Há um ano atrás eu estava sentada na cama ouvindo uma playlist de músicas que ninguém ouvia mais. Eu lembro de ter tocado "Man down" e eu não tinha nem ânimo pra acompanhar a letra. Tocou "Paradise" e eu me perdi na música duas vezes. Eu tinha perdido peso, não dormia há duas noites, um término recente, ou como diria meu psicologo, "um luto amoroso". Sem emprego, sem dinheiro, uma garrafa de vodka escondida no fundo do guarda roupa. A porta estava trancada e meu fone estava muito alto, provavelmente alguém bateu na porta e eu não ouvi. Comecei a escrever cartas "Sinto muito amiga....." "Mãe... "Querida..." Eram cartas contando como eu estava por dentro, já que quase ninguém me perguntava como eu estava.. eram oito cartas ao total. todas elas pedindo desculpas por ser uma bagunça e por estar sobrecarregando as pessoas que eu mais amava na vida. Por ironia da vida tocava "Radioactive" na playlist. Enquanto escrevia, pensei em como faria nos próximos dez dias. Doei a maioria das minhas roupas, joguei fora as maquiagens, tirei os quadros de mar da parede, e guardei as fotos. Comprei um incenso pra colocar na prateleira perto da cama. E quando os dias se passaram, alguém resolveu puxar o gatilho: "Não suporto sua condição, provavelmente ninguem vai suportar, vc deveria sumir". Pra mim aquilo se encaixava com o que eu havia planejado. Se tivesse dado certo provavelmente eu teria sumido mesmo. Só queria que minha bagunça não assustasse as pessoas. Nem fizesse estragos por aí. Hoje, olhei pro sol se pondo e pensei "eu nunca mais ia te ver" e ainda completei "eu tinha muita coragem pra isso". Talvez ainda tenha, ou não.













