Os nomes – Florence Knapp
Sempre ouvimos que os nomes influenciam a personalidade das pessoas. Assim, nesse livro, a autora cria 3 nomes para um mesmo menino, que tem três vidas completamente diferentes... De sete em sete anos, se toma contato com cada uma dessas vidas. Bem interessante!
“Algumas semanas depois, quando Cian já foi embora, Maia está recolhendo os pratos do jantar e encontra uma caixinha bete da Brennan no lugar em que esteve sentada. Ela abre a caixa e levanta a seda protetora, e lá dentro encontra um medalhão fino de prata, com a imagem de uma moeda de uma libra gravada nela. Maia se deixa cair na cadeira e fica olhando, em silêncio, para aquela coisa linda apoiada na palma da mão. Aquela moeda é ela na fila da cantina da escola; é o trocado que ganhava da Sra. Radley quando ficava de babá- dinheiro que era dela mesmo que só por um instante. É a Inglaterra, que é a mãe dela, que é o lar. E agora, é Cian cuidando dela – se debruçando sobre a bancada de trabalho para fazer uma coisa só para ela...
Ele [o irmão, Julian] não diz que nunca iria querer um pingente daqueles. Que não entende por que ela poderia querer. Julian odeia a Inglaterra.”
“Bear estremece. Abelhinhas já tinha contado que o pai às vezes cuidava dos ferimentos que ele mesmo causava, em vez de levar a mãe para o hospital. Mas ele não tem coragem de tocar no assunto, nem de forma indireta. Já é uma surpresa que a mães esteja se abrindo tanto.
- Você acha que ele teria sido diferente? Quer dizer, se o pai dele fosse diferente – pergunta Bear.
- Acho. Pode ser difícil imaginar, mas em algumas áreas da vida, eu acho mesmo que ele tentou fazer o bem. Os pacientes gostavam muito dele. É o jeito como ele tocava a clínica era bem inovador.
- É meio reconfortante. Saber que era o pai dele, e não alguma coisa genética.
Cora vê um lampejo de incerteza passar pelo rosto do filho e diz:
- Ah, meu amor, você nunca seria igual a ele.”
Enquanto corre, sente a própria esperança se empinar com uma pipa ao vento e corre mais rápido, querendo mandá-la mais alto, querendo acreditar em finais felizes. Querendo todas aquelas coisas grandiosas e sinceras que viu nos filmes se derramando na vida com Orla e querendo sentir tudo aquilo. Sentir de verdade.”
“.. Plantou vasos com arbustos árvores ornamentais e está aos poucos aprendendo o nome de tudo. Salix integra, louro, lilás-anão, hebe, giesta, hibisco, erva-de-são joão. Este ano, começou a cultivar ervas e folhas de salada protegidas por uma estufa não aquecida. Ver os brotinhos urgindo e crescendo até virarem comida de verdade parece o maior dos prazeres – e como a colheita é maior do que consegue dar conta, ela deixa maços amarrados com barbante sobre o muro da rua com um bilhete escrito à mão convidando os passantes a pegar. Da primeira vez que fez isso, ficou com receio de ninguém querer, mas quando abriu a porta e não encontrou nada, sentiu uma onda silenciosa de amor da rua deserta....
Na noite em que Gordon contou ao pai que tinha arrumado um emprego na galeria, Cora ficou observando o marido fitar o filho com cara de desdém e perguntar:
- E paga tanto quanto o outro?
- No mercado financeiro?
- Do que mais eu estaria falando? Você não trabalhava com mercado financeiro?
- Não paga tão bem, mas vai ser difícil encontrar um lugar que pague aquele salário.. ou aqueles bônus.
- E você acha que vai aguentar? Sem o seu carrão e os jantares de trezentas libras?
Cora tremeu por dentro ao ouvir o marido se recusar a reconhecer que o filho era uma pessoa diferente agora. mas, em vez de devolver a granada, ela viu Gordon relaxar os ombros, levantar as mãos em rendição...”










