Mar eu te odeio
O chão de casa é tão frio quanto a sopa insonsa. Sopa não deveria ser janta, é como se eu fosse ou estivesse doente. Eu queria comer frutos do mar mas, eu ando com medo no que tem na aguá do mar, por isso eu estou tomando sopa de aguá do mar. Um dia desses ouvi falar que o melhor modo de vencer seus medos era enfrentando. Então aqui estou com essa sopa de frutos do mar. Foi um tanto cara de fazer, dificil na realidade. Eu moro em uma cidade não literania.
Então tive que comprar um saco de sal marinho, sim eu não costumo usar sal marinho ou eu uso o tal do sal rosa do himalaia que não compro faz muito tempo devido seu valor elevado ou eu uso o sal mais barato que todos falam que está me matando. A coisa do sal marinho é que me remete ao mar, eu sinto fobia do mar. Tenho talassofobia, eu perdi um amor por conta disso, a pessoa queria fazer um cruzeiro romântico no oceano pacífico e eu como qualquer pessoa com sanidade mental recusei, todo mundo sabe que é o ocenao menos pacífico que existe. Ela que morra sozinha, essas pessoas hoje em dia não tem o respeito que o mar pede. Mas, acho que o ser vivo terminou comigo por conta que queria fazer o pedido de casamento lá, ouvi de uns conhecidos como fui besta de perder uma chance dessas.
Porém hoje percebo que não seria possível casar nunca com tal pessoa. Ela possuia uma obcessão pelo mar. Talvez tenha me atraido por aquele papo os opostos se atraem ou só estava tentando enfrentar o meu medo por essa pessoa. Claro que a pessoa era maravilhosa. Até certo ponto, bem estou aqui olhando para minha sopa de mar, meio saco de sal para uma panela de agua, coloquei um fio de azeite para dar um gostinho. Acho que realmente não vou conseguir superar meu medo, olhe o nível que eu cheguei, penso como se tivesse outra pessoa escutando meus pensamentos. Acho que não vou aguentar muito tempo, me sinto excluído de milhares de eventos, já que não ando mais aguentando ver agua em rios ou em cachoeiras. Eu lembro que a aguá do rio vai parar em algum mar depois de um tempo. Tirando isso sou uma pessoa completamente normal, saca? Daquelas que comem um meleca quando ninguém tá vendo, ou sentem vergonha quando o presidente fala coisas absurdas.
Acho que posso contar uma historia para vocês, como sou idiota, como se tivesse alguém para me ouvir. Quando eu tinha uns 13 anos, aquela idade que não se é levado muito a serio, e tudo parece ser umas trinta vezes pior enquanto que na realidade é só vinte vezes pior mesmo. Acontece que nessa época eu ainda não tinha esse medo, estava em uma viagem com minha família, fomos à fernando de noronha, lugar lindo. Anos 2000, existia um certo mal gosto no ar, talvez fosse apenas a outra família que era porca e sempre deixava seus lixos ao lado da gente. Meu pai tentou. Não foi muito útil, mas olhando hoje, consigo ver que não era possível fazer muito com aquela gente, que apesar de uma baita cara de classe média alta com muito mais dinheiro que nós que só iriamos passar uns cinco dias naquele lugar. Eles, são o tipo de gente que creem ser melhores que outros e por isso tratavam o resto como lixo. Já que eram da família de algum alguém muito importante da região. Naquela época eu não sabia que o país funcionava pelos nomes das pessoas. Bem de alguma forma fiz amizade com a filha do casal, mesma idade que eu, vários gostos parecidos e acho que ela possuía alguma atração por mim. Um péssimo gosto. Eu não era o exemplar mais feios dos adolescentes mas não era a coisa mais cheirosa e por azar ela percebeu. Marina era o nome dela. Ela era meio teimosa como mar, a esposa de poseidon é calma para ajudar os humanos com seu pessímo temperamento de seu marido. Marina queria que eu fosse sua esposa acalmadeira. Eu sei falando assim parece que eu tenho fobia do mar por conta de uma menina de 12 anos que gostava de mim a vinte anos atrás. Não é esse motivo. Eu sei que não é, era mais forte que eu ou mesmo ela.
Acho que no terceiro dia da viagem, caminhando pelas pedras com a Marina. Ela me dava a mão para a ajudar caminhar. Eu atrás sentia meio sem jeito ao olhar a bunda com aquela calcinha rosa neon, de fato que gosto pessimo. Eu naturalmente conseguiria ficar sem olhar uma bunda de menina, mas pela primeira vez senti tentado a olhar, eu possuía apenas 13 anos minha mente não era um lugar sujo e cheio de ideias indecentes. Em geral lá eu só pensava no próximo episodio de Pokemón ou assistir as Super Gatinhas antes do colégio. Em sua aventura eu também segurava seu balde, estavamos catando conchinhas.
Marina tinha mais sorte que para catar conchinhas, ela conseguia algumas mais exóticas. A mais exótica que eu consegui foi uma com fundo rosado, dando três da tarde paramos em frente uma rocha grande que entorno possuia várias rochas menores a sua sombra, sentamos para conversar já que o chão estava tão quente que parecia derreter nossos chinelos de borracha. Eu lembro mais ou menos o assunto, parece que não muito diferente das outras meninas de nossa idade Marina também era louca por Pokemón, Super Gatinhas e revista Capricho, não que eu lesse Capricho para conseguir conversar disso com ela. Sempre preferi ler Recreio. Acho que foi pensando nisso que acabei fazendo uma soneca. Arcordei com Marina me balançando incansavelmente para me acordar. Ela parecia tão assustada, eu sinceramente gostava da cara dela ofegante. Eu segurei a mão dela esperando que ela fosse me contar algo, parecia que uma mulher de longos cabelos pretos tinha pegado todas nossas conchinhas, eu falei que não era algo importante, poderiamos catar mais. Então ela me contou sobre a voz da mulher. Marina parecia uma louca varrida para mim. Ela tirou o chinelo com raiva de como eu estava sem grande reações e então me bateu na face com o plastico quase derretendo minha pele, depois foi embora. Eu sentei de novo na sombra e olhei para o mar, em sua dança de vai e vem, pra lá e pra cá. Eu queria voltar a dormir ouvindo a música que o oceano me cantava suavemente, mas ele me chamava de forma tão forte.
Comecei a caminhar em sua direção. As vezes parecia a voz de uma mulher cantando coisas sobre os pequenos bichinhos do mar, peixes, crustaceos e moluscos. Eu fui indo ate que topei com uma mulher de longos cabelos pretos. Ela chegou perto de mim, lembro daquela mão com cheiro de mar, e uma pitada de lixo radioativo que algum país de primeira jogou no mar fazendo carinho em mim. A mão era seca mas eu me sentia nos céus. Enquanto eu rodava minha cabeça de felicidade, eu conseguia ouvir ela falando de eu ir morar com ela, parecia tão tentador, estava quase dizendo sim.
Foi então que chegou outra mulher de cabelo preto, ela pegou meu braço e me puxou para seu peito. Eu já estava em outro mundo, duas mulheres brigando por mim, eu uma mera criança catarrenta. Ela cheirava meu pescoço, eu sentia um cheiro muito forte de esgoto dessa segunda mulher. Acho que ela morava nas águas perto da praia mais populosa. Mas eu me sentia como quem iria ser consumido, realmente não parecia seguro, mas extremamente delicioso. Parecia que só faltava eu pedir para ser levado paras as profundezas do oceano atlantico e ir todo feliz conhecer atlantica sendo levado por quem eu imaginava ser as irmãs da Iara. Nem me lembrava que era um lugar qual não conseguia respirar. Foi então que Marina voltou correndo nas pedras quentes e depois nas areas quentes com dois chinelos nas mãos. Até lembrei que ela tinha feito karate. Jurei que minha princesa tinha vindo me salvar, eu não estava de todo errado. Porém, a primeira coisa que ela bateu com aquela borracha quase derretendo no calor foi na minha cara.
Foi nesse momento que eu acordei, eu sei você caro leitor espera que falei que nesse momento as mulheres de cabelo preto como a noite tinham ficado feias, elas continuavam lindas, só que então eu vi as branqueas nos pescoço e as membranas na mão, não que eu tinha ficado supreso. Em seguida ela chutou o pescoço nas branqueas da mulher. Consegui me soltar, então gritei para Marina que estava na hora de correr para longe. Ela não parou de lutar, ela realmente parecia ser filha de poseidon aquele jeito teimoso de quem faz o que quer e meio grosseiro, ela bateu na cara da mulher até que conseguisse um dente, Marina queria ter um dente de prima de Iara para guardar de lembrança da viagem.
Então a outra irmã da Iara, a que não levou um chute no pescoço começou assobiar, era tão lindo que paralisei. Foi assim que chegaram outras mulheres. Eu sinceramente imagino que fossem as primas da Iara, elas estava sentadas em botos cor de rosa, me senti como quem tivesse usado drogas possivelmente LSD e olha que minha mãe era crente. Assim que eu pisquei vi os dois homens mais lindos que eu já vi em minha vida, minha antiga namorada estava chocada. Acho que ela era incrivelmente mais burra do que parece, qualquer um com sanidade media teria se mijado e corrido. Ela não era assim. Fechou os olhos parou por um minuto então deu de novo um grito de guerra. Naquele momento eu me senti completamente apaixonado por ela.
Ela saiu correndo. Fiquei parado olhando, ela parecia quase sumir no meio da loucura. Fechei meus olhos com esperança de que tudo fosse um sonho mal sonhado. Assim fiz, contei até dez e abri meus olhos, tudo continuava igual.
Então comecei a me perguntar porquê deus deixaria duas crianças lutarem contra seis figuras flocoricas e fechei meus olhos pedindo ao meu anjo da guarda. Então escutei:
- PEDRO SEU CORVADE, VEM ME AJUDAR INÚTIL.
Minhas pernas tremeiram, pensei em gritar por ajuda. O que um menino magricela de 13 anos poderia fazer? Rezei para meu anjo da guarda mais uma vez, esperando que fosse apenas uma pegadinha do Silvio Santos e logo eu veria as cameras. Tirei meu par de chinelo vermelho e sai correndo na direção para atira-lo no homem ele estava pra meter um segundo soco em marina que estava tentando meter o chinelo no topo da sua cabeça em um tapa. A chinela o antigiu e nisso joguei a outra na mulher que segurava a menina, peguei sua mão e sai correndo na direção das pedras. Ela ficou furiosa e teimou. Queria lutar até sua morte como uma amazona, nisso que ela firmou seu corpo na agua a prima da Iara tentou segura-la mordendo sua outra mão. Nesse momento eu a puxei com mais força, ela gritou de dor. Chutou a mulher na barriga tentando impulso pra se soltar, soltando um suspiro dela. Nisso eu a puxei pra mim e a coloquei no ombros, e tirei uma força qual nunca tive até sair o mais longe de lá. Eu esperava um beijo de agradecimento por ter salvo a vida dela, recebi um tapa. “ Eu luto todo verão com essas sereias velhas, qualquer um com um pouco de coragem consegue escapar com vida” fiquei sem palavras, isso me soou tão doloroso do meu primeiro amor, depois disso ela foi embora e eu apenas fiquei la parado esperando ela desaparecer nas areas da praia, tentei gritar com toda minha força assim:
- EU TE AMO MARINAAAA
E então fui ignorado.
Eu juro que esse não é o motivo de odiar o mar, o primeiro amor de ninguém realmente acaba bem, por quê o meu seria diferente? Um homem adulto de trinta e três anos não levaria esse trauma de pré-adolescencia para vida, eu sei que falando assim parece. Mas, não é por isso. Depois desse dia não pude evitar pensar o que mais poderia existir em aguas tão misteriosas, que perdi o sono, principalmente quando soube que alguns países jogam lixo radioativo, se antes do lixo radioativo já era assim? Nem quero imaginar com ele. Eu tenho medo dos mistérios das aguas tão temperamentais e sinceramente não sei se quero ou não saber, descobri muita coisa fazendo metade do curso de oceonografia que desisti assim que entrei na parte pratica do curso. Cada vez depois desses vintes anos sinto que me viciei nesse medo do mar, sempre sonho com algo nele me chamando e realmente não quero conhecer mais.











