se de cegos e continuavam com o show. “Vamos para o seu carro.” Pediu num tom mais suave agora, perto o bastante dele para que não precisasse levantar a voz pela chuva. Esperava que as coisas não ficassem estranhas por mais uma noite, ainda que desconfiasse que poderia estar pedindo muito para quem quer que estivesse no controle do feitiço. “Estou com frio.”
notou que a outra lia algo emotivo, só não sabia se deveria perguntar se estava tudo bem ou não. algo a motivava mais a falar do que seguir seu caminho, e assim que os olhos alheios pousaram sobre si, ela quem falou primeiro. “oh… acho que não.” respondeu um tanto pensativa. “o que é isso? é deles?”
Agatha concordou, silenciosa, mostrando a carta para a morena ao seu lado e limpando a garganta para não soar tão dramática ao dizer: “É uma carta que a Sally escreveu em 14 de Fevereiro de 1960, contando a história dela e do Dean.” Meneou a cabeça na direção do banco, como se convidasse a morena a acompanhá-la. Então, sentou-se ali. “Eles se conheceram numa viagem de trem por acaso e descobriram que moravam os dois aqui, em Storybrooke. Segundo o que a Sally conta, foi amor à primeira vista. Então eles começaram a se encontrar com frequência, meio escondidos porque eram de classes sociais diferentes, e eram tão apaixonados que o Dean pediu a Sally em casamento e ela aceitou sem pensar duas vezes.” Passou os olhos pelos escritos novamente, conferindo o que dizia. “Mas eles sabiam que não podiam ficar juntos, tinha um toque meio Jack e Rose neles. A questão é que a Sally tentou e muito. Ela desafiou os pais dela, se arriscou no meio da noite, e foi ao encontro do Dean no lugar que eles marcaram de se encontrar para fugirem juntos... Só que o Dean não apareceu e a Sally se sentiu abandonada.” Agatha dobrou a carta com cuidado, uma vez que o papel parecia prestes a se desintegrar à qualquer momento, e deu de ombros de leve. “Acho que quero saber o que aconteceu com eles, se conseguiram alcançar a felicidade. Ou... não sei, quero ter algumas respostas. Por que ele a abandonou, se a amava? Por que não quis tentar? Por que mentiu que a encontraria?” Porque eu me faço as mesmas perguntas sobre alguém também, pensou, mas não quis confessar. Já estava falando demais para o seu padrão. “Então, você acha que eles podem estar por aí?”