Nosso Tempo (A Dramione Fanfic) - Capítulo 2: Agora rivais
Os dias ensolarados se passaram tão rápido quanto a Firebolt 5000 que Drago recebera de seu pai durante o verão, e quase que em um piscar de olhos o outono chegou, manchando toda a paisagem de tons de laranja e castanho. A vassoura era, obviamente, uma tentativa de incentivá-lo a melhorar suas notas. Uma estratégia diferente, já que as reprimendas habituais haviam falhado no ano anterior. Mas, dessa vez, Draco estava confiante. Havia conseguido um trunfo, algo que certamente garantiria sua colocação no topo do quarto ano.
Todos os dias recebia mensagens de Hermione, aviõezinhos de papel teleguiados com magia, que informavam a ele o lugar onde encontrá-la para usarem o Vira-Tempo. Ela vinha sendo mais cooperativa do que Draco imaginava que ela seria quando fez a proposta. Havia suposto que talvez ela fosse arrumar desculpas para não chamá-lo ou, simplesmente fingir demência quando confrontada sobre o acordo. Mas, surpreendentemente, ela estava sendo... colaborativa. Desde o primeiro dia, chamou-o todas as vezes que precisou voltar no tempo. Devia ser aquela insuportável moralidade grifinória, impedindo-a de quebrar um acordo, até mesmo com um inimigo declarado como Draco.
Durante a monótona aula de História da Magia, enquanto o professor Binns estava distraído, recitando com empolgação um evento qualquer do século XVIII, Hermione rabiscou um bilhete rápido e sussurrou “Papyrus Traditio” ao passo que movia a varinha discretamente por debaixo da manga de sua capa. O pedaço de pergaminho dobrou-se em um pequeno aviãozinho de papel e voou sorrateiramente por debaixo das mesas até o outro lado da sala onde Draco estava sentado cochichando algo engraçado com um dos colegas sonserinos.
No momento em que percebeu a pequena dobradura de papel pairando sobre sua mesa, Draco o apanhou depressa, temendo que alguém o visse, e lançou um olhar na direção de Hermione. Ela parecia focada na aula e nem sequer devolveu-lhe o olhar para garantir que ele havia recebido seu bilhete. A confiança dela me irrita profundamente. Pensou Draco, enquanto desdobrava o pedaço de pergaminho cuidadosamente para que nenhum de seus colegas notasse e perguntasse de quem era.
“Não vá para o refeitório. Depois dessa aula, na biblioteca. — G.”
G. Ela sempre assinava seus bilhetes com a inicial de seu sobrenome ao invés do primeiro nome. Talvez por que era assim que ele a chamava. Draco então concluiu que deveria assinar como M., caso um dia fosse a vez dele lhe mandar uma mensagem. O pensamento o incomodou mais do que deveria. Ele não queria que aquilo se tornasse um hábito, algo natural. Mas, ao mesmo tempo, havia uma estranha satisfação em ser incluído nos planos de Hermione Granger.
No fim da aula, Draco recolheu seus pertences e despistou Crabbe e Goyle com uma desculpa banal sobre ir ao banheiro. Esperou até vê-los descer os degraus da Torre da Adivinhação, claramente animados para o almoço, para então contornar a entrada das escadas e atravessou o longo corredor da ala da biblioteca do quarto andar. Sendo a hora que era, não ficou surpreso em encontrar o local completamente vazio. Todos estavam, sem dúvida, a caminho do refeitório naquele momento.
— Que bela hora para decidir voltar no tempo, Granger. - Resmungou Draco ao encontrá-la perto da seção de Astronomia. — Seu plano maléfico é me matar de fome? - Indagou deixando um sorriso de diversão escapar.
— Não precisa vir junto se não quiser. Eu avisei que era difícil e cansativo. - Respondeu com desinteresse, sem desviar os olhos ocupados da estante de livros a sua frente. Arrastou seus dedos através de uma prateleira e puxou um volume de capa em couro fino de tom azul-escuro trabalhado com detalhes em um relevo cinza-prateado.
Draco observou-a por um momento antes de perguntar, com um misto de curiosidade e escárnio:
— Você realmente assiste a todas as aulas da escola? - Draco perguntou, surpreendendo a si mesmo por sua aparente curiosidade.
Hermione abraçou o livro contra o peito e virou-se para ele. Seus olhos castanhos claramente pendendo entre o desprezo e a indiferença antes de puxar o Vira-Tempo através da gola de sua blusa e passar a corrente ao redor do pescoço dele.
— Todas as disponíveis para alunos do nosso ano. - Disse simplesmente, enquanto os olhos cinzentos de Draco desciam dos dela para suas mãos já prontas para girar a pequena ampulheta dourada. — Exceto Estudo dos Trouxas. Afinal eu nasci como uma. Talvez eu saiba mais sobre eles do que os próprios professores. - Seus lábios esticaram-se em um sorriso reto e orgulhoso, mas havia amargura em seu tom. Talvez por estar falando sobre isso com alguém como Draco Malfoy.
Hermione, finalmente, girou a ampulheta. Apenas uma vez bastou e Draco viu o ambiente ao redor se borrar enquanto o tempo corria. Fora rápido e, quando notou, Hermione já havia tirado a corrente do Vira-Tempo dele e seguido em direção da entrada da biblioteca. O local agora já estava bem mais movimentado do que antes. Haviam alunos de todas as casas espalhados pelos corredores da biblioteca, mas, para seu alivio, nenhum perto o suficiente para tê-lo visto perto de Hermione Granger.
Aquela uma hora passou tão depressa que quando Draco notou os alunos já começavam a se mover a caminho do refeitório. Da mesa onde estava, viu os alunos vestidos em verde e vermelho saírem da sala de História da Magia e imediatamente apressou-se em achar um lugar para se esconder. Hermione havia sido clara ao informá-lo de que se fosse visto por suas versões do passado, isso criaria distorções temporais, então ele mantinha essa regra à risca.
Fechou depressa os livros de Poções que tinha aberto em sua mesa e avançou para o fundo da biblioteca, próximo da entrada da área restrita. Observou enquanto todos os alunos deixavam o local e, quando ouviu os passos familiares de Hermione, ele escondeu-se atrás de uma das estantes.
— Que bela hora para decidir voltar no tempo, Granger. - Ouviu sua voz dizer e então esgueirou-se um pouco para o lado para assistir aquela conversa que ainda era tão fresca em sua mente.
Quando finalmente os viu desaparecer, saiu por detrás da estante e seguiu em direção das escadas. Os degraus pareceram quase infinitos enquanto descia sozinho por longos três lances de escada, mas ao chegar ao térreo, encontrou mais alguns alunos atrasados seguindo através da ponte do viaduto.
Chegando ao grande salão, por algum motivo seus olhos correram na direção da mesa da Grifinória, arrastando-se por todos aqueles uniformes vermelhos e dourados até encontrarem Hermione sentada ao lado de Harry e Rony. Seus cabelos estavam ainda mais armados do que antes, desgrenhados como um ninho de pássaros. Decerto havia corrido até Torre de Astronomia, ou de lá até o salão principal. Pensou, mas imediatamente seu estômago fez questão de lembra-lo de que ele estava morto de fome. Desviou o olhar e seguiu para a mesa mais a direita, onde Crabbe e Goyle já o esperavam.
— Você demorou. - Apontou Vincent Crabbe. — Estava com dor de barriga?
— Não, idiota. Passei na biblioteca para pegar uns livros de Poções. - Resmungou erguendo o braço que carregava os volumes.
— Verdade. Nossa próxima aula é de Poções. - Constatou Gregory Goyle. — Snape vai me matar se eu errar aquele preparo pela segunda semana seguida.
— Então é bom começar a escrever uma carta de despedida para seus pais. Seu último preparo foi um completo desastre, duvido que tenha melhorado em menos de dois dias. - Zombou Pansy Parkinson, servindo-se de um punhado de purê com uma expressão impiedosa.
— Cale a boca, Pansy. - Reclamou Gregory em um tom que deixava claro que ele estava apavorado com a ideia.
A conversa fluiu com mais algumas provocações entre seus colegas e Draco divertiu-se assistindo-os discutir sobre qualquer uma das bobagens que trouxessem para conversa. Ouviu Theo reclamar da comida repetitiva dos últimos dias, Goyle ria sobre a peça que pregara em um lufano mais cedo, e Crabbe queixar-se de dor de barriga. Mas, vez ou outra, o olhar de Draco ainda escorria para a mesa da Grifinória e recaía sobre Hermione. Mesmo em meio a refeição, ela continuava com a cara enfiada em um de seus livros de capa grosseira. Os cachos desordenados caíam sobre o rosto, e ela só levantava o olhar para troca poucas palavras com Harry e Rony. Não ficaria surpreso se descobrisse que ela até mesmo dormia agarrada em um daqueles malditos livros. Ela não os soltava nunca.
Terminada a refeição, Draco apanhou seus livros e fez seu caminho de volta para a biblioteca. Enquanto caminhava um plano formava-se, pouco a pouco em sua mente, até finalmente estar irredutivelmente determinado a se sair melhor que Hermione durante a próxima aula de Porções que tivessem com a Grifinória. Sua vingança seria ver aquele sorriso convencido dela escorrer de seu rosto quando ele a derrotasse.
A manhã seguinte trouxe consigo a oportunidade que Draco tanto esperava. Sonserina e Grifinória teriam aula conjunta de Poções, e ele não poderia estar mais satisfeito com o arranjo. Ele havia estudado incansavelmente no dia anterior, devorando uma pilha enorme de livros, e, agora, aguardava ansiosamente por sua recompensa: o rosto de derrota de Hermione Granger. Claro, havia também a necessidade prática de melhorar suas notas para evitar as inevitáveis críticas de seu pai, mas agora isso era apenas um detalhe. O prato principal seria uma doce vingança.
Ao entrar na sala de Poções, Draco ocupou seu lugar habitual, nem tão na frente, nem tão ao fundo. Theodore Nott sentou-se na mesa ao seu lado, Crabbe e Goyle sentaram-se nas mesas logo atrás, e Blaise e Pansy tomaram seus lugares nas da frente. Eram suas sombras e geralmente Draco divertia-se com isso, mas, naquela manhã, ele mal os notou. Não havia espaço em sua mente para nada além de poções e seu objetivo.
Os uniformes vermelhos da Grifinória começaram a encher a classe pouco a pouco. Draco mantinha o olhar atento a cada um deles, fingindo para si mesmo que era apenas impaciência pelo início da aula. Ele sabia que estava mentindo. A verdade era que queria ver a reação de Hermione quando ele a derrotasse. Ele estava confiante. Poções eram o seu forte. Se precisava vencê-la em algo, teria que ser em Poções.
Quando, finalmente, a viu atravessar a porta da sala, um sorriso quase imperceptível ameaçou surgir em seus lábios, apenas para morrer no instante seguinte ao vê-la jogando a cabeça para trás em uma risada genuína com Potter e o Weasley. Por um momento, Draco havia quase esquecido da existência de Harry Potter e o quanto o odiava. E, naquele instante, sentiu que o odiava ainda mais.
A entrada de Snape pôs fim ao burburinho da sala. O silêncio caiu de imediato, e os alunos correram para ocupar seus lugares. Conheciam bem o professor e sabiam que qualquer deslize resultaria em broncas e pontos perdidos para suas casas. Hermione alcançou uma das mesas da primeira fila. com Weasley ao seu lado, pronto para recorrer a ela a qualquer dúvida que tivesse sobre a aula.
— Abram seu livros na página vinte e seis. - Instruiu Snape em seu habitual tom monótono carregado de severidade.
Draco não precisou chegar na tal página para saber sobre o que seria aquela aula. Ele havia devorado os livros, então tinha certeza que era a parte da poção Olho-Vivo que tinham estudado na última aula.
— Para aqueles que ainda não acertaram o preparo Wiggenweld da semana passada. Saibam que essa é a última chance que terão. - Alertou o professor e imediatamente Draco ouviu Gregory Goyle grunhiu em aflição. Weasley fazer o mesmo do outro lado da sala, retraindo seu rosto enquanto lançava um olhar desesperado para a garota ao seu lado. — Os demais… - Continuou Snape, ignorando os murmúrios de desespero — Terão como tarefa de hoje concluir o preparo de uma poção Olho-Vivo.
A tarefa parecia simples, aquela era uma poção que era relativamente fácil a primeira vista, levando em conta o pequeno número de ingredientes, no entanto o preparo demandava precisão e cuidado na quantidade dos ingredientes e no processo de mistura. O que afetou um pouco a confiança de Draco. Ele arrastou os dedos pelas páginas do livro, buscando por aquela poção, e releu todos os passos para ter certeza de que não se esqueceria de nenhum detalhe.
Os caldeirões foram preparados, os ingredientes distribuídos, e logo a sala estava preenchida pelo som de líquidos borbulhando e facas afiadas picando ingredientes com precisão. Draco iniciou seu preparo, mas, já em um dos primeiros passos, observou a mistura assumir uma coloração azul-esverdeada ao invés ao invés do azul-profundo descrito no livro, então imediatamente lembrou-se que em diferentes livros aquela mesma receita aparecia com quantidades diferentes dos ingredientes e rapidamente descartou sua primeira tentativa, ponderando ser nisso onde tinha errado. Recomeçou do inicio, dessa vez, reduzindo um pouco a quantidade de olhos de besouro escaravelho esmeralda, esperou ferver e, para seu alivio, após adicionar as penas de hipogrifo bem trituradas e misturar até diluírem completamente, a poção atingiu o tom exato de azul-escuro que deveria ter. Ele continuou com os demais processos: resfriar, adicionar mais ingredientes, ferver novamente, separar uma pequena parte para diluir uma gosta de veneno de acromântula, para então devolver a porção de volta ao cadeirão fervente, misturar por cerca de cinco minutos e, por fim, deixar decantar por trinta minutos, até assumir um tom dourado brilhante.
Enquanto aguardava o último passo, Draco se permitiu espiar para ver como Hermione estava se saindo. Sua bancada estava, como sempre, impecavelmente organizada. Sua poção, azul-escuro como deveria estar naquela fase, parecia promissora. No entanto, ela estava distraída demais dando dicas para que Rony não transformasse sua Poção Wiggenweld em um desastre irreversível, que estava deixando sua própria poção ferver por tempo demais. Draco sentiu um sorriso puxar o canto de seus lábios. Erro de principiante, Granger. E o sorriso apenas alargou-se mais, quando seus olhos vitoriosos deslizaram de volta para sua porção. Estava pronta, perfeita, com o tom de dourado exato que o livro descrevia.
— Muito bem, Malfoy. - Havia quase uma menção de sorriso no rosto de Snape quando ele lhe mostrou a poção concluída. — Dez pontos para Sonserina, por ter sido o primeiro a terminar. - Anunciou, com um resquício de satisfação na voz, ao mesmo tempo em que Draco podia observar o caldeirão de Hermione entornar em um liquido escuro que em nada mais se assemelhava ao tom de azul ideal para aquela etapa do preparo.
Depois de desligar o fogo e conter a sujeira que a poção queimada causou em sua mesa, os olhos castanhos de Hermione escaparam na direção de Draco em um claro tom de surpresa, ao passo em que perguntava-se como ele tinha feito para terminar tão rápido. Ele segurou seu olhar nela e ergueu as sobrancelhas, saboreando o momento. O canto de seus lábios curvando-se em um sorriso presunçoso, silenciosamente provocador. Hermione virou-se imediatamente de volta para seu caldeirão e recomeçou a poção do zero. Seu rosto agora resoluto e firme em não ficar para trás.
Após sua vitória esmagadora na aula de Poções, Draco passou o resto do dia radiante. Hermione até conseguiu concluir a poção antes do fim da aula, mas o estrago já estava feito. O fato dele ter terminado tão rápido, e ela ter falhado na primeira tentativa, claramente a incomodou. Precisou de mais duas tentativas para acertar a receita, e Draco a ouviu bufar tantas vezes naquela manhã que se perguntou se ela ainda o chamaria quando precisasse usar o Vira-Tempo. Mas, como a boa grifinória que era, Hermione manteve sua palavra e, mesmo contrariada, seguiu com o acordo. O rosto dela permaneceu fechado quando viajaram duas horas no tempo durante a tarde, e ela só lhe dirigiu a palavra quando era estritamente necessário. Claramente ressentindo a derrota. Draco deleitou-se com isso.
Durante o resto da tarde, Draco aproveitou o tempo livre para treinar Quadribol junto com alguns outros membros do time que também estavam livres, e ocupou-se com isso até escurecer. Na hora do jantar, chegou ao salão principal já limpo e vestido com o uniforme padrão da Sonserina, ao invés das calças claras, botas altas e capa verde do uniforme de Quadribol. Seus olhos acinzentados rapidamente percorreram a mesa da Grifinória, encontrando Potter e o Weasley já servindo-se da refeição. Mas, para sua surpresa, Hermione não estava em lugar algum da grande mesa.
— Finalmente mudaram um pouco o cardápio. - Comemorou Theo, servindo-se de um pedaço generoso de bolo de carne, enquanto Draco tomava seu assento ao lado dele.
— Fizeram também tortinhas de abóbora. - Apontou Crabbe, servindo-se da sobremesa primeiro. — O outono realmente chegou.
O assunto do outono e da comida perdurou-se por mais alguns tempo, até que finalmente Pansy mudou o assunto:
— Draco, não sei como você conseguiu terminar aquela poção tão rápido hoje cedo, mas você é oficialmente meu ídolo. A cara da Granger foi impagável. - Anunciou com um sorriso satisfeito.
Ela sempre teve uma rixa pessoal com Hermione, e a lembrança da derrota da grifinória parecia fazê-la especialmente feliz. Draco sorriu e gabou-se, orgulhoso de sua conquista, mas, conforme a conversa mudava de rumo, seus olhos o traíram e correram de volta a mesa da Grifinória. Ainda não havia qualquer sinal de Hermione em qualquer lugar do grande salão.
Ele não conseguia evitar a curiosidade. Enrolou propositalmente durante a refeição, conversando mais do que o necessário com os colegas, esperando que ela aparecesse em algum momento. No entanto, não apareceu. Quando faltava pouco menos de meia hora para encerrar o horário do jantar, Draco encarou a porta do refeitório. Já sabia exatamente onde devia estar.
— Podem ir na frente para o dormitório. — Anunciou de repente, levantando-se da mesa. - Esqueci que me pediram para guardas as bolas de Quadribol.
Apanhou uma maçã da travessa de frutas e saiu em direção à porta, deixando para trás Crabbe, Goyle e Theo, que ainda discutiam animadamente sobre a viagem que Goyle fizera durante as férias.
< Cap anterior | Menu dos capítulos | Próximo cap >
Disponível também no AO3 e no Wattpad











