― Haruki Murakami, A Wild Sheep Chase
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― Haruki Murakami, A Wild Sheep Chase
everyone be quiet. marsha with her snoopy.
Tenho abismos que circundo esperando cair.
Pilar Quintana, em "Os Abismos", trabalha com uma narrativa muito interessante em volta da selva das Claudias, como se aquelas plantas pudessem curar algo no relacionamento delas que não conseguem manifestar, toda família com seus próprios abismos e maldições.
Estou escrevendo essa resenha a 30 min do dia das mães de 2026 acabar. Passei o dia com as mulheres que governam minha vida por amor — mas também que, durante minha adolescência, me deixaram escapar para um abismo que temo sentir às vezes.
A relação das duas bateu muito perto de casa, principalmente nos comentários que a Claudia-filha tinha de sua aparência, algo que é muito comentado na infância de qualquer menina pela nossa sociedade tão intrinsecamente ligada à necessidade estética.
É uma constante torcida pela validação da criança narradora, e sinceramente, uma torcida para a criança que um dia eu também fui, esperando uma certa reação da mãe, uma presença específica.
Queremos nos curar com a Claudia enquanto ela anda pela vida e circunda os seus abismos e os de sua mãe.
A decepção sempre chega, inevitavelmente, com essa possibilidade de retomada na natureza cruel para a da segura e carinhosa, muitas vezes eu quis abraçar a Claudia-filha por me encontrar muito com ela e com suas vivências tão novas.
Me solidarizo com a Claudia-mãe, mas não a perdoo, não como a Claudia-filha faz no livro; mesmo com raiva e tristeza, ela volta a essa sensação de esperança — mas isso diz mais sobre mim do que sobre minha leitura. Uma tentativa falida de salvar a imagem da Claudia, filha, de um destino que eu conheço e vivi. Feliz dia das mães.
Resenha escrita por mim, no Skoob (@pagina7reads) dia 10/05/2026
Querida leitora, sobrevoamos juntas
— ✎ por mim, da página 7
中原淳一 NAKAHARA Junichi (1913-1983)
「夏の星座」 雑誌"ひまわり" 1947(昭22)年8・9月号
"Summer Constellations" Magazine 'Himawari (Sunflower)', August/September 1947 issue
“I’m going to tell you a secret: You don’t have to believe every thought that pops into your head.”
— B. Dave Walters
Falar ou morrer?
Antes de começar, já vou deixar bem claro: esse post é uma devoção à fala, à linguagem e à expressão (tava esperando o quê? Eu sou artista, respeita-me!)
Quem é você quando não se expressa? Ainda é você?
A linguagem foi criada para que nosso mundo interior se faça real, mas isso não tira a dor de uma decepção e, é muito fácil eu só chegar aqui e debater para você expor todos os seus sentimentos o tempo todo — não é isso que eu quero fazer aqui.
Eu não posso vestir essa camisa de falar sempre tudo o que sinto, porque ser honesto consigo também é entender a sua empatia pelo outro, e, realmente, tem algumas coisas que não falamos.
Mas isso não quer dizer que elas morrem conosco, muito pelo contrário.
O engolido nos molda à ação de imaginar o que poderia ter sido. E, uma hora ou outra, controla um recorte da nossa vida.
É um debate extremamente subjetivo; apresento meramente minha vivência, circulando memórias às duas emoções.
Se silenciar a ponto de apagar sua própria existência — focada no cerne do questionamento e posicionamento da sua alma - é renegar sua própria vontade de viver livremente, continuando sempre entupida com as palavras na garganta.
Porém, quando falamos e não nos encontramos satisfeitos com a resposta do outro, nos frustramos; a intenção completa de se repetir o ato se esvai e as possibilidades de ser acalentada em qualquer momento se tornam nulas.
Falar pode ser um fardo; às vezes, num impulso de esperança, tornamo-nos fechados ao mundo novamente.
A sensação de prestigiar um retorno e, do nada... não ser recebido.
Pessoalmente, prefiro superar uma decepção.
Falar, gritar aos ventos com a intenção de poetas que vieram antes de mim, proclamar meus prantos e incentivar meus amores em voz alta. Aquela que ama nunca é a perdedora realmente.
Digo amor, não necessariamente num romântico, mas num morfológico (a poesia na formulação da frase, na abrupta de um espirro emocionado).
Entendemos aqui que falar também é se doar. Permitir que um pedaço seu seja visto por outro, recepcionado por ele — amargamente ou não.
A recepção não é responsabilidade da nossa fala, mas nossa fala é necessária para um alívio do espírito. Perceber o que é passível de fala para alívio saudável presente no círculo empático das relações.
Aceitar a morte inevitável do pertencimento solo à nossa pessoa e entregar a emoção a um ambiente comum do amor a si por meio da linguagem.
Cara leitora, fale! Rememore a sensação de alívio do espírito, depois me conta ;)
— ✎ por mim, da página 7
Vejo memórias de infância em realizações de adultez.
Minha mãe costumava botar eu e minha irmã para desfilar quando crianças para a Lilica Ripilica. Eu devia ter uns 3 anos e minha mãe dizia que eu amava aquilo, a atenção e os mimos para me arrumarem na passarela.
Tenho algumas fotos e um vídeo específico da gravação de um desses desfiles de roupa infantil, meu rostinho tão jovem e eu andando com a mãozinha na cintura. Fui crescendo e sempre gostei das câmeras.
Hoje eu faço uns bicos de modelo, algumas marcas pequenas. Trato mais como um hobby, algo que me faz sentir bem comigo mesma.
Falei disso porque minha melhor amiga está em São Paulo agora, vivendo o sonho dela de ser modelo profissional. Eu me lembro de uma situação específica quando estávamos no 9.º ano do fundamental: saímos na rua para almoçar e um representante de uma agência de modelos parou ela e choveu elogios.
Sinto falta dela. Antes mesmo de ela se mudar, eu estava pensando em como me aproximar mais dela. Mesmo com a distância entre nós, nas maneiras de se fazer presente e voltarmos a conversar todos os dias (ou pelo menos toda semana).
Tenho memórias presentes de desejos da infância que se realizam hoje em dia, e vejo que grande parte deles é uma constante manifestação pelo bem e realização dos sonhos de minhas amigas.
Ainda vejo minhas amigas com a idade que tínhamos, mais jovens, os mesmos sonhos grandes, os mesmos amores pela vida — agora com a possibilidade de realizá-los.
Os meus sonhos também são vistos por elas, comemorados e amados na distância, um apoio que vem do berço. Comemoro sozinha, é claro, mas o coração aquece com a mensagem do grupo de WhatsApp e os momentos em que as 9 de nós voltamos a ter 15 anos e um mistério na frente - não que, com 22 anos, nossos mistérios já tenham sido resolvidos, mas a vida já anda mais direcionada ao coração.
Talvez o único benefício de uma "adultez" separada seja ter espaço para onde voltarmos.
Esse post é mais uma carta de amor do passar da vida, da minha e das nenéns que cresci ao lado.
Prestigiar o passado e manter o presente vivo, vem sendo um desafio que estou a postos para encarar!
— ✎ por mim, da página 7
“The worst enemy to creativity is self-doubt.”
— Sylvia Plath
Às vezes demoro para escolher o que vou vestir no dia.
Saí de casa hoje para a faculdade, deixei a cama desarrumada e com pelo menos 4 outras combinações de roupas para usar hoje que foram descartadas.
O clima está ameno, nublado e com um pouco de ventania — o que acaba abalando a nossa percepção de temperatura. Estou vestindo uma blusa de manga longa fina, uma calça jeans, uma botinha da minha mãe sem salto e um casaco de gola alta que muito provavelmente daqui a pouco vou tirar.
Me vesti hoje pensando em um conforto específico, mas também não estou desajeitada, né!
Alguns dias são difíceis para eu entender como quero me apresentar, como desejo viver o dia e, às vezes, até se o meu futuro é o meu futuro de hoje.
Ando refletindo muito sobre minha caminhada acadêmica; tenho tantos caminhos para seguir, quero 3 em específico, e até agora achava que só podia querer um publicamente, sabe? Como se precisasse provar que minha vida está tão bem resolvida.
E ela está mesmo, por enquanto. Acho que, a cada dia mais, vejo o que Sylvia Plath disse em seu poema da figueira — que eu tenho tatuado —: desejamos tanto que só precisamos agir em direção à vontade do ser.
Ainda quero o que falo abertamente sobre meu futuro, mas entendo que, além dele, posso traçar outros caminhos. Posso vestir uma roupa de laboratório em um dia e, no outro, um conjunto de alfaiataria para apresentar a nova curadoria de uma exposição.
Meu guarda-roupa é um portal pro meu futuro, e estou aceitando vesti-lo conforme somente meus desejos, sem influência de ninguém.
(Talvez o Pinterest me ajude de vez em quando, mas quem nunca, querida leitora?)
— ✎ por mim, da página 7
Minhas orientadoras não são minha mãe, mas ainda estou me acostumando com isso.
É meu último ano de faculdade — se a UFJF me deixar graduar — e eu estou em basicamente 3 linhas: 2 grupos de estudo e a escrita do meu Trabalho de Conclusão de Curso.
Os grupos de estudo: um é vinculado à minha bolsa do PIBID, no qual os temas são relativamente mais livres para escrita de artigo, mas sempre voltados à arte/educação, na qual a minha orientadora da bolsa é a orientadora do grupo de estudos e, consequentemente, dos artigos a serem publicados em nome do ATAQUE (nome do grupo de estudos). O outro, ainda não sou oficialmente parte, pois ainda estão nos trâmites de oficializá-lo; é coordenado pela minha orientadora de TCC e por uma outra professora minha, de Estética e Crítica das Artes, e falamos basicamente sobre a institucionalização dos espaços de arte, com um enfoque em gênero.
E, claramente, temos meu TCC, no qual eu vou trabalhar este ano inteiro e defender positivamente no final do ano, em que eu tenho essa minha orientadora e um coorientador de trabalho.
O ponto é o seguinte: eu já estudei em psicologia da educação que, involuntariamente, alunos tendem a paternizar o "mestre" como figura de suma valorização. Eu sei disso, sei como e quando eu transformo elas e ele em imagens de meus pais, até brinco de ser filha deles em alguns momentos, e isso tudo porque tenho uma convivência muito boa com os três.
Ontem, eu quase chorei de medo de apresentar o andamento do meu artigo para minha orientadora do ATAQUE. É um misto de sensações; ao mesmo tempo em que eu a admiro absurdamente como profissional, eu sempre me diminuo em relação a elas com medo de desapontar (e, quando acontece o contrário, elas me elogiarem o bom trabalho é uma imensa satisfação, óbvio).
Como figuras de autoridade e, principalmente, de mentoria, é uma busca constante de ser o suficiente. E não só academicamente, mas como se isso validasse a mim como pessoa, até porque não sou ninguém sem as coisas que amo e pesquiso sobre.
O problema todo, eu acho, é esse desapontamento não se restringir somente a eu como profissional, eu sempre preciso converter isso ao meu pessoal, em como eu não sou boa o suficiente como pessoa se ela pediu para eu alterar 2 parágrafos do meu artigo que ela elogiou a produção.
É estranho falar desse jeito, né? Validação acadêmica nunca me moveu tanto quanto tá me movendo nesse último ano, à espera da formatura, da defesa de TCC e da iminente inscrição no processo seletivo do mestrado ano que vem.
A figura de autoridade, justamente porque eu moro em outra cidade e não tenho minha família por perto, se transfere a uma vigilância materna/paterna constante.
Tudo isso pra dizer: eu ainda não sei como desvincular isso da imagem delas/dele dos meus pais, mas to caminhando um dia — e um parágrafo/capítulo/revisão literária — de cada vez.
Cara leitora, somos mais do que uma entrega bem feita.
— ✎ por mim, da página 7
Caminhar junto é mais divertido
Ontem (21/03/26), eu fui a fotógrafa da cerimônia de bodas de prata dos pais de uma grande amiga minha - a essa altura já posso chamar de irmã - e precisei vir para a cidade dela. Fui convidada a me hospedar na casa dela, para ficarmos juntas e assim foi.
Eu não sou fotógrafa, me interesso e quero aprender mais sobre, edição, filmagem, etc. Vim fazer um favor, para que os pais dela consigam ter memórias concretas desse final de semana, se lembrarem dos votos de amor e companheirismo.
Minha amiga já tinha me dito que a família dela ia gostar de mim, inúmeras vezes para falar a verdade, mas acaba que até realmente nos conhecermos eu tinha essa dúvida fatal. É um passo crucial, querendo ou não, você ser querida pela família de alguém que leva junto ao coração.
Acabou que dito e feito, fui um sucesso!
A cerimônia foi absurda de linda, me emocionei em vários momentos, tenho até uma fotinha com o casal pra por na mesa de cabeceira agora hahahaha.
Tudo isso para dizer que, esses marcos da vida, a intimidade de ver alguém crescer com você e também para você, é algo que palavras em sí pecam, e aí temos a arte para dizer por nós.
Somos felizes na nossa singularidade, mas conseguimos ser ainda mais quando temos companhia que chega para agregar, para comemorar, chorar, pular, rir, beber, comer, dançar, etc.
A vida pode ser bem confusa às vezes, dolorosa até. Mas existe força em comunidade, mesmo que essa seja para você uma ou duas pessoas (também não adianta nada estar rodeado de gente que não te enxerga).
O sol brilha mais forte quando temos alegria contagiando, o ar fica mais fresco e a água mais gelada!
Abracem os seus hoje, a caminhada ainda é longa!
Saiba que aqui sempre terá alguém do outro lado da tela querendo te festejar!
— ✎ por mim, da página 7
Sofri com a história de um casal e me senti feliz por isso
Acho que se me pedirem para avaliar um livro, diria que sou a pior pessoa do mundo para fazer reviews ou dar um número X de estrelas. Eu simplesmente amo tudo que eu leio, na grande maioria das vezes.
Me encanto com uma facilidade ardente por literatura, pessoalmente acho que os livros que "não acontecem nada" ou os chamados "slice of life" em conjunto com os de drama e romance são minha categoria favorita de literatura. Gosto muito também de alguns clássicos, até por que um dos meus livros favoritos é "O Fantasma da Ópera".
Já que cheguei na literatura francesa, Philippe Besson o homem e escritor que você é!
Provavelmente esse post vai virar um altar para seu livro "Mentiras que contamos", eu terminei ele em 3 dias seguidos.
Sério, se tiver a oportunidade, leia.
Eu nunca tinha visto nada de Besson antes, nem procurei na internet quando comprei o livro, li a sinopse e comprei direto da Amazon (patrocina aí) que chegou em 2 dias praticamente. Para minha surpresa não era um simples livro de romance fictício.
Era a história dele e de seu primeiro amor.
Esses assuntos me pegam um pouco, sempre fico muito emocionada a cada virada, a cada olhar trocado e principalmente a melancolia.
O livro me deixou extremamente melancólica, é de uma tristeza tão pura, tão saudosa que tocou meu coração de modo único - mas também qual livro não se torna um pouquinho mais da gente depois de terminado?
O feito do primeiro amor, e como a vida se carregou depois dele, sempre um pouco mais arrastada, um pouco mais cinza.
Todo mundo já teve ou está tendo um primeiro amor, e por mais que sabemos o que isso significa para nosso interior, poder ler a descrição de um relacionamento que permeou a vida de ambos, pelos olhos de um deles, meu coração apertou e aumentou de tamanho ao mesmo tempo.
Ao terminar eu só me sentia como se Besson estivesse sentado numa poltrona na frente da lareira e eu aos seus pés, aproveitando cada palavra e cada cenário que construía pra mim no livro.
Não vou me alongar muito, só digo que no final soltei lágrimas lentas e pesadas, com vontade de abraçar o autor e não soltar mais.
Que a memória de vocês viva por meio das mentiras que conta, mal posso esperar para ler seus outros romances, mesmo que esse esteja guardado a sete chaves em meu coração agora!
A literatura salva a nos destruir por inteiros.
Eu tenho um Skoob se alguém tiver interesse de rir um pouco com meus históricos de leitura (@pagina7reads)
Gostaria também de ler um livro recomendado por você, querido leitor, comenta um aqui pra eu dar uma olhadinha ;)
— ✎ por mim, da página 7
Todo dia acordo mais “mim-mesma”.
Às vezes estranho o reflexo quando levanto da cama, uma parte do cabelo para cima e outra para baixo, os olhos inchados e cheios de remela (eca!), e uma hora ou outra alguma parte meio adormecida que começa a formigar incontrolavelmente.
Mas aí vem ela: eu! Após alguns segundos de confusão e ajuste ao dia, me reconheço por fim.
Ando acordando a dias bons, reclusa no meu apartamento — que infelizmente estou sozinha, sem a companhia de minha colega de apê por conta das férias da faculdade —, trabalhando e experimentando arte.
Eu sempre digo que o tédio é muito bem-vindo, pois com ele vem vontade de mudança e de ação. Esses dias acabaram sendo fábrica de planejamento, o que quero pra esse semestre? Pra esse ano?
Decidi finalmente colocar algumas metas, comecei só elaborando o mês de março, porque aí construo um dia de planejar o mês conforme a vida vai andando, vou retomar meu italiano, minhas práticas espirituais aos domingos, e até gravar conteúdo talvez (e sim, planejo reviver esse blog todo final de semana, mas vamos com calma também…)!
Essas vontades, impulsos, acabam se revelando mais uma camada de minha própria existência, a cada desejo novo consigo me entender mais. De onde vem isso? Seria benéfico? Ou é somente um desejo frugal?
Mas isso só o tempo me dirá, não é? Talvez minha terapeuta me ajude um cado também…
Até porque, somos todas materializações de manifestações constantes de nossos desejos, de nossas ambições. Ao crescer, me encontro tomando forma no espelho cada vez mais rápido!
Espero que você, leitora, acorde realmente se vendo no espelho!
— ✎ por mim, da página 7
Obras que mexeram comigo mais do que pessoas
Não vou articular muito, que vocês se sintam tocados (pelo menos um pouquinho, viu?) como fui com essas obras:
Série Silhueta por Ana Mendieta (a minha artista favorita)
As duas Fridas por Frida Kahlo
Morte e Vida por Gustav Klimt
Nike de Samotrácia (absurdo pensar que consegui ver ela ao vivo!)
Essas duas performances por Marina Abramović
Lugar de Paz - Cosmogramas por Castiel Vitorino Brasileiro, no Museu de Artes do Rio (MAR, RJ) na exposição “Nossa Vida Bantu”
— ✎ por mim, da página 7