18 – Tattoo
Segunda-feira...
“Sabe, não está dando muito certo, às vezes eu me sinto meio o Dick Vigarista gritando para o Mutley fazer alguma coisa. E você só olha meu desespero patético e fica rindo. E então? Como vai ser? Desisto. Eu acho, às vezes, que seria mais produtivo perseguir pombos em praça pública. Bem, eu só queria dizer que, apesar desse seu jeito todo iceberg de ser, eu te acho um rapaz incrível. Você é o melhor ser humano entre os piores que já conheci. Ou o pior entre os melhores. Não sei.”
Fechei meu notebook pouco menos de dois minutos antes do meu despertador tocar às sete da manhã, após ler uma das citações de Gabito Nunes. Levantei e entrei no banho sem muita vontade de nada. Ler era uma das coisas que eu adorava fazer em minhas horas de tédio, ainda mais depois de não ter conseguido dormir direito por ter ficado pensando nele... Eu estava exausto, completamente sem forças para nada.
Quando saí do banheiro e voltei ao quarto para me vestir, vi o pequeno chaveiro que Hyuk me deu. Sentei na cama e, dolorosamente morto de saudades, passei meus dedos pelo contorno de cada letrinha de seu nome. Fiquei um bom tempo observando o chaveiro e lembrando cada momento que passamos juntos. Eu poderia ter gostado de alguém que curte os mesmos estilos que os meus, que fica me olhando todo dia com sorriso apaixonado e que manda recadinhos num papel; mas, não, fui começar a gostar logo dele, que é complicado com as pessoas, que tem opiniões contrárias às minhas, que prefere a perversão, que tem a vontade de jogar com o corpo de alguém como se fosse uma simples peça sexual.
Ali sozinho, pensando em tudo, cheguei a me perguntar se essas coisas eram realmente ruins. A conclusão que tomei é: muito pelo contrário. Era exatamente isso que me fascinava nele. O diferente dele me agradava e me deixava cada vez mais apaixonado.
Suspirei pesadamente.
Eu estava agindo tão roboticamente que nem me lembro quando foi que levantei da cama, vesti uma roupa e peguei o carro para ir direto ao trabalho. Só quando cheguei ao escritório, deixei a mochila sobre a mesa e senti alguém se aproximar de mim por trás, que tive a noção de tempo e espaço.
— Bom dia, lindo. – SiWon disse ao se colocar à minha frente. Foi quando me dei conta de que eu não poderia estar disperso no local de trabalho.
— Dia... – Murmurei tão sem ânimo, que ao ver minha expressão de desânimo, ele chegou mais perto e me observou atentamente.
— Nossa... – SiWon murmurou de volta. – Iceman te fez trabalhar mais do que deveria? Você está com uma cara péssima.
— Pois é. – Eu disse, sorrindo um sorriso amarelo e tão forçado, que daria medo em qualquer pessoa, menos em SiWon, que certamente acreditaria em minhas palavras. Por sorte aquele comentário havia me despertado completamente. – Ele é meio cruel no trabalho. Mas de resto é tranquilo.
— Mas o que houve aí? – Ele apontou para meu braço, notando o curativo devido a luxação.
— Eu caí enquanto lavava minha casa. – Respondi entredentes, sem vontade alguma de lhe dar muitas explicações.
— Quando você voltou de viagem? – Ele mudou de assunto, após menear a cabeça para minha explicação.
— Sexta à noite. Cancelaram as reuniões que teríamos porque o senhor EunHyuk precisou voltar à América.
— Vamos. – Disse SiWon, pegando-me pelo braço. – Tomaremos um café da manhã reforçado, aí você me conta o que está acontecendo.
Não havia muito como recusar aquele convite, então apenas deixei que ele saísse me puxando amigavelmente. No café, para justificar minhas olheiras, falei de Bada e o quanto a saudade dela estava me deixando um pouco debilitado nos últimos dias, o que foi bom em certa parte, pois a simples menção de seu nomezinho encheu meus olhos de lágrimas – era um ótimo pretexto para que ele não descobrisse o que estava havendo de verdade e me liberasse logo de todas aquelas perguntas. E deu certo.
Alguns minutos depois, voltamos às nossas salas. Minha sorte era que havia muito trabalho pela frente.
Minha chefe me cumprimentou ao passar ao meu lado, e pediu que eu fosse até sua sala. Ela queria saber como foi tudo na viagem e o que eu disse pareceu deixá-la satisfeita. Em seguida, como de costume, ela me encheu de trabalho. Era assim, entupindo-me de tarefas que ela mostrava o quanto ficou irritada com o fato de o chefe ter escolhido a mim, e não ela para acompanhá-lo.
Assim que se encerrou o expediente, mesmo exausto, decidi ir à academia. Eu estava precisando relaxar e lá ao menos conseguiria. Ou tentaria, já que as horas foram passando e uma certa ansiedade foi me dominando. Mesmo que eu tentasse ignorá-la, não dava. E isso foi aumentando dia após dia...
Na terça-feira enviei um e-mail para ele, meu chefe, o senhor EunHyuk. Mas ele não respondeu.
Minha chefe voltava a me encher a paciência. Estava insuportável. Qualquer dia eu seria capaz de mandá-la ir à merda e seria demitido na hora. Já a Jessica, me ligou. Falamo-nos e ela insistiu que eu antecipasse a viagem à Mokpo.
Quarta-feira enviei outro e-mail para ele. E novamente ele não me respondeu.
A minha chefe, uma vez mais, escapou, quando o chefe do RH chegou de repente e fez-me ter que desdobrar para que ele não flagrasse aquela bruxa fogosa junto do SiWon, numa atitude nada profissional em sua sala.
Já na quinta-feira recusei-me a escrever mais e-mails para aquele imbecil do Hyuk. Mas acabou que não consegui resistir e mandei uma mensagem com apenas uma palavra: “Escroto!”
E nada de resposta.
Por fim, na sexta-feira o desespero tomou conta de mim. Nenhuma notícia. Nenhum telefonema. Nada... Eu não sabia absolutamente nada sobre aquele homem. E isso me fazia concluir que, de fato, fui um brinquedinho dele durante alguns dias, e tudo o que eu queria agora era esquecê-lo.
Minha chefe continuava um saco, e acabou fazendo uma ceninha na frente de vários dos meus colegas da empresa. Não a mandei à merda porque o desemprego estava alto, senão, ela ia saber quem realmente era Lee DongHae.
À tarde, meu colega me ligou e marcamos um cinema. Na saída, uns amigos que nos esperavam riram de mim, pois ninguém entendia porquê eu chorava tanto vendo filmes. E acabaram por sugerir de irmos beliscar alguma coisa nos bares próximos à redondeza. A sugestão me deixou contente, eu precisava mesmo sair um pouco na companhia de quem me fizesse sorrir. Depois fomos em outro bar e, às quatro da manhã, finalmente voltei a ser eu mesmo... Ri, me diverti e dancei como um louco, ainda que para isso, eu tenha bebido o estoque de Vodka com refri de toda a Coreia.
Na manhã seguinte, o barulho da porta me acordou. Tapei a cabeça com o travesseiro, mas o barulho continuava sem parar... Irritado, me levantei e atendi o interfone.
— Quem é?!
— Oi, titio. Sou eu e a mamãe.
Era o que me faltava. Minha irmã...
Abri a porta para elas com muita má vontade.
Começar o dia aturando o pessimismo da minha irmã me deixava desesperado só de imaginar, mas não tive escapatória. Minha pequena sobrinha se atirou em meus braços assim que me viu, e minha irmã, ao reparar em meu estado, passou batida e ligou logo a tv. Procurou o canal infantil e, por sorte, quando um anime bobinho apareceu na tela, minha sobrinha desapareceu do nosso lado.
Entrei na cozinha feito um zumbi para preparar um café, e minha irmã me seguiu. Sua expressão era séria, e eu já imaginava que ela ia me encher de perguntas. Dava para ver como estava tensa.
— Primeiro, me devolva a cópia das chaves da tua casa. – Com uma vontade de matá-la, busquei as chaves e as coloquei na mão dela, apenas para não brigarmos já cedo. – Segundo – continuou –... você é um péssimo irmão. Eu te liguei milhões de vezes nos últimos dias e nada de você me ligar de volta. E se tivesse acontecido alguma coisa grave comigo? – Não respondi. Ela tinha razão. Às vezes eu era muito avoado e admito que dessa vez exagerei em ter sumido assim. – E terceiro: que diabos aconteceu para você estar com essa cara péssima?
— Amber, ontem à noite eu saí com uns amigos e só fui dormir às sete da manhã. Estou destruído. – Respondi sem vontade nenhuma de me explicar.
— Bom, a noite deve ter sido maravilhosa. – Ela serviu outro café e se sentou na minha frente. – Sua cara diz tudo.
— Foi sim – Murmurei enquanto pegava um remédio para dor.
— Foi com aquele gato com quem você está saindo?
— Não.
Ela fez uma cara de decepção, e eu mais ainda ao pensar em Hyuk. Amber não gostava dos amigos que eu sempre saía na Coreia. Achava coisa de marginal eles usarem piercing na sobrancelha e terem tatuagens. Ela estava muito enganada, mas como já tentei explicar várias vezes e não deu em nada, deixei para lá. Que ela pensasse o que quisesse.
— Maninho... Não me diga que a saída de ontem foi com aqueles seus amigos, porque senão vou ficar irritada.
— Então pode ficar irritada. – Respondi, dando de ombros. – Assim você terá dois trabalhos: se irritar e se “desirritar”.
— Aish! E o EunHyuk? – Ela perguntou, e eu acabei estremecendo por apenas ter ouvido aquele nome. – Esse é o nome dele, né?
— Na verdade o nome dele é HyukJae... Mas, sim... EunHyuk é como deve ser chamado pelo pessoal da empresa. – Expliquei, tentando agir normalmente enquanto tomava o comprimido com um pouco de café.
— Você continua com ele?
— Não.
— Por que não?
— O que você tem a ver com isso, Amber?
— Poxa, DongHae, ele parecia um homem com H maiúsculo. Como você o deixou escapar? – Esse era um comentário típico de minha mãe, que ultimamente Amber não parava de usar. E mesmo demonstrando não estar satisfeito ouvindo aquilo com uma expressão de “Cala a boca senão te dou um tapa!”, ela resolveu continuar: — Eu realmente não te entendo, DongHae. Jessica é louca por você, e você não está nem aí pra ela. Tá, tudo bem... talvez porque você tenha descoberto que gosta desse outro lado. Mas... Agora você ainda perde aquele homem interessante, decente e com cara de sério que te dá a maior bola.
— Que saco... Quer calar a boca? – Exaltei-me.
— Não. – Minha irmã balançou a cabeça, reprovando minha ação. Mau sinal. – Não vou calar a boca. Fico dias sem te ver e quando ligo você não atende. Hoje eu venho te ver e te encontro feito um trapo por ter saído com seus amiguinhos. E ainda por cima, não está mais com o EunHyuk.
Soltei o ar bufando, irritado e querendo jogá-la pela janela do último andar do apartamento.
— Olha só, Amber... – Olhei pra chata da minha irmã, esgotando os últimos suspiros de paciência que me habitavam e comecei: – Não quero falar sobre Hyuk, nem sobre meus amigos, nem sobre Jessica, nem sobre nada! – Espalmei as palmas na bancada e fiz uma cara extremamente irritada. – Não estou nem aí pra nada disso! Estou tendo uma semana infernal no trabalho e ontem saí porque eu realmente precisava me divertir e esquecer todas as coisas que estão me estressando. E agora vem você e fica gritando como uma esclerosada, sem querer entender que minha cabeça está explodindo! – Ergui as mãos, unindo o indicador ao dedo do meio, para pressionar minha fronte em uma massagem, numa tentativa falha para que a dor sumisse. – E se você não calar a boca, juro que sou capaz de fazer uma coisa horrível.
Ela mexeu o café, tomou um gole e, fazendo uma cara de coitadinha, começou a chorar.
Ótimo!
Era só o que me faltava!
— Ah... Desculpa, Amber. – Levantei da cadeira e fui abraçá-la. – Desculpa por ter gritado desse jeito. Mas você já sabe que não suporto que se meta na minha vida e...
— Preciso te contar uma coisa e não sei como, maninho...
Pisquei os olhos diversas vezes. A mudança de assunto me desconcertou e fiquei sem saber como agir. Amber realmente era minha irmã, porque olha...
— Deixa eu ver... Outra vez a história do Henry estar enganando você?
— DongHae... – Ela enxugou os olhos, se levantou, observou minha sobrinha de longe e aproximou-se de novo de mim para murmurar: – Eu te liguei mil vezes para contar... – Fiquei concordando com a cabeça. Na verdade, vi as chamadas perdidas dela, mas decidi ignorar. Senti-me péssimo naquele momento. – Eu... Eu não sei por onde começar. – Ela cochichou. – É tudo tão... Tão...
Fiquei nervoso e meu pescoço começou a coçar. Seria verdade que o idiota do meu cunhado estava traindo minha irmã? Estiquei minhas mãos e segurei as dela, convencido de que esse seria um assunto sério.
— Tão... o quê?
Amber puxou as mãos e tapou o rosto, quase me matando de tanta angústia. Agora eu estava me sentindo pior que qualquer monstro por tê-la deixado na mão esses dias todos. E eu a conheço, sei que estava sofrendo.
— É que tenho vergonha.
Ou não...
— Deixa disso. Sou seu irmão.
— Então... – Amber começou, ficando vermelha como um tomate. – Henry e eu conversamos seriamente na semana passada, quando ele voltou de viagem. – Ela abaixou a voz e cochichou, levando a mão ao pescoço. Balancei a cabeça e fiz uma cara de compreensão, pelo menos era um bom começo. – Ele me disse que não tem nenhuma amante e que me ama, mas...
— Mas?
— No dia seguinte, quarta-feira da semana passada, quando Hyo foi dormir... Ele... Fechou a porta da sala e... E... – Ela gaguejava tanto, que minha vontade era de dar uns tapas para ver se soltava o carretel. – Colocou um filme de mulher vadia.
— Que!? Filme de mulher vadia?! – Pendi a cabeça levemente para o lado e ergui uma das sobrancelhas, inflando as bochechas para não rir da cara dela. – Você quer dizer: um pornô?
— Sim. Ai, meu Deus! – Amber enfim respondeu, e finalmente soltei uma gargalhada alta, não conseguindo evitar. – Não ria! Você não imagina as coisas que vi!
— Ah, Amber, não seja careta. – Respirei fundo, tentando não me engasgar com minha própria risada. – São pessoas transando, pô...
—... E trios e orgias e...
— Caraca... pelo visto o Henryzinho te deixou bem informada!
Ambos caímos na gargalhada.
— Reconheço que isso fez minha libido ir a mil e... Bem... – Ela estava extremamente envergonhada enquanto me contava. – Uma coisa levou à outra e fizemos amor na sala. – Continuando o cochicho, ela arregalou os olhos fazendo-me rir, surpreso. – No chão!
Coloquei as mãos nas bochechas fingindo uma cara de assustado e falei: — Não acredito!
— Exatamente isso que você ouviu.
— Bom... – Eu disse, achando graça no fato de que, para ela, fazer sexo no chão era algo proibido. – E que tal? O que achou?
— Ah, DongHae! – Ela sorriu e murmurou, sem olhar para mim, morrendo de vergonha. – Foi como na época em que éramos namorados. Paixão em estado puro...
— Amber... Isso é maravilhoso. – Peguei em suas mãos e a fiz olhar dentro de meus olhos. – Não é o que você queria? Paixão?
— Sim...
— Então qual é o problema? Por que está me olhando com essa cara?
— Porque a história não termina aí. No sábado eu quis fazer uma surpresa para ele. Falei com a mãe da amiguinha da Hyo, e a levei para dormir na casa dela. Preparei um jantarzinho, fui ao cabeleireiro e... E...
— E?!
— Ai, maninho, tenho até vergonha de falar.
— Tá bom, se você vai me dizer que assistiu a outro filme pornô com seu marido e que transaram encostados na porta, o que há de errado? – Fiz uma cara de impaciência, soltando um longo suspiro.
— DongHae... – Amber colocou a mão no peito, me olhando com aquela cara de sardinha envergonhada. – É que não só fizemos no sofá e no chão, mas também em cima da máquina de lavar e no corredor.
— Eita... minha nossa... O Henry tá que tá... Que garanhão você tem em casa, hein!? – Gargalhei, ela fez o mesmo.
— Ele me comprou uma lingerie vermelha muito sexy e me fez vestir.
— Que legal, Amber!
— E depois... Quando eu menos esperava, me deu outro presente e...
— E?
— Ele me deu um... Um... – Nervosa, ela bebeu um gole de seu café, pegou seu leque e se abanou antes de soltar: – Um... Vibrador! – A essa altura ela estava vermelha como um tomate. – Pronto, falei! Ele disse que quer que a gente brinque na cama, que nossa relação precisa disso e que devemos realizar fantasias.
— Ai, meu Deus... – Soltei uma risada outra vez. Não conseguia me conter.
— Não sei qual é a graça. – Ela murmurou chateada ao me ver rindo tanto. – Estou te dizendo que...
— Aigoo... Desculpa... Desculpa, noona. – Fiquei sério e abaixei a voz, assim como ela. – Acho muito legal que Henry tenha te dado de presente um vibrador e que vocês fantasiem diversas coisas. Se isso vai apimentar a vida sexual de vocês, ótimo! Fantasiar é bom... A imaginação tem que servir para alguma coisa, não acha? – Comentei, vendo como ela concordava vermelha como um tomate.
— Ai, Hae! Fico vermelha só de lembrar as coisas que Henry me dizia.
Tentei entendê-la. Tentei imaginar o que Henry lhe dizia, e isso me fazia sorrir. No fim das contas, os seres humanos eram mais parecidos uns com os outros do que pensamos.
— Tudo bem... – Sussurrei com cumplicidade no ouvido dela. – Não precisa me contar o que ele te dizia, mas que tal sobre o seu Ricardão? Digo: o vibrador.
— DongHae!
— Você lhe deu um nome?
— Maninho, por favor!
— Ah, vai... Você gostou ou não? – Questionei, constatando como ela ficava vermelha de novo. Ao ver que continuei olhando à espera de uma resposta, ela balançou a cabeça em positivo.
— Foi maravilhoso, Hae... Nunca pensei que um aparelhinho desses que vibram e funcionam com pilhas, juntos da imaginação pudesse ter tanta utilidade. Só posso dizer que desde sábado não paramos mais. Estou assustada. Será que tanto sexo assim faz mal? Eu vou te dizer que até minha perereca está assada.
— Amber!
Gargalhei o mais alto que eu conseguia, batendo em minha própria barriga de tão engraçado que aquela confissão dela havia sido. Puta merda, ninguém merece uma irmã tão clichê, com linguajar tão ultrapassado e que começa a descobrir o que realmente é sexo após anos de casamento.
— Paaaara de rir, Hae!
— Aish... Tá bom... Ó... – Limpei os cantinhos dos meus olhos, que escorriam lágrimas de tanta risada que eu dava. – Compre um masturbador oval para ele. – Cochichei. – Tenga eggs é fantástico!
A cara que minha irmã havia feito por meu comentário era impagável. Eu era seu irmão mais novo e acabei de lhe revelar que nada do que ela me contava era novidade para mim.
— Mas... – Com a curiosidade em sua expressão, ela deixou o leque em cima da mesa e me encarou atentamente. – Desde quando você usa essas coisas?
— Há muito tempo. – Menti.
— E por que você nunca me disse? – Sua pergunta me fez ficar olhando para ela, completamente assustado.
— Ué... Convenhamos, Amber, o fato de que você precisa me contar suas intimidades na cama com seu marido, não significa que eu precise contar as minhas. Eu uso essas coisas e ponto, oras... – Fiz um bico enorme, desviando o olhar. – E agora, se você descobriu que isso te excita, te deixa com tesão ou como queira chamar, aproveite o momento e tenha a certeza de que sua vida será mais feliz.
— Você é meu melhor amigo e eu precisava te contar isso tudo. Eu sabia que você não ficaria escandalizado e que me incentivaria a continuar esses joguinhos sexuais com Henry.
Sorri com sinceridade e voltei a olhar seu rostinho envergonhado. Amber era realmente muito inocente para usar aquele termo “joguinhos sexuais”, mas ela apreciava tudo com amor, não só prazer. Isso era um tanto invejável e muito lindo; não algo para se ter vergonha.
Peguei então em sua mão, fazendo um carinho, como se tentasse confortá-la e, também me reconfortar. Ela sorriu de volta. Às vezes eu era quem parecia o irmão mais velho, e eu gostava disso.
— Essas coisas, como você chama, são brinquedos eróticos e tudo bem usar. – Cochichei, finalmente, em meio a risinhos. – E sim... Eu também brinco com eles e com a minha imaginação. – Enrubesci diante do olhar arregalado que ela me enviava. Amber devia ficar imaginando me auto penetrando, e isso me fazia rir internamente. – Acho que noventa por cento do planeta faz o mesmo, mas poucos admitem. Você sabe muito bem que sexo é tabu e, apesar de todo mundo fazer, ninguém fala disso. Mas o sexo é o sexo e devemos aproveitar tudo dele. – Voltei a pensar em Hyuk e, com um sorriso bobo por me lembrar que ele me ensinava diversas coisas, continuei: – Lembro que a pessoa que me deu meu primeiro brinquedinho, disse que quando alguém dá um objeto desse para outra pessoa é porque deseja brincar com ela e curtir. Então... nonnie... Aproveite, pois a vida é curta!
De repente, minha irmã explodiu numa gargalhada e eu também. Ainda não consegui acreditar que eu estava falando de vibradores com minha irmã e usando a palavra “brincar”, nesse contexto. Até que minha sobrinha entrou na cozinha.
— Du que voxês tão rinu?
— De como eu e seu tio adoramos brincar. – Amber disse, piscando um olho pra mim, inesperadamente, e eu voltei a rir.
Nesse mesmo dia, à noite, após uma tarde de risadas e confidências com a agora “safadinha” da minha irmã, liguei o computador assim que as duas foram embora e fiquei boquiaberto. Havia um e-mail de Hyuk... Nervoso, abri a mensagem e vi uma foto minha da noite anterior, dançando como um louco com os braços para o alto. Isso me deu uma raiva. Por acaso ele voltou a me espionar? Mas minha irritação aumentou, quando li o texto do e-mail:
De: EunHyuk
Para: DongHae
Assunto: Lindo quando dança
Gostei de te ver feliz, com o braço bom, e mais ainda de saber que está cumprindo o prometido.
Atenciosamente,
Lee HyukJae (o escroto).
O sangue me subiu pela cabeça. Ter a consciência de que ele fica me vigiando, de que leu a mensagem em que o insultei e de que não respondeu... Isso tudo me irritou de um jeito extremo.
Por que não me ligou?
Por que não respondeu meus e-mails?
Por que ficou me seguindo?
Pensei em responder. Comecei a digitar, escrevendo um monte de grosserias, mas... Não... Recusei-me a lhe dar aquele gostinho e deletei a mensagem em um só toque. Desliguei o computador e, morrendo de raiva, fui para a cama.
Seria mais uma noite em claro...
No sábado à tarde, decidi sair de novo com meus amigos. Bebemos umas cervejas no barzinho, jantamos numa pizzaria e depois seguimos para a boate Euforia. Dei uma olhada à procura do detetive que EunHyuk com certeza pôs na minha cola, mas claro, não descobri ninguém. Apenas gente se divertindo como eu.
Quando já fazia mais de uma hora que eu estava lá, Jessica apareceu ao meu lado e eu só consegui encará-la, surpreso, enquanto me sorria daquela forma espontânea e linda.
— O que você está fazendo aqui?
— Mokpo sem você é muito chata. – Ela respondeu, tentando se aproximar de mim mais do que o suficiente.
— Jessica... – Voltei a encará-la, ainda assustado com sua presença repentina. – Você está se iludindo comigo. Nunca menti para você e... – Tentei continuar a frase, mas ela colocou o indicador em minha boca para me fazer ficar quieto.
— Eu sei, oppa, mas não consegui me segurar. Vamos... Venha ao meu hotel. Temos que conversar.
Não resisti, mas também não fiquei satisfeito por ter de ir ao hotel dela para podermos conversar, se era realmente isso o que ela queria fazer comigo lá. Todavia, me despedi dos meus amigos e prometi voltar logo. Na minha cabeça, eu sabia que essa conversinha com Jessica seria rápida e não muito agradável.
Quando chegamos ao hotel, podíamos sentir a tensão massacrante no ambiente. Recusei a subir até o quarto dela, então fomos ao bar e pedimos uma bebida. Conversamos durante uma hora, discutimos, deixamos claros nossos sentimentos. E, quando por fim tudo parecia estar esclarecido e eu me preparava para ir embora, ela agarrou meu pulso e impediu que eu desse um passo adiante.
— Oppa... Me dê uma chance, por favor. Você mesmo acabou de dizer que não sabe se quer algo a mais. Deixa eu te mostrar de uma vez por todas o que sou capaz de lhe dar. – Sua voz era tão manhosa que fazia meu coração amolecer. Nossos olhos mantinham-se fixos, mesmo que eu não conseguisse me concentrar em nada. – Você é lindo, eu te adoro, sua animação para fazer as coisas me enlouquece. E eu quero que saiba que eu faria tudo por você.
Meu coração palpitou. Eu precisava de carinho e aquelas palavras eram, naquele instante, um alívio para minhas feridas. Mas obviamente, eu não conseguia deixar de pensar no desgraçado safado do meu chefe.
Fechei os olhos, tentando me concentrar, mas tudo o que me veio à mente foi o olhar possessivo e misterioso de EunHyuk. Sem saber por que, agarrei Jessica pela cintura com uma mão, e a outra levei até seu cabelo para que a puxasse e nossas bocas se encaixassem. Adentrei minha língua na boca dela e a beijei com tanto erotismo e vontade, que até eu mesmo me surpreendi.
Sem hesitar, Jessica me arrastou até o elevador. Eu sabia o que ela queria, sabia onde queria me levar e eu apenas estava deixando. Enquanto nos beijávamos com voracidade, subimos ao seu quarto, enquanto eu a deixava percorrer meu corpo com as mãos. De uma forma ou de outra, eu me sentia um traidor, pois não conseguia parar de pensar em Hyuk.
Acabei suspirando entre um ofego, quando as unhas dela entraram em contato com meu abdômen por baixo da blusa e os dedos começaram a roçar abaixo de meu umbigo. Para a surpresa dela, peguei sua mão e a incentivei a descer mais um pouco, tocando em meu sexo por cima do jeans.
— Nossa... Oppa... Você...
— Shih... Não fala nada...
Excitada com minha empolgação, Jessica cravou aquelas unhas em minha pele e me empurrou em cima da cama quando entramos no quarto. E sem demora, sentou-se em meu colo logo após.
Ela esfregava a bunda em meu sexo de um jeito gostoso, arrancando-me desde sorrisos de pura lascívia à gemidos baixinhos pela sensibilidade do local. Era cautelosa, manhosa; sempre foi assim. Seu jeito de fazer amor não tinha nada a ver com o de Hyuk. Aliás, ali, quem comandaria seria eu.
Meu sexo com Jessica obrigava-me a ser delicado. Já com Hyuk, ele me comandava sendo rude e possessivo; exatamente do jeito que agora me fazia ansiar.
Meu coração batia com força, da mesma forma que meu pênis latejava, quando pensei em EunHyuk e isso me excitou escrotamente. Eu tinha a certeza de que, se ele visse o que eu estava fazendo, ficaria tão excitado quanto eu. O jogo dele se transformou no meu, e eu estava tão ou mais incendiado por suas perversões. Naquele instante, embora fosse Jessica, uma mulher que se esfregava em mim e me tocava, era Hyuk quem me possuía.
Peguei meu celular e, disfarçadamente, tirei algumas fotos enquanto ela me beijava. Jessica estava enlouquecida pela minha entrega, que sequer deu conta do que eu fazia, pois já arrancava a própria calcinha para em seguida arrancar minha calça junto da boxer.
Sem demora, ela se colocou de joelhos no chão e afastou minhas pernas, aproximando o rosto da minha virilha. Mordi o lábio, fitando-a de um jeito tão intenso, que minha expressão era toda e totalmente pronta para o sexo, se não tão exagerada: para o orgasmo.
— Isso, Jessica... Ahhn... – Gemi ao sentir os lábios dela envolverem minha glande.
Ela lambia todo meu pênis de cima a baixo, esfregando aquela língua de um jeito tão gostoso, que eu não podia deixar de exaltar meus gemidos por todo o quarto. A carinha manhosa que ela fazia, junto da expressão um tanto vulgar ao me chupar era demais, por mais que eu ainda precisasse de muito mais para realmente estar delirando de tesão.
Fechei os olhos e senti o olhar de EunHyuk. Aqueles olhos ardentes me censuravam, mas ao mesmo tempo eram cheios de desejo. Eu não queria abrir os olhos, não queria mais ver Jessica na minha frente. Queria continuar de olhos fechados e sentir a presença de Hyuk sobre mim. Mas, de repente, Jessica parou os movimentos e eu acabei saindo do mundo da minha imaginação, sentindo algo pressionando meu pênis.
— Oppa... – Manhosa, ela me chamou daquele jeitinho tão implorável para ser fodida. Ela havia colocado uma camisinha em mim, e eu nem percebi de onde foi que ela tirou. – Por favor...
Pensei por alguns segundos se eu realmente queria continuar com aquilo. Mesmo que eu pensasse em HyukJae naquele momento, eu era quem foderia Jessica, não ele a mim. Além do mais, seria um sexo meu com uma mulher, um sexo normal, não um sexo gay e cheio de toques deliciosamente intensos de possessividade, como os dele.
— Tem certeza? – Questionei, puxando-a para cama, para logo me colocar entre suas pernas.
Ela assentiu uma única vez, sorrindo, sem dizer nada. Respirei fundo e mordi meu lábio inferior, esfregando minha ereção à intimidade dela. Instantes depois, com delicadeza, comecei a penetrá-la. Era tão apertadinha, que pouco a pouco eu a deixava se acostumar com o tamanho que a invadia. Mas, sua impaciência fez com que ela se descontrolasse, enlaçando as pernas em meu quadril para me pressionar e encaixar, com força.
— Vai... Ah... Vai, Hae oppa... Mais... Assim... – Ela gemia manhosinha, de um jeito tão delicioso que faria qualquer cara gozar... Menos eu.
— Jessica... Espera...
Jessica continuava tentando me pressionar contra seu corpo para que minhas investidas aumentassem de intensidade, e assim o fiz. Agarrei a cintura dela e me movi para dentro e para fora, com velocidade. Mas eu precisava de mais, mais prazer, mais tesão, mais fogo. Nem os gemidos manhosos e orgasmáticos daquela mulher estavam me enlouquecendo. Ou melhor, eu já estava louco? Pois tudo o que eu pensava era em EunHyuk.
— Aaaii, oppa... Aaahhh...
Jessica estava gozando bem embaixo de mim, tão rápido, em uma cena tão erótica, que merecia virar filmezinho pornô. Só que a única coisa que consegui fazer foi fechar meus olhos e sentir vontade de chorar. Eu queria meu EunHyuk. Queria fazer sexo com ele e que _ele_ me fizesse estremecer.
O que um tempo atrás era ótimo com Jessica ou qualquer outra pessoa, agora, depois de Hyuk, ficou sem graça e monótono. Era do mais que eu precisava, e só ele sabia me dar o que eu queria. Ele sabia me dar o que eu queria e como queria.
Deitei minha cabeça na curvatura do pescoço de Jessica, ouvindo os suspiros pesados que ela deixava escapar. Fechei os olhos e senti o abraço manhoso dela numa espécie de agradecimento enquanto ainda se deliciava da sensação deliciosa de gozar. A sensação que eu não estava tendo.
Eu não conseguiria continuar naquela situação. E ao dar-me conta disso, tentei desvencilhar-me e jogar o corpo para o lado.
— Está tudo bem, oppa? – Jessica perguntou a me ver afastar de si.
— Sim... – Menti. Eu não queria magoá-la.
Levantei-me e fui ao banheiro. Fechei a porta e joguei uma água no rosto, olhando-me no espelho com uma cara idiota para meu “eu”.
— O que você fez comigo, seu escroto? – Sussurrei para minha própria imagem no reflexo. Tudo o que eu queria ver ao lado de minha imagem era HyukJae descendo seus beijos por meu pescoço, mas a única coisa que eu via ali era um DongHae derrotado após ter brochado com uma mulher.
Irritado, joguei água em meu rosto e saí do banheiro, encontrando Jessica sentada numa cadeira, já vestida com um blusão longo.
— Estou indo. – Eu disse, vendo a expressão dela se contrair em uma decepção.
— Não, DongHae... Fique aqui.
Aproximei-me e lhe dei um beijo na boca, tentando limpar a imagem suja que demonstrei segundos atrás. Eu estava consciente de que me comportei como uma pessoa sem caráter, como um idiota filho da puta que fode uma garota e vai embora logo após.
— Por favor, Jessica, continue com sua vida e me deixe continuar com a minha. Nos vemos em Mokpo. – Dito isso, me virei e saí, sem esperar qualquer resposta dela.
Quando fechei a porta atrás de mim, fechei os olhos e suspirei. Eu me sentia péssimo. Andei até o elevador e, já na rua, liguei para meus amigos que me disseram onde estavam. Corri para lá, pois eu realmente precisava encher a cara e esquecer o que acabei de fazer.
Ao chegar na boate Euforia, meus amigos me perguntaram por Jessica, e minha cara demonstrava que eu não queria falar disso. Respeitaram meu silêncio e não perguntaram mais.
— Beba... – Meu querido amigo KyuHyun me ofereceu uma latinha de refri. – Vai se sentir melhor.
— Aigoo... Obrigado.
Uma hora depois, eu já estava mais relaxado. Kyu conseguiu me fazer sorrir e só me deixou tomar refrigerante. Segundo ele, o álcool não era bom para curar a tristeza. Enquanto todos conversavam, fiquei observando o braço dele. A tatuagem que tinha ali, me chamou a atenção, então o segurei e aproximei perto de mim.
— É nova? – Apontei para o doende que ele tinha no antebraço.
— É sim. Gostou? – Sorridente, ele me mostrou mais o braço, eu concordei com um gesto.
Sempre gostei de tatuagens e das pessoas tatuadas. Algo que Hyuk não tem de jeito nenhum. Sua pele era suave, branquinha como um leite, e sem marcas; ao contrário da pele de KyuHyun, que era um tatuador e adorava ter a pele cheia de desenhos. De repente, tive uma ideia.
— Kyu, você me faria uma tatuagem?
— Claro. – Ele me cravou seus olhos. – Quando você quiser.
— Quanto você me cobraria?
— Nada, baby Hae. – Ele sorriu um sorriso engraçado. – Pra você eu faço de graça.
— Sério?
— Claro que sim, bobinho.
— Então... – Ponderei antes de perguntar. – Você faria agora?
— Agora? – Kyu repetiu surpreso, deixando sua cerveja no balcão.
— É.
— São cinco da manhã. – Ele disse, e eu sorri.
Mas eu estava tão a fim de ter uma tatuagem que sequer pensei que ele poderia estar cansado, e cheguei mais perto.
— Não acha que é uma hora perfeita para isso?
Não precisei dizer mais nada. Kyu pegou firme em minha mão e saímos da boate. Subimos em sua moto e fomos direto até seu estúdio. Ao entrar, ele acendeu as luzes e eu acabei olhando tudo ao redor. Havia centenas de desenhos pendurados nas paredes, com todo o trabalho de KyuHyun ao longo de todos esses anos. Tribais, nomes, caricaturas, dragões, fotos de pessoas famosas que ele fazia tatuagens de henna, entre outras coisas.
— Bem, Sr. Impaciente. Que tatuagem você quer?
Sem me mexer, continuei observando as fotos até que vi algo e então pensei exatamente o que eu queria. Ele se surpreendeu quando eu disse o que era, mas procuramos em seus moldes algo parecido com minha escolha. Decidimos o tamanho. Não muito grande, mas o suficiente para ser notada. Então Kyu começou a trabalhar no molde.
Vinte minutos depois, ele olhou para mim e disse: — Já está pronta, meu lindo.
Nervoso, assenti positivamente e observei o que ele tinha feito. Sorri, seguindo o caminho onde ele havia convidado para que eu me sentasse na maca, qual fazia seus trabalhos.
— Onde você quer a tatuagem?
Hesitei por alguns instantes. Eu queria que a tatuagem fosse algo muito íntimo, que só quem eu quisesse poderia ver e que sempre, sempre me fizesse lembrar ele; EunHyuk. Por fim, convencido do que eu queria, apontei o dedo para meu baixo ventre, seguidamente das entradinhas do oblíquo, num local que, com certeza, a boxer taparia.
— Aqui, quero que você tatue aqui. – Sussurrei, indicando o local.
— Hae, vai ser uma tatuagem muito sensual. – Ele sorriu, eu também. – Você sabe disso, né?
— Sim, eu sei. – Respondi.
— Tem certeza, DongHae? – Confirmando o que eu queria, ele perguntou uma última vez enquanto pegava uma agulha.
— Tenho. – Afirmei, determinado.
— Tudo bem, gatinho... Então deita aí.
Enquanto conversávamos e escutávamos Numb do Linkin Park, Kyu trabalhava sobre meu corpo. As picadas da agulha eram dolorosas, mas nada se comparava com a dor que eu sentia em meu coração por culpa de Hyuk.
Por volta das sete da manhã e após escutarmos todos os discos do LP que havia ali no estúdio, KyuHyun largou a agulha na mesinha e lavou minha pele com água.
— Prontinho, lindo.
Levantei-me, ansioso para ver o resultado. De boxer, andei até o espelho e meu coração palpitou forte quando li, nas entradinhas abaixo do meu oblíquo, a frase: “Tell me you want”.
Ao chegar em casa, em torno das oito da manhã, exausto e um pouco dolorido por causa da tatuagem, abri meu notebook. Passei as fotos que tirei com o celular e fiquei decidindo qual delas eu enviaria. Depois abri meu e-mail e escrevi:
De: Lee DongHae
Para: Lee HyukJae
Assunto: Noite gostosa
Para que você veja que estou me divertindo e fazendo o que te prometi.
Atenciosamente,
DongHae.
Anexei à mensagem uma foto em que estou deitado na cama e Jessica me beijava. Nem mencionei a tatuagem, ele não merecia. E eu queria que ele se sentisse mal, vendo que minha vida continuava mesmo sem sua presença.
Após ler a breve mensagem umas cem vezes, apertei a opção “enviar”. Fechei o computador e fui dormir.













