Aqui, de frente a você, despida de roupa e de alma, tento decifrar seu olhar e no que nele há no seu universo pra dentro. Teus olhos abrem pra mim várias portas e possibilidades, terreno que exploro com calma e curiosidade: desejo, afago, carinho, bem querer... De tu, não sei tudo, mas o que sei já é o suficiente pra minha mente fantasiosa montar um futuro incerto com você. Do teu universo pra dentro não sei como posso me identificar, não sei o que passa na sua cabeça ao ouvir meu nome ou minha voz, nem que pensamentos tomam conta da sua mente quando o assunto sou eu, mas os seus olhos me dizem que tomo conta de boa parte deles. Do teu universo pra dentro suas atitudes transparecem as palavras que você nunca proferiu pra mim: te toco em público, você se esquiva, mas ganho carinhos surpresa em lugares onde menos espero; você só dorme tranqüilo quando segura um dos meus seios, não sei porque, mas quando percebo você já está em um sono tão sereno que seria um pecado te despertar; sei que não gosta de palavras e tem paixão por atitudes, atitudes essas que, ás vezes, me deixam confusa. Do teu universo pra dentro sei que sou apenas uma linha do que já foi sua história inteira, mas pode ser essa linha que venha mudar os rumos que sua história irá tomar ou, essa mesma linha, pode ser a causa da tua perdição. Do teu universo pra dentro não sou passado nem futuro. Sou presente, vívido em seus pensamentos e na sua realidade, onde fios de cabelos negros se encontram em sua fronha ao final da noite, prendedores de cabelo na pia do seu banheiro e camisas suas já tem o cheiro de um perfume familiar em todas elas. Do teu universo pra dentro sei que sou calmaria em meio ao teu caos e ponto de equilíbrio ao que é a bagunça da sua vida. Do teu universo pra dentro tenho o suficiente de você pra viver o presente e enfeitar futuros, mesmo que sejam incertos.