flashback | savannah + lucas
Não era para aquela noite ser assim. Aquilo parecia errado, como se a qualquer momento câmeras fossem aparecer e revelar que tudo não passara de uma grande piada. Sentindo-se incrivelmente idiota, Savannah chegou a examinar rapidamente a rua por onde passava, para ver se encontrava as câmeras. É claro que não encontrou nada. Ela podia sentir o inchaço dos olhos, um lembrete doloroso das lágrimas que havia deixado cair momentos antes. A garganta a incomodava, consequência dos gritos que proferira na direção do namorado. Ou deveria dizer ex-namorado? Céus, simplesmente adicionar aquele prefixo à palavra já trazia uma nova leva de dor. Savannah não podia aparecer em casa do jeito que estava; os pais só estavam esperando vê-la novamente no dia seguinte, explicar para eles o que acabara de acontecer estragaria o feriado de todo mundo.
Felizmente, não demorou para que a garota encontrasse o que devia ser um dos únicos bares ainda abertos em plena Ação de Graças. E ainda era bem perto de sua casa, o que a permitiria ir embora andando e voltar para pegar o carro no dia seguinte. Era como se o destino a estivesse implorando para entrar naquele bar, e quem ela era para desobedecer ordens do destino? Savannah encostou o carro a alguns passos da entrada do estabelecimento e logo estava adentrando-o. Ela não lembrava de ter ido ali antes, provavelmente porque se mudou para Boston antes de completar 21 anos, então acabou não conhecendo parte da vida noturna de The O.P.
O ambiente dentro do bar era surpreendentemente aconchegante, levando em conta que era uma noite de feriado. O lugar não estava cheio, mas havia gente o suficiente para que Sav não se sentisse completamente sozinha. Não que ela estivesse pretendendo interagir com alguém, é claro - só queria espairecer e matar algumas horas. Passando direto pelas mesas vazias, optou por sentar-se em uma das cadeiras posicionas à frente do balcão. “Uma Stella, por favor.” pediu, enquanto tirava a jaqueta e se sentava. Na esperança de ter perdido alguma mensagem do namorado, sacou o celular da bolsa e acendeu a tela. Nada. Com um suspiro, desligou o aparelho e o colocou novamente na bolsa, constatando que deixá-lo em mãos traria apenas mais sofrimento.