Eu voltei a expor-me ao ridículo do amor. Voltei a sentir um friozinho no estomago. Voltei a remoer o passado. Voltei a lembrar do teu rosto e do teu olhar de menino inocente, mesmo sabendo que de inocente você nada tem. Voltei, voltei ao fundo do poço, do seu poço de amargura, mesmo tendo jurado que a ele eu nunca voltaria a por os meus pés macios. Mesmo assim, voltei, olha só. Esta tudo do jeito que deixei, sinto meu cheiro em você. Andaste sentindo minha falta, moço? Sabia. Mas não acostume... Volte a fumar seu cigarrinho e finja que não me viu sentada aqui, na minha ex-cama, olhando para o meu ex-espelho, batendo os pés no meu ex-tapete branco. Não acreditas que eu voltei? Oras, a boa esposa a casa retorna, não é mesmo? Voltei, darling. Voltei mesmo. Voltei porque quis. Voltei por que não encontrei ninguém melhor. Voltei por que cansei de procurar você em outros. Voltei por que senti falta, senti necessidade de voltar. Eu voltei por pena de nós dois. Voltei masoquista, voltei, acho que por você vale a pena a dor e a tristeza da minha vida, só acho, deixei as certezas de lado. Voltei porque não sou acostumada a pensar nas consequências dos meus atos. Perdi o medo e voltei... Mesmo depois de tanto tempo, me sinto familiarizada com o gelo deste lugar. Não mereço um abraço? Um beijo se quer? Voltei a mendigar o seu amor. Eu voltei como você disse que eu voltaria. Que idiota eu sou. Mas pense que estou só de passagem, darling. Prefiro acreditar, mas não acreditar que com esse meu retorno podemos dar certo, não, isso não, prefiro acreditar que este é só mais um lapso de loucura e abstinência de você. Amanha de manha eu volto a ser coerente e lucida e conformada com finais.