mais uma nota sobre insatisfação.
mais uma vez a sensação de estar fora do lugar, de não pertencer ao meu corpo, à minha mente, à minha família, à minha rotina. ser alheia.
o dia foi longo... como se ao invés de vírgulas tivessem sido colocadas reticências a cada hora.
eu ainda não sei conectar as frases umas às outras, e eu ainda não sei me conectar. estar ilhada é escutar Stone Roses vindo de um bar e não ter com quem dançar, não ter com quem comentar “ta tocando Stone Roses no centro de BH!” e rir. e o dia é longo quando dá tempo de sentir o “peso de ser quem é”, porque é cansativo tentar ser melhor, mas não ser: não saber juntar as palavras, não saber a letra da música, não ter a energia positiva que pedem para que eu tenha, não ter o que/ quem eu gostaria, não ser quem eu gostaria, e ser clichê, “previsível, convencional e concentrada nos detalhes”.
passei horas sentadas em frente à tela do computador e das folhas do caderno tentando estudar, acumular conhecimentos, tentando recuperar tempo, mas sabendo que de qualquer forma, o estou perdendo.