Tomando medicamentos para dor, além das doses de ambrosia a cada três dias, Heidi seguia (quase) firme e forte. Ela não tinha nenhum sinal aparente do ataque, não fosse, é claro, o braço esquerdo engessado e os olhos como de quem havia acabado de fazer algum tipo de cirurgia facial. Riu ao pensar nisso: jamais o faria. Talvez agora que as cicatrizes das garras do monstro cortavam seu rosto. Ela encarava as árvores densas, presa à margem, aquela linha que a separava da costumeira escuridão de dentro da mata. Apenas parte de seu all-star encostou na sombra mais próxima, mas foi o suficiente para arrepiar-se dos pés à cabeça. "Mamãe, se está aí… por favor, me dê um sinal de que vai ficar tudo bem", pediu. Não era comum que fizesse preces, mas tinha antes o costume de manter-se em contato com a deusa, dessa forma. Era até irônico pedir por algum tipo conforto da deusa da discórdia. Um galho se quebrando ganhou sua atenção e ela cambaleou para trás, assustada com a possibilidade de algum monstro remanescente vindo lhe atacar, chegando até mesmo a choramingar alto e pegar seu canivete, transformando-o em sua adaga. Não se sentia corajosa, entretanto. Pelo contrário. "Que droga", ganiu, baixinho. Não é nada, não é nada, tentava garantir mentalmente, sem muita certeza. Não confiava em sua mente, nem seus olhos. Não confiava em nada, no momento.