“até eu te conhecer”, “até eu pôr os meus olhos nos seus”, “até eu encontrar ele/a)”.
e se não encontrar, se não houver ninguém dentre estes sete bilhões que faça com que eu veja o mundo como um sistema mais completo, alguém para quem eu seja aquelas histórias, toques e sensações que ocupa aquele espaço que por tempos ansiava por algo, alguém? e se todas os programas de casal ficarem pra próxima por não haver companhia da primeira, da segunda e bem, de todas as vezes? eu nunca vou poder dizer aquelas coisas clichês, mas que pra cada um tem um toque, um charme diferente, nunca trocar olhares cheios de ternura, de compreensão, de quem viveu muita coisa juntos? nunca ser a presença intensa, nunca vou abrir a porta pra quem me traz conforto, aconchego, beijos e calor? esses textos, poemas, haikais, novelas, canções... são todas sobre algo que pra muitos faz parte de vida, e pra alguns, meio desajeitados, sem atrativos físicos, psicológicos, intelectuais, sem peculiaridades enfim não alcançarão? é como, mais uma vez, ser quem fica sem time, sem par?
seja destino, seja acaso, seja karma. vou continuar as hipóteses
e se, se dentre os sete bilhões haja que por alguma anomalia, algum arranjo dos cosmos, da/s divindade/s, haja alguém que levasse embora essas preocupações, e outras também, que fosse o “você” das cartas, das letras e dos poemas, alguém que eu poderia despejar diversos sentimentos com reciprocidade, alguém pra olhar fixo e mergulhar dentro dos olhos e descobrir a cada dia uma nova tonalidade, uma nova linha. E se houvesse, mas houvesse outras pessoas para ele/a, se estiver em outro tempo, em outro lugar, ou mesmo, se dentro das fronteiras brasileiras, dentro dessa capital, por má sorte, ou outra causa qualquer mais aceitável que a “sorte” que Dostoievski se ocupou para explicar, ou pelo menos argumentar, que é tudo, menos sorte, nos desencontremos e sigamos a mesma rotina todos os dias, cada minuto com os segundos determinados pelos mesmos segundos dos minutos das horas do dia anterior? a rotina é vazia sem alguém pra dividi-la, contá-la?
Essa é uma discussão tão blasé, mas que por vezes me preocupa... Preocupação nunca vem por vontade própria, e a vontade de ter um amor num domingo, também não. é, uma vontade não depende da outra.
Eu apoio sim a ideia de que uma pessoa deva ser completa para si mesma, que se sinta confortável mesmo sem ninguém ao lado, mesmo num tédio de levar a loucura, sem se incomodar com os olhares ao ir sozinha ao restaurante, ao cinema e afins... mais do que apoiar, eu queria muito ter essa auto-suficiência, essa completude em mim, mas ainda não. E mesmo que houvesse algo disso aqui dentro, não que seja necessário, longe disso! mas seria bom, não para todos, para mim seria bom. o eu de hoje, que está aqui, sem programas para esta noite, com preguiça de depois de amanhã, e um enorme desanimo para amanhã, outro domingo, digo isso porque tudo flui, e se altera, tudo muda de alguma forma, passa por um processo, como a morte, muito mais certeira que “o amor da sua vida”. E por mais romântica que eu possa parecer, quando digo desse amor e destes gestos de amor, não tenho a ilusão de que seja para sempre, tem gente que tem a sorte de ter vários, tem gente que as inveja por isso, as critica por isso, quase a ponto de apedrejar, tem gente que tem amores que ao se findarem, diz que era só uma confusão, que nunca foi, me pergunto qual o problema de se dizer que “amei, amei sim, e acabou”. talvez por eu saber tão pouco dessa coisa toda que eu não saiba. só criei opiniões e algumas expectativas, e como quase todas, se esfarelam...