Comi caqui e lembrei da minha infância
Visitei meus avós na cidade natal esse final de semana e fui surpreendida pela “temporada do caqui” aqui na casa deles. Era caqui do mercado, do pé de caqui no fundo do quintal, que minha tia trouxe em sacola, enfim uma explosão de caqui.
Nunca comi tanto caqui quanto esse fim de semana, comi uns 2/3 por dia facilmente. Me lembrei de quando voltava da escola e tinha cesta de caqui fresquinho e molinho para comer de sobremesa, das semanas que levava como lanche docinho no recreio.
Disse tudo isso para soltar outra agora: eu não lembro de quando comi caqui antes desse final de semana.
“Tá Letícia, mas para que tanto caqui?” vocês devem estar se perguntando (ou não também, sei lá se alguém vai ler isso), mas a questão não é a fruta caqui, mas o porquê, e quando, eu deixei de me permitir voltar a esses momentos íntimos da minha história?
Não como mais caqui e pitanga (cresci com uma pitangueira no quintal), me reservo a sinestesia de voltar somente enquanto nessa cidade, me privo da experiência para o quê? Uma sensação falsa de nostalgia? Uma tentativa falha de permanecer gentil a esse lugar?
É engraçado não? Essa realização de que deixamos de viver e conviver com coisas ditas “bobas” da nossa infância, em prol de um amadurecimento fajuto.
Isso não se resume só ao meu caqui, mas a sensação de inocência que vinha junto, com o cuidado da mãe e avó ao picar ele para mim. A ressignificação se toma, eu agora corto meu próprio caqui, mas ele vem saborizado da sensação de carinho.
Me prometo a comer mais caqui, ocasionalmente uma pitanga. São essas perseveranças da infância ou adolescência que mantém a gente enraizado nos mais profundos entrelaces da alma.
E aqui finalizo com a pergunta:
Qual a última vez que você, leitora, “comeu um caqui”?
— ✎ por mim, da página 7
















